Mag-log in♡ Bianca ♡
— Não pode ser! — soltei, os olhos arregalando conforme reconheci a vítima.
Alto, bonito, de olhos e cabelos escuros. Alguém que não deveria estar ali: O homem da noite passada.
— Não pode ser! — repeti quando nossos olhos se encontraram e ele sorriu.
— Bom dia para você também, Bianca — ele disse, a voz tão rouca quanto eu lembrava.
Meu cérebro parou de funcionar. Ele sabe meu nome? Como? Onde? Por quê?
Ele olhou para a mancha de café, depois para mim. Seus lábios curvados em um sorriso bonito e perigoso. Minhas pernas viraram gelatina e, bem, entre elas o calor foi inevitável.
E então Arthur Hart, fundador da empresa, entrou atrás dele, com sua postura imponente e um olhar que alternava entre confusão e divertimento.
— Bianca, vim te apresentar meu neto: Lucky — ele informou, antes de virar-se para o homem ao seu lado. — Lucky, esta é Bianca Malocchio, assistente executiva da presidência.
O chão pareceu desaparecer sob meus pés.
— Não pode ser! — murmurei catatônica quando as sinapses foram finalizadas e o entendimento me alcançou.
LUCKY HART.
O meio-irmão de Aidan.
O novo CEO.
Lucky e o homem que eu tinha usado como instrumento de vingança na noite passada são a mesma pessoa...
— Sei quem ela é — Lucky interrompeu, os olhos nunca deixando os meus.
MERDA!
— Vocês dois se conhecem? — Aidan perguntou, a voz carregada de uma desconfiança que fez meus dedos se contraírem involuntariamente.
Meu coração martelou contra as costelas como se quisesse escapar. Lucky vai me entregar? Vai contar para todos que ele tinha me devorado na noite anterior? Me abanei. E pelos motivos errados.
Lucky finalmente quebrou o contato visual comigo para olhar para o irmão.
— De certa maneira — respondeu ambíguo, enquanto passava os dedos pela mancha de café na camisa. — Embora preferisse ter sido apresentado formalmente de outra maneira, reconheci Bianca pela foto dos funcionários da empresa — explicou ajustando a gravata, que escapou do ataque de café. — E porque acompanho as redes sociais da Hart. Como qualquer bom CEO faz.
O alívio que senti foi tão intenso que quase perdi o equilíbrio.
Arthur olhou entre nós, os olhos azuis carregados de compreensão. Graças aos céus, não a correta.
— Temos muito o que discutir, e o melhor é fazê-lo na sala da presidência — indicou fazendo um gesto para saírem. — Mas primeiro, Bianca, peça algo para limpar a mancha e chame a copeira para nos servir.
— Claro, senhor Arthur — respondi, a voz mais firme que consegui.
Estava quase saindo da copa quando Aidan soltou a bomba.
— Viram a última postagem da Bianca nas redes sociais? — perguntou. — Parece que alguém se divertiu bastante depois do incidente de ontem.
Meu sangue gelou.
Meu plano genial de vingança se voltava contra mim. Uma coisa é provocar Aidan, outra, totalmente diferente, é me expor para o fundador da empresa e para o novo CEO. Não que Lucky não saiba o que fiz... Fizemos...
Arthur franziu a testa. Era óbvio que não via relevância, nem mesmo acessava redes sociais. Motivo que me deu confiança em postar. Meu problema era com outra pessoa. O que levou minha atenção toda a Lucky.
— Meu celular descarregou durante o voo. Ainda não acessei nada depois dos vídeos da sacristia — ele explicou dando de ombros.
A resposta foi tão seca que até Aidan pareceu surpreso.
Arthur aceitou a explicação com um aceno de cabeça, mas Aidan não desistiu.
— Pois se visse não me condenariam — retrucou, os olhos azuis passando de mim para Lucky. — Ela não é tão santa como acham.
Senti meus dedos frios na maçaneta.
— Não sou de condenar — Lucky indicou seco —, mas nada mudará o que fez, irmão.
Evitando o olhar de todos, especialmente o de Lucky, escapei da copa antes que minha máscara de profissionalismo perfeito rachasse.
Corri para o banheiro da presidência, tranquei a porta e encostei-me à pia, respirando fundo, tentando recuperar o fôlego.
Tenho trabalho para fazer. Mesmo que meu novo chefe seja o homem cujas mãos eu ainda sentia na minha pele.
Encarei meu reflexo no espelho.
Céus, que bagunça!
Meu cabelo cacheado estava rebelde, os olhos marcados por olheiras que o corretivo não conseguiu esconder completamente atrás das lentes dos óculos. Os lábios, cobertos com batom nude, pareciam pálidos comparados ao vinho intenso que eu usei na noite anterior.
Noite anterior...
Um calafrio percorreu minha espinha quando as memórias invadiram minha mente sem pedir licença. As mãos grandes de Lucky prendendo meus pulsos. A barba dele arranhando minha pele enquanto seus lábios desciam pelo meu pescoço. A voz rouca sussurrando coisas que fizeram meu corpo pegar fogo...
— Merda! — murmurei pela enésima vez, lavando o rosto com água gelada.
A água escorreu pela minha pele enquanto eu tentava me convencer: ele não me reconheceu. Como poderia? Naquela noite, eu estava irreconhecível. Cabelo liso, maquiagem impecável, lentes de contato no lugar dos meus óculos quadrados. Todas as fotos que ele viu nas redes e nos arquivos do trabalho eram da minha original, não dá mulher ardente que me tornei na noite anterior.
O alívio foi quase físico. Agradeci mentalmente à equipe de beleza que me preparou para o casamento. Além do mais, estava escuro. Nada levaria ele até mim...
A foto...
Aquela que postei para irritar Aidan. Que há poucos instantes meu ex usou contra mim. E que Lucky ainda não tinha visto...
Meu estômago deu um salto mortal quando saquei o celular do bolso da saia. Abri o aplicativo da rede social onde postei aquela foto maldita — a única em que Lucky e eu aparecíamos juntos, mesmo que só o braço dele estivesse visível. Lá estava: O braço em volta da minha cintura, o rosto oculto. Eu, bem visível, sorrindo.
Que diabos eu estava pensando?
Apaguei a foto sem hesitar. Não podia correr o risco dele ver aquilo. Não quando Lucky é meu futuro chefe. Não quando um simples deslize pode custar meu emprego, o alto salário, o pouco que me resta depois do fiasco com Aidan.
Como pude ser tão impulsiva? Tão estúpida? Propor que passasse a noite comigo já tinha sido absurdo. Mas concretizar o feito e ainda tirar uma foto foi arriscado demais, mesmo naquela noite de caos. Especialmente porque era Lucky Hart. O homem que agora controlava meu salário, meu futuro, minha carreira.
Respirei fundo, tentando me acalmar. Tudo bem. Estava tudo sob controle. Eu apaguei a foto. Lucky não me reconheceu. Fingiria que nada aconteceu e seguiria em frente.
Mas eu quero fingir?
♡ Bianca ♡Após semanas de auditoria, a sala de reuniões da Hart Enterprises está gelada pelo ar condicionado, mas meu sangue ferve no calor da vitória enquanto observo os membros do conselho assinarem os documentos que selam o destino de Aidan.Lucky está sentado à cabeceira da mesa, seu terno azul-marinho impecável, a expressão séria. Seus dedos tamborilam levemente na mesa de madeira nobre, o único sinal de impaciência. Do outro lado, Aidan parece ter encolhido.— Está decidido — Arthur declara, sua voz grave ecoando na sala silenciosa. — Aidan Hart está oficialmente afastado de todas as suas funções na Hart Enterprises. Em troca da devolução integral dos valores desviados, a empresa não prosseguirá com ações criminais.O caneta dourada brilha quando Aidan a pega para assinar. Vejo seu dedo indicador tremer levemente antes que ele force uma assinatura firme. Quando levanta os olhos, eles encontram os meus por um segundo - azuis e gelados como sempre, mas agora com algo novo: derrota
♡ Bianca ♡Meus dedos se apertam involuntariamente no braço de Lucky, e ele vira o rosto para mim, os olhos escuros escaneando minha expressão antes de endurecerem.— Estou aqui.É só um sussurro, mas carrega uma promessa. E então ele nos alcança. Para a poucos passos de nós, o peito subindo e descendo rápido demais para alguém que só caminhou até a garagem.— Que cena tocante — ele cospe, a voz carregada de um veneno que já me intoxicou por anos. — O meu irmão e a minha ex-noiva. Achando que podem me passar a perna.Lucky não se mexe, mas sinto o corpo dele se ajustar, quase imperceptivelmente, entre Aidan e eu. Um escudo humano.— Deveria estar preocupado com as acusações de fraude, Aidan — Lucky responde, calmo demais. — Não com a nossa vida pessoal.Aidan ri, um som seco que não chega perto dos olhos.— Ah, claro. Porque você sempre foi o santo da família, não é? — Ele dá um passo à frente, e eu involuntariamente recuo. — Mas vamos falar da vida pessoal mesmo. Uma vez que posso s
♡ Bianca ♡Em todos os anos trabalhando ao lado de Arthur Hart nunca o vi tão desiludido e decepcionado quanto hoje, ao descobrir que um dos netos prejudicou a empresa que fundou e ainda tentou colocar a culpa no irmão. Ele ainda pensava no que fazer com as provas que tinha diante de si quando Aidan invadiu a biblioteca.— Isso é um absurdo! — Aidan esbraveja diante da acusação, sem mostrar o menor abalo em ser desmascarado. — Realmente acredita nessa mentira, vovô?Arthur não pisca. Os olhos claros dele, normalmente tão acolhedores e amorosos com os netos, estão frios para Aidan.— Lucky trouxe provas, Aidan.— Provas forjadas! — Ele dá um passo à frente, e eu instintivamente me aproximo de Lucky, sentindo o calor do corpo dele contra o meu braço. — Ele está tentando me queimar para cobrir os próprios erros!Lucky solta um suspiro quase imperceptível, cansado dessa discussão e da fuga da verdade que Aidan insiste em percorrer.— As transações estão todas aqui, Aidan. — Ele aponta par
♡ Bianca ♡O portão da mansão dos Hart se abre com um rangido solene, como se estivesse me avisando que não sou bem-vinda aqui. O Jaguar preto de Lucky desliza pelo caminho de pedras, e eu aperto os dedos contra a alça da minha bolsa. Nesta casa, até o ar é pesado.Lucky estaciona e desce, mas antes que eu possa abrir minha porta, ele já está lá, oferecendo a mão. Seus dedos se entrelaçam nos meus, firmes, quentes.— Pronta? — Ele inclina a cabeça, os olhos escuros escaneando meu rosto como se soubesse que eu estou a um passo de fugir.— Nem um pouco — murmuro, ajustando os óculos de tartaruga.Ele sorri, como se minha resposta fosse exatamente o que esperava.Pedi para acompanha-lo na visita ao avô, mas repenso a cada passo que me aproxima da mansão.A escadaria de mármore parece mais longa do que deveria, cada degrau um teste. A porta se abre antes mesmo que Lucky toque a campainha, e lá está ela: Camila Hart.Loiro platinado impecável, vestido justo que custa mais que meu salário a
♡ Bianca ♡A maldade de Jéssica queima em meu peito. Lembro da minha indicação ingênua, do orgulho bobo de ajudar minha irmãzinha, agradando o pedido dos meus pais. Como fui trouxa.— Que história triste — comento, girando minha cadeira para enfrentá-la de frente. — Pena que seus esforços são e continuarão sendo inúteis. Aidan é um incompetente que vai perder a empresa para o irmão. E você jamais conseguirá nada de bom se continuar a ser invejosa e mesquinha.Vejo o golpe atingir. Seus olhos estreitam, os dedos se apertam na borda da mesa até as articulações ficarem brancas.— Quanto tempo você acha que ele vai aguentar ao lado de uma grávida de outro? — Ela muda de tática, a voz melíflua. — Quando ele cansar de você — Jéssica continua, inclinando-se ainda mais —, eu estarei esperando. E dessa vez, não vai ser só nos bastidores.Ergo os olhos lentamente, examinando cada detalhe do rosto perfeito da minha irmã. O batom vermelho-sangue, a maquiagem impecável, o brinco de diamante que er
♡ Bianca ♡Meu expresso queima minha língua enquanto observo Jéssica desfilar pelo corredor como se fosse dona do andar da presidência, o salto alto estala como chicote e aquele sorriso de cobra que conheço desde os tempos em que dividíamos o quarto.— Bom dia, irmãzinha — ela diz, passando por mim como um furacão de perfume doce. — Vim entregar os documentos que prometi ao Lucky.Ajusto os óculos com um empurrão mais brusco que o necessário, ao ligar para a sala de Lucky e informar a chegada dela.A porta do escritório se abre e lá está ele - terno cinza-escuro que faz seus olhos parecerem ainda mais intensos, a barba perfeitamente aparada, a postura de quem nunca duvida do próprio poder.— Senhorita Jéssica Malocchio, entre! — comanda com um aceno de cabeça profissional, antes que os olhos escuros encontrem os meus.Jéssica obedece sorridente. Entra no escritório com um rebolado que deveri







