LOGINO momento era mesmo singular. As três mulheres se olharam e como que ensaiadas olharam aquela cena sem entender nada.Sofia no outro dia estava pedindo para David considerar algo e David lamentando que tinha sido excluído, Melissa reclamando que tinha sido rejeitada. Maria Augusta e Carmem segurando a barra com Melissa. Todo mundo tentando entender e ajudar e agora os dois se fecharam no mundo deles e excluiu todo o resto.Carmem trocou outro olhar com Sofia.Dessa vez, Sofia sorriu discretamente. Não resistiu.David ouviu.E alguma coisa dentro dele cedeu.Não sabia por que Melissa o queria ali.Talvez estivesse assustada.Talvez precisasse apenas de uma presença conhecida.Não importava.Ele ficaria enquanto ela permitisse. Era isso. Ele queria ter um lugar naquela noite. Ele teve.Quando as contrações ficaram mais fortes, Melissa perdeu qualquer preocupação com dignidade.Reclamou. Chorou. Disse que não conseguiria. Apertou a mão de David até os dedos dele perderem a sensibilidade.
Melissa já estava instalada no quarto quando Sofia chegou.As contrações tinham aumentado de intensidade, mas ainda havia intervalos relativamente tranquilos entre elas.Carmem permanecia ao lado da filha, atenta a cada mudança de expressão. Maria Augusta estava sentada numa poltrona próxima à janela, aparentemente calma, embora tivesse perguntado três vezes à enfermeira se estava tudo realmente bem.— Vovó, se alguma coisa estivesse errada, eles avisariam — Melissa disse, cansada.— Eu sei.— Então pare de assustar as enfermeiras.— Não estou assustando ninguém.
Chegou naquela mesma noite.Melissa acordou pouco depois das onze com uma dor diferente. Abriu os olhos no escuro e permaneceu imóvel, esperando. Durante alguns segundos, nada aconteceu.— Foi impressão — murmurou.Virou-se com dificuldade e quase conseguiu dormir novamente quando outra contração veio, dessa vez mais forte. Segurou o lençol e respirou devagar até que passasse. Quando abriu os olhos, o sono havia desaparecido por completo.Sentou-se na cama.— Não...Olhou para o relógio e esperou.Dez minutos depois, outra.
Daniel não demorou a agir.A fotografia publicada pelo tabloide continuava circulando quando decidiu procurar Melissa. Não telefonou antes. Sabia que, se perguntasse, corria o risco de ouvir uma desculpa ou simplesmente um “hoje não”. Preferiu aparecer no flat no meio da tarde, carregando uma sacola de uma confeitaria de que Melissa costumava gostar e a expressão tranquila de quem não tinha qualquer intenção além de uma visita casual.Foi Carmem quem abriu a porta.A surpresa apareceu imediatamente em seu rosto.— Daniel.— Carmem. Como vai?— Bem.El
Dona Joana soube da matéria antes mesmo de terminar o almoço.Não porque tivesse o hábito de acompanhar colunas de celebridades — fazia questão de dizer que não tinha paciência para aquilo —, mas porque alguém decidira enviar o link no grupo da família. Depois vieram outros dois. Quando finalmente abriu a publicação, encontrou a fotografia de Melissa e David ocupando quase toda a tela do tablet.Demorou-se nela por alguns segundos.A barriga de Melissa era impossível de ignorar, mas não foi isso que prendeu sua atenção. Tampouco a manchete sensacionalista ou a pergunta inconveniente sobre a paternidade da criança. Foi o filho.Conhecia aquela expressão.Conhecia David desde antes que ele aprendesse a esconder o que sentia atrás de ironias, silêncios e uma segurança que nem sempre possuía. E havia alguma coisa naquele olhar que a incomodava profundamente.Fechou a matéria quando ouviu Sofia entrar.— Já viu? — a filha perguntou.— Infelizmente.— Imaginei.Joana retirou os óculos e os
O telefone de Melissa tocou pouco antes do final da tarde.Ela estava no flat, sentada no sofá com as pernas elevadas, tentando encontrar uma posição confortável. Carmem e Maria Augusta haviam saído para resolver algumas compras e, pela primeira vez naquele dia, havia silêncio suficiente para descansar.Viu o nome de Sofia na tela.— Oi.— Você viu o que o tabloide publicou hoje?Melissa fechou os olhos.A primeira imagem que lhe veio à mente foi a fotografia de David com Eloísa.— Não. E, francamente, Sofia, se for outra notícia sobre David e







