تسجيل الدخولARTUR
Dirigi-me à caixa para pagar e sair dali o mais rápido possível. Se a encontrasse novamente, não sei se me conseguiria controlar. Porque é que eu fico tão irritado perto dela? Isto não pode ser normal. Arrumei as minhas coisas na bagageira e iniciei a marcha rumo a casa; quando subi a rampa, passei por uma lomba que me fez cair o telemóvel do suporte. No minuto em que me agachei para apanhar o telemóvel do chão, senti o carro bater em algo; travei bruscamente e o meu coração quase parou quando vi uma pessoa a rolar no chão. Ligo os quatro piscas, puxo o travão de mão e vou em auxílio da pessoa que acabei de atropelar, e o meu coração que tinha parado volta a bater descompassadamente quando vejo a Loira-morena em agonia no chão. Aproximo-me a medo. - Está tudo bem? Onde é que dói? — Você? Eu não acredito, você fez de propósito! — ela disse quando me viu, enquanto o seu semblante alternava entre raiva e dor. - Não, não, não, nem penses numa coisa dessas. Por muitas quezilhas que a gente tenha, eu jamais faria uma coisa destas; isto é demasiado grave — afirmei de forma séria — agora diz-me, onde é que está a doer? - Na minha perna, e no meu braço. — Não te mexas muito, eu vou chamar uma ambulância — falei, enquanto efetuava a ligação. - A minha trotinete, está destruída. O que eu faço agora? - Achas que isso agora é importante? " Alô, boa noite..." Falei com a assistente de emergência e expliquei tudo o que tinha acontecido; infelizmente, 20 minutos antes tinha ocorrido outro acidente, maior e muito mais grave, e tinham levado quase todos os meios de socorro disponíveis. Durante a conversa, fui respondendo a algumas perguntas e fazendo outras à Rayane; orientado pela profissional, chegámos à conclusão de que seria melhor eu levá-la para o hospital. Assim, levei-a para o hospital particular, uma vez que o público já estaria sobrecarregado com o outro acidente. Coloquei-a no banco traseiro do meu carro, com todo o cuidado, claro que com ela a reclamar de deixar a sua trotinete para trás, mas eu não queria saber da porcaria da trotinete, naquele momento só queria chegar rapidamente ao hospital para tratarem e cuidarem dela. Felizmente não era longe e com os quatro piscas ligados cheguei lá num piscar de olhos. À porta já havia enfermeiros à nossa espera com uma cadeira de rodas, provavelmente avisados pela operadora da emergência. Peguei nela ao colo e gentilmente pousei na cadeira, ela não pesava nada ou era a minha adrenalina que não sentia o peso, não sei, só sei que o seu perfume ainda me acompanhou algum tempo após ela ser levada para fazer todos os exames necessários. Fiquei para trás para preencher a papelada, felizmente tinha a sua mala no meu carro e pude retirar o seu título de residência para preencher as coisas. - Por favor, façam todos os exames e tratamentos necessários, não olhem a custos, eu pago o que for. Ao preencher as folhas, fiquei a saber que ela tinha 20 anos, feitos no dia 12 de agosto, e que o seu nome completo era Rayane Giulia Kahn de Souza; só não encontrei informação sobre o seu tipo sanguíneo, mas penso que ela saiba informar. Após 1 hora de espera sou abordado pela GNR, terá sido acionada pela telefonista ou pelo próprio hospital. Conto aos guardas tudo o que aconteceu, entrego a minha identificação e a de Rayane e eles seguem para dentro do hospital. RAYANE Enquanto aguardava o tratamento na sala, dois policiais entraram e me fizeram algumas perguntas sobre o acidente, falei tudo o que aconteceu e no final eles me perguntaram se eu queria apresentar queixa contra o Artur, consegui ver seu cartão, notei que ele faz aniversário a 15 de abril e tem 24 anos, só mais 4 que eu, seu sobrenome é Santos e a foto do seu cartão faz ele parecer mal pela primeira vez na vida, quase ri, mas me segurei. - Não seu policial, eu não quero apresentar queixa, não acho que ele tenha feito de propósito, e além disso se ele falou que vai bancar todas as despesas e me prestou assistência, penso que isso não seja necessário. Acidentes acontecem. - Tudo bem, mas se mudar de ideias pode sempre passar pelo posto. - Tudo bem, obrigada. Quando terminei de ser assistida me levaram de volta na recepção, Artur me aguardava, coitado, parecia muito aflito, pediu logo para falar com o médico e fez perguntas que nem eu me lembrei de fazer. Parece que tenho uma entorse no braço, pode levar de 1 a 3 semanas para melhorar. agora a minha perna, parti uns 3 ossos, dois maléolos e um chamado fíbula. Enfim, será uns 3 meses de recuperação, ou mais. Eu nem sei como vou fazer agora, meu trabalho, minhas aulas. Como vou ter dinheiro para sobreviver? Eu passei a ficar absorta em meus pensamentos, que nem reparei que o mundo continuava se movendo, até Artur me levar no seu carro. - Diz-me onde moras? Vamos buscar algumas coisas tuas, vais ficar na minha casa. Foi aí que deu o click e voltei para realidade. - O quê? Em sua casa? Que loucura é essa? - Então, não ouviste o que o médico disse: não te podes esforçar durante algum tempo. A única forma que eu tenho de te ajudar é se estiveres perto de mim. Eu sou o responsável, então é o que estou a fazer: assumir a responsabilidade pelos meus atos. - Eu posso me virar, não vou morar com você, a gente nem se conhece. - Acredita que também não aprecio a ideia de ter uma estranha na minha casa, mas podes explicar-me como vais para a Universidade? De autocarro? Cadeira de rodas eléctrica? Consegues arranjar? - É na casa onde eu vivo não passa ónibus, e é um pouco longe para ir desse jeito. Talvez eu aceite a sua proposta até tirar esse gesso. - Então onde fica a tua casa? Falei para ele e seguimos para pegar algumas roupas. Pedi a uma das minhas companheiras de casa para trazer algumas roupas. É claro que não ia deixar o playboyzinho mexer nas minhas calcinhas. Depois de explicar tudo o que aconteceu para as minha colegas de casa e me despedir delas, seguimos para a casa dele.ARTUR Estou dentro da universidade à espera que a Rayane chegue; ela teve a última aula e, pelo que me disse, adaptou-se bem à cadeira. Entretanto, já dei uma palavrinha com a pró-reitora, que por acaso era minha conhecida, e ela assegurou-me que a Rayane iria ter toda a assistência necessária nestas próximas semanas. Quando ela chega, eu abro a porta lateral e ela sobe com a cadeira. Realmente dá muito jeito toda esta tecnologia, tem sido mais fácil ajustar os meu horários de trabalho com as aulas de Rayane. Quando chegámos a casa, e Rayane pediu-me ajuda para ir à casa de banho; realmente deve ser complicado orientar-se sem um braço e uma perna. Pediu película aderente para tapar o gesso, pois queria tomar banho. Quando fui à cozinha, reparei que o Guilherme já estava a preparar o nosso jantar. — Vou só ajudar a Rayane a enfaixar a perna para tomar banho e já venho ajudar. — Não precisas, eu tenho tudo controlado. É melhor aproveitares e tomares um banho também, porque estás
RAYANEDe manhã, fui mancando até ao banheiro para me aprontar, porque Deus me livre de chamar Artur após a nossa briga de madrugada.Quando já estava lendo há uns 10 minutos ele bate na porta e eu falei para entrar.- Já estás vestida, ótimo. O pequeno almoço está pronto, temos que passar pelo teu trabalho e vamos buscar a cadeira para poderes ir às aulas. - Já posso frequentar essa tarde?- Se tudo correr bem, penso que sim.- Que boa notícia, vamos lá então. Estiquei os braços para ele, aí ele parou 2 segundos como se estivesse avaliando a situação e me pegou no colo, mas dessa vez eu senti muita diferença. Senti seu rosto virado, senti que me pegava com o mínimo de contato.Enquanto das outras vezes eu o sentia bem perto de mim, dessa vez ele criou distância. Aí eu entendi que ele estava magoado e evitando até contato visual, mesmo enquanto a gente comia. E nisso a porta se abre, e o furacão chamado Guilherme Santos entra na cozinha, ficando em modo estátua, de olhos arregalado
Rayane Então chegámos na casa dele, que por sinal nem é muito longe da Universidade. É uma casa geminada com um pequeno jardim na entrada. Ele saiu do carro, foi abrir a porta, daí voltou, abriu a minha porta e mais uma vez me pegou no colo. Enquanto me carregava para dentro como se eu não fosse nada, me olhou e falou. -Amanhã compro uma cadeira de rodas e umas canadianas para quando tiveres o braço melhor. Por enquanto, eu levo-te pela casa se for necessário. Também irei comprar os analgésicos da receita, mas se tiveres algumas dores durante a noite, diz-me, que eu tenho alguns em casa. - Tudo bem. - mas não tava tudo bem, meu coração batia descontrolado com a proximidade. Ele me levou para um quarto, me colocou na cama e voltou ao carro para pegar as sacolas. Depois, me ajudou a ir ao banheiro, onde tratei da minha higiene e me troquei. Quando o chamei para sair, ele já me esperava com uma bandeja e um prato quente de chili. Ele estava me dando a sua comida; certamente era
ARTUR Dirigi-me à caixa para pagar e sair dali o mais rápido possível. Se a encontrasse novamente, não sei se me conseguiria controlar. Porque é que eu fico tão irritado perto dela? Isto não pode ser normal. Arrumei as minhas coisas na bagageira e iniciei a marcha rumo a casa; quando subi a rampa, passei por uma lomba que me fez cair o telemóvel do suporte. No minuto em que me agachei para apanhar o telemóvel do chão, senti o carro bater em algo; travei bruscamente e o meu coração quase parou quando vi uma pessoa a rolar no chão. Ligo os quatro piscas, puxo o travão de mão e vou em auxílio da pessoa que acabei de atropelar, e o meu coração que tinha parado volta a bater descompassadamente quando vejo a Loira-morena em agonia no chão. Aproximo-me a medo. - Está tudo bem? Onde é que dói? — Você? Eu não acredito, você fez de propósito! — ela disse quando me viu, enquanto o seu semblante alternava entre raiva e dor. - Não, não, não, nem penses numa coisa dessas. Por muitas que
3 SEMANAS DEPOIS ARTUR Após a conclusão de mais uma reunião referente ao projeto do novo hotel, despedi-me do arquiteto e dei continuidade ao tratamento de algumas finalizações em conjunto com a gestora de projeto, a Liliana. -Eu sei que toda esta situação é um grande empecilho no desenvolvimento do projeto, mas é necessária. No entanto, eu posso apresentar várias opções para reduzir o impacto ambiental! Aliás, se me quiseres acompanhar até ao meu apartamento, lá terei à disposição um portfólio abrangente sobre eco-hotéis, onde poderemos retirar ideias viáveis para pôr em prática e, quem sabe, até criar uma solução inovadora. - Ótimo, então vamos fazer isso. Podes ir andando para a rua enquanto eu tiro o carro da garagem. Chegámos à casa de Liliana e fui surpreendido com 3 portfólios repletos de projectos de eco-hotéis, a maioria com ideias até bem interessantes, que poderiam ser aplicadas no nosso projeto. A minha ideia é inserir no ecossistema do hotel serviços que dispo
Após terem terminado a sua refeição e organizado todos os preparativos para o checkout, inclusive a expulsão das três convidadas de Guilherme, os irmãos dirigiram-se ao balcão de atendimento. Rayane, ao ver de longe os irmãos chegando, decidiu que estava na hora de fazer uma pausa para o banheiro. Artur percebe a sua retirada estratégica e murmura que isso não vai ficar assim.Quando terminavam toda a burocracia e o pagamento, Rayane sai com alguns documentos na mão e dirige-se para a rua. Artur segue-a instintivamente. Assim que Rayane coloca um pé fora do hotel, sente uma mão puxando o seu braço; pensando que era Guilherme, Rayane revira os olhos e volta-se para trás, e quando percebe que era Artur quem a segurava, a sua surpresa é genuína.- Mas o que é que você quer comigo? Pensei que já estavam indo embora.- Sim, estamos, mas eu pensei ter-lhe dito para ser um pouco mais simpática. Estou a ver que este hotel não forma bem os funcionários. - O quê? Você está de brincadeira, né?







