MasukPOV: GIULIA BIANCHI
Fechei a porta do quarto com cuidado, soltando um suspiro longo enquanto encostava as costas na madeira fria. Sofia se jogou na ponta da cama, passando as mãos pelo cabelo com uma mistura de impaciência e desejo que queimava no ar. A noite lá embaixo tinha sido uma loucura total, uma corda bamba entre ameaças, olhares carregados e aquele francês ridículo tentando marcar território. Mas nada daquilo importava agora. Tudo o que conseguíamos pensar era no jeitCaminhamos até o arco que dava acesso à área da piscina e vimos as três meninas acomodadas nas espreguiçadeiras. Elas pareciam entretidas em uma conversa animada sob a iluminação azul da água. — Boa noite, meninas — murmurei, mantendo o tom calmo. Elas se viraram na hora ao som da minha voz. — Boa noite, Matteo — responderam quase em coro, enquanto Sofia e Giulia me lançavam olhares breves e cúmplices. Dei um pequeno aceno com a cabeça e não me demorei ali. Girei sobre os calcanhares e entrei na mansão, subindo as escadas a passos pesados direto para o meu quarto. Assim que atravessei a porta do meu refúgio, tranquei-a por dentro. Tirei as roupas sujas do dia e fui direto para o banheiro. Deixei a água quente caindo sobre a minha cabeça por longos minutos, sentindo a tensão acumulada na nuca ceder aos poucos. Quando saí do banho, enrolei apenas uma toalha na cintura. Caminhei até o bar do quart
— Hum, vejo que a sua cabeça não está completamente dopada — brinquei, deixando escapar um sorriso de canto. — Ainda está lembrando das nossas conversas recentes. Adrian revirou os olhos devagar e sorriu fraco, encostando a cabeça no travesseiro. — Você é um idiota, Matteo. Agora me fala o que o médico disse de verdade, não vejo a hora de sair deste lugar. — O Dr. Suzanno disse que você está se recuperando bem — respondi, voltando ao tom sério. — Se continuar nesse ritmo, em breve vai poder receber alta para terminar o repouso na mansão. — Ótimo! — Adrian disse, tentando mover o tronco para se ajeitar melhor, embora desse para ver a dor estampada na cara dele. — Agora veja se me consegue um tablet. Preciso começar a trabalhar no nosso plano contra os Laurent e nesse bendito acordo de casamento da Sofia. — Vou pedir ao Sergei para providenciar isso imediatamente. O restante do dia se arrastou le
POV: MATTEO VOLKOV O cheiro característico de antisséptico e remédio já estava me dando ânsia. Eu estava preso naquele quarto de hospital desde a noite passada, sem pregar o olho por um segundo sequer. Fiquei ali parado por um momento, em pé ao lado da cama do Adrian, com as mãos enfurnadas nos bolsos da calça. O som rítmico, constante e irritante dos aparelhos eletrônicos era a única coisa que preenchia o vazio gélido daquela sala. Ver o Adrian ali jogado, pálido como um fantasma e completamente imóvel, era um contraste violento com o homem forte, perigoso e incansável que eu conhecia tão bem. Meu irmão de armas tinha sobrevivido a uma queda de avião — algo que mataria noventa e nove por cento das pessoas sem deixar rastro —, mas o preço que a física cobrou do corpo dele foi alto demais. Não demorou muito para que a porta do quarto se abrisse suavemente. O médico da nossa inteira confiança entrou no quarto para me passar o boletim atuali
Chiara assentiu em silêncio e nós três nos levantamos e seguimos para a área externa da mansão. A brisa da noite estava agradável, e a água límpida da piscina refletia as luzes em tons de azul da mansão, criando um ambiente calmo e relaxante. Sentamos nas espreguiçadeiras confortáveis dispostas ao redor do convés. O silêncio durou apenas alguns segundos. Eu não era mulher de guardar curiosidade ou pisar em ovos, então fui direto ao ponto. — Tudo bem, Chiara. Desembuche — falei, cruzando os braços e encarando minha cunhada. — Você não abriu a boca durante o jantar e quase não olhou para o meu irmão. O que aconteceu? — Está tudo bem, Sofia. Só estou cansada — Chiara tentou desconversar, desviando os olhos para a água da piscina. Giulia soltou um suspiro pesado e sentou-se na beira da espreguiçadeira logo ao lado de Chiara, pegando delicadamente na mão dela. — Chiara, você não consegue esconder as coisas de mim
POV: SOFIA BIANCHI Alguns dias haviam se passado desde a noite terrível em que fui forçada a ir ao jantar com o Jean-Luc. As coisas na mansão continuavam com um ar de calma aparente, mas por baixo da superfície o clima fervia. A única coisa que realmente me manteve sã durante essa semana foi a conversa que tive com a Giulia logo no dia seguinte àquele jantar. Eu estava no quarto dela, me recuperando do cansaço e do estresse, quando a Giulia sentou ao meu lado na cama, meio hesitante, e me contou tudo. Ela confessou que, naquela mesma noite em que fui ao jantar, ela acabou indo para o quarto do meu irmão Matteo e eles transaram. Ela admitiu que ficou morrendo de medo da minha reação, achando que eu ficaria brava ou me sentiria excluída ou traída por ela ter ficado com ele sozinha. Quando ela me contou, a última coisa que senti foi raiva. Pelo contrário. Sentir o cheiro da Giulia, ver o jeito como as bochechas dela coravam e imaginar os doi
— Ele ficou me olhando a noite toda — ela continuou, desabafando sem parar. — Tocou na minha mão por cima da mesa sem a minha permissão, disse que eu era muito bonita, mas que precisava aprender a ser mais obediente se quisesse ser a esposa dele. Você acredita nisso? Ele disse que na França as mulheres sabem o lugar delas!— Que desgraçado! — xinguei alto, apertando a mão dela com força.— E você não sabe o que mais ele teve a coragem de falar — Sofia soltou uma risada amarga, cheia de desprezo. — Jean-Luc teve a audácia de me dizer para me afastar do Matteo, disse que não quer a mulher dele de conversas e intimidades com um homem como o Matteo.— Ah! Não acredito que ele teve essa coragem — eu disse, deixando escapar uma risada desacreditada. — Ele não sabe com quem está mexendo. Se o Matteo souber disso...— Pois é, Giulia. Também não acreditei nisso, mas ele está puto com o que aconteceu naquele jantar, quando o Matteo exigiu que ele se afastasse de mim na varanda — Sofia disse, de







