تسجيل الدخولRayane
Então chegámos na casa dele, que por sinal nem é muito longe da Universidade. É uma casa geminada com um pequeno jardim na entrada. Ele saiu do carro, foi abrir a porta, daí voltou, abriu a minha porta e mais uma vez me pegou no colo. Enquanto me carregava para dentro como se eu não fosse nada, me olhou e falou. -Amanhã compro uma cadeira de rodas e umas canadianas para quando tiveres o braço melhor. Por enquanto, eu levo-te pela casa se for necessário. Também irei comprar os analgésicos da receita, mas se tiveres algumas dores durante a noite, diz-me, que eu tenho alguns em casa. - Tudo bem. - mas não tava tudo bem, meu coração batia descontrolado com a proximidade. Ele me levou para um quarto, me colocou na cama e voltou ao carro para pegar as sacolas. Depois, me ajudou a ir ao banheiro, onde tratei da minha higiene e me troquei. Quando o chamei para sair, ele já me esperava com uma bandeja e um prato quente de chili. Ele estava me dando a sua comida; certamente era por remorso, ainda assim fiquei sensibilizada pelo gesto. - Precisei ser atropelada para comer o meu chilli. Rimos os dois, aí ele pegou meu celular e salvou seu número e chamou para ele salvar o meu. - Se precisares de alguma coisa é só ligar, vou deixar o telemóvel com som para poder acordar, se eu não atender logo continua a ligar. Eu estarei no quarto ao lado. - Certo, obrigada. - Eu sei que não dá para desfazer o que já está feito. Mas quero que saibas que eu sinto muito e irei ajudar-te em tudo o que for necessário. Não te preocupes com a tua trotinete, quando estiveres melhor eu compro-te outra. - Obrigada. - Boa noite. - Boa noite. ARTUR Quando voltei para casa com todas as compras e o almoço, encontrei a Rayane no mesmo lugar onde a tinha deixado: na cozinha, sentada a estudar. Gosto de ver o seu compromisso. Falámos um pouco de manhã e percebi que ela está a tirar Biologia Marinha; falei sobre o meu projeto no hotel e sobre a minha ideia de implementar excursões marítimas a partir do hotel com a ajuda do novo cais. Ela achou muito interessante e deu-me dicas valiosas relativamente aos pontos de interesse da vida marítima na zona. Quando não estamos a discutir, até temos uma boa conversa, e o seu sorriso acaba comigo completamente; eu ainda não a tinha visto sorrir como a vi esta manhã a falar do seu curso. E agora, quando chego a casa, sou contemplado por mais um dos seus maravilhosos sorrisos ao receber-me. Oh, Céus, podia acostumar-me a isto. Rapidamente balanço a cabeça, como se a ideia pudesse sair da minha cabeça tão facilmente. - Então, comprei um frango assado para o nosso almoço. Tive de passar no escritório e tirei uns dias para te poder ajudar. Aluguei uma cadeira elétrica e um carro adaptado por 3 semanas, penso que deve ser suficiente para o teu braço recuperar, e então já poderás usar as canadianas. - Tudo certo, não precisa se preocupar mais. - Claro que preciso, hoje deves descansar, mas amanhã é melhor passar no teu trabalho para entregar o papel do acidente e da baixa médica. - Mesmo eu trabalhando a recibos verdes? - Vou ligar a um amigo meu, espera. RAYANE Quando ele terminou a chamada e nós conversámos, o meu mundo parecia que ia acabar, parece que eu não ia ter direito a receber na minha baixa, pois pedi isenção inicial, que tem a duração de 1 ano. Agora estou lascada. - O que eu faço da minha vida, o dinheiro que eu tenho não vai dar para pagar a minha casa e a universidade. O que é que eu faço? - Então, uma vez que eu sou o responsável pela tua situação. Podes perfeitamente ficar aqui em casa até estares completamente restabelecida e voltares a trabalhar. - Eu sinceramente não queria ter que depender da sua generosidade, mas vou ter que aceitar, não tem jeito. Lamento ter que impor a minha presença desse jeito. - Não te preocupes, e podes sentir-te em casa. Mi casa es su casa. Disse sorrindo, voltou-se e foi preparar o almoço enquanto eu arrumava os livros. Almoçámos em silêncio pois a fome era grande. Durante a noite, acordei com dores e vontade de ir no banheiro; tentei subir sozinha na cadeira, mas tive que desistir e ligar para ele me ajudar. Chamei três vezes e ele atendeu, sua voz meio sonolenta, e falou: "Estou a ir". Quando entrou no meu quarto só de cueca e com cara de zumbi, eu quase engasguei com a minha saliva. Não posso negar que ele era lindo, até mesmo acabando de acordar. Meio que em modo automático, me pegou no colo e me levou no banheiro. Senti seu calor e seu cheiro, que parecia bem mais forte que o normal. Quando abri a porta do banheiro, mancando, o vi deitado na minha cama. Chamei até ele voltar a acordar. - Estás pronta? - Sim, só preciso tomar o analgésico, acordei com um pouco de dor. - Ok, vou buscar água e um iogurte, não o deves tomar com o estômago vazio. - Obrigada. Quando ele voltou seu rosto estava um pouco mais desperto, me deu o iogurte e o analgésico com um copo de água. Depois de pousar o copo, me pegou no colo de novo, olhou nos meus olhos por um momento parecia que ia dizer alguma coisa, mas desistiu e me colocou de volta na cama, me ajudou a tapar com o lençol e nossos olhares se cruzaram de novo. Ele se aproximou de mim bem devagar, e quando estava bem perto, quando seus lábios estavam a poucos centímetros dos meus. Eu botei a mão na boca dele. - Você não está pensando em usar a minha situação para se aproveitar de mim, pois não? Seus olhos se arregalaram. - O quê? Claro que não! Eu só.... - Você o quê? Achou que eu seria fácil? Pois eu não sou não, não sou igual a essas meninas fáceis que você está habituado não. E se falou que eu podia ficar aqui com essa intenção, pode esquecer que isso não vai acontecer. Eu não me relaciono com playboy. - Eu já disse que não sou nenhum playboy, tu percebeste tudo mal. - Não, eu acho que entendi tudo perfeitamente bem, agora por favor saia do meu quarto, aliás do seu quarto. - Tu não sabes de nada. Se levantou bruscamente e saiu do quarto batendo um pouco a porta. Nunca tinha visto ninguém bater a porta de forma tão elegante. É, rico é outro nível mesmo.ARTUR Estou dentro da universidade à espera que a Rayane chegue; ela teve a última aula e, pelo que me disse, adaptou-se bem à cadeira. Entretanto, já dei uma palavrinha com a pró-reitora, que por acaso era minha conhecida, e ela assegurou-me que a Rayane iria ter toda a assistência necessária nestas próximas semanas. Quando ela chega, eu abro a porta lateral e ela sobe com a cadeira. Realmente dá muito jeito toda esta tecnologia, tem sido mais fácil ajustar os meu horários de trabalho com as aulas de Rayane. Quando chegámos a casa, e Rayane pediu-me ajuda para ir à casa de banho; realmente deve ser complicado orientar-se sem um braço e uma perna. Pediu película aderente para tapar o gesso, pois queria tomar banho. Quando fui à cozinha, reparei que o Guilherme já estava a preparar o nosso jantar. — Vou só ajudar a Rayane a enfaixar a perna para tomar banho e já venho ajudar. — Não precisas, eu tenho tudo controlado. É melhor aproveitares e tomares um banho também, porque estás
RAYANEDe manhã, fui mancando até ao banheiro para me aprontar, porque Deus me livre de chamar Artur após a nossa briga de madrugada.Quando já estava lendo há uns 10 minutos ele bate na porta e eu falei para entrar.- Já estás vestida, ótimo. O pequeno almoço está pronto, temos que passar pelo teu trabalho e vamos buscar a cadeira para poderes ir às aulas. - Já posso frequentar essa tarde?- Se tudo correr bem, penso que sim.- Que boa notícia, vamos lá então. Estiquei os braços para ele, aí ele parou 2 segundos como se estivesse avaliando a situação e me pegou no colo, mas dessa vez eu senti muita diferença. Senti seu rosto virado, senti que me pegava com o mínimo de contato.Enquanto das outras vezes eu o sentia bem perto de mim, dessa vez ele criou distância. Aí eu entendi que ele estava magoado e evitando até contato visual, mesmo enquanto a gente comia. E nisso a porta se abre, e o furacão chamado Guilherme Santos entra na cozinha, ficando em modo estátua, de olhos arregalado
Rayane Então chegámos na casa dele, que por sinal nem é muito longe da Universidade. É uma casa geminada com um pequeno jardim na entrada. Ele saiu do carro, foi abrir a porta, daí voltou, abriu a minha porta e mais uma vez me pegou no colo. Enquanto me carregava para dentro como se eu não fosse nada, me olhou e falou. -Amanhã compro uma cadeira de rodas e umas canadianas para quando tiveres o braço melhor. Por enquanto, eu levo-te pela casa se for necessário. Também irei comprar os analgésicos da receita, mas se tiveres algumas dores durante a noite, diz-me, que eu tenho alguns em casa. - Tudo bem. - mas não tava tudo bem, meu coração batia descontrolado com a proximidade. Ele me levou para um quarto, me colocou na cama e voltou ao carro para pegar as sacolas. Depois, me ajudou a ir ao banheiro, onde tratei da minha higiene e me troquei. Quando o chamei para sair, ele já me esperava com uma bandeja e um prato quente de chili. Ele estava me dando a sua comida; certamente era
ARTUR Dirigi-me à caixa para pagar e sair dali o mais rápido possível. Se a encontrasse novamente, não sei se me conseguiria controlar. Porque é que eu fico tão irritado perto dela? Isto não pode ser normal. Arrumei as minhas coisas na bagageira e iniciei a marcha rumo a casa; quando subi a rampa, passei por uma lomba que me fez cair o telemóvel do suporte. No minuto em que me agachei para apanhar o telemóvel do chão, senti o carro bater em algo; travei bruscamente e o meu coração quase parou quando vi uma pessoa a rolar no chão. Ligo os quatro piscas, puxo o travão de mão e vou em auxílio da pessoa que acabei de atropelar, e o meu coração que tinha parado volta a bater descompassadamente quando vejo a Loira-morena em agonia no chão. Aproximo-me a medo. - Está tudo bem? Onde é que dói? — Você? Eu não acredito, você fez de propósito! — ela disse quando me viu, enquanto o seu semblante alternava entre raiva e dor. - Não, não, não, nem penses numa coisa dessas. Por muitas que
3 SEMANAS DEPOIS ARTUR Após a conclusão de mais uma reunião referente ao projeto do novo hotel, despedi-me do arquiteto e dei continuidade ao tratamento de algumas finalizações em conjunto com a gestora de projeto, a Liliana. -Eu sei que toda esta situação é um grande empecilho no desenvolvimento do projeto, mas é necessária. No entanto, eu posso apresentar várias opções para reduzir o impacto ambiental! Aliás, se me quiseres acompanhar até ao meu apartamento, lá terei à disposição um portfólio abrangente sobre eco-hotéis, onde poderemos retirar ideias viáveis para pôr em prática e, quem sabe, até criar uma solução inovadora. - Ótimo, então vamos fazer isso. Podes ir andando para a rua enquanto eu tiro o carro da garagem. Chegámos à casa de Liliana e fui surpreendido com 3 portfólios repletos de projectos de eco-hotéis, a maioria com ideias até bem interessantes, que poderiam ser aplicadas no nosso projeto. A minha ideia é inserir no ecossistema do hotel serviços que dispo
Após terem terminado a sua refeição e organizado todos os preparativos para o checkout, inclusive a expulsão das três convidadas de Guilherme, os irmãos dirigiram-se ao balcão de atendimento. Rayane, ao ver de longe os irmãos chegando, decidiu que estava na hora de fazer uma pausa para o banheiro. Artur percebe a sua retirada estratégica e murmura que isso não vai ficar assim.Quando terminavam toda a burocracia e o pagamento, Rayane sai com alguns documentos na mão e dirige-se para a rua. Artur segue-a instintivamente. Assim que Rayane coloca um pé fora do hotel, sente uma mão puxando o seu braço; pensando que era Guilherme, Rayane revira os olhos e volta-se para trás, e quando percebe que era Artur quem a segurava, a sua surpresa é genuína.- Mas o que é que você quer comigo? Pensei que já estavam indo embora.- Sim, estamos, mas eu pensei ter-lhe dito para ser um pouco mais simpática. Estou a ver que este hotel não forma bem os funcionários. - O quê? Você está de brincadeira, né?







