LOGINA curiosidade e a desconfiança falaram mais alto. Guardei o batom, saí do banheiro e caminhei devagar pelo corredor de serviço, mantendo os passos leves para não fazer barulho com o salto do sapato. Aproximei-me da porta de acesso ao pátio lateral do pátio interno. A porta estava entreaberta por uma fresta mínima, permitindo que a brisa fria da noite entrasse e me trouxesse o cheiro característico de pólvora e cigarro. Inclinei o corpo e espiei através do espaço entre a porta e o batente. Lá fora, na penumbra do estacionamento privativo, vi homens armados vestindo ternos escuros posicionados perto dos carros. E no centro de tudo, de costas para a porta, estava Matteo. Ele estava sem o paletó do terno, apenas com o colete e a camisa branca com as mangas dobradas até os cotovelos. Ele segurava uma arma de grande calibre com uma firmeza assustadora, a postura totalmente ereta e os olhos atentos a cada s
POV: Sofia Capone O salão do Palazzo parecia um formigueiro de pessoas vestidas com roupas caríssimas, rindo de piadas sem graça e desfilando falsidade para todos os lados. Para quem olhava do meio da festa, tudo parecia perfeito: taças de cristal brilhando sob a luz dos lustres, garçons servindo champanhe importado e a música suave de um quarteto de cordas ao fundo. Mas, para mim, aquele lugar nada mais era do que uma gaiola dourada onde eu estava sendo exibida como um troféu. O peso da mão de Jean-Luc na minha cintura continuava a me causar um arrepio incômodo. Desde que chegamos, ele não tinha se afastado de mim por um segundo sequer, fazendo questão de me puxar para perto a cada novo grupo de convidados que se aproximava para nos cumprimentar. — Você precisa sorrir mais, ma chérie — Jean-Luc murmurou perto do meu ouvido, a voz carregada de uma intimidade forçada que fazia meu estômago dar voltas. — Todos estão olhando para nós. Precis
POV: Matteo Volkov O salão do Palazzo estava mergulhado em uma opulência que eu sempre considerei excessiva, mas necessária. As luzes amareladas dos lustres gigantescos de cristal refletiam no chão de mármore polido, enquanto o tilintar de taças e o murmúrio abafado da aristocracia italiana criavam uma sinfonia de poder, falsidade e segredos. Para quem olhava de fora, era apenas uma noite de gala beneficente. Para mim, era um campo de minas. Meus olhos escaneavam o ambiente constantemente, analisando cada canto daquele salão imenso. A ausência de Moretti era o que mais me preocupava. Sabíamos que aquele desgraçado era o arquiteto por trás da emboscada ao avião do Adrian e que vinha armando sistematicamente contra a Tríade Negra. Fomos alertados sobre a possibilidade real de um ataque ao evento beneficente, e por isso triplicamos o reforço por toda a propriedade. Cada garçom com uma postura rígida demais era um dos nossos homens armados, e cada saída de
E a resposta veio à minha mente de forma clara, ardente e arriscada. Para quebrar aquele acordo arcaico da máfia de forma irreversível, eu precisava arrancar a moeda de troca que meu pai tanto valorizava. A pureza que o Jean-Luc e o conselho exigiam. Eu precisava urgentemente ir para a cama com o Matteo. Perder a minha virgindade com o homem que eu realmente queria era a minha única cartada. Se eu me entregasse a Matteo Volkov, nenhum acordo de casamento com os Laurent se sustentaria. O escândalo seria gigante, meu pai ficaria furioso, mas o casamento estaria arruinado de vez. E a lembrança das mãos de Matteo no meu corpo, do beijo faminto dele na entrada da mansão e da forma como ele me dominava só tornava essa ideia ainda mais urgente e inevitável dentro de mim. Desliguei a água, me enxuguei rápido e enrolei a toalha no corpo. Quando abri a porta do banheiro e voltei para o quarto, encontrei uma verdadeira força de tarefa instalada. Quatro profissionais se movimentavam com agilid
POV: Sofia Capone O grande dia do evento beneficente finalmente tinha chegado. Meu quarto parecia uma zona de guerra controlada, repleto de sacolas de grife, vestidos pendurados em cabides altos e o vapor leve do aromatizador de ambientes. Eu estava sentada na ponta da cama, vestindo apenas um roupão de seda, com o celular preso entre o ombro e o ouvido enquanto falava com a Giulia. — Giulia, eu juro por tudo que é mais sagrado, meu estômago está dando nós desde o momento em que abri os olhos hoje cedo — desabafei, mexendo nervosamente nas minhas unhas. — O clima nesta casa está insuportável. Meu pai está andando pelos corredores como se estivesse prestes a dominar o mundo. — Calma, Sofi — a voz de Giulia veio através do alto-falante, tentando me tranquilizar. — Tenta respirar fundo. O evento é grande, vai ter muita gente, imprensa, empresários... Não tem como seu pai inventar nada fora do normal no meio de tanta gente. — Você não conhece o Vittorio Capone — suspirei. Antes que G
POV: Matteo VolkovO cheiro forte de antisséptico e remédios do hospital no dia seguinte era um alívio temporário para a bagunça que estava na minha cabeça. O som constante dos monitores cardíacos marcava o ritmo do quarto enquanto eu observava a luz do sol da manhã cortar as cortinas semifechadas.Adrian estava sentado na cama, ainda ligado a alguns aparelhos e com curativos cobrindo parte das pernas, mas o olhar dele já tinha recuperado aquela lucidez afiada de sempre. Ele era o tipo de homem que não conseguia ficar parado nem mesmo em cima de uma cama de hospital, e a pasta de documentos digitais que ele mantinha aberta no tablet sobre o colo era a prova disso.Puxei uma cadeira e me sentei ao lado da cama, servindo um copo de água para ele antes de cruzarmos o olhar.— Como você está se sentindo hoje? — perguntei, enchendo também um copo para mim.— Como se um caminhão tivesse passado por cima de mim e voltado de ré, mas vivo — Adrian







