Mag-log inDurante três anos, ela foi a esposa perfeita de um homem que quase nunca estava em casa. Casada com um dos nomes mais temidos e respeitados da máfia europeia, aprendeu a viver entre o luxo, o silêncio e a ausência. Manteve a reputação do marido impecável, ocupou seu lugar na alta sociedade, sorriu nos eventos certos e jamais fez perguntas demais. Era respeitada, admirada — e completamente sozinha. Até o dia em que ele volta. Ferido. Vulnerável. Forçado a permanecer onde nunca esteve de verdade: ao lado dela. Entre corredores luxuosos, noites silenciosas e uma convivência que nunca existiu antes, marido e esposa se veem obrigados a dividir o mesmo espaço… e encarar tudo o que foi evitado por anos. O homem frio e controlador começa a revelar rachaduras. A mulher forte e contida descobre desejos, medos e verdades que mudam tudo. Mas amar um mafioso nunca é simples. Segredos não desaparecem. Perigos não descansam. E o passado sempre cobra seu preço. Quando o poder, o ciúme e a paixão se misturam, resta apenas uma pergunta: até onde alguém é capaz de ir por um casamento que nunca foi real — mas pode se tornar inevitável?
view morePercebi que estávamos nos aproximando de algo maior não por causa de tiros.Mas pelo silêncio.Os dias seguintes ficaram quietos demais.Alessandro passou a maior parte do tempo na casa, ainda limitado pela perna, mas mentalmente mais ativo do que nunca. Reuniões fechadas. Homens entrando e saindo. Mapas sobre a mesa do escritório. Nomes que eu já tinha ouvido antes — agora repetidos com mais frequência.Chiara não havia desaparecido.Ela estava se movendo.E, pela primeira vez, Alessandro não tentou me manter fora.—Numa noite, ele me chamou para o escritório.Não como marido.Como alguém que estava me incluindo.O cômodo estava iluminado apenas pela luz baixa do abajur. Ele estava sentado atrás da mesa, mas não com a postura dominante habitual. Estava tenso.— Ela está tentando formar uma aliança — disse, direto. — Alguns nomes antigos. Pessoas que acreditam que eu mudei demais.— Você mudou — respondi, me aproximando.— Sim. E isso ameaça quem vive do caos.Ele me mostrou document
Eu estava sentada na cama quando ele voltou. Não ouvi o carro. Não ouvi passos. Apenas senti — aquela mudança sutil no ar, como se a casa tivesse prendido a respiração junto comigo. Levantei o olhar quando Alessandro entrou no quarto, amparado por um dos homens, o rosto duro demais, os olhos escuros demais. Ele mandou o homem sair com um simples gesto. A porta se fechou. Ficamos sozinhos. — Você não devia estar fora da cama — falei, levantando-me no mesmo instante. Minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia. — Eu precisava resolver algo — respondeu. Algo. A palavra caiu pesada entre nós. Aproximei-me devagar. O cheiro dele estava diferente. Não era suor. Não era sangue fresco. Era algo metálico, frio… o tipo de cheiro que não se aprende a reconhecer sem querer. — Resolver… o quê, Alessandro? — perguntei. Ele não respondeu de imediato. Caminhou até a poltrona e sentou-se com cuidado, a perna rígida, o maxilar travado. Parecia mais cansado do que ferido. Mais distante do q
Extra de Alessandro. ... O telefone vibrou na mesa antes mesmo que eu percebesse que estava prendendo a respiração. — Fala — atendi, a voz baixa, controlada. Do outro lado, a confirmação que eu já esperava… e ainda assim temia. — Chefe, pegamos um deles. Tentou fechar o carro da senhora. Atirou. Está vivo. Meu maxilar travou. Por um segundo, o quarto pareceu pequeno demais para conter o que subiu dentro de mim. Não era raiva comum. Era algo mais antigo. Mais escuro. Algo que eu conhecia bem demais — e que sempre tentava manter trancado. — Onde ela está? — perguntei. — Em segurança. Assustada, mas ilesa. Fechei os olhos. Ilesa não significava bem. Nunca significou. A imagem dela no banco do carro, ouvindo tiros, se abaixando, com medo… atravessou minha mente como uma lâmina. Minha esposa. A única coisa que eu nunca deveria ter colocado naquela linha de fogo. Minha mão fechou com força sobre a mesa. — Leva ele pra casinha — ordenei, a voz fria. — Agora. H
Eu estava ajoelhada à frente dele, concentrada, os dedos cuidadosos enquanto trocava o curativo da perna. O cheiro leve do antisséptico contrastava com o silêncio denso entre nós. Minha atenção estava toda ali — na pele marcada, na cicatriz ainda recente, na respiração dele que eu sentia mudar aos poucos. Foi então que a voz de Alessandro quebrou o silêncio. — Sabe… — disse ele, num tom arrastado demais para ser casual — eu consigo imaginar muitas coisas com você assim. Ajoelhada na minha frente. Meu coração deu um salto violento. Minhas mãos pararam por um segundo, ainda apoiadas na perna dele. Levantei o olhar devagar, encontrando o dele. Havia dor ali, sim — mas também algo mais. Um brilho provocador, perigoso, que eu conhecia apenas de rumores, nunca de perto. — Alessandro… — murmurei, mais como aviso do que como reprovação. O canto da boca dele se curvou num sorriso lento. — Estou brincando — disse, mas o tom não convencia ninguém. — Ou talvez não. Senti o calor s






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