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Capítulo 8

Author: Doce
— Você... — Selina engasgou, sem saber o que responder por um bom tempo.

Ayla sempre foi calada, submissa, obediente. Por que, de repente, começava a responder com tanta firmeza?

E ainda se apoiava no nome de Gustavo e da empresa, o que fazia Selina parecer uma idosa irracional.

— Está bem, mãe. Assim que a Vera decidir o restaurante, mande o nome para mim. Tenho outras coisas para resolver, vou desligar.

Com isso, Ayla finalizou a ligação sem dar tempo de réplica.

Ao ouvir o sinal de chamada encerrada, Selina quase perdeu o fôlego.

— Aquela insolente... Ela desligou na minha cara?

Selina tremia de raiva, quase atirando o telefone pela sala.

Vera, ao ver a reação da mãe, também ficou surpresa:

— A Ayla não vem?

— Pelo visto, o Gustavo a mimou demais! Uma mulher estéril, de origem vulgar, deveria se considerar abençoada por ter sido aceita na família Siqueira! E agora ainda tem a audácia de me enfrentar?

A mulher xingava e batia no próprio peito de indignação, completamente descomposta.

Vera revirou os olhos, como se tudo aquilo estivesse dentro de suas previsões.

— Mãe, eu já tinha dito... Essa pose de boa moça da Ayla sempre foi uma máscara. Pense bem, o meu irmão sempre foi movido a interesses. Se ele casou com alguém tão inferior em status, acha mesmo que essa mulher é fraca? Mas fique tranquila. Não acredito que eu não consiga dar um jeito nela.

Vera soltou uma risadinha sarcástica, e pessoalmente pegou o telefone para ligar para Ayla.

Apesar de viver mandando em Ayla, sempre manteve uma fachada de boas relações com ela.

Além disso, seu marido, Manuel, era gerente de departamento na empresa do Gustavo — muitos projetos passavam justamente pelas mãos de Ayla.

Vera tinha certeza: Ayla era uma fraca. Mesmo que tivesse respondido à Selina hoje, aquilo era só por causa do Gustavo.

Na casa dos Siqueira, o mais protetor com Vera era justamente o irmão. Assim, uma simples ligação dela bastaria para que Ayla, mesmo contrariada, obedecesse.

E quando ela chegasse... Vera faria questão de humilhar a Ayla como merecia para compensar a humilhação da mãe.

O celular tocou por um bom tempo antes de ser atendido.

Assim que ouviu a voz de Ayla, Vera já começou a falar com tom de choro:

— Lalá, você está chateada comigo? Achei que a gente se dava tão bem. Quando o meu irmão pediu para você cuidar de mim, você aceitou tão prontamente. Mas hoje a mamãe disse que você nem quis vir fazer uma refeição pra mim...

Ayla ouvia a voz fingidamente frágil de Vera ao telefone enquanto seus olhos permaneciam fixos nas linhas oscilantes de dados na tela do computador.

— Como eu poderia estar chateada com você?

Claro que não. Só que hoje eu estou ocupada. Não tenho tempo para cozinhar para você.

A voz de Ayla era calma e firme, sem hesitação. Não tinha o menor traço da antiga subserviência, quando Vera fingia fragilidade e ela logo cedia。

Vera franziu a testa, descontente:

— Mas eu estou sem apetite. Só queria comer algo feito por você. Se você não vier, então eu não vou comer nada.

— Que tal assim? Você não adora geleia real? Eu posso pedir para o assistente do seu irmão levar uma caixa para você. Tem mais valor nutricional que comida caseira. E afinal, você é irmã de sangue dele, é justo passar a conta para a empresa.

A reação de Ayla hoje era completamente diferente. Vera não esperava por isso. Era como tentar socar algodão: queria brigar, mas não encontrava onde atingir.

— Geleia real? Ayla, você está fazendo de propósito? Eu só quero comer a comida que você faz, é tão difícil entender?

A paciência de Vera se esgotou de uma vez. Sua voz endureceu, cheia de irritação.

Hoje, ela decidiu que Ayla teria que aparecer, custasse o que custasse!
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