MasukMAITÊ
Às 19:00 em ponto Luciano bateu na minha porta , ele realmente era pontual.
-Vem , entra. -Dou espaço para ele passar juntamente à sua irmã , ela ficaria de olho na minha avó até que voltássemos , como Paty não iria poder Luciano me confidenciou que fez um acordo com ela.
-Oi , Maitê- Livia me dá um beijo na bochecha enquanto passa por mim , ela tinha na faixa de uns 19 anos e era uma boa garota.
-Como vai você gatinha? - Eu digo de modo animado batendo com uma palma da mão na outra.
-Melhor agora que você e o meu irmão estão namorando – Ergo as sobrancelhas trocando um olhar com Luciano , o mesmo está sorrindo de orelha a orelha levando uma de suas mãos a acariciar sua nuca meio sem graça.
-Livia....- Ele diz
-Somos bons amigos – Reitero achando graça da cena.
Ela da de ombros – Então....vamos , não é? - Luciano chama fazendo um sinal com o queixo em direção da porta.
Olho para Livia – Fique de olho na minha avó , ela não vai precisar tomar o remédio porque eu já lhe dei e já jantou também . Portanto o que ela precisar , assim como ir ao banheiro você a assessora, tudo bem?. -Livia acena
-Tudo bem , pode ir tranquila – Ela mordisca seu lábio inferior segurando uma risadinha maliciosa – Bom passeio para vocês.
Solto beijo no ar para ela e passo pela porta sendo conduzida por Luciano que tem uma mão na base da minha cintura.
-Sua irmã cresceu tanto , tem um tempo que não a vejo – Inicio um b**e-papo já que ele não sabia por onde começar.
-Sim , ela cresceu muito . Livia estava na casa das nossas tias no Rio de Janeiro , chegou há dois dias atrás.
-Entendo - Estávamos aguardando o Uber
-E você , como está indo no trampo? - Pergunta de modo curioso
-Muito bem , logo me adaptei – Como não? se tudo o que eu tinha que fazer era ser linda e bem cuidada e nada mais do que isso.
-Fico feliz por você , Maitê. Me orgulho do que se tornou , sempre sozinha para cuidar da sua avó e tão responsável - Fico desconfortável com suas palavras e com seus olhos brilhando para mim como se fossem me engolir.
Ajeito meus cabelos desviando meu olhar dos dele.
-É a vida , a gente sempre tem que estar disposto a dar um jeito senão ela derruba a gente. - Luciano assente enfiando as mãos nos bolsos da calça e então o Uber chega.
Eu usava um vestido de cor bordô , era justo na minha cintura e de alcinhas na parte de baixo ele era um pouco volante e nos pés uma rasteirinha que era de amarrar nas pernas.
Escuto barulho de notificação do meu celular e então retiro da bolsa , assim que eu olho para tela dou de cara com uma mensagem de Arthur.
‘’Fez os exames?’’
Olho pelo canto do olho para Luciano , o mesmo me olhava de volta , abri um sorriso falso sendo correspondida por ele ,chegando mais para perto da janela de modo que ele não pudesse ver a tela do meu celular.
‘’Fiz sim , os resultados sairão amanhã’’
No mesmo segundo ele responde ‘’ Perfeito. Então venha até aqui amanhã no mesmo lugar de sempre ás 18:00 da noite, sem falta.’’
Um sorriso repuxou nos meus lábios.
-O que foi? , está falando com quem? - Luciano indagou esticando seu pescoço para olhar para tela , uma carranca se fez presente no meu rosto quando virei a tela do meu celular no meu colo.
-Que é isso? Fiscal de mensagens agora?. Quanta indelicadeza.-Pelo menos ele tem a decência de ter ficado envergonhado.
-Me desculpe , eu só....
-Olha só , não confunda as coisas . Somos amigos e só. - Ele assente desviando o olhar para a janela.
Volto minha atenção para o celular outra vez respondendo a mensagem de Arthur
‘’Ok, pode deixar.’’
Quando chegamos ao cinema , Luciano estava carrancudo e mal me olhava.
Na fila para comprar os ingressos , cruzei meus braços e o avaliei
-Se me convidou para ficar com essa cara de quem comeu e não gostou , era melhor nem ter me convidado.
Me olhando por debaixo dos olhos umedeceu seus lábios
-Me desculpe, eu só fiquei enciumado por te ver rindo para a tela do celular . Fiquei curioso para saber com quem falava , admito que pisei na bola.
-E pisou feio. - Ressaltei seriamente
-Eu sei que sim , peço desculpas de verdade. - Lhe dou um meneio de cabeça - Está namorando alguém?
Dou risada.
-Se eu tivesse namorando alguém , acha mesmo que estaria aqui agora com você no cinema?.-Ergui minhas sobrancelhas para enfatizar minha fala.
Todo o seu rosto antes ansioso agora fica leve .
Compramos pipoca e refrigerante , logo fomos para a sessão.
Enquanto ele queria assistir filme de romance eu logo me empertiguei para assistir um de ação . Odiava assistir a tanto chororô e mulheres sofrendo por causa de homem que tinha partido o seu coração , credo! O pensamento me causava náuseas.
Durante o filme inteiro Luciano mais ficou me encarando do que assistindo o próprio filme , sem falar que se aproveitava de certos momentos para se inclinar no meu ouvindo perguntando coisas referentes ao filme que ele nem mesmo estava assistindo, eu quis rir.
-Foi bem legal , você gostou? - Perguntou entusiasmado
-Adorei! Estava precisando sair para me divertir um pouco- Eu disse abrindo um sorriso sincero.
-Sabe de uma coisa Maitê...- Luciano me para , já do lado de fora. O vento frio da noite jogou meus cabelos no meu rosto me fazendo retirar os mesmos com uma passada de mãos pela raiz , a medida em que eu o observava franzindo meu cenho. -Já tem um tempo que eu queria dizer isso a você e eu...não posso mais esperar por isso.
Eu sabia exatamente o que ele queria dizer
-Diga- Incentivo
Achando confiança Luciano prosseguiu
-Desde moleque sou apaixonado por você. -Levou a mão para minha bochecha – Eu amo você , Maitê. - Quando se aproximou para tentar me beijar me esquivei.
-Luciano , eu não te vejo dessa maneira. Você é um cara legal e prestativo, mas eu te enxergo apenas como um amigo. Não tenho o mesmo sentimento por você , e eu não quero te machucar por isso estou sendo sincera.
Luciano assentiu , seus olhos encheram-se de água enquanto eu fiz uma prece na minha cabeça para que ele não desabasse aqui na minha frente , não saberia o que fazer . Como diabos iria consolar um homem desse tamanho?
Para minha sorte Luciano apenas desviou o olhar dos meus assentindo
-Com fome? , então vamos- Disse resignado tentando um sorriso
-Vamos – Viramos na esquina indo em direção a uma lanchonete quando de repente eu reconheço a silhueta de uma mulher sendo espancada.
-Meu Deus! , é a Paty! - Eu gritei , uma vez em que o homem que a agredia a soltou no chão e correu na direção oposta . Luciano correu atrás dele enquanto eu fui socorrer a Paty.
-Minha nossa , o que aconteceu!? Quem era aquele cara? - O rosto dela está cheio de sangue e hematomas , a boca está partida e o supercilio também - Precisamos prestar uma queixa!-Levo minha mão para lhe tocar mas ela se esquiva de mim.
-Era ladrão , e eu estou bem. - Tentou se levantar cambaleante uma vez em que lhe segurei para que não caísse , e nesse mesmo instante Luciano chegou.
-Não consegui alcançar o filho da mãe , ele foi rápido.- O mesmo se encontra ofegante.
-Vamos levar a Paty para casa , ela não está nada bem.- Ele lhe coloca nas costas enquanto eu pego sua bolsa.
-O ideal é prestarmos uma queixa – Luciano diz enquanto chamo o Uber.
-Foi apenas uma tentativa de assalto , como eu reagi ele me bateu . Só vamos para casa – Ela mal está dando conta de falar.
Não acreditava em suas palavras , ainda mais porque havia reconhecido o cara que tinha lhe agredido .
Foi o mesmo homem que estava discutindo com ela no dia em que fui me encontrar com Arthur.
Eu tinha uma forte impressão de que Paty estava me escondendo alguma coisa muito importante.
MAITÊ Nem nos meus sonhos mais atrevidos de barriga cheia , eu imaginei que meu nome estaria estampado em convites bordados em dourado. ‘'Maitê Santos Rocha’’ - em letras firmes e elegantes . Era o tipo de coisa que eu via em filmes e em revistas caras, mas agora era real. Dizem que finais felizes não existem. Que são truques de filmes , que a vida sempre nos arrasta de volta para o caos. Talvez até seja verdade – em partes. Mas hoje , olhando no espelho , com um vestido que abraça meu corpo, me lembrando as princesas dos contos de fadas que costumava assistir quando criança , eu sei que mereço esse final . Ou melhor ...esse começo. Luciano foi o primeiro nome que me veio à mente quando decidi quem eu queria do meu lado nesse dia. Como um amigo leal , aquele que sempre me defendeu no passado e esteve do meu lado quando mais precisei , ainda que tivesse me julgado por suspeitar da minha profissão. -Tem certeza que quer que eu vá, Maitê? - ele disse no telefone , rindo nervosamente
ARTHUR O silêncio da sala de reuniões da Império nunca me pareceu tão simbólico. Por meses , aquele espaço foi um campo de batalha. Conselheiros revoltados , acionistas gritando , advogados tentando conter danos . A queda de ações , as manchetes escandalosas , os boatos de deslealdade conjugal, contratos cancelados , investidores pulando fora como ratos de um navio afundando . A Império estava à beira da falência - e eu quase fui com ela. Mas não fui. Hoje , pela primeira vez em muito tempo , todos me ouviram em silêncio . Com respeito . Não por medo . Mas por reconhecimento. -O novo plano de reestruturação já está em andamento – anunciei com firmeza – Reduzimos 38% dos custos operacionais sem sacrificar os setores vitais. E a nova parceria com a Helix está garantida. A proposta deles inclui reinvestimento em tecnologia e preservação de ativos. Eles não querem nos comprar. Querem crescer conosco. Assentimentos surgiram ao redor da mesa . Até Brian – aquele insolente - não teve
BÔNUS - VALENTINA CASTELLANI Foram três malditos dias trancada nesta casa que já nem mesmo parecia ser minha . Estava deprimida , com raiva e confusa. O lugar estava silencioso por cada canto , como se estivesse zombando de mim . As cortinas continuavam fechadas , porque até a luz do sol sequer ousou atravessar esse tecido pesado que eu mesma havia escolhido , porque hoje até a claridade me incomodava. Há dias não me alimentava bem , porém a taça de vinho era garantida , e uma repousava na minha mão nesse exato momento como um amuleto inútil. O sabor já era amargo , não pelo tempo , mas de tanto tomar . Minha boca nem reconhecia mais o sabor. Já havia perdido a conta de quantos já tomei. Na minha cabeça zunia como um maldito looping infernal , as palavras do juiz. ‘’ A senhora Maitê Santos , manterá a guarda da criança.’’ Eu repetia isso por mil vezes em minha cabeça - o que o minha mente não conseguia aceitar. Maitê havia vencido. E eu ...estou aqui me sentindo infeliz e soz
MAITÊ Dias depois daquele susto que tive com o assassino da minha melhor amiga. Já me encontrava no corredor do tribunal . Meu coração batia acelerado , por mais que mantivesse uma postura impassível , só Deus podia ver como me encontrava internamente e tudo o que eu mais queria aqui nesse momento , era poder ter Arthur ao meu lado , mas por recomendação do advogado era melhor ele não vir , poderia influenciar na decisão do juiz. Portanto enquanto o silêncio do momento só era quebrado pelo ranger dos sapatos de quem passava e pelos cochichos dos advogados, me encontrava sentada ereta no banco tentando emanar positividade. Iria dar tudo certo. Tinha que dar. Valentina chegou alguns minutos depois . Estava impecável , como sempre. Usava um vestido cinza de corte reto, a maquiagem estava mais natural do que suas habituais fortes que estava acostumada a usar. Claro que certamente era para se passar de ‘’ dona do lar ‘’ para o juiz. O cabelo estava preso em um coque milimetricamente aju
MAITÊ Após ter recebido a mensagem de Arthur , mil voltas deram por minha cabeça . Ele ainda duvidava dos meus sentimentos? . Claro que o dinheiro me importava muito além de qualquer coisa , não vou mentir . Mas a partir do momento em que ele me acolheu mesmo quando não tínhamos um relacionamento , me ganhou por completo . Não ao ponto de ficar cega por amor , claro que não . Entretanto o suficiente para que eu o visse como alguém que eu quisesse estar ao lado para o resto da minha vida. Quando me mudei para São Paulo , meu único intuito era conseguir um trabalho e me restabelecer na vida até que conseguisse coisa melhor , porém a vida tem dessas e nem mesmo poderia saber que Arthur morava em São Paulo , ele nunca havia me revelado sobre a cidade em que morava e tão pouco me preocupei em procurar saber . E agora com a Império ameaçando ruir , o que me resta é estar ao seu lado independente de qual seja o resultado . O pensamento de voltar à pobreza novamente me deixava rígida e de ma
ARTHUR CASTELLANI Por mais que eu tentasse segurar as pontas , tudo parecia estar desmoronando ao meu redor . Eram coisas demais para lidar e sinceramente meu saco já estava cheio , mas o meu orgulho me impedia de ceder para Valentina . O relógio marcava 10h17 da manhã quando entrei na sala de reuniões na sede da Império. Não havia sorrisos e muito menos bajulações como o habitual . Tudo o que restava era o peso do silêncio , os rostos fechados e uma tela de LED exibindo um gráfico em queda livre. Ações da Império - 12,4% desde o início da semana Perda de valor de mercado – R$ 1,8 bilhão Estávamos em crise , isso era fato. Sentei-me sem dizer uma só palavra. Uma vez em que os sócios minoritários , que raramente ousavam levantar o tom comigo , já se encontravam por ali. Os advogados também. Não se tratava mais de uma reunião de rotina. -Arthur, precisamos falar com clareza – Disse Celso , um dos muitos advogados da Império. - A situação atingiu um ponto crítico. A Império está s







