INICIAR SESIÓNNo dia seguinte, Amanda escolheu um vestido laranja claro, que realçava sua pele, combinou com acessórios dourados e passou um perfume suave de rosas. Deixou o cabelo solto, caindo naturalmente sobre os ombros.
Rubens chegou em um carro prata e buzinou. Quando Amanda desceu, foi recebida com um abraço apertado e um beijo rápido. Ele segurou sua cintura com mais firmeza do que ela esperava, e um arrepio lhe percorreu o corpo. — Não faz isso logo de manhã — disse ela, sorrindo sem graça. — Não consegui evitar — respondeu ele, mantendo-a perto por mais alguns segundos. No caminho até a cafeteria, conversaram sobre a cidade, os lugares que ela havia conhecido, os planos que começavam a se desenhar. O local era acolhedor, em tons de marrom, com cadeiras de madeira, vasos de plantas e o aroma envolvente de café fresco. Amanda pediu um café com leite cremoso e bolo de chocolate. Rubens pediu o mesmo. — Nossa… que delícia — comentou ela, provando o bolo. Rubens observava cada gesto seu, o jeito como ela prendia uma mecha de cabelo atrás da orelha, como seus olhos brilhavam ao falar. Amanda sentia um frio no estômago, uma sensação que não experimentava havia muito tempo — aquela atenção a aquecia por dentro. — E… como foi rever sua família? — perguntou, num tom mais contido. — Foi bom. Meus pais são muito amorosos… meu irmão é mais difícil, mas é o jeito dele — respondeu Rubens, fazendo uma breve pausa, um incômodo silencioso passando por seus olhos. Amanda percebeu e mudou de assunto. Falou sobre o trabalho, e Rubens contou o que Gabriel havia dito. no dia seguinte, ela estaria pronta para procurar emprego. Algo estava começando. E ambos pareciam sentir. Depois dali, os dois seguiram para passear pela praça central da cidade. O lugar era encantador: árvores antigas projetavam sombras suaves sobre o chão de pedra, e pessoas caminhavam lentamente, algumas com câmeras penduradas no pescoço, registrando cada detalhe como se quisessem capturar a beleza daquele fim de tarde. No centro da praça, uma fonte chamava atenção. A água jorrava delicadamente ao redor de um pequeno anjo de pedra, de feições delicadas. Amanda parou por um instante, sorrindo. — É tão fofo… — comentou, encantada. Rubens observou o jeito leve com que ela se maravilhava com coisas simples. Tocou-lhe a cintura e a conduziu até um cantinho mais discreto, afastado do fluxo de pessoas. Ali, entre o som distante da água e o murmúrio da cidade, ele a envolveu com naturalidade, depositando beijos demorados, cheios de intenção. Amanda fechou os olhos, deixando-se ficar. Na hora do almoço, Rubens a levou a um restaurante elegante. O ambiente era sofisticado, com música suave e garçons atentos. Amanda experimentou pratos que nunca havia provado antes — sabores diferentes, texturas delicadas, tudo lhe parecia uma descoberta. Ele a observava enquanto ela comentava, curiosa e encantada, cada detalhe. Depois do almoço, caminharam sem pressa pelas ruas próximas, até que Rubens sugeriu um lugar mais reservado. Foram até um apartamento particular dele. O espaço era amplo, com móveis em tons de branco e paredes bege que refletiam a luz dourada do fim de tarde. O silêncio era confortável. Rubens aproximou-se devagar, acariciando Amanda com beijos e toques suaves, como se quisesse prolongar cada segundo. O mundo parecia suspenso ali, entre gestos, olhares e respirações contidas. Aquele dia havia sido especial para ambos. Mais tarde, Rubens a levou de volta para casa. Amanda desceu do carro com um sorriso discreto, ainda envolta pela sensação daquele encontro. Ao chegar à própria residência, Rubens encontrou Cristina à sua espera, próxima à piscina. O céu já estava escuro, e as luzes refletiam na água imóvel. — Onde você esteve o dia todo, Rubens? — questionou ela, visivelmente irritada. Vestia um macacão azul-claro que contrastava com a tensão em seu rosto. — Fui espairecer um pouco — respondeu, sem encará-la. — Não quero discutir agora. Passou por ela, afastando-a com um gesto impaciente, e entrou na casa. Nem percebeu direito Josefa e Vitória, que estavam na sala. — O que está acontecendo, Vitória? — perguntou Josefa, preocupada. — Ele nunca foi assim. Cristina entrou logo depois e sentou-se ao lado da tia. Vitória hesitou, sem saber o que dizer. — Eu perdi a calma… falei de um jeito confrontativo — disse Cristina, tentando controlar a emoção. — Sei que não foi o melhor jeito. Vitória levantou-se. — Vou falar com ele. Subiu as escadas e bateu na porta do quarto, que estava trancada. — Rubens, abra. Precisamos conversar. Ele abriu, com o olhar cansado. — Esse comportamento não está certo — disse Vitória, firme. — Cristina está chorando lá embaixo. Vocês estão em um relacionamento. Ela merece explicações. Rubens respirou fundo, passando a mão pelos cabelos. — Talvez… talvez eu não queira continuar com isso — confessou, mais como um desabafo do que como uma decisão. — Não é justo com ela. Vitória franziu o cenho. — Você está confuso. Cristina é uma mulher linda, carinhosa. Não se encontram muitas assim. Pense bem antes de fazer algo do qual possa se arrepender. Enquanto isso, na sala, Cristina conversava com Josefa. — Tenho medo de estar perdendo o Rubens — confessou. — Ele está diferente. Josefa tomou um gole de chá, tranquila. — Quando um homem muda assim, quase sempre há outra mulher. Se for o caso, você precisa conhecê-la. Saber com quem está lidando. Cristina ficou em silêncio por alguns segundos. A ideia já se formava em sua mente. Depois da conversa com a mãe, Rubens desceu. Cristina se levantou e o abraçou imediatamente. — Me desculpa — disse, com a voz suave. — Eu também tenho culpa — respondeu ele, passando a mão pelos cabelos dela. Ela o conduziu até a área externa, perto da piscina. Sentou-se entre as pernas dele em uma cadeira de praia, apoiando-se com intimidade. — Eu sei que você está confuso — disse, olhando fundo em seus olhos. — Mas eu vou mudar isso. E o beijou, com determinação suficiente para não deixá-lo pensar em mais nada naquele momento.Amanda reconheceu Ernani em uma das mesas mais à frente. Assim que seus olhares se encontraram, ele fez um discreto aceno com a cabeça. Gabriel percebeu o gesto e, sob a mesa, pousou a mão sobre a dela. — Ele acenou para você. Foi da época em que você trabalhava no hotel? — perguntou, num tom tranquilo, embora a curiosidade estivesse evidente. Amanda apertou levemente os dedos dele. — Sim. Ana Bela pediu que ele viesse hoje. Depois do almoço, fui com ela conversar com ele. A lembrança daquele encontro ainda estava fresca em sua memória. Pouco depois, Ernani se aproximou. Com elegância, cumprimentou Amanda com um beijo respeitoso na mão. — Obrigado por ter me ouvido naquele momento tão difícil da minha vida — disse ele, com sinceridade. — Não precisa agradecer. Fico feliz que esteja aqui — respondeu Amanda. Ana Bela, ao lado dos dois, logo começou a falar sobre o café servido no evento e sobre as crianças atendidas pela fundação. Explicou que a presença de Ernani po
Na tarde seguinte, Enzo foi até o presídio acompanhado de um advogado. O ambiente era frio e silencioso, interrompido apenas pelo som metálico dos portões se abrindo e fechando e pelo eco dos passos dos agentes no corredor de concreto. Quando Aida entrou na sala de visitas, usando o uniforme da prisão, seus olhos cansados se iluminaram ao vê-lo. — Não acredito... Você voltou... e ainda trouxe um advogado. — disse, aproximando-se rapidamente. Por impulso, ela o abraçou. — Senhora, afaste-se. Sem contato físico. — advertiu um policial, em tom firme. Aida soltou Enzo e deu um passo para trás, abaixando a cabeça. — Eu não podia deixar você passar por isso sozinha. — respondeu Enzo, olhando-a com preocupação. O advogado pediu alguns minutos para conversar apenas com ela. Enzo concordou e saiu da sala. Assim que ficaram a sós, o advogado abriu uma pasta repleta de documentos. — Já analisei o seu caso com base nas informações que o Enzo me passou. Existe uma estratégia de defesa que
Ana Bela foi visitar Amanda naquela tarde de sexta-feira. O céu estava claro, e uma brisa suave entrava pelas janelas do apartamento, espalhando o aroma acolhedor de café recém-passado. Assim que a campainha tocou, Amanda correu para abrir a porta. — Finalmente veio me visitar no meu apartamento! — disse ela com um sorriso radiante, envolvendo a amiga em um abraço caloroso. — É verdade. Estava lhe devendo essa visita. E também queria lhe contar uma coisa antes que você descubra por alguma revista de fofocas. — respondeu Ana Bela, retribuindo o abraço. Amanda arqueou uma sobrancelha, curiosa. — Agora você me deixou intrigada. O que aconteceu? Ao entrar, Ana Bela sentiu o ambiente aconchegante. Sobre a bancada da cozinha havia uma cesta com pães ainda mornos, e o cheiro do café fresco tornava tudo ainda mais convidativo. — Primeiro venha tomar café comigo. Sente-se aqui. — convidou Amanda, puxando uma das cadeiras da bancada. Ana Bela sentou-se enquanto Amanda servia duas xícara
Naquela manhã, Amanda chegou à empresa mais cedo do que o habitual. A luz suave do sol atravessava as janelas de vidro do edifício, iluminando as mesas ainda silenciosas. Em suas mãos estava uma pasta organizada com todo o material que havia reunido nos últimos dias. Ao seu lado, Andrea observava os documentos espalhados sobre a mesa da sala de reuniões. — Como você conseguiu descobrir tudo isso? — perguntou, impressionada. Amanda fechou a pasta e respirou fundo. — Com a ajuda de um antigo amigo da escola. Hoje ela vai responder por tudo o que fez. Um sorriso satisfeito surgiu em seus lábios. Andrea balançou a cabeça em admiração. — Eu sabia que você não deixaria isso passar. Amanda sorriu, mas sua atenção foi desviada para Gabriel, que cruzava o corredor do outro lado do vidro. Por um instante, seu coração apertou. — "A única coisa que ainda me incomoda é o jeito estranho dele nos últimos dias..." — pensou. — "Tentei explicar que Jonas estava me ajudando na investigação, m
Alguns dias depois do casamento, Rubens decidiu visitar Otávio. A tarde estava agradável. O céu azul era cortado por algumas nuvens brancas, e uma brisa suave balançava as copas das árvores da praça próxima ao condomínio. Depois de tomarem um café rápido, os dois resolveram caminhar pelas alamedas arborizadas do bairro. Por alguns minutos, conversaram sobre trabalho e assuntos triviais. Mas Rubens parecia distraído. As mãos estavam nos bolsos e seu olhar permanecia perdido à frente. Otávio percebeu. — Como está a Cristina? — perguntou. — Fiquei assustado quando a vi passando mal na igreja. Rubens soltou um longo suspiro. — É justamente sobre isso que eu queria falar. Otávio arqueou uma sobrancelha. — Hum... — Eu não queria filhos. — Rubens passou a mão pelos cabelos. — Para ser sincero, essa ideia nunca passou pela minha cabeça. E agora a Cristina está grávida. Otávio permaneceu em silêncio por alguns segundos. — Ah. — "Ah?" É só isso que tem para dizer? Otávio deu um
Tudo estava pronto para a cerimônia. A igreja parecia saída de um sonho. Arranjos de lírios brancos adornavam o corredor central, espalhando um perfume suave pelo ambiente. Centenas de pequenas velas iluminavam discretamente o altar, enquanto a luz colorida dos vitrais desenhava reflexos sobre os bancos ocupados pelos convidados. No altar, Rubens aguardava. Vestido com um elegante terno escuro, mantinha as mãos unidas à frente do corpo, tentando esconder o nervosismo. O coração batia forte dentro do peito. Ao seu lado, o padre organizava os últimos detalhes da cerimônia. Josefa ocupava um dos primeiros lugares. Ao observar a igreja lotada e o altar decorado, uma lágrima silenciosa escorreu por seu rosto. A marcha nupcial começou. Todos se levantaram. Cristina surgiu na entrada da igreja. Por um instante, o mundo pareceu parar. O vestido branco caía com elegância sobre seu corpo, o véu delicado acompanhava seus passos e a coroa brilhava suavemente sob a luz dos lustres. Enqu







