LOGIN— O Sr. Daniel teve algum problema? — Perguntou Ayla.As palavras de Giovanna despertaram nela uma inquietação imediata.— Pelo que soubemos, houve uma emergência numa mina de lítio recém-negociada. Teve até vítimas — Explicou Miguel, suspirando, ao tomar a palavra no lugar da esposa.— Esse menino tem um senso de responsabilidade enorme. Hoje, praticamente todo o peso do Grupo Cardoso recai sobre ele. Por isso, nunca se permite relaxar. Sempre que surge uma crise, faz questão de assumir tudo sozinho. Enquanto não resolve, vira noite após noite sem descanso...— Virar noite assim, como o corpo aguenta? — A voz de Ayla saiu carregada de preocupação.Ela se lembrou de que Daniel sofreu um acidente de carro não fazia muito tempo. Mesmo que tenham sido apenas ferimentos leves, ele precisava de repouso.— É exatamente isso que mais nos preocupa — completou Giovanna, balançando a cabeça, aflita. — Ele não quer nos deixar ansiosos. Quando algo acontece, evita contar qualquer detalhe. Esses di
Uma hora depois, Ayla chegou de carro ao mansão Cardoso, levando suplementos e frutas que escolheu para o casal de idosos.Ao pensar que talvez encontrasse Daniel, caprichou um pouco mais. Trocou de roupa, vestiu um longo em tom de rosa claro e fez uma maquiagem leve.Assim que entrou na casa, Giovanna saiu ao seu encontro com visível entusiasmo. Ao notar os presentes nas mãos de Ayla, franziu levemente a testa.— Aqui em casa não falta nada. Você vindo já é mais do que suficiente. Carregar tanta coisa assim... esses bracinhos finos vão ficar doloridos, e a vovó fica com o coração apertado!Bastaram poucas palavras para deixar Ayla sem graça.— Vovó, eu não sou tão frágil assim. Além disso, eu também não preciso de nada, e a senhora vive me mandando coisas, não vive?— Isso é diferente. Eu sou sua avó. Pra mim, você é como uma filha. Você pode não precisar de nada, mas a vovó não pode deixar de cuidar.As palavras de Giovanna sempre acertavam em cheio. Ayla sentiu os olhos marejarem.E
A empregada apressou o passo para acompanhá-lo.— Está tudo pronto. Soube que o senhor voltaria hoje e preparamos conforme o seu gosto — Respondeu, com cuidado.— E o Thiago? — Perguntou Gustavo.Ele percebeu que o menino não apareceu. Normalmente, assim que ele chegava, Thiago sempre corria para fazer barulho.— Ah... a Srta. Bianca veio buscá-lo.Gustavo ficou um instante imóvel. Só então se lembrou de que, naquela manhã, Thiago ligou insistindo para ir atrás de Bianca. Sem alternativa, ele permitiu que ela o levasse por alguns dias.Bianca, se sabe lá por qual birra, levou o menino sem sequer avisá-lo.Ainda assim, naquele momento, Gustavo não tinha energia para se importar com Bianca.À mesa, estavam dispostos cinco pratos, todos exatamente do jeito que ele costumava gostar.Em especial, a sopa clara e leitosa de joelho de porco com feijão.Gustavo pegou a tigela que a empregada lhe ofereceu e provou uma colher. O sabor não estava ruim, mas a carne não ficara macia o suficiente, e
Gustavo entrou no quarto, e por um instante todas as lembranças do passado vieram à tona.Pouco depois do casamento, o Grupo Siqueira passou a receber uma sequência de projetos decisivos. Ayla vivia atolada de trabalho, correndo de um compromisso a outro. Percebendo a dificuldade dele, chegou a abrir mão da lua de mel por iniciativa própria.Mais tarde, passou a virar noites sozinha negociando contratos. Para não atrapalhar o descanso de Gustavo, se mudou voluntariamente para o quarto lateral, dormindo separada dele.Gustavo sentou-se devagar à beira da cama. A palma da mão percorreu o lençol estendido com cuidado.A roupa de cama era discreta, confortável. Ele não sabia a marca, mas lembrava de ter ouvido os empregados comentarem que todos os itens da casa, grandes e pequenos, tinham sido escolhidos pessoalmente por Ayla, nos raros intervalos que encontrava.Inclusive cada detalhe do quarto dele.Ao erguer o olhar, teve a impressão de vê-la ali, parada à sua frente, sorrindo abertamen
O tom de Gustavo saiu aflito, carregado de uma falsa preocupação, como se tudo aquilo fosse apenas fruto da imaturidade dela.Ayla ergueu levemente os lábios num sorriso breve e simplesmente ignorou o que ele dizia.— Sr. Armando, eu insisto nos cinquenta por cento das ações não por impulso. Hoje, vários projetos centrais da empresa estão parados e precisam de avanço imediato. Se o poder de decisão continuar pulverizado, com aprovações sucessivas e interesses se anulando, vamos perder o timing outra vez. Eu preciso de comando absoluto para garantir que a estratégia seja executada até o fim. Isso é o mínimo de segurança para um projeto de quase um bilhão.Ela fez uma breve pausa, o olhar firme, sem recuar.— Se o senhor não concorda com essa lógica, não faz sentido eu permanecer. Nesse caso, peço que decida logo: vamos ampliar juntos esse negócio ou o senhor prefere providenciar minha demissão agora?A postura firme, segura, acabou encurralando Armando.O que Ayla dizia não era desprovi
Quanto às ações que Armando detinha, não havia sequer a possibilidade de transferi-las para Ayla. Parte daquele percentual pertencia ao Sr. Heitor, algo fora de sua alçada, e a Sra. Elena podia retomá-las a qualquer momento.Ayla lançou um olhar rápido ao contrato de cessão. Só depois de alguns segundos voltou a falar:— O Gustavo me disse que seria metade das ações. Foi por isso que eu voltei à empresa trazendo um novo projeto.Enquanto falava, abriu a bolsa e retirou dali uma pasta. Era, de fato, uma proposta de projeto — justamente aquele que o Grupo Siqueira tentara conquistar várias vezes, sem sucesso.O valor beirava um bilhão. Se a empresa conseguisse fechar aquele contrato, todas as perdas anteriores se tornariam irrelevantes, e o processo de abertura de capital avançaria a passos largos.Os olhos de Armando e Gustavo brilharam ao mesmo tempo. Armando chegou a estender a mão, ansioso para pegar o material.Mas Ayla o recolheu no último instante. Ergueu levemente a sobrancelha e







