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CAPÍTULO TRÊS

Autor: Gabi Nunes
last update Data de publicação: 2026-07-24 13:22:13

— Pakhan... nós temos uma emergência de nível máximo na Tríade — a voz dele veio baixa, tensa. — O jato privado do Senhor Adrian Keller caiu. Acabamos de receber o alerta dos rastreadores de satélite que monitoram os membros da aliança. Ainda não temos muitos detalhes sobre sobreviventes ou a causa exata, mas a aeronave sumiu dos radares.

O meu corpo inteiro congelou no meio da sala da cobertura, os meus músculos se enrijecendo tanto que a minha mão quase esmagou o aparelho celular. Antes que eu pudesse formular a próxima pergunta técnica para Sergei ou ordenar que ele mobilizasse a nossa equipe de resgate na Rússia, a linha do meu celular pessoal — o aparelho criptografado que apenas Massimo e Adrian tinham o número direto — começou a tocar de forma estridente, vibrando contra os meus dedos.

Olhei para a tela e vi o nome de Massimo Capone piscando na tela. A urgência da situação se confirmou no mesmo segundo.

— Sergei, desligue agora. O Massimo está me ligando na outra linha. Mantenha os computadores ligados e espere a minha ordem — comandei de forma ríspida, cortando a ligação com o meu executor antes mesmo que ele pudesse responder.

Passei o dedo pela tela e atendi a ligação de Massimo imediatamente, no primeiro toque. Levei o aparelho ao ouvido, mas do outro lado da linha, não ouvi uma resposta ou uma saudação imediata. Houve apenas um silêncio pesado, quebrado pelo som de uma respiração profunda, pesada e carregada de uma fúria contida que eu conhecia muito bem.

— Matteo — a voz de Massimo finalmente ecoou pelo alto-falante. Estava completamente diferente do seu tom habitual de comando. Estava mais baixa, mais arrastada e infinitamente mais sombria, o tom de um Don que estava pronto para iniciar um massacre generalizado.

— Eu já sei, Massimo — respondi imediatamente, a minha própria voz saindo baixa, fria e carregada de uma raiva mortal que com certeza espelhava perfeitamente o estado de espírito do meu irmão de armas na Itália. — O Sergei me informou sobre o alerta do satélite há exatamente cinco minutos. O que os seus radares na Europa pegaram?

— O Adrian está oficialmente desaparecido, Matteo — Massimo desferiu as palavras com uma dureza cortante, o som de algo sendo golpeado no fundo do seu escritório indicando que ele já estava quebrando o próprio ambiente. — O sinal sumiu por completo.

— Um acidente de percurso? Uma falha mecânica no motor? — perguntei, embora a minha mente estratégica já estivesse descartando aquela possibilidade ridícula enquanto eu caminhava em direção ao closet para abrir as minhas malas de viagem.

— Ainda não sabemos de nada com precisão — Massimo respondeu, os dentes cerrados.

A expressão "não sabemos" vinda da boca do chefe da máfia italiana era muito pior e mais assustadora do que qualquer confirmação de morte. Significava que estávamos voando às cegas contra um inimigo invisível.

— Qual foi a última localização confirmada do jato antes da queda?

— No meio do Mediterrâneo, perto de uma zona rochosa de difícil acesso.

Fechei os olhos por um breve instante, processando a informação geográfica. Adrian Keller não era um homem comum ou um empresário qualquer que voava em aeronaves comerciais obsoletas. O seu jato executivo possuía o que havia de mais avançado em tecnologia de ponta no mundo militar, uma equipe de pilotos altamente treinados para situações de combate e protocolos de segurança internacional severos. A chance de um simples erro humano ou de uma pane mecânica derrubar aquele avião por "acidente" era matematicamente pequena demais para ser real.

— Você realmente acredita na teoria de uma falha mecânica, Massimo? — perguntei, a minha voz saindo como o fio de uma navalha.

Massimo respondeu sem hesitar por um único milésimo de segundo do outro lado da linha:

— Não. Não acredito.

— Nem eu — afirmei, a certeza se solidificando no meu peito.

— Foi sabotagem, Matteo. Um ataque direto e planejado dentro do nosso território. Derrubaram um dos líderes da organização.

O meu corpo inteiro permaneceu estático diante do closet. Aquilo mudava tudo. O tabuleiro de xadrez havia sido virado de cabeça para baixo por um jogador audacioso demais.

— Eu já imaginei o cenário. Ninguém na Europa ou no Leste teria a audácia ou a capacidade de derrubar um pássaro da Tríade Negra por mero capricho ou por um "acidente" de percurso — respondi, enquanto usava a mão livre para puxar duas malas de couro pretas grandes e começar a jogar algumas roupas escuras e mudas de terno dentro delas com agilidade. — Quem mais sabe sobre o desaparecimento do jato até este momento?

— Apenas algumas poucas pessoas da minha total confiança dentro da mansão e a equipe técnica da sala de controle — Massimo respondeu.

— Ótimo. Mantenha o sigilo absoluto. Quanto menos gente souber do sumiço do Adrian nas próximas horas, menor será a vantagem estratégica de quem planejou essa emboscada. Se o inimigo achar que ainda estamos descobrindo o que aconteceu, eles vão cometer um erro por excesso de confiança.

O silêncio voltou a tomar conta da ligação telefônica, um peso sufocante que antecedia as grandes tempestades de sangue no nosso meio. Então, Massimo pronunciou exatamente a frase que a minha mente analítica já havia antecipado desde o primeiro segundo da ligação:

— Preciso de você aqui na Itália, Matteo. Agora.

Olhei fixamente para as luzes distantes de Moscou através da janela de vidro da cobertura. Toda a minha agenda política de reuniões, os contratos com os oligarcas locais e os planos operacionais da Bratva para os próximos meses simplesmente desapareceram da minha mente naquele exato instante. Nada disso importava mais. Se alguém havia ousado tocar em uma única engrenagem da vida de Adrian Keller, se alguém tinha tido a audácia de tentar matar um dos nossos... então essa pessoa ou grupo havia acabado de declarar uma guerra de extermínio contra a Tríade Negra inteira.

— Sim. Estou indo para a Itália imediatamente — declarei com firmeza, fechando o zíper da primeira mala com força. — Vou ordenar que preparem o meu jato privado na pista auxiliar. Pouso em Milão nas próximas horas da madrugada. Precisamos estar juntos e centralizar o comando disso até encontrarmos o paradeiro real do Adrian. Se eles queriam uma declaração de guerra ao testar os nossos limites, eles terão a pior de todas.

— Obrigado, irmão — Massimo proferiu do outro lado, o tom de voz suavizando um milímetro pela primeira vez ao sentir o apoio do seu igual. — A minha mansão e a minha família estão seguras sob guarda máxima e eu já ativei o protocolo de busca e resgate em todo o perímetro do continente.

— Além disso — continuei com o meu tom de voz agora muito mais pragmático, assumindo a liderança do planejamento estratégico —, eu mesmo vou assumir pessoalmente a frente daquela grande negociação de importação que o Adrian iria fechar com o pessoal do Norte da Itália nos próximos dias. Não podemos, sob hipótese alguma, mostrar qualquer sinal de fraqueza ou hesitação para o mercado externo neste momento. Se os outros clãs ou as famílias menores sentirem o menor cheiro de sangue ou instabilidade na nossa liderança, o caos vai se instalar nas fronteiras. Vou garantir que aquele contrato seja assinado com punho de ferro enquanto os nossos soldados varrem cada palmo daquela montanha e do mar atrás dele.

— Esteja aqui na Itália ao amanhecer, irmão — Massimo concluiu, a sua voz retomando a autoridade de um Don implacável. — Vamos juntos fazer o pessoal do Norte entender que, mesmo que uma das nossas pontas esteja ferida, a Tríade Negra ainda possui as presas mais afiadas e letais de todo o continente europeu.

Não respondi com palavras de despedida. Apenas desliguei o aparelho.

Caminhei lentamente de volta até a janela da sala, o silêncio da cobertura parecendo ainda maior agora. A neve continuava caindo de forma ininterrupta lá fora, cobrindo as ruas de Moscou. Mas, pela primeira vez em muitos anos, tive a estranha e incômoda sensação de que o inverno rigoroso da Rússia não seria o maior ou o mais perigoso desafio que eu encontraria no meu caminho nas próximas semanas. Algo muito grande, denso e incontrolável estava prestes a mudar na minha estrutura. Eu ainda não sabia exatamente o que era, mas o meu instinto de predador nunca falhava.

Terminei de beber o resto da vodca do meu copo em um único gole amargo, acendi um último cigarro deixando a fumaça tomar o ambiente e disquei o número de Sergei.

— Mande a equipe preparar a escolta armada e o combustível do avião na pista do hangar privado — ordenei assim que ele atendeu. — Sergei, nós estamos indo para a Itália. Agora.

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