LOGINQuando os dois se encontram em uma noite inesperada, Laura decide omitir sua verdadeira idade. Em vez de revelar que tinha acabado de completar 18 anos, deixa Anthony acreditar que tinha 22. O que começa como uma pequena mentira se transforma em uma sequência de encontros, provocações e sentimentos que nenhum dos dois esperava. Anthony está acostumado a descobrir tudo sobre qualquer pessoa. Mas, dessa vez, a mulher que despertou sua curiosidade esconde justamente a informação que ele mais precisa saber. E quando a verdade vier à tona, Laura descobrirá que conquistar um CEO pode ser muito mais fácil do que conquistar sua confiança.
View MoreCAPÍTULO 1 —
Laura Valença tinha três problemas naquela sexta-feira. O primeiro era o salto alto que estava machucando seus pés. O segundo era o vestido emprestado de sua melhor amiga, que insistia em escorregar pelo ombro. E o terceiro era sua própria curiosidade. Uma curiosidade que, segundo Isabela, ainda acabaria colocando as duas em alguma situação completamente absurda. — Laura, pelo amor de Deus, para de mexer nesse cabelo! — Isabela reclamou, observando a amiga pelo espelho do banheiro. — Você está linda! — Estou parecendo uma pessoa que sabe o que está fazendo? — Não. Está parecendo uma pessoa que vai conhecer um milionário e esquecer até o próprio sobrenome. Laura soltou uma gargalhada. — Você é insuportável. — E você está nervosa. Laura olhou novamente para o espelho. Seus cabelos loiro-escuros caíam em ondas delicadas sobre os ombros. Os olhos verdes estavam destacados por uma maquiagem discreta, e o vestido preto valorizava sua silhueta sem parecer exagerado. Naquela noite, as duas participariam de um evento beneficente promovido pelo Grupo Avelar. A oportunidade havia surgido por intermédio de uma professora da universidade que conhecia o trabalho voluntário de Isabela. Laura, recém-ingressada no curso de Fisioterapia, também estava interessada em conhecer os projetos sociais da empresa. Mas havia outro motivo. Um motivo que ela não admitiria nem sob tortura. Laura queria conhecer o famoso Anthony Avelar. Aos 28 anos, ele era um dos empresários mais jovens e influentes do país. Seu nome aparecia constantemente em revistas de negócios, entrevistas e páginas de notícias sobre grandes investimentos. Além de milionário, era conhecido por sua personalidade reservada e por não permitir que a imprensa se aproximasse demais de sua vida pessoal. — Você sabe que ele provavelmente nem vai olhar para nós, né? — Isabela comentou enquanto pegava a bolsa. — Eu não preciso que ele olhe para mim. Isabela arqueou uma sobrancelha. — Claro. E eu sou a próxima herdeira do Grupo Avelar. Laura jogou uma almofada na amiga. --- O salão do hotel era simplesmente deslumbrante. Lustres enormes iluminavam o ambiente, garçons circulavam com bandejas de bebidas e convidados conversavam em pequenos grupos. Havia empresários, políticos, investidores e algumas personalidades conhecidas. Laura observava tudo com curiosidade. — Isso aqui deve custar mais que o apartamento inteiro da minha mãe — comentou. — Com certeza. E, por favor, não faça nenhuma besteira. — Eu sou um anjo. — Você derrubou suco no professor de anatomia na primeira semana de aula. — Foi um acidente! As duas riram. Do outro lado do salão, Anthony Avelar acabava de chegar. Usava um terno preto perfeitamente ajustado, camisa branca e gravata escura. Os cabelos castanhos estavam cuidadosamente penteados em um corte americano, e a barba por fazer destacava seus traços marcantes. Ele caminhava acompanhado de Gustavo Moreira, seu braço direito e amigo de longa data. — Seu pai está procurando você — avisou Gustavo. — Meu pai está sempre procurando alguma coisa. Geralmente, alguém para culpar. — Hoje ele parece particularmente interessado em apresentar você à filha de um dos investidores. Anthony soltou um suspiro. — Então hoje será uma noite particularmente desagradável. Gustavo riu. — Você precisa melhorar sua habilidade social. — Minha habilidade social está perfeitamente adequada. Só não tenho interesse em fingir simpatia. Anthony pegou uma taça e percorreu o salão com os olhos. Foi quando a viu. Uma jovem loira estava perto da mesa de bebidas, conversando animadamente com outra garota. Ela parecia completamente alheia à importância daquele evento. Havia algo espontâneo em seu sorriso. Anthony não sabia explicar por que havia reparado nela. E, naquele momento, também não tinha interesse em descobrir. --- Laura decidiu que precisava de uma bebida. O problema era que a mesa estava cercada por convidados, e ela não queria interromper a conversa de ninguém. Conseguiu alcançar uma taça, virou-se rapidamente e esbarrou em alguém. O líquido vermelho caiu diretamente sobre um paletó preto. — Meu Deus! Laura arregalou os olhos. O homem à sua frente olhou primeiro para a roupa e depois para ela. Era Anthony Avelar. Pessoalmente, ele era ainda mais bonito. Muito mais. — Eu... posso explicar — Laura começou. Anthony ergueu uma sobrancelha. — Espero que seja uma boa explicação. Ela procurou um guardanapo desesperadamente. — O senhor apareceu do nada! — Entendi. Então, além de manchar meu paletó, fui responsável pelo acidente? Laura finalmente encontrou um guardanapo. — Quando o senhor coloca dessa maneira, parece que a culpa foi minha. — E não foi? Ela levantou os olhos. — O senhor sempre faz tantas perguntas? Por um instante, Anthony pareceu surpreso. Depois, sorriu discretamente. — Depende da pessoa. Laura sentiu o rosto esquentar. — Então espero que não faça muitas. Ele observou a jovem por alguns segundos. — Anthony Avelar. Ela sabia perfeitamente quem ele era, mas fingiu naturalidade. — Laura Valença. — Prazer, Laura. — O prazer é meu. Apesar de nosso primeiro encontro ter sido um desastre. — Já tive reuniões piores. Laura riu. E Anthony percebeu que estava gostando daquela conversa. --- Pouco depois, os dois estavam próximos à enorme janela do salão. Laura descobriu que Anthony era o presidente do Grupo Avelar e que a empresa mantinha diversos projetos sociais. — Vocês têm algum programa voltado para reabilitação física? — perguntou. Anthony pareceu interessado. — Temos uma parceria com algumas instituições. Por quê? — Estou começando a faculdade de Fisioterapia. Acho importante que empresas grandes invistam em projetos que realmente mudem a vida das pessoas. — Você fala com bastante convicção. — Porque acredito nisso. Anthony assentiu. — E quantos anos você tem? A pergunta veio de maneira casual, mas Laura ficou desconcertada. Ela tinha acabado de completar dezoito anos. E, por algum motivo, teve medo de que ele passasse a tratá-la como uma adolescente. Antes que pudesse pensar melhor, respondeu: — Vinte e dois. Anthony não demonstrou surpresa. — E já está na faculdade? — Sim. Fisioterapia. — Uma área que exige bastante dedicação. — Sou dedicada quando quero alguma coisa. Ele sustentou o olhar dela. — Imagino. Laura sentiu que precisava mudar de assunto antes que aquela conversa se tornasse perigosa. — E o senhor? Sempre quis ser empresário? Anthony olhou para a cidade através da janela. — Não exatamente. Mas algumas responsabilidades chegam antes de nossas escolhas. Foi a primeira vez naquela noite que Laura percebeu algo diferente na expressão dele. Por trás do homem confiante, havia alguém que parecia carregar um peso considerável. --- Quando o evento terminou, Laura encontrou Isabela perto da saída. — Onde você estava? — a amiga perguntou. — Conversando. — Com quem? Laura tentou esconder o sorriso. — Com ninguém importante. Isabela estreitou os olhos. — Laura Valença, eu conheço essa sua cara. — Eu conheci Anthony Avelar. Isabela levou a mão à boca. — VOCÊ O QUÊ? — Fala baixo! — Você conversou com o CEO? — Sim. — E? Laura sorriu. — Acho que ele gostou de mim. Isabela ficou alguns segundos em silêncio. — Você fez alguma besteira? Laura olhou para a amiga. Depois olhou para o próprio celular. Na tela, havia uma notificação. Uma mensagem de um número desconhecido. Espero que tenha chegado bem em casa, Laura. E, da próxima vez, tente manter sua bebida longe dos meus ternos. Laura sentiu o coração acelerar. Anthony Avelar havia conseguido seu número. E ela ainda nem imaginava quantos problemas aquela pequena conquista poderia trazer.CAPÍTULO 69 — Narrado por LauraEu nunca imaginei que uma tatuagem pudesse carregar tanto significado.Mas talvez porque aquela não fosse apenas uma tatuagem.Era nossa.O pequeno desenho do nó de marinheiro repousava na parte interna do meu antebraço, ainda protegido pelos cuidados que o tatuador havia recomendado.Passei os dedos ao redor das linhas com delicadeza.Dois caminhos.Duas pontas.Entrelaçadas.Sem começo ou fim claramente definidos.Anthony estava sentado ao meu lado no banco traseiro do carro, observando o próprio braço.Ele parecia estranhamente pensativo.— Você está arrependido? — perguntei.Ele levantou os olhos.— Da tatuagem?— Sim.Anthony soltou uma risada baixa.— Laura, depois de tudo que você já me fez enfrentar, você realmente acha que uma tatuagem seria capaz de me assustar?— Então não está arrependido?Ele aproximou o braço do meu.As duas tatuagens ficaram lado a lado.— Nem um pouco.Sorri.— Eu gostei.— Eu também.Ficamos em silêncio por alguns segu
CAPÍTULO 68LauraEu deveria ter imaginado que contar aos nossos amigos sobre a tatuagem seria um erro.Um erro enorme.— NÃO ACREDITO! — Isabela praticamente gritou assim que viu meu braço.Estávamos em um restaurante reservado no Rio. Uma noite simples entre amigos, sem reuniões, sem assuntos da Holding e, principalmente, sem ninguém falando de trabalho.Era exatamente o que eu precisava.— Ficou linda! — Marina segurou meu braço com cuidado. — E o significado?Olhei para Anthony.Ele estava sentado ao meu lado, tranquilo demais.— Força — respondi. — Resistência. União.Gabriel ergueu a taça.— E o mais importante?Anthony respondeu:— Entrelaçamento.Gabriel fez uma expressão exageradamente emocionada.— Meu Deus. O homem virou poeta.Todos riram.Anthony olhou para ele.— Quer que eu mande você embora?— Não.Gabriel tomou um gole do vinho.— Mas eu precisava tentar.Isabela deu um tapa leve no braço dele.— Para de provocar meu futuro marido.Gabriel imediatamente olhou para ela
CAPÍTULO 67LauraEu sempre achei curioso como algumas decisões pareciam enormes antes de serem tomadas e, depois que aconteciam, pareciam simplesmente inevitáveis.Naquela manhã, enquanto observava Anthony dirigir pelas ruas do Rio, eu pensava em todas as vezes que havíamos falado sobre aquela tatuagem.Anos.Sempre existia um motivo para adiar.Uma viagem.Uma reunião.Uma mudança.Uma fase nova.E, principalmente, aquela nossa mania de acreditar que ainda teríamos tempo para tudo.Olhei para ele.Anthony dirigia com uma das mãos no volante e a outra apoiada no console.— Você está quieta demais — ele comentou.— Estou pensando.— Isso me preocupa.Revirei os olhos.— Engraçadinho.Ele sorriu.— Em quê?— Na tatuagem.Anthony ficou alguns segundos em silêncio.— Está arrependida?— Não.— Nervosa?— Talvez.Ele finalmente olhou para mim.— Laura.— O quê?— Se você desistir, eu desisto também.Franzi a testa.— Você esperou tanto quanto eu.— Justamente.Ele estendeu a mão.Entrelac
CAPÍTULO 66LauraEu deveria ter aprendido, depois de tantos anos, que provocar Anthony Avelar tinha consequências.Mas algumas lições eu simplesmente não queria aprender.— Você está me olhando de novo — murmurei, sem tirar os olhos do espelho.Atrás de mim, Anthony estava encostado na porta do closet, com os braços cruzados e aquele meio sorriso que eu conhecia perfeitamente.— Estou olhando para minha esposa.— Há uma diferença entre olhar e encarar.— Eu sei.Virei-me.Ele continuava exatamente onde estava.Terno escuro, camisa aberta no primeiro botão, barba curta impecavelmente cuidada. Jovem demais para carregar a imagem de um CEO que fazia salas inteiras ficarem em silêncio quando entrava, mas seguro demais para precisar provar alguma coisa.Anthony deu dois passos na minha direção.— E você está fazendo isso de propósito.— Fazendo o quê?— Fingindo que não percebe o efeito que causa.Sorri.— Talvez eu só goste de ver você perder a concentração.Ele soltou uma risada baixa.






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