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Capítulo 5

Author: Ôxeng
As palavras de Larissa deixaram Samuel incrédulo. Ele confirmou mais de uma vez e, ao ter certeza, riu com ainda mais entusiasmo, a alegria evidente.

— Ótimo. Casaram, então está decidido. Venham me ver com Arthur.

— Claro, vovô. — Respondeu ela, com sorriso doce.

Assim que desligou, a porta do quarto se abriu.

Arthur entrou e caminhou direto até ela.

A elegância natural, o porte impecável, o rosto bonito demais para passar despercebido. Havia algo nele que sempre prendia o olhar.

Ao vê-lo, Larissa perdeu o ar por um segundo.

— Você voltou.

— Voltei. — A voz saiu baixa. — Em plena lua de mel, é justo jantar com a minha esposa.

O coração dela, ainda marcado por antigas feridas, sentiu um calor discreto.

— Obrigada.

Com Ciro, nem isso era garantido. Marcavam jantar e ela ficava esperando horas no restaurante.

Depois descobria o motivo. Melissa o chamara.

Bastava um espirro dela para Ciro correr ao hospital.

Larissa sempre era a deixada para trás.

Se reclamava, ele dizia que ela exagerava.

Ela afastou as lembranças. Fechou o notebook e o colocou sobre o parapeito. Se levantou e sorriu.

— Você não precisa voltar só para isso. Não faz diferença.

Era um casamento conveniente. Cada um sabia disso.

— Faz, sim. — A resposta veio firme.

O olhar de Arthur se fixou nela como se nada mais existisse ao redor.

— Eu já disse. Quero um casamento de verdade. — A voz saiu baixa, firme. — Quero alguém para viver comigo... e dormir comigo. Quero um lar.

O calor voltou ao peito dela, suave. Ainda assim, não se permitiu interpretar demais. Arthur sempre foi ponderado, seguro. Aquilo não precisava significar algo especial.

— Está bem. Vou lavar as mãos e desço com você.

Ela seguiu para o banheiro.

Arthur ficou parado, observando-a se afastar. O sentimento nos olhos dele se intensificou, quente demais para continuar sendo escondido.

...

No restaurante do térreo, se sentaram frente a frente, à mesa quadrada. A luz suave caía sobre os dois, criando um cenário quase íntimo.

Ele bonito. Ela luminosa. A imagem era harmoniosa demais para parecer casual.

Larissa percebeu que quase todos os pratos eram favoritos dela.

Ela se surpreendeu. As preferências coincidiam demais.

Larissa ficou em silêncio, comendo.

Arthur colocou um pedaço de carne no prato dela.

— Você gosta disso. — Disse, com naturalidade.

Larissa ergueu o olhar.

— Como sabe?

— Quando alguém quer saber, descobre.

Os olhos dele permaneceram fixos nos dela. A voz saiu baixa, segura.

— Somos casados. Eu presto atenção.

A simplicidade da frase a atingiu em cheio.

Quando alguém realmente quer conhecer, sempre encontra um jeito.

Ciro nunca soube do que ela gostava de comer. Nem do que preferia beber.

Ela era alérgica à manga.

Ainda assim, ele já pediu um milk-shake de manga para ela. Era o favorito de Melissa.

— Arthur... — A voz falhou.

— Estou aqui. — Respondeu ele, macio.

Larissa o encarou por alguns segundos e reuniu coragem.

— Você não me odiava? Por que está sendo assim comigo?

Odiar?

Então era isso que ela acreditava.

A intensidade nos olhos dele suavizou. Um sorriso discreto surgiu.

— Marido tratar bem a esposa não é o mínimo?

Ela não obteve resposta.

Já pensava em deixar o assunto morrer quando ele completou, seco:

— Além disso, você era ingênua demais. Dava trabalho gostar.

Larissa ficou muda.

Não devia ter perguntado.

Terminaram a refeição em silêncio, cada um preso aos próprios pensamentos.

Depois do jantar, Arthur voltou para o escritório.

Quando a noite já envolvia a casa em silêncio, Larissa subiu com uma xícara de chá de catuaba preparada por Maria. Parou diante da porta e bateu de leve.

Precisava falar sobre a visita ao avô.

— Entra. — A voz grave atravessou a porta.

Ela entrou, se aproximou da mesa e colocou a xícara ao lado da mão dele.

— Bebe um pouco.

— Certo.

Arthur levou o chá aos lábios. Em seguida, ergueu os olhos. Um brilho lento surgiu.

— Catuaba? — A voz desceu, insinuante. — Sra. Vasconcelos está sugerindo alguma coisa?

Catuaba. Dizem que fortalece o vigor masculino.

Como ela pôde esquecer?

O calor subiu ao rosto dela no mesmo instante. A provocação da manhã lhe atravessou a memória.

— Não. Foi a Maria que preparou.

Assim que respondeu, percebeu o erro.

Revelou entendimento demais.

Arthur observou o rubor se espalhar pelas bochechas dela. Delicada, quase assustada. Tentadora sem perceber.

Desta vez, decidiu não pressionar.

Se levantou. A presença dele a envolveu por completo. Lhe estendeu um pequeno estojo de veludo preto.

— É para você.

— O que é?

Larissa abriu a caixa.

Duas alianças repousavam ali.

O coração falhou um compasso.

— Ontem foi tudo rápido. — A voz dele veio baixa. — Considere isso o pedido que faltou.

— Gostou?

O olhar dele não se desviou.

A respiração dela ficou mais curta. Era um casamento por impulso, mas ser lembrada assim... mexia com algo profundo.

Ela assentiu.

— Gostei.

Arthur segurou a mão dela. Tirou a aliança feminina da caixa e a deslizou devagar pelo dedo anelar.

— Vai usar sempre. — A voz saiu baixa, marcada por posse e cuidado.

Ele inclinou o rosto para mais perto, observando o encaixe do anel. De tão próximo, os traços dele pareciam ainda mais definidos, mais intensos.

Larissa prendeu a respiração sem perceber. O coração bateu forte, descompassado.

O silêncio se prolongou.

Arthur não ouviu resposta. O olhar escureceu.

— Não quer?

Ela balançou a cabeça de imediato.

— Não é isso. Eu quero.

Arthur só então suavizou a expressão. Estendeu a mão esquerda. Os dedos longos, as veias marcadas e a linha firme dos músculos deixavam clara a força contida.

— Então, Sra. Vasconcelos... — A voz veio baixa. — Me dê a honra de colocar o anel.

Larissa achou natural. Retirou a aliança masculina e, com cuidado, deslizou-a pelo dedo dele.

A ponta dos dedos dela era macia. O toque, lento. Pele contra pele.

O ar entre os dois mudou de peso.

Arthur prendeu a cintura fina dela num gesto súbito e a puxou contra o próprio corpo. Baixou o rosto, fitando-a de perto.

— E agora... — Murmurou. — Não deveríamos fazer o que um casal faz?

O coração de Larissa disparou. Por um instante, a mente ficou em branco.

Demorou a reagir.

— O... o quê?

Arthur levantou a mão. O polegar percorreu a curva delicada da face dela. Os olhos escureceram, quentes.

— Sra. Vasconcelos... — A voz soou rouca. — Não me diga que nunca fez amor.

Ele inclinou o rosto para beijá-la.

A tensão a dominou. O corpo dela encolheu num reflexo involuntário. O rosto se afastou.

Arthur percebeu de imediato.

O calor no olhar se dissipou. Ele a soltou.

— Não tem problema. — Falou com calma. — Eu lhe dou tempo.

Larissa ficou parada.

Então era isso. Sem o consentimento dela, ele não avançaria.

Por alguma razão, o homem que sempre parecia frio e difícil agora revelava uma gentileza inesperada.

Ela não entendeu por quê. Se sentiu constrangida pelo que acabou de acontecer. Baixou o olhar.

— Desculpa. Eu ainda não estou pronta.

Um leve sorriso surgiu nos lábios dele. Arthur passou a mão pelos cabelos dela, num gesto quase distraído.

— Pedir desculpa por isso? — Comentou. — Eu disse que esperaria.

A mão se afastou devagar.

— Só não me faça esperar demais.

Por um instante, Larissa se sentiu protegida. Mimada, até. Algo que nunca experimentou ao lado de Ciro.

Depois de alguns segundos, assentiu em silêncio.

— Está bem.

Então se lembrou de outra coisa.

— Ah... meu avô quer conhecê-lo. Você pode ir comigo vê-lo?

— Posso. — Concordou. — Mas…

Os olhos de Arthur se aprofundaram. Ele se inclinou, se aproximou do ouvido dela.

A respiração quente lhe roçou a pele, a voz baixa, magnética, carregada de uma sedução perigosa, como o canto de uma sereia chamando marinheiros à perdição.

— Sra. Vasconcelos... Me dá um beijo?

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Comments (7)
goodnovel comment avatar
Sonia Cassiano Ribeiro
que delícia de leitura ...
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Antônia Nunes F.Souza
muito Delicioso!!!!!!!! ...
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Kananda Beatriz
amei demais essa história essa muito legal ...
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