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Capítulo 3

Penulis: Pôr do Sol
O jatinho particular decolou.

Eu observei a cidade ficando cada vez menor lá embaixo, como se estivesse olhando para o passado que eu mesma havia enterrado.

"Adeus, Enrico."

A partir daquele dia, Lara estava morta.

O meu "velório" foi realizado na Mansão Colina, a residência da família Miranda.

Uma música fúnebre tocava baixinho, e o ambiente estava tomado por uma solenidade pesada.

Enrico usava um terno preto e permanecia diante do meu retrato, sem nenhuma expressão no rosto.

Valentina, por sua vez, vestia um vestido preto. Os olhos dela estavam vermelhos, e ela interpretava com perfeição o papel da minha melhor amiga devastada pela dor.

Eles atuavam tão bem.

Eu usava óculos escuros e me mantinha escondida no canto mais afastado do velório. Eu assistia ao meu próprio funeral como se fosse uma desconhecida.

A sensação era estranha e profundamente irônica.

Eu conseguia ouvir com clareza a euforia na mente de Valentina.

"Essa desgraçada finalmente morreu. E eu ainda preciso ficar aqui fingindo que estou chorando. Que cansativo. Quando este velório acabar, eu vou fazer Enrico me pedir em casamento. O lugar de Senhora Miranda vai ser meu."

Enquanto pensava nisso, Valentina passava um lenço pelo rosto, fingindo enxugar lágrimas que nem sequer existiam.

Ela era mesmo uma excelente atriz.

Meu olhar se voltou para Enrico. Dentro da cabeça dele, Enrico pensava:

"Ela morreu mesmo? Talvez seja melhor assim. Agora todo mundo fica livre. Eu e Valentina finalmente podemos ficar juntos sem precisar nos esconder."

Não senti nenhuma dor no coração.

Eu já estava cansada demais de ouvir esse tipo de coisa.

De repente, o corpo de Enrico cambaleou com violência. Ele levou a mão à cabeça, e o rosto dele ficou visivelmente pálido. Os olhos dele se prenderam aos olhos do meu retrato, como se aquela imagem também estivesse encarando-o de volta.

Uma vertigem brutal o atingiu, e inúmeras vozes confusas explodiram dentro da cabeça dele.

"Coitado do Senhor Miranda. Tão jovem e já perdeu a esposa."

"Ele está fingindo essa pose de viúvo apaixonado para quem? Todo mundo sabe que ele só tinha olhos para Valentina."

"A Valentina é tão boa. Ela ficou o tempo inteiro ao lado do Senhor Miranda."

"Boa? Eu chamaria de sonsa. A esposa do Senhor Miranda mal morreu, e ela já está se fazendo de boazinha para tomar o lugar dela."

As palavras educadas dos convidados e os pensamentos verdadeiros deles se misturaram como uma teia sufocante, prendendo Enrico por todos os lados.

As pupilas de Enrico se contraíram de repente.

"Essas vozes são os pensamentos deles?"

Ele olhou ao redor, incrédulo.

Enquanto o pavor ainda tomava conta dele, o mordomo se aproximou e lhe entregou o meu diário:

— Senhor, este é um dos pertences deixados pela senhora.

Enrico estendeu a mão quase por instinto e pegou o diário.

No instante em que os dedos dele tocaram a capa, os pensamentos que eu havia guardado em vida invadiram a mente dele como uma avalanche.

"Enrico, eu te amei por dez anos, mas você nunca olhou de verdade para mim."

"Você dizia que eu era calculista, mas quando foi que você me deu um mínimo de confiança?"

"A sua primeira namorada era doce e bondosa. Então o que eu era? Um obstáculo no seu caminho?"

"Eu estou tão cansada... tão cansada de verdade..."

Cada frase, cada pensamento, era um grito de desespero que eu havia sufocado quando ainda estava "viva".

O rosto de Enrico perdeu a cor na mesma hora. Ele deu um passo para trás, cambaleando, como se estivesse prestes a desabar.

— Enrico, o que aconteceu com você?

Valentina se aproximou depressa e o segurou com uma expressão preocupada. Mas, por dentro, ela pensava:

"O que deu em Enrico de repente? Será que ele ainda está pensando naquela desgraçada?"

Aquele pensamento caiu sobre Enrico como um trovão.

Ele arrancou a mão de Valentina de si, com os olhos tomados por choque e repulsa. Enrico não conseguia acreditar que aquela Valentina, sempre tão doce e bondosa diante dele, escondesse uma face tão cruel.

O olhar dele varreu a multidão em desespero. Por fim, como se fosse puxado por um fio invisível, Enrico percorreu a multidão com os olhos e parou em mim.

Eu estava sentada no canto, olhando para ele com absoluta calma. Então ergui a taça de champanhe e brindei a Enrico de longe:

"Enrico, aproveite bem o que a verdade traz."

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