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CAP. 56 — O CHÃO SOB OS PÉS

Autor: A.C. Borges
last update Fecha de publicación: 2026-08-05 17:41:55

POV RIANE

O pano de algodão grosso saiu vermelho da tigela de argila. A água morna, temperada com casca de barbatimão e breu-branco, cheirava a terra e seiva azeda.

Caruã estava sentado no banco de madeira aos pés da cama, o peito nu ainda coberto de poeira e suor seco. O ombro esquerdo tinha um corte profundo, a pele aberta e marcada pelo sangue. Na coxa direita, a calça de sarja rasgada estava encharcada de sangue escuro.

— Para de se mexer — resmunguei, pressionando o pano contra o corte
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    POV RIANEO cheiro de vitória-régia e de água-doce continuava a cobrir a fumaça de breu da casa de conselho do Xingu.Caruã permanecia postado como uma muralha entre o sujeito e mim, o peito nu subindo e descendo num ritmo pesado. As pupilas do meu Alfa queimavam num dourado puro, a mão travada na empunhadura da faca de caça, o rosnado baixo da fera vibrando no ar da sala com uma promessa clara de sangue.O homem de camisa de linho branco deu mais uma risada curta, o som suave como água correndo em leito de pedra. Ele deu um passo para o lado com uma elegância fluida, contornando a projeção dos ombros de Caruã sem demonstrar pressa nem medo.— Você devia afrouxar esse cinto, Alfa do Rio Negro — o sujeito provocou, inclinando a cabeça com um charme preguiçoso. — O ferro do seu peito vai acabar rasgando essa pele bonita antes do anoitecer.Caruã girou o corpo no mesmo milissegundo, a lâmina de aço saindo três dedos da bainha de couro com um estalo seco.— Mais um passo e eu te corto ao

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