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9 - Explicações

Author: Anuka
last update publish date: 2026-10-14 18:45:24

RAYANE

De manhã, fui mancando até ao banheiro para me aprontar, porque Deus me livre de chamar Artur após a nossa briga de madrugada.

Quando já estava lendo há uns 10 minutos ele b**e na porta e eu falei para entrar.

- Já estás vestida, ótimo. O pequeno almoço está pronto, temos que passar pelo teu trabalho e vamos buscar a cadeira para poderes ir às aulas.

- Já posso frequentar essa tarde?

- Se tudo correr bem, penso que sim.

- Que boa notícia, vamos lá então.

Estiquei os braços para ele, aí ele parou 2 segundos como se estivesse avaliando a situação e me pegou no colo, mas dessa vez eu senti muita diferença. Senti seu rosto virado, senti que me pegava com o mínimo de contato.

Enquanto das outras vezes eu o sentia bem perto de mim, dessa vez ele criou distância. Aí eu entendi que ele estava magoado e evitando até contato visual, mesmo enquanto a gente comia.

E nisso a porta se abre, e o furacão chamado Guilherme Santos entra na cozinha, ficando em modo estátua, de olhos arregalados.

GUILHERME

De todas as coisas que eu alguma vez pensei encontrar na casa do meu irmão, a Rayane era a última delas, aliás qualquer mulher que estivesse à mesa com o meu irmão a tomar o pequeno almoço intimamente seria muito estranho.

Mais estranho ainda foi vê-lo a levantar-se rapidamente e a dirigir-se a mim com a justificação.

- Não é nada do que estás a pensar.

- Mas tu não sabes o que é que eu estou a pensar.

- Não sei mas posso ter uma ideia. Mas não é isso. A Rayane agora vai ficar uns tempos aqui na minha casa.

- Vai ficar na tua casa por que????

- Porque eu atropelei-a e ela agora não se consegue orientar sozinha. Então até ela recuperar e voltar a trabalhar, vai ficar aqui.

- Atropelaste-a? De propósito?

- Não.

— Sim — responde Rayane.

Artur volta-se para ela e eu só posso calcular que lhe está a lançar o seu olhar matador.

— Bem, se precisares, eu posso ajudar a cuidar dela; posso vir para cá e levá-la a passear.

— Não precisas, até porque não tenho quarto para ti.

— Posso sempre dormir contigo.

— Gui, eu já tenho tudo organizado; podes voltar para casa e focar-te nos teus próprios estudos, de que bem precisas.

— Mas não te dava jeito a minha ajuda?

— Tens a carta para conduzir o carro adaptado à cadeira de rodas da Rayane? Não tens, pois não? Porquê? Porque andas a arrastar com a barriga as lições há meses. Queres ajudar? Foca-te nas coisas que tens de resolver na tua vida primeiro.

— Ok, mãe. Vou gostar mais de te vir visitar agora — digo, olhando para a Rayane com o meu olhar apaixonado, sabendo que isso vai irritar o Artur.

Que o meu irmão me perdoe, mas estou a gostar de finalmente ver emoções transbordar pela sua alma; cheguei a pensar que ele era isento ao amor.

- Nem vem quem não tem. - diz Rayane com um leve sorriso.

- Ah certo, preferes uma versão mais antiga - digo apontando para Artur- em vez de uma versão mais nova e interessante. - aponto para mim mesmo.

- Eu não quero versão nenhuma, quero que vocês dois me deixem em paz.

- Olha Guilherme, é uma boa altura para esclareceres aqui a donzela precipitada, sobre quem eram as raparigas no nosso quarto no hotel.

- Bem sobre isso - digo enquanto esfrego a cabeça com vergonha - na verdade elas eram minhas convidadas e o Artur nem dormiu lá nessa noite, ele só as estava expulsando de manha enquanto eu estava na casa de banho.

- Eu não perguntei.

- Certo mas para me julgar e chamar de playboyzinho rico já não precisaste de perguntar, só assumiste, partiste do princípio que; e nem me deixaste explicar.

- Você também não fez muito esforço para se explicar.

- Porque na verdade tu não tens nada a ver com a minha vida.

- É verdade mesmo.

Entretanto pararam.

- Por favor, continuem, estava quase a ir fazer pipocas.

- Olha, estás a ver a porta? Podes sair, pois nós temos de sair também.

- Posso ir com vocês?

- Não - responderam em uníssono.

- Bolas, que má onda.

- Tu não tens aulas agora de manhã?

- Não, só à tarde, mas eu vou andando sim; eles andam nas praxes, pode ser que precisem da ajuda de um mancebo.

- Então até logo; já que vocês vão estar ocupados, posso fazer o jantar.

- Ok, mas só hoje; sabes bem que, se desapareces de casa muito tempo, depois vamos ter a mãe aqui à porta, e eu ainda não estou preparado para dar explicações sobre toda esta situação.

- Olha, o menino perfeito fez asneira, foi?

O meu irmão faz o seu habitual revirar de olhos.

Acho que vou começar a fazer propaganda para o namoro destes dois; ver o meu irmão irritado e tímido é muito bom.

Começo já a planear o jantar, penso que já tenho a ideia certa sobre o que fazer.

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