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Capítulo 165

Author: Sem Asas
Lá dentro, havia também uma folha branca.

Nela, Henrique tinha escrito à caneta-tinteiro uma mensagem em caligrafia solta e elegante, de traços quase indomáveis:

[Carolina, a casa, o seguro, os investimentos, as dez barras de ouro e o cartão bancário são um presente meu para você neste Carnaval. Esta doação é feita de forma livre, sem qualquer vínculo com promessa de casamento. Assine os contratos. A senha do cartão é a sua data de nascimento. Há um milhão depositado nele. Doador: Henrique.]

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    Henrique franziu a testa, intrigado.— Você é a melhor amiga dela. Como é que não sabe se ela veio ou não para Nova Capital?— Não sei. Faz mais de seis meses que a gente não se fala.Uma sombra de tristeza passou pelo rosto de Carolina. Ela pousou o ovo descascado de volta no prato, levantou-se depressa e foi até o quarto buscar o celular.Quando voltou e tornou a se sentar, Henrique perguntou de novo:— Mas vocês duas não eram inseparáveis? Como ficaram tanto tempo sem se falar?— Ela engravidou, teve o bebê e ficou naquele período mais delicado do pós-parto... Do meu lado, também aconteceu muita coisa em casa. Foi uma fase bem pesada. Fiquei com medo de acabar passando isso para ela.Enquanto falava, Carolina abriu a conversa com Larissa no WhatsApp e mandou uma mensagem.Henrique captou na mesma hora o que mais tinha chamado sua atenção.— Como assim, o seu estado emocional?Carolina parou por um instante. Ergueu os olhos e encarou Henrique. Depois de alguns segundos de hesitação,

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    O coração de Carolina disparou, inquieto, e ela recuou um pouco, sem jeito.Henrique falou em voz baixa:— Quando a saudade apertar, a gente se vê. Quando der vontade, a gente dorme junto. Quando você precisar de mim, eu vou estar do seu lado. E, quando eu precisar de você, não me deixa sozinho. A vida passa num piscar de olhos. Então por que a gente precisa se prender tanto a um rótulo?Carolina hesitou.As palavras dele caíram sobre ela com um peso sufocante, como uma pedra esmagando seu peito e roubando seu ar.O rosto de Henrique foi se aproximando devagar, cada vez mais perto, quase roçando os lábios dela. Assustada, Carolina virou o rosto às pressas e escapou do beijo.— Não faz isso.Os dedos dele, apoiados no sofá, se crisparam de leve. Então seu olhar desceu lentamente, parando com intensidade nos lábios rosados que haviam acabado de fugir dos dele.A garganta de Henrique secou. O desejo o consumia por inteiro. Ele engoliu em seco e murmurou, rouco:— Carol... Pensa com carinh

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