MasukMERLYA
Lua se colocou na minha frente e tentou impedir que a mulher se aproximasse de mim. Ela era a minha irmã e a minha melhor amiga. Ela sempre me defendia e me apoiava de tudo e de todos.— Você acha que eu vou me rebaixar a bater em uma aleijada? - ela disse com desprezo.— Chega, Natália! Você passou dos limites! - ele disse com raiva. Ele pegou o braço dela e tentou levá-la para fora.— Me solta, Alex! Você é um traidor! Você vai se arrepender de ter me trocado por essa coitada! - ela gritou e se soltou dele. Eu não aguentei mais ouvir aquelas ofensas. Eu peguei o controle da minha cadeira de rodas e acelerei na direção dela. Ela se assustou e saiu correndo pelo consultório.— Você é louca!!! — ela correu para a porta.— E não volte mais! - eu disse com ironia.Eu senti uma mão na minha cadeira e olhei para trás. Era uma loira bonita e sorridente.— Você fez uma coisa que eu queria fazer a muito tempo — ela disse com admiração - Eu sou Anahí Puerte, a irmã do Alex.— Prazer, eu sou Merlya - eu disse sem graça. Eu olhei para o Alex, que estava vermelho de vergonha.— Você é muito bonita, Merlya. E muito corajosa também. - ela elogiou.— Obrigada, Anahí. Você também é muito bonita. E muito simpática.— Obrigada, Dulce. sabe, eu não gosto da Natália. Ela é uma megera que só faz mal ao meu irmão. Ela é ciumenta, possessiva e mal-educada. Ela não merece ele. mas não diga que eu te contei isso - piscou pra mim— Bom, eu não sei nada sobre isso. Eu só vim aqui para fazer fisioterapia.— Eu sei, eu sei. Mas você tem que admitir que o Alex é um gato, né? — ela piscou para mim.— Ah, ele é bonito, sim. Mas eu não estou interessada nele. Eu tenho outros problemas para resolver.— Que pena. Porque eu acho que ele está interessado em você.— O quê? Não fala besteira, Anahí. Ele tem noiva— Não por muito tempo. Eu tenho certeza que ele vai terminar com ela depois dessa cena ridícula. E eu vou ficar muito feliz se ele ficar com você.— Anahí, você está delirando. Isso nunca vai acontecer.— Nunca diga nunca, Merlya. O destino é cheio de surpresas. - ela me entrega um envelope - conto com vocês para minha festa de 20 anos. - eu agradeci. - e segue o meu conselho— Anahí, pare de falar bobagens e deixe a Merlya em paz - ele disse se aproximando de nós - Me desculpe por tudo isso, Merlya. A Natália é uma louca que não sabe o que fala.— Tudo bem, Alex. Não foi culpa sua.— Mesmo assim, eu sinto muito. Você deve estar assustada e confusa.— Um pouco, sim.— Assustada é pouco. de que manicômio você tirou essa louca? - perguntou Luana— do pior, com toda a certeza - minha irmã respondeu— Vem cá, vamos conversar um pouco - ele disse me levando para um canto — Você está bem? Precisa de alguma coisa?— Não, eu estou bem. Só um pouco cansada e em choque.— Eu imagino. Você teve um dia difícil.— É, eu tive.— sabe Merlya, eu acabei de perceber que não tenho nada a ver com a Natália. Ela é uma pessoa que eu me envolvi por engano e que eu não amo.— Sério? — que ela é mentalmente sã eu duvido muito.— Sério. Eu vou terminar com ela hoje mesmo. Ela não faz bem para mim.— E o que você vai fazer depois?— Eu não sei. Talvez eu procure alguém que me faça feliz de verdade.— E quem seria essa pessoa? - perguntei como quem não quer nada— Eu não sei. Talvez alguém que esteja bem na mais perto do que eu acho - ele disse olhando nos meus olhos.— é, talvez… — eu disse sentindo o meu coração acelerar.— talvez… — ele disse se aproximando de mim.— Ei, vocês dois! Não vão se beijar na nossa frente, né? - ela disse interrompendo o clima.— Anahí, por favor! - ele disse irritado.Anahí: Desculpa, desculpa. Mas é que eu estou tão feliz que você vai terminar com aquela sangue suga sem noção. pensando bem... Vocês formam um casal lindo!— Anahí, nós não somos um casal! - eu disse envergonhada.— Ainda não. Mas eu tenho certeza que logo serão. Eu vou torcer por vocês!— Anahí, você é muito doida. Mas eu gosto de você.— Eu também gosto de você, Lya. Você é a cunhada que eu sempre quis ter.— Anahí, pare de falar isso. Você está me deixando sem jeito. - eu disse dando uma risada— mas ela tá certa, maninha! eu também vou torcer por vocês !— eu disse, cunhadinha. - ela riu— Anahí Giovanna! - Alex estava ficando vermelho assim como eu.— Tá bom, tá bom. Eu vou parar. Mas só porque eu tenho que ir embora. Tenho uma reunião importante daqui a pouco.— Tchau, Anahí. Obrigado por vir me ver e trazer o meu almoço.— De nada, maninho. Tchau, lya. Foi um prazer te conhecer. vejo vocês no meu aniversário mês que vem?— Tchau, Anahí. Foi um prazer te conhecer também. - eu disse — pode contar com a gente. aqui - entreguei meu telefone - podemos marcar um café ou um passeio.— claro! sábado?— pode contar comigo — sorriAnahí saiu da sala e nos deixou sozinhos de novo. Eu olhei para o Alex e ele olhou para mim. Nós dois sorrimos sem graça e ficamos em silêncio por alguns segundos. Eu senti uma atração por ele que eu nunca tinha sentido antes. Ele era lindo, gentil e carinhoso. Ele me fazia sentir coisas que eu não sentia há muito tempo. Será que ele estava falando sério quando disse que ia terminar com a Natália? Será que ele queria ficar comigo? Será que eu queria ficar com ele? Eu não sabia o que pensar ou o que fazer. Eu só sabia que aquele era o começo de uma nova história na minha vida.TRÊS MESES DEPOIS O inverno havia passado, e a primavera trouxe consigo a promessa de um recomeço. Três meses se passaram desde a noite caótica na mansão. A justiça, embora lenta, havia prevalecido. -- O Destino dos Inimigos Natália permaneceu internada em uma instituição psiquiátrica de segurança máxima. O diagnóstico de psicose e transtorno de personalidade, corroborado pela evidência de tentativa de assassinato (o tiro em Anahí) e pela confissão gravada de César, garantia seu confinamento por tempo indeterminado -- César foi condenado à prisão perpétua. A escuta recuperada por Miguel continha as provas irrefutáveis de extorsão, sequestro de Merlya e tentativa de homicídio contra Alex e Luiz. -- A Cura da Família Anahí se recuperou completamente do ferimento. Sua cicatriz no ombro era um lembrete do seu ato de coragem, mas também o símbolo de sua nova vida. Ela e Miguel, após a batalha, assumiram o relacionamento. Ele havia se redimido pela culpa do acidente, e ela
Merlya Meu coração parou. Lua. Ela estava muito perto da porta quando Natália invadiu a casa.— Eu volto! Fiquem aqui! — Eu gritei, ignorando os protestos de Alex.Corri de volta para a casa dos meus pais, a adrenalina pura me impulsionando. A vingança podia esperar; minha irmã não.Arrombei a porta da sala. O que vi era uma cena surreal, finalizada em câmera lenta.Natália estava no chão, lutando desesperadamente. Dois homens de branco, grandes e profissionais, a imobilizavam. Um terceiro estava ao lado dela, guardando uma seringa vazia. Natália parecia um animal encurralado, seus olhos cheios de ódio e desespero.E, a poucos metros, minha irmã Lua estava encolhida, chorando e tremendo, mas ilesa. Ela havia sido a refém.O choque me fez parar.— Merlya! — Lua soluçou, correndo para mim, usando as muletas com a força do terror.Eu a abracei, sentindo o alívio esmagador por ela estar bem.— Eu te peguei, sua desgraçada! Eu ia matá-la! — Natália gritou, mas sua voz já estava embargada
NATÁLIA. A sala estava vazia, mas eu ouvi um choro vindo do corredor. Eu corri para lá. E então, eu a vi. Lua, a irmã mais nova de Merlya, estava chorando, encostada na parede, apoiada em suas muletas. Ela estava sozinha. Eu não vi Merlya, mas a irmã ferida era um prêmio. Eu a puxei pelo braço. — Onde está a sua irmã, sua inválida?! — Me solta! Eu não sei! — Lua gritou, debatendo-se e tentando me afastar com uma das muletas. — Você está mentindo! Ela está viva, não está? E você sabe onde ela está! Diga-me, ou eu juro por Deus que o seu luto será real! Eu apontei a arma para a cabeça dela, o toque frio do metal assustando-a até o silêncio. — Onde está Merlya?! Ou eu termino o trabalho que você e seu irmão fizeram! Eu não quero um tiro na cabeça para você! Eu quero que você sofra a mesma dor que sua irmã! — Eu não sei! Ela se foi! — Lua soluçava. — Mentirosa! Se você não me disser onde ela está, o seu irmão, o culpado pelo seu acidente, vai pagar por isso! Neste m
LUIZA cena era de caos total. Natália havia disparado em Anahí. Alex, ferido, lutava para tirar Anahí e sua mãe da sala.— Eu cuido dela! — gritei para Alex, jogando-me sobre Natália para desarmá-la.Eu agarrei a arma de Natália e apontei para ela, enquanto ela tentava correr em direção ao bebê.— Pegue o bebê e vá! — ordenei ao meu cunhado.Alex, agindo por instinto paterno, correu e tirou o bebê do berço, segurando a criança com o braço não ferido. Ele carregava o filho, Anahí baleada e a mãe em choque. A prioridade era fugir.— Vão! Encontrem a Merlya! — gritei.Alex, com o bebê e a família, desapareceu pela porta. Minha missão agora era deter Natália.Natália, vendo o bebê ir embora, perdeu a razão e saltou pela janela da biblioteca, desaparecendo no jardim dos fundos. Ela fugiu.Neste momento, o som de arrombamento da porta principal me fez girar. Era César.— Onde está ela?! — ele rosnou, armado.— Você não vai a lugar nenhum! — Eu gritei, segurando a arma que tirei de Natália
ALEX O chão sumiu sob meus pés. Luiz gritou a frase que eu estava esperando e temendo: “A Merlya está viva!” A revelação e a presença de Anahí e Luiz confirmaram minhas suspeitas mais sombrias. Natália era uma assassina. Ela tinha me baleado e forjado o desaparecimento da mulher que eu amava. — É mentira! — Natália berrou, sua voz fina e descontrolada. A máscara havia caído completamente. Em um movimento rápido e ensaiado, ela tirou uma arma de trás de um vaso de porcelana que estava na mesa de centro. O objeto, antes decorativo, agora era uma ameaça de morte. — Ninguém sai desta casa! — Natália apontou a arma, alternando entre mim, Anahí e Luiz. Minha mãe soltou um grito abafado e caiu no sofá. — Natália, pelo amor de Deus! O que você está fazendo?! — Eu tentei manter a calma, apesar do terror. — Estou garantindo minha vitória! Eu sou a mãe do seu filho! Você é meu! E você não vai estragar isso por causa daquela vadia que devia estar morta! — Você não vai tocar nele! — Anahí
NATÁLIA O volante tremia em minhas mãos, mas não era o carro; era a fúria. Aquele confronto caótico na casa da família de Merlya havia destruído meses de planejamento meticuloso. Anahí gritou a verdade: Merlya está viva.O fantasma não estava enterrado; estava à solta. E Miguel e aquela pirralha, Lua, sabiam. Pior: Alex estava no meio dessa teia, mesmo baleado.Eu parei o carro na entrada da minha mansão, meu palácio. O bebê estava no berço, dormindo. Minha sogra, a mãe de Alex, estava na sala, cuidando dele. A farsa tinha que acabar.Peguei meu celular e liguei para o número seguro de César.— Você falhou, seu incompetente! — Rosnei, mal controlando a voz.— O que aconteceu? — A voz dele estava tensa.— A falha que você me garantiu estar morta está viva! Merlya está viva! E a família idiota dela e aquela Anahí sabem! Eles arruinaram tudo!— Calma, Natália. O plano ainda pode ser salvo. Eu vou atrás dela.— Não! Não perca tempo. Venha para a mansão. Agora! Eu vou usar a nossa única v







