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Capítulo 6

Author: Ôxeng
A provocação de Arthur acendeu de imediato a timidez de Larissa. Do pescoço ao rosto, tudo nela ficou vermelho. Mordendo o lábio, ela ergueu-se na ponta dos pés e beijou a bochecha dele com delicadeza, como uma borboleta tocando uma pétala.

— Assim está bom?

Com o beijo, já tentou se afastar.

Arthur abriu os olhos devagar. A expressão endurecida cedeu, como gelo que se desfaz, e um sorriso macio tomou conta do rosto.

Ele a puxou para si. Um braço firme a prendeu. A mão subiu e segurou a nuca dela. Arthur baixou o rosto, e o hálito úmido, quente, se espalhou na pele dela com uma tentação lenta.

— Um beijo só não basta.

Ele se inclinou ainda mais. Os lábios dele ficaram a um fio dos dela, rosados e brilhantes. A respiração dos dois se misturou, presa e entrelaçada.

O olhar de Arthur ardia, como o de um animal que esperou tempo demais pelo que queria.

Larissa prendeu o ar.

As faces queimavam. O coração batia tão forte que parecia querer escapar do peito. O ar faltou.

Só então Arthur a soltou.

Ainda ofegante, Larissa o encarou com olhos úmidos, como um gatinho pequeno que apanhou demais.

Perguntou, num fio de voz:

— Então... você aceita?

Arthur conteve o que havia no olhar. O canto da boca se ergueu.

— O que a minha esposa pede, eu concedo.

Larissa desviou os olhos e saiu depressa, quase fugindo.

Por um instante, o corpo inteiro ficou quente. Uma sensação nova, desconhecida, se espalhou, como se algo nela tivesse despertado...

Arthur acompanhou a fuga dela e soltou uma risada baixa. Os olhos ficaram ainda mais escuros.

Ela parecia uma gata arisca. Por dentro, era fácil de provocar.

A ferocidade era só disfarce.

...

Dois dias depois, Larissa levou Arthur à mansão Moretti.

— Vovô.

De vestido claro, ela se mantinha elegante e impecável. A postura firme denunciava a educação de herdeira. Com suavidade, apresentou:

— Este é o Arthur de quem eu te falei.

Samuel olhou para Arthur ao lado dela e assentiu, satisfeito, com um sorriso.

— Bom. Muito bom.

Arthur, bonito e de presença nobre, se mostrou contido e educado.

— Vovô, isto é só uma pequena lembrança de apresentação.

Pedro entrou trazendo os presentes, um por um, e os organizou sobre a mesa comprida antes de sair de novo.

Em poucos instantes, a madeira ficou tomada por caixas de suplementos caros e garrafas de vinho e destilados de alto padrão.

Era evidente que Arthur escolheu tudo com cuidado.

Samuel vestia uma camisa sob medida em tom de vinho escuro, corte perfeito. Riu com gosto.

— Você e a Lari se casaram. Agora somos uma família. Não precisa tanta formalidade.

— É o mínimo. — Arthur manteve o tom calmo. — Com respeito, nenhum gesto é demais.

Bastou aquilo para Samuel entender. Desta vez, Larissa escolheu certo.

Na época em que Manuel Moretti adoeceu gravemente, ele temeu deixar Larissa sem amparo. Confiou a filha aos cuidados de um velho amigo e parceiro de negócios, Rafael Vasconcelos. Chegou a cogitar um casamento entre as famílias.

Naquele ano, Larissa tinha dezessete. Foi quando assumiu o namoro com Ciro.

Antes de morrer, Manuel pediu que ela ficasse bem com Ciro.

Ciro prometeu a Manuel que cuidaria de Larissa por toda a vida.

No entanto, o compromisso entre as famílias permaneceu.

Só que o noivo deixou de ser Ciro. Passou a ser Arthur.

— Lari, vai até a capela da família e presta homenagem à sua avó e aos seus pais. — A voz de Samuel veio suave, mas irrecusável. — Eu vou conversar com Arthur.

Larissa olhou para Arthur, inquieta. Demorou a responder.

O avô era um homem difícil.

Ciro sofria nas mãos dele, sentia medo e, no fundo, rejeição.

Nos últimos dias, Larissa conviveu com Arthur o bastante para enxergar além da língua afiada. Ele era atento. E, sim, parecia um bom marido.

E ainda assim era um casamento relâmpago. Larissa não queria envolvê-lo em problemas por causa dela.

Samuel percebeu a hesitação e soltou, em tom de brincadeira:

— O quê? Está com medo de eu maltratar o seu marido?

O rosto de Larissa corou na hora.

Arthur soltou uma risada baixa e olhou para ela.

— Está tudo bem. Eu converso um pouco com o vovô. Vai lá.

Só então Larissa assentiu e seguiu para a capela da família.

Ela acendeu velas. Com um lenço limpo, passou com cuidado pela placa de mármore com o nome da mãe, limpando cada detalhe como se o gesto fosse uma oração silenciosa.

Desde pequena, recebeu amor demais para duvidar do próprio valor.

A mãe sempre lhe acariciava a cabeça e dizia, com ternura:

— Lari é a princesinha mais preciosa da nossa casa. Tem que viver feliz, leve, sem preocupações...

— Você merece tudo o que existe de bonito neste mundo. É o nosso tesouro.

Sim.

Ela era o tesouro da família.

E, ainda assim, Ciro sempre a fazia sofrer. Sempre a tratava com impaciência, com desprezo.

Larissa sentiu vergonha de si mesma. Parecia que tinha traído o carinho que recebeu a vida inteira.

Se eles a vissem diante de Ciro, humilde demais, como um cachorro abandonado implorando por atenção... o coração deles se partiria.

Os olhos de Larissa arderam. As lágrimas caíram sobre o mármore.

— Mãe... eu errei...

A dor a fez se curvar. Ela se agachou, abraçando a placa, e chorou como uma criança.

Como ela demorava, Arthur pediu que um funcionário o levasse até lá. Ao entrar, viu a cena.

O choro dela o atingiu como uma lâmina.

Arthur apressou o passo, a ergueu com cuidado e a prendeu contra o peito, forte, como se pudesse protegê-la da própria tristeza.

— Ei... não chora. Não fica assim. — Pediu, a voz baixa, urgente.

Arthur acreditou que era saudade. Com carinho, tentou acalmá-la.

— Eu vou cuidar de você. Vou te amar por eles também, está bem?

Larissa chorou ainda mais.

Arthur a apertou nos braços. Sentiu o tremor do corpo dela, e a dor dentro dele só aumentou.

Só quando Larissa cansou de chorar, mole, sem forças, é que se deixou ficar encostada nele.

Arthur se curvou e a tomou nos braços. Levou-a para fora da capela da família e, em seguida, deixou a mansão Moretti com ela.

Antes de sair, para não preocupar Samuel, Arthur pediu aos funcionários que escondessem o que aconteceu ali.

No carro, Larissa finalmente conseguiu se recompor.

O nariz e os olhos ficaram vermelhos. A voz ainda vinha molhada de choro.

— Arthur, obrigada.

Ele estava sentado à esquerda dela. O olhar dele pousou nela com calma, quase doce.

— Se quer mesmo me agradecer, então fica bem.

Fez uma breve pausa.

— Ficar bem é o que mais importa.

A frase a acordou por dentro.

Porque, com Ciro, era diferente.

Ele sempre dizia:

— Larissa, ninguém vai te mimar pra sempre. Aprende a ceder, a engolir as coisas. Se não, um dia eu te largo.

Larissa assentiu, mais leve. Pela primeira vez, percebeu com clareza que o Arthur que ela temia era muito melhor do que Ciro.

...

De volta à mansão da Península de Safira, Larissa tomou banho primeiro.

Enquanto Arthur estava no banho, o celular dela tocou. Um número desconhecido.

Ela atendeu sem pensar.

A voz de Ciro veio carregada de raiva.

— Larissa, já deu essa palhaçada, não deu?

— Você bloqueou meu número, me bloqueou no WhatsApp, nem em casa aparece. O que você quer com isso?

Depois de dias sem falar com ele, a voz de Ciro lhe deu nojo.

— Não esquece que a gente terminou.

— Eu voltar ou não voltar não é da sua conta.

Ciro ficou em silêncio por um instante.

Antes, uma briga nunca durava mais que algumas horas. Bastava ele fingir carinho, e tudo voltava ao normal.

A frieza dela agora o deixou inquieto. Ele suavizou o tom.

— Tá. Eu admito. Aquele dia, eu passei do ponto por não ir ao cartório.

— Eu peço desculpas. Para de fazer drama, tá?

Larissa soltou uma risada curta.

— Você não entende? A gente terminou. Para de me ligar.

— Larissa, não exagera. — Ciro rosnou.

Larissa já ia encerrar. Não queria perder mais um segundo com ele.

Nesse instante, a porta do banheiro se abriu.

Ela virou o rosto no reflexo do som.

Arthur saiu com apenas uma toalha na cintura. O abdômen marcado, as linhas firmes, a pele ainda úmida. A visão bateu nela como um choque bonito demais.

Por um momento, Larissa esqueceu o celular na mão.

— De quem é a ligação? — Arthur se aproximou. A sobrancelha se ergueu, fria. Ele lançou um olhar ao visor, como se não soubesse.

Larissa continuou presa ao corpo dele, sem conseguir reagir.

Do outro lado, Ciro ouviu a voz masculina e explodiu.

— Larissa, tem um homem aí? Quem é ele?

Arthur tirou o celular da mão dela com naturalidade. Nos olhos dele surgiu um brilho escuro, gelado.

— Calma. — A voz veio baixa. — Logo você descobre quem eu sou.

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Comments (7)
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Odete Ramos
anúncio demais
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Odete Ramos
amando e maravillhosa
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Beatriz Moreira
como faço pra continuar a leitura?
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