ログインAli olhou para a tela.— Ao acervo pessoal dele?— Sim. Eu já vi essas joias. Não tenho dúvidas.Samir voltou à primeira fotografia, aquela que haviam recebido após a prisão do homem disfarçado.— E esta também. Eu não tinha certeza antes, mas agora tenho. Faz parte do mesmo acervo.Ali se aproximou da mesa.— Então alguém teve acesso às joias do Emir.— Ou recebeu essas peças de alguém que teve.Samir permaneceu olhando para as fotografias por alguns segundos. Conhecia parte do acervo do pai, embora não acompanhasse pessoalmente cada peça. Algumas joias eram antigas, outras haviam sido adquiridas ao longo dos anos, e havia também aquelas destinadas a presentes.Mas não era comum que peças daquela coleção aparecessem nas mãos de pessoas envolvidas num atentado contra Emir.— Quero um levantamento de tudo o que saiu do acervo nos últimos meses — ordenou. — Presentes, transferências, peças retiradas para manutenção. Tudo.— Vou providenciar.— E quero saber exatamente como essas joias c
Maya entrou e fechou a porta cuidadosamente atrás de si.Por alguns instantes, permaneceu parada, olhando para Emir.Ele estava deitado, imóvel, com os olhos fechados. O abdômen estava coberto por um curativo largo, e vários fios saíam dos sensores presos ao peito, ligando-o aos aparelhos ao lado da cama. Um monitor emitia sons regulares, enquanto o soro descia lentamente por um dos acessos em seu braço.Maya levou a mão à boca.Não estava preparada para vê-lo daquela maneira.Emir sempre lhe parecera um homem tão seguro de si, tão acostumado a dar ordens e a decidir tudo ao seu redor. Agora estava ali, completamente imóvel, dependendo dos cuidados de outras pessoas.Seus olhos percorreram o rosto dele, depois desceram involuntariamente até o peito descoberto. Maya sentiu as bochechas esquentarem e desviou o olhar, constrangida.Por Alá! Até naquela situação aquele homem conseguia deixá-la sem jeito.Olhou novamente para a porta, certificando-se de que ninguém estava chegando, e final
No hospital, Samir permaneceu diante do vidro da UTI.Emir continuava sedado. Os aparelhos marcavam um ritmo constante ao redor da cama, enquanto uma enfermeira verificava os acessos e anotava informações.Samir ficou observando o pai por alguns minutos. Ali se aproximou, mas não interrompeu.— Alguma novidade de Londres? — perguntou Samir, sem tirar os olhos de Emir.— Ainda estão procurando os outros dois.Samir assentiu.— E a joia?— Estão verificando.Samir finalmente se afastou do vidro.— Quero saber de onde ela saiu.— Vamos descobrir.O dia já estava terminando quando o telefone de Ali tocou. Ele atendeu, ouviu durante alguns segundos e olhou imediatamente para Samir.— Encontraram outra pessoa.Samir se virou. Ali colocou a ligação no viva-voz.— Quem?— Uma mulher. Confirmamos que ela é uma das três pessoas que aparecem nas imagens.— Está presa?— Sim.— Encontraram alguma coisa com ela?— Dinheiro.O homem hesitou por um instante.— E joias.Samir ficou imóvel.— Joias?—
O café da manhã transcorreu de maneira estranhamente normal para as crianças. Amine sabia que algo havia acontecido, mas Youssef não dissera nada. Ela estava esperando que ele contasse.Yasmim e Amim conversavam à mesa, Maya insistia para que todos comessem, e Amine participava da conversa como se aquela fosse apenas mais uma manhã em família. Youssef, no entanto, mal prestava atenção. Algumas vezes, Maya olhou para ele, provavelmente percebendo que havia algo errado, mas não perguntou nada diante das crianças.Quando terminaram, as crianças pegaram as mochilas. O motorista já as aguardava para levá-las à escola.Maya as acompanhou até a porta.— Prestem atenção nas aulas.— Sim — respondeu Yassi.Amim já caminhava na direção do carro quando Maya o chamou.— Amim.Ele voltou o rosto.— Sim?— Boa aula.Ele sorriu e assentiu.Sua mãe nunca se despedira dele antes de ir para a escola. Quando dizia alguma coisa, geralmente era algo como: “Não se misture. Eles não estão à nossa altura.”Y
Quando o avião de Samir pousou em Londres, um carro já o aguardava na pista.Ele não perdeu tempo. Entrou acompanhado por dois homens de sua segurança e seguiu diretamente para o hospital. Durante todo o caminho, manteve o celular nas mãos, recebendo informações da equipe de seu pai e dos homens que ainda estavam no hotel.Emir havia saído da cirurgia.Era tudo o que realmente importava naquele momento.Assim que chegou ao hospital, Samir foi conduzido até uma área reservada. O assistente de seu pai o aguardava no corredor e se aproximou imediatamente.— Como ele está?— Na UTI. A cirurgia terminou há pouco. Conseguiram controlar a hemorragia e reparar a lesão, mas ele perdeu bastante sangue. Está sedado e sendo monitorado.Samir respirou fundo.— Posso vê-lo?— Os médicos disseram que sim, mas por poucos minutos.Antes, porém, Samir pediu para falar diretamente com o médico responsável.O homem explicou novamente o estado de Emir, os cuidados necessários nas próximas horas e os risco
Samir começou a fazer ligações assim que Ali deixou o escritório. Falou primeiro com os responsáveis pela segurança do palácio, depois com os homens que acompanhavam seu pai em Londres. As informações ainda eram poucas e desencontradas, e isso o deixava ainda mais inquieto.Quando Ali voltou, Samir desligou uma das chamadas e olhou para ele.— Evite que isso escape para a imprensa até que saibamos como está meu pai e quem fez isso.— Vou cuidar disso.Ali saiu novamente, enquanto Samir permaneceu no escritório. Sentou-se, levantou-se pouco depois e caminhou até a janela. Tornou a olhar para o telefone sobre a mesa.Esperava uma ligação de Londres.Não demorou muito.Assim que o aparelho tocou, Samir atendeu. Era o porta-voz e assistente de seu pai, que permanecia no hospital acompanhando tudo de perto.— Como ele está?— Vai entrar para uma cirurgia.Samir ficou em silêncio por um instante.— Cirurgia?— Sim. Os médicos encontraram uma lesão interna e decidiram operar imediatamente. A







