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Capítulo 2

Penulis: Echo
— Uma pequena queimadura. — Respondi, a voz fria como gelo.

A mão de Dante congelou no ar. Os olhos castanhos, aqueles nos quais eu costumava me perder, cintilaram com desconfiança.

Mas eu não era mais a estudante ingênua de música de cinco anos atrás. Eu havia aprendido a sustentar um sorriso perfeito em um jantar da família Moretti, a sobreviver com elegância em meio a sangue e traição.

— Eu trouxe um presente para você. — Disse enquanto pegava uma linda caixa azul do sofá, deslizando-a em sua direção.

A caixa era leve. Dentro estava a nossa foto de casamento, cortada em mil pedacinhos minúsculos, cada pedacinho era menor que uma unha.

Dante pegou a caixa, um olhar de genuína surpresa — ou do que antes eu assim chamaria — estampado em seu rosto.

— Qual é a ocasião? Eu esqueci de alguma coisa? — Ele não a abriu; em vez disso, colocou-a sobre a mesa de centro e estendeu a mão para tocar meu rosto.

Dei um passo para trás, com o sorriso intacto.

— Você realmente não se lembra, Dante? É o nosso quinto aniversário de casamento.

A expressão dele congelou, como se tivesse levado um tapa. Vi o lampejo de pânico em seus olhos, a culpa de um homem pego em uma mentira, mas tentando bancar o inocente.

— Meu Deus, Alessia, eu… — Ele tentou me alcançar.

— As coisas com a família têm estado tão loucas ultimamente, eu simplesmente…

— Está tudo bem. — Afastei-me sutilmente, recusando-me a inalar o cheiro de outra mulher nele.

— Eu entendo.

— Não, não está. — Ele segurou minha mão, apertando firme.

— Nós precisamos comemorar. Vamos aos estábulos. Agora. Você ama aquele lugar. Podemos cavalgar e ver o nascer do sol, como costumávamos fazer.

Costumávamos? A última vez que cavalgamos juntos foi há três anos. Naquela época, ele beijava a curva da minha orelha e dizia que eu era sua rainha. Agora, ele nem conseguia lembrar do nosso aniversário.

Mas assenti.

— Está bem. Parece bom.

Para garantir minha fuga, eu precisava continuar representando o papel da esposa alheia a tudo.

Às quatro da manhã, Dante tentou fabricar romance enquanto dirigia, tocando a nossa música de casamento: La Vie en Rose.

— Sinto muito por ter esquecido, querida. — Disse, lançando-me um olhar.

— Você sabe o quanto eu te amo.

Eu não respondi.

Minha mão roçou o compartimento lateral e tocou em um pedaço de tecido. Uma calcinha fio-dental preta, barata e de renda caiu para fora.

Não era minha.

Fingi não perceber e a empurrei de volta para o lugar.

Eu não tinha interesse algum nas desculpas vazias dele.

O céu começava a clarear quando chegamos aos estábulos.

Cavalgamos por cerca de meia hora, com Dante fazendo o possível para recriar o afeto do passado. Ele tirava fotos minhas às escondidas enquanto eu passava a cavalo, elogiava em voz alta minha postura e apontava o nascer do sol com alguma frase romântica cafona.

Um dos tratadores entrou na brincadeira.

— Senhor Moretti, o senhor mima demais a esposa. Dá até inveja em qualquer homem!

Eu não disse nada.

Então o celular dele tocou. Um toque especial.

— Desculpa, querida. Preciso atender. Assunto urgente da família. — Ele me deu um beijo rápido na testa e conduziu o cavalo para o outro lado do cercado.

Retornei em silêncio para o carro onde Dante guardava o celular descartável.

A tela estava acesa, exibindo uma conversa sincronizada entre ele e "Kitten".

[Kitten: Sinto sua falta, daddy… Podemos tentar aquela posição nova de que você estava falando amanhã à noite? Com o brinquedo novo?]

[Dante: Claro. Parece que não te deixei cansada o suficiente da última vez.]

[Kitten: Você não gosta quando eu sou insaciável? Vou até usar aquele conjunto preto de renda que você ama. Prometo te deixar feliz.]

[Dante: Estou ansioso pelo espetáculo.]

Mais mensagens inundaram a tela, sujas e detalhadas, planejando o próximo encontro.

Eles tinham um compromisso amanhã à noite. A suíte presidencial do Westin. Ele já havia pedido champanhe e rosas vermelhas.

Quando Dante voltou, retomou o papel de marido devotado.

— Não te vi por um segundo, comecei a entrar em pânico. — Disse, aproximando-se a cavalo e segurando minha mão.

— Achei que você tivesse ido embora.

Meu estômago se revirou.

A bile subiu pela minha garganta.

— Alessia? Você está bem? — Dante me olhou com preocupação. — Você está pálida.

Eu não aguentei mais. As mensagens imundas, a calcinha impregnada do cheiro de outra mulher, a preocupação hipócrita dele. Tudo aquilo me deixou fisicamente doente.

Abri a porta do carro e saí cambaleando, curvando-me nos arbustos enquanto vomitava violentamente.

Tudo o que havia no meu estômago veio à tona, como se eu estivesse tentando expurgar os últimos cinco anos do meu casamento.

— Alessia! — Dante gritou, saltando do carro.

— O que houve?

Eu me ajoelhei no chão, engasgando, lágrimas se misturando ao fluxo amargo que escorria da minha boca.

Não era apenas tristeza.

Era raiva.
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