Mag-log inMenina boba.Como poderia ser uma criança que ninguém queria?Alguém a amava há dez anos inteiros.Arthur ficou muito tempo em silêncio, os olhos escuros pousados no rosto adormecido de Larissa.Então se inclinou e tocou a testa dela com os lábios.Foi um beijo breve, quase sem peso.Cuidadoso.Cheio de carinho....Na manhã seguinte, Larissa acordou e percebeu que estava encolhida no abraço largo de Arthur.Suas duas mãos pequenas repousavam entre o peito dele e o dela, como as patinhas de uma gatinha que ainda buscava segurança.Os dois estavam de frente um para o outro.A perna de Larissa atravessava a dele, e sua cabeça descansava junto ao ombro e ao pescoço de Arthur. Entre os corpos, quase não restava espaço.O coração dela falhou uma batida.Logo depois, o rosto esquentou.Larissa tentou reconstruir as lembranças da noite anterior. Sentiu vergonha, mas também uma doçura quieta se espalhando por dentro.As palavras de Arthur não foram grandiosas.Mas foram gentis, sinceras, e fic
— Não tem problema. O importante é a Sra. Paula gostar.Arthur disse aquilo com a naturalidade de quem não precisava medir preço. Em seguida, mandou o vendedor embalar a obra.Afinal, a Sra. Paula era avó de Ícaro, e entre eles existia afeto desde a infância. Um presente generoso não era exagero.Além do mais, foi Larissa quem gostou.Ao ver a forma como Arthur gastava sem hesitar, Larissa ficou bastante satisfeita.No quesito generosidade, os irmãos Vasconcelos realmente não deixavam a desejar.A diferença era que ela não precisava de presentes de Ciro sempre acompanhados de culpa e pedido de desculpas.Arthur era diferente.Quando lhe dava alguma coisa, era simplesmente porque queria dar.Sem depender do humor. Sem depender do lugar.E, principalmente, sem aquele gosto incômodo de compensação.Tirando o relógio que ele não conseguiu entregar à pessoa de quem gostava e acabou dando a ela, no resto, quase não havia defeitos.Ao pensar nisso, o peito de Larissa ficou um pouco abafado.M
Arthur encontrou o olhar confuso de Larissa. O canto de seus lábios se ergueu.— Pelo menos percebeu antes de ser tarde demais. Não é tão burra assim. Ainda tem salvação.Larissa franziu levemente a testa.— Onde é que eu sou burra desse jeito?Arthur estava de pé ao lado da cama. Então se curvou um pouco, aproximando aquele rosto bonito demais do dela.— Confundiu um canalha com tesouro, se tratou com dureza, se diminuiu. Isso não é burrice?Ele ergueu a mão e lhe deu um toque leve na testa.O gesto foi suave, quase uma brincadeira.A luz desenhava sombras no rosto dele, escondendo parte da emoção. Mesmo assim, Larissa sentiu, por baixo daquela provocação, um carinho silencioso.Ela cobriu a testa, sentindo o leve ardor, e retrucou, inconformada:— Isso só prova que eu sou fiel quando gosto de alguém. Gente como você, que nunca namorou, não entende.Os olhos escuros de Arthur se aprofundaram.Namorar e amar alguém eram coisas muito diferentes.Namorar podia acontecer por desejo, por i
Por um instante, nenhuma palavra saiu.Um calor lhe subiu pelo corpo e varreu a razão de uma vez. O rosto de Larissa ardeu, tomado por vergonha e timidez.Que vexame.Ao vê-la tão constrangida, Arthur não conseguiu conter o riso.— Está bem, parei de te provocar. Come logo. Você passou o dia inteiro cansada. Depois do jantar, toma um banho e descansa direito.Ele continuava gentil como sempre.Gentil a ponto de quase fazer Larissa esquecer o homem frio como gelo que ele parecia ser antes.— Tá bom.Larissa assentiu, obediente.Ela realmente precisava descansar....Naquela noite, Larissa dormiu cedo e profundamente.Só acordou perto do meio-dia do dia seguinte.Quando desceu, Maria, seguindo as ordens de Arthur, fez questão de lhe servir mais uma tigela de caldo nutritivo.Com um sorriso aberto, comentou:— O Sr. Arthur trata a senhora tão bem que dá até inveja. Olhando vocês dois, até eu, nessa idade, fico com vontade de me apaixonar.Larissa riu.— Maria, a senhora é ótima contando p
Ao ouvir aquilo, a frieza nos olhos de Arthur se tingiu de uma intenção quase mortal, toda voltada para Ciro.Seus lábios se ergueram num traço de escárnio.— Pela sua imprudência, vou considerar tirar você da presidência da filial.Depois disso, saiu com Larissa pela cintura.Ciro ficou parado, como se o chão se partisse sob seus pés.O olhar, tomado por ódio, apego e uma sombra amarga, ficou preso nas costas dos dois. A raiva lhe queimava por dentro, cada vez mais feroz.Mas Larissa seguia junto ao corpo de Arthur, deixando que ele a conduzisse, sem lhe dar sequer o canto dos olhos.Só então Ciro entendeu de verdade.Dessa vez, Larissa falava sério. Ela realmente não o queria mais.A dor veio como lâminas finas, cortando pouco a pouco sua carne, até o corpo inteiro se contrair.De repente, ele se lembrou do que Larissa disse sobre Melissa.Uma ponta de esperança brilhou em seus olhos.Talvez, se descobrisse a verdade de três anos atrás e fizesse Larissa enxergar sua sinceridade, ela
Arthur se virou para Larissa.A tensão entrou de imediato em seus olhos.— Desculpa. Cheguei tarde. Ele machucou você em algum lugar?Larissa ergueu o rosto e ficou olhando para ele, parada.Aquele cuidado tão suave, tão sincero, parecia abrir uma fresta em seu peito. Por ali, algo quente se espalhou, leve e inquieto.Por um instante, ela chegou a pensar:Se toda essa preocupação, toda essa ternura, viesse de amor por ela, que bom seria?Ser amada por Arthur devia ser uma felicidade difícil de imaginar.Para não o deixar preocupado, Larissa recolheu depressa aqueles pensamentos e balançou a cabeça.— Estou bem. Ainda bem que você chegou a tempo.Só depois de confirmar que ela estava inteira, a tensão entre as sobrancelhas de Arthur finalmente se desfez.A mão dele apertou de leve seu ombro.— Desculpa. Eu devia ter subido com você. Você se assustou por minha causa.Ele era gentil demais.Gentil a ponto de fazer o coração dela parecer tocado por plumas, uma atrás da outra.— Não foi cul
— Não. — Vânia corrigiu a si mesma, sorrindo. — Melhor dizendo, você conseguiu o que queria.Os olhos de Arthur se estreitaram.— Só estou preocupado que ela esteja em perigo.— Mesmo que seja isso, é porque você se importa com ela.Ao ouvir aquilo, Pedro se adiantou:— Sr. Arthur, eu subo para veri
Primeiro, ele a drogou, tentando forçar uma intimidade e fabricar uma suposta relação consumada.Depois, mandou bêbados a assediarem, só para aparecer como salvador.Podre por dentro. Sem cura.Larissa se achou cega por tantos anos.Como pôde correr atrás dele, insistir naquele casamento a qualquer
O rosto de Larissa parecia dócil, quase sereno.A voz, porém, vinha com uma ponta clara de irritação.Arthur olhou para aqueles olhos limpos e perguntou, tranquilo:— Por que essa pergunta agora?Larissa curvou os lábios de leve.— Nada. Só curiosidade. Então, você está?— Depende do assunto.A voz
Ela olhou para ele outra vez.— Augusto foi atrás de Alex. Você não vai?— Hm? — Arthur sustentou o olhar dela, os olhos escuros como se escondessem uma sondagem. — Você acha que eu devo ir?Larissa respondeu com calma:— Disso eu não entendo. Melhor você decidir.Ela hesitou por alguns segundos.—







