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Andrea - Caridade

Author: Sol Costa
last update publish date: 2026-10-03 06:37:46

Quando Anna se afastou, deixei claro que queria conversar em particular e ela me encaminhou para a diretoria.

Eu ainda sentia com o calor da mão dela na minha quando a Cassandra fechou a porta da diretoria.

— Senhor Andrea, o senhor precisa entender. A Anna é uma menina muito sensível.

Eu não sentei. Fiquei em pé.

— Eu sei disso. Por isso mesmo vim falar com a senhora.

Ela me olhou surpresa. Achou que eu ia reclamar do horário.

— A partir de hoje eu vou vir toda semana — falei direto. — Toda s
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    — Tá — é tudo o que eu consigo responder.Tá.Minha voz sai tão pequena que eu tenho vergonha. O homem acabou de me prometer o mundo num banco de madeira velha, com a roseira que nunca tinha dado flor de testemunha, e tudo que eu consigo dizer é "tá".Mas é que por dentro tá tudo gritando ao mesmo tempo.“Você não vai ficar sozinha. Nunca mais.”Ninguém nunca me falou isso. Ninguém. A Irmã Clara fala "Deus está com você". A Diretora Cassandra fala "Você tem que ser forte, Anna". A Bianca falava "A gente vai sair daqui juntas". Mas ninguém nunca olhou nos meus olhos e falou “eu vou continuar vindo. Toda semana. Enquanto eu estiver vivo.”Eu fico olhando pra ele. Pra camisa vinho que ele tá usando hoje. Pro seus olhos fixos em mim .E de repente eu entendo.Ele não tá aqui por causa da Bianca. Ele tá aqui realmente por mim.E isso me faz feliz de um jeito que primeiro me faz flutuar, mas que depois dói. Uma felicidade quente que sobe do estômago pro peito e pro rosto inteiro. Eu sinto m

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    Enfim, o dia que tanto aguardei, chegou. O que me faz sair mais cedo da fábrica. Bem mais cedo. O Nicolas está na sala de reunião com a Geórgia. Passo pela porta deles de fininho, falo baixo com a secretária. — Se perguntarem, fui resolver coisas da produção. — Coisa de produção no heliporto, senhor Andrea? — ela brinca. Dou risada e desço. Tô ansioso. Ansioso pra caralho. Desde que acordei hoje parece que o dia não anda. Olho pro relógio a cada cinco minutos. Então decidi: vou de helicóptero. Se eu for pilotando, chego em vinte minutos. De carro levaria horas nesse trânsito. Subo correndo lembrando que se quiser manter esse segredo vou ter que começar a usar o táxi aéreo. Faço o check, decolo. Eu mesmo pilotando. O barulho me acalma um pouco, mas a cabeça não para. Aqui de cima a cidade parece pequena, mas o orfanato parece cada vez mais perto. Pouso, deixo a aeronave no hangar e pego o carro que já pedi pra preparar. Agora é o segundo trecho. Estrada até o orfanato. E aí c

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