Masuk♡ Bianca ♡
A pergunta surgiu sem aviso, fazendo meu coração acelerar. Por mais que tente me convencer, uma parte de mim – uma parte pequena, mas teimosa – lembra o que aconteceu entre nós... Pior, imaginava se aconteceria de novo...
— Não! — disse em voz alta, como se pudesse me convencer. — Não! Não! Não!
Respirei fundo e contei até dez. Posso consertar isso. Tudo o que preciso é um pouco de sorte e muita cara de pau.
Peguei um pano limpo e um frasco de removedor de manchas do armário, tentando focar na tarefa simples: limpar o café que derramei na camisa dele.
Quando abri a porta pra sair, quase colidi contra um peito sólido.
— Desculpe — murmurei, recuando instintivamente.
E então olhei para cima e minhas pernas tremeram.
Lucky, na minha frente, tão perto que sinto seu perfume – madeira e algo mais profundo, intoxicante. Seus olhos escuros me observaram com uma intensidade que fez minhas pernas fraquejarem ainda mais.
— Tudo bem? — perguntou, a voz suave como seda.
Engoli seco.
— Tudo ótimo — menti, segurando o pano como se fosse um escudo. — Peguei... pra limpar sua camisa...
O sorriso lento de Lucky fez meu estômago dar um giro completo. Ele olhou para o pano em minhas mãos e depois para o meu rosto, como se estivesse lendo cada pensamento desesperado que cruzava minha mente.
— Não se preocupe com a mancha — disse, a voz mais baixa do que o necessário.
Eu forcei um sorriso profissional, tentando ignorar como seu perfume envolvia meus sentidos, trazendo memórias da noite anterior que deviam ser enterradas.
— Tem a apresentação... para os... hum, funcionários... — argumentei gaguejante, balançando o pano em meio ao meu desespero. — Não pode aparecer assim...
Antes que ele pudesse responder, estiquei a mão e toquei levemente a mancha na camisa branca. O tecido fino não escondia o calor da pele dele, e meus dedos tremeram ao sentir os contornos duros dos músculos por baixo. Exatamente como eu me lembrava.
Um rubor quente subiu pelo meu pescoço quando as memórias invadiram minha mente sem permissão. Suas mãos em meu corpo, minha boca em seu pescoço, a maneira como ele...
— Você deveria trocar de camisa — disse abruptamente, recuando como se tivesse sido queimada.
Lucky sorriu.
— Boa ideia. Mas não tenho nenhuma outra.
— Tem camisas extras no armário do banheiro — continuei, apontando para a porta atrás de mim sem conseguir olhá-lo nos olhos. — Comprei para o seu avô.
— Não acho que as roupas deles servirão em mim — ele comentou, me fazendo olhar para aquele corpo grande e forte. Bem diferente dos outros Hart que conheço.
Tudo nele era diferente. Era uma versão maior, mais forte e bronzeada dos Hart.
— Eh... Vou pegar e ajustamos... — pronunciei desesperada para tirar minha atenção dele. — Vai ter de tirar essa que usa — comentei, abrindo o armário em que deixei as peças. — Pronto...
Quando me virei, o mundo parou.
Lucky estava totalmente e impressionantemente sem camisa. Seu torso uma obra de arte esculpida em músculos.
— Você disse para trocar de camisa — ele lembrou, a voz carregada de diversão ao ver minha expressão.
— Eu... você... podia ter esperado eu sair! — consegui articular, desviando os olhos para o teto, as paredes, qualquer lugar que não fosse aquele torso forte.
— Só estou obedecendo suas ordens, bela.
A palavra ecoou no banheiro como um trovão.
"Bela."
Exatamente como ele tinha murmurado na noite anterior, entre um beijo e outro, enquanto suas mãos percorriam meu corpo. Meu coração deu um salto tão violento que achei que ia sair pela boca.
— Não me chame assim — saiu mais áspero do que eu pretendia, enquanto recuava um passo, como se a distância pudesse me proteger. — Meu nome é Bianca.
Lucky sorriu, aquele sorriso lento e perigoso que fazia meu estômago se encher de borboletas. Seus olhos escuros brilharam de divertimento enquanto ele pegava a camisa que eu segurava em minhas mãos trêmulas.
— "Bella" é só um jeito carinhoso — explicou, a voz suave como veludo. — Significa bonita em italiano.
Antes que eu pudesse reagir, ele levantou uma mão e tocou meu rosto, os dedos roçando levemente minha pele ao empurrar um cacho rebelde para trás da minha orelha. O contato foi rápido, mas suficiente para fazer meu corpo inteiro tremer como uma folha no vento e pegar fogo.
— Nas nossas conversas, não imaginei que você fosse tão tímida — continuou ele, estudando cada microexpressão do meu rosto como um cientista observando uma experiência fascinante.
Eu engoli seco, forçando-me a recuperar o controle.
— Não sou tímida — retruquei, cruzando os braços na frente do corpo como uma barreira frágil entre nós. — Só profissional. E como sua assistente, recomendo que vista a camisa.
Lucky riu baixinho e pegou a camisa, nossos dedos se tocando por uma fração de segundo, um choque elétrico percorrendo meu corpo.
— Como mandar, bella — murmurou, enfatizando o apelido como um desafio.
Assistir Lucky vestir a camisa foi uma tortura divina. Cada músculo do seu torso se movia sob a pele enquanto ele abotoava cuidadosamente cada botão, escondendo aquela visão proibida com movimentos lentos, deliberados, como se estivesse me dando tempo para olhar, de lembrar como foi explorar aquela pele com minha língua.
— Melhor? — perguntou ele, ajustando as mangas, curtas para seus braços, assim como os botões pareciam prestes a explodir.
Tentando ignorar como minha boca estava seca, acenei com a cabeça, incapaz de confiar na minha voz.
— Ainda falta a gravata — ele disse tirando a gravata de seda do bolso, depois olhou para mim, um brilho malicioso nos olhos. — Me ajuda?
Puxa vida!
— Não sou sua babá — consegui murmurar.
Ele pegou minha hesitação no ar com reflexos de predador, os lábios se curvando num sorriso lento.
— Pena. Você seria ótima no papel.
Meu rosto pegou fogo. Era exatamente o que ele queria.
— Seu avô te espera — mudei de assunto abruptamente, escancarando a porta do banheiro.
Lucky finalmente pareceu levar a sério, mas não sem antes estender a gravata para mim, um desafio silencioso nos olhos.
Respirei fundo.
Meus dedos tremeram ao pegar a seda fria, os nós dos dedos roçando contra o pescoço dele. A pele quente, o pulso acelerado sob meus toques.
— Você faz isso sempre? — ele murmurou, o hálito quente batendo no meu rosto enquanto eu trabalhava o nó.
— O quê?
— Arruma homens que não conhece?
♡ Bianca ♡Após semanas de auditoria, a sala de reuniões da Hart Enterprises está gelada pelo ar condicionado, mas meu sangue ferve no calor da vitória enquanto observo os membros do conselho assinarem os documentos que selam o destino de Aidan.Lucky está sentado à cabeceira da mesa, seu terno azul-marinho impecável, a expressão séria. Seus dedos tamborilam levemente na mesa de madeira nobre, o único sinal de impaciência. Do outro lado, Aidan parece ter encolhido.— Está decidido — Arthur declara, sua voz grave ecoando na sala silenciosa. — Aidan Hart está oficialmente afastado de todas as suas funções na Hart Enterprises. Em troca da devolução integral dos valores desviados, a empresa não prosseguirá com ações criminais.O caneta dourada brilha quando Aidan a pega para assinar. Vejo seu dedo indicador tremer levemente antes que ele force uma assinatura firme. Quando levanta os olhos, eles encontram os meus por um segundo - azuis e gelados como sempre, mas agora com algo novo: derrota
♡ Bianca ♡Meus dedos se apertam involuntariamente no braço de Lucky, e ele vira o rosto para mim, os olhos escuros escaneando minha expressão antes de endurecerem.— Estou aqui.É só um sussurro, mas carrega uma promessa. E então ele nos alcança. Para a poucos passos de nós, o peito subindo e descendo rápido demais para alguém que só caminhou até a garagem.— Que cena tocante — ele cospe, a voz carregada de um veneno que já me intoxicou por anos. — O meu irmão e a minha ex-noiva. Achando que podem me passar a perna.Lucky não se mexe, mas sinto o corpo dele se ajustar, quase imperceptivelmente, entre Aidan e eu. Um escudo humano.— Deveria estar preocupado com as acusações de fraude, Aidan — Lucky responde, calmo demais. — Não com a nossa vida pessoal.Aidan ri, um som seco que não chega perto dos olhos.— Ah, claro. Porque você sempre foi o santo da família, não é? — Ele dá um passo à frente, e eu involuntariamente recuo. — Mas vamos falar da vida pessoal mesmo. Uma vez que posso s
♡ Bianca ♡Em todos os anos trabalhando ao lado de Arthur Hart nunca o vi tão desiludido e decepcionado quanto hoje, ao descobrir que um dos netos prejudicou a empresa que fundou e ainda tentou colocar a culpa no irmão. Ele ainda pensava no que fazer com as provas que tinha diante de si quando Aidan invadiu a biblioteca.— Isso é um absurdo! — Aidan esbraveja diante da acusação, sem mostrar o menor abalo em ser desmascarado. — Realmente acredita nessa mentira, vovô?Arthur não pisca. Os olhos claros dele, normalmente tão acolhedores e amorosos com os netos, estão frios para Aidan.— Lucky trouxe provas, Aidan.— Provas forjadas! — Ele dá um passo à frente, e eu instintivamente me aproximo de Lucky, sentindo o calor do corpo dele contra o meu braço. — Ele está tentando me queimar para cobrir os próprios erros!Lucky solta um suspiro quase imperceptível, cansado dessa discussão e da fuga da verdade que Aidan insiste em percorrer.— As transações estão todas aqui, Aidan. — Ele aponta par
♡ Bianca ♡O portão da mansão dos Hart se abre com um rangido solene, como se estivesse me avisando que não sou bem-vinda aqui. O Jaguar preto de Lucky desliza pelo caminho de pedras, e eu aperto os dedos contra a alça da minha bolsa. Nesta casa, até o ar é pesado.Lucky estaciona e desce, mas antes que eu possa abrir minha porta, ele já está lá, oferecendo a mão. Seus dedos se entrelaçam nos meus, firmes, quentes.— Pronta? — Ele inclina a cabeça, os olhos escuros escaneando meu rosto como se soubesse que eu estou a um passo de fugir.— Nem um pouco — murmuro, ajustando os óculos de tartaruga.Ele sorri, como se minha resposta fosse exatamente o que esperava.Pedi para acompanha-lo na visita ao avô, mas repenso a cada passo que me aproxima da mansão.A escadaria de mármore parece mais longa do que deveria, cada degrau um teste. A porta se abre antes mesmo que Lucky toque a campainha, e lá está ela: Camila Hart.Loiro platinado impecável, vestido justo que custa mais que meu salário a
♡ Bianca ♡A maldade de Jéssica queima em meu peito. Lembro da minha indicação ingênua, do orgulho bobo de ajudar minha irmãzinha, agradando o pedido dos meus pais. Como fui trouxa.— Que história triste — comento, girando minha cadeira para enfrentá-la de frente. — Pena que seus esforços são e continuarão sendo inúteis. Aidan é um incompetente que vai perder a empresa para o irmão. E você jamais conseguirá nada de bom se continuar a ser invejosa e mesquinha.Vejo o golpe atingir. Seus olhos estreitam, os dedos se apertam na borda da mesa até as articulações ficarem brancas.— Quanto tempo você acha que ele vai aguentar ao lado de uma grávida de outro? — Ela muda de tática, a voz melíflua. — Quando ele cansar de você — Jéssica continua, inclinando-se ainda mais —, eu estarei esperando. E dessa vez, não vai ser só nos bastidores.Ergo os olhos lentamente, examinando cada detalhe do rosto perfeito da minha irmã. O batom vermelho-sangue, a maquiagem impecável, o brinco de diamante que er
♡ Bianca ♡Meu expresso queima minha língua enquanto observo Jéssica desfilar pelo corredor como se fosse dona do andar da presidência, o salto alto estala como chicote e aquele sorriso de cobra que conheço desde os tempos em que dividíamos o quarto.— Bom dia, irmãzinha — ela diz, passando por mim como um furacão de perfume doce. — Vim entregar os documentos que prometi ao Lucky.Ajusto os óculos com um empurrão mais brusco que o necessário, ao ligar para a sala de Lucky e informar a chegada dela.A porta do escritório se abre e lá está ele - terno cinza-escuro que faz seus olhos parecerem ainda mais intensos, a barba perfeitamente aparada, a postura de quem nunca duvida do próprio poder.— Senhorita Jéssica Malocchio, entre! — comanda com um aceno de cabeça profissional, antes que os olhos escuros encontrem os meus.Jéssica obedece sorridente. Entra no escritório com um rebolado que deveri







