Se connecterLetícia não queria estragar o clima. Agarrou o braço de Cassian e tentou puxá-lo dali.— Você deve estar cansado da viagem. Está de cabeça quente. Vem, eu levo você para descansar.Ela conhecia Cassian melhor do que ninguém. Naquele estado, ele jamais conseguiria falar com Daniel em paz.Era melhor sair do que transformar o jantar inteiro num campo de guerra.Só que Cassian continuou olhando para Daniel.A família inteira já tinha falado. Só ele seguia imóvel, sentado no mesmo lugar, sereno como se nada ao redor lhe dissesse respeito.Era só um ferimento. E ele já se colocava naquele trono.Cassian também não gostava de se fazer de intruso. Foi até ali só para ver o filho.Não esperava, porém, receber em troca aquela indiferença arrogante, como se Daniel estivesse acima dele.A irritação que entalava no peito enfim explodiu. Ele arrancou o braço das mãos de Letícia, avançou um passo e derrubou, de um golpe, a tigela e os talheres que Daniel segurava.— O quê? Só porque se machucou agor
— Sr. Cassian, o senhor chegou...A voz da funcionária veio da entrada. Letícia já desconfiava que pudesse ser Cassian.Em geral, as empregadas não abriam a porta daquele jeito.Mas, naquele dia, Letícia já sabia que Cassian voltaria a Astério. O voo dele pousaria à noite, e, com medo de que ele chegasse à mansão e não encontrasse ninguém, mandou uma mensagem avisando que todos estavam na casa de Ayla.Desde o acidente de Daniel, Cassian só fez alguns telefonemas para perguntar como ele estava. Em nenhum momento foi vê-lo pessoalmente.Isso não feriu apenas Daniel. Letícia também guardava ressentimento. Na verdade, a família inteira ainda carregava essa mágoa entalada.— O que você veio fazer aqui?Assim que viu Cassian, o sorriso no rosto de Giovanna desapareceu.— A família se reúne para jantar e ninguém me chama?Cassian falou com frieza. Entregou o casaco à funcionária e avançou até a mesa com passos pesados.Ayla mal fez menção de se levantar, mas Daniel segurou seu braço.Com uma
Até agora, Giovanna ainda tinha a sensação de estar sonhando.Quem diria que aquele neto tão calado desde pequeno, duro, rígido até demais, guardava por dentro um homem capaz de amar com tanta doçura.Antes, ela chegou a temer que Daniel, tão pouco dado a gentilezas, frio e sério daquele jeito, acabasse fazendo alguma boa moça sofrer.Agora, vendo os dois assim, tão grudados, ela enfim se sentiu em paz.Ayla descansou só alguns minutos e logo correu para a cozinha, onde começou a ajudar as tias e as funcionárias com o jantar.Daniel ainda quis ir atrás dela, mas o avô era do tipo que não largava do pé. Saiu do quarto de hóspedes logo depois e voltou a puxá-lo para ouvir o restante de uma notícia que ainda não tinha terminado de comentar.Mesmo assim, quando Ayla já estava na metade do preparo, Daniel apareceu ao lado dela.Ele conteve o impulso de abraçá-la só por vê-la de costas e se limitou a ajudá-la em silêncio, pegando os pratos prontos.— Não fica em pé aí. Vai descansar um pouco
— Se combina ou não, quem decide não é você. Só vou saber depois que provar.Bruno falou de propósito para irritar Ayla.Nesses últimos dias, ele realmente andava bastante interessado em Rebeca. Todo dia sentia vontade de provocá-la um pouco.Mas, ainda assim, nunca pensou em levar aquilo a sério.Só que, pelo visto, Rebeca talvez tivesse mesmo se deixado envolver?Senão, depois de conversar com ela, por que Ayla ligaria tão furiosa para fazer aquele aviso?Se queria afastá-los, bastava impedir Rebeca de se aproximar dele, não?Ao pensar nisso, Bruno não conseguiu evitar. O humor melhorou na hora, e um sorriso subiu aos lábios.— Você pode tentar. E eu também posso fazer você sumir de vez do Grupo Fonseca.Ayla desligou assim que terminou de falar.Não deu a Bruno espaço para continuar provocando.Mas ela sabia que Bruno pensava antes de tudo em vantagem. Por mais interessado que estivesse em Rebeca, ainda teria algum receio depois daquele aviso.Ayla voltou para casa levando consigo u
Rebeca sabia melhor do que ninguém que tipo de homem Bruno era. Bruno era um demônio.Brincava com sentimentos, pisava na sinceridade dos outros, desprezava a vida alheia... era alguém que merecia desaparecer.E era justamente por saber de tudo isso que ela queria se aproximar dele.— Rebeca...— Ayla, não se mete. Cuida de você. Mesmo que Bruno esteja interessado em mim, ainda está por ver quem vai sair por cima.Foi a primeira vez que Rebeca interrompeu Ayla.Havia firmeza em seu rosto, mas a frieza que atravessava seus olhos era algo que Ayla nunca tinha visto antes.A garota sempre doce, quase mansa, pareceu outra pessoa de repente.A voz dela saiu decidida, como se já não houvesse volta.— Rebeca, o que está acontecendo com você? Tem alguma coisa entre você e Bruno que eu não sei?Ayla segurou a mão dela e sentiu a palma gelada.Rebeca baixou os olhos. Naquele momento, a porta do elevador se abriu.Tinham chegado ao estacionamento, e Ayla também precisava ir.— Ayla, me desculpa.
Pelo visto, Felipe não escondeu nada dela.André provavelmente só queria mesmo vê-la a sós.— O que foi? — Nuno percebeu que Ayla parecia absorta em algo.Ayla sorriu de leve.— Nada demais. Só estou um pouco nervosa. Carolina também está com o velho, e eu fico pensando se ela não vai tentar dificultar as coisas para mim.— Então eu posso ir com você. — Nuno se ofereceu. — Na próxima semana, devo estar livre.— Deixa para lá. Você mal voltou de Eldoria da outra vez, e eu ainda fico com medo.Ayla sorriu com malícia suave, só para provocá-lo.Nuno soltou um riso curto, sem jeito.Mas, antes de ir embora, ainda falou com uma seriedade tranquila:— Ayla, não tenha medo. Seja como for, a família Fonseca também é a sua casa.Foi só uma frase. Simples, sem grandes gestos. Ainda assim, pareceu dar a Ayla uma força silenciosa por dentro.Tocada, ela respondeu com um sim firme.Pouco depois da saída de Nuno, Ayla também organizou suas coisas e deixou a empresa mais cedo.A partir daquele dia, e
— Não é que eu não tenha gostado... — Ayla hesitou diante da pergunta direta de Daniel. — Só acho que, no momento, nós...— Eu nunca peguei de volta algo que dei a alguém — Interrompeu Daniel, a voz baixa, mas com um toque de frieza.— Então...— Se não gostou, jogue fora — Acrescentou ele, sem alte
Mal a frase foi dita, a senhora já se aproximava devagar, ainda com o mesmo tom gentil na voz:— Srta. Ayla, essa viagem não foi fácil pra nós. Foram quase oito horas de voo. A gente veio mesmo esperando que você pudesse nos dar a honra de nos acompanhar um pouquinho. Mas, se estiver realmente ocupa
Daniel, sem conseguir evitar, acariciou levemente o rosto dela, afastando os fios de cabelo que estavam bagunçados. Em seguida, soltou com cuidado a mão que ainda o segurava com força, colocando-a de volta sob o cobertor.Mas Ayla só ficou tranquila por alguns segundos. De repente, começou a se agit
A ponta dos dedos de Ayla mal tocou o tule da roupa branca, e a avó Cardona já puxou ela, fazendo-a girar meia volta diante do espelho. Os olhos da senhora brilharam:— Você está vendo como esse corte valoriza você? A linha dos ombros ficou perfeita, e se ajustar um pouquinho mais a cintura vai fica







