بيت / Lobisomem / CAPTURADA PELO ALFA DA FLORESTA NEGRA / CAP. 57 — O SANGUE DO SOLIMÕES

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CAP. 57 — O SANGUE DO SOLIMÕES

مؤلف: A.C. Borges
last update تاريخ النشر: 2026-08-05 17:50:02

POV YARA

— O seu pai deixou bem claro, Yara. Se o campeão falhou em derrubar o Caruã na arena, a gente termina o serviço pela beirada.

O pano de tucum com o selo vermelho do meu pai estalou na minha mão quando o amarrei com força. Olhei para Caio, o Delta que meu pai tinha designado para acompanhar a guarda do Solimões na nossa divisa. Ele estava em pé perto da fogueira de breu-branco, o rosto jovem marcado pela rigidez de quem só sabia obedecer sem questionar.

— Terminamos o serviço como? —
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  • CAPTURADA PELO ALFA DA FLORESTA NEGRA   CAP. 70 — A PRIMEIRA FISSURA

    POV RIANE O vento do Xingu subia pelo barranco carregando lodo e chuva grossa. O sol da tarde despencava atrás das copas das maçarandubas, pintando a água barrenta de um tom acobreado. Eu caminhava em silêncio ao lado de Caruã pela trilha de terra batida que voltava do posto norte. A figura de Zuri, com as cicatrizes no rosto e a dureza seca na voz, tinha ficado para trás, mas as palavras dela pareciam ecoar a cada passo que eu dava no barro. O selo segura o tranco no começo... o metal no seu peito não vai te salvar; vai te derreter de dentro para fora. Caruã percebeu o meu ritmo lento. Ele diminuiu o passo, a mão grande descendo pelo meu ombro até firmar na minha cintura. O olhar castanho dele — limpo, sem o dourado da fera em alerta — desceu para o meu rosto com uma cautela silenciosa. — Você está calada desde que saímos daquele rancho — ele comentou, a voz baixa, o som abafado pelo piado das cigarras na mata. — A velha falou muito sobre a ancoragem. Mas a Zuri vive isolada

  • CAPTURADA PELO ALFA DA FLORESTA NEGRA   CAP. 69 — A OUTRA MARGEM

    POV ZURI Eu reconheci o mormaço da pedra antes mesmo da voadeira encostar na rampa de taquara da enseada norte. O calor que subia do metal da garota era denso, desalinhado, o tipo de energia de ancoragem que arde na pele de quem carrega sangue de linhagem sem saber o peso do que guarda. Já vi essa mesma chama consumir três das minhas antes que a primeira lua cheia de tempestade se erguesse no céu. Duas viraram poeira no leito do rio; a terceira enlouqueceu antes do Fundo ser fechado. Eu estava sentada sobre o tronco caído de uma maçaranduba, afiando a ponta do meu anzol de osso de pirarucu com uma pedra de rio. Usava a túnica curta de couro cru, surrada pelo uso e manchada de resina de breu-preto nas mangas. Meus cabelos grisalhos estavam presos por uma tira de tucum na nuca, e o meu rosto trazia as cicatrizes finas que a mata-cobra de quem sobreviveu à própria queima. A garota saltou do barco com a agilidade de quem aprendeu a se mover na pressa. O moletom escuro estava abert

  • CAPTURADA PELO ALFA DA FLORESTA NEGRA   CAP. 68 — O PERFUME DA ÁGUA

    POV RIANEO cheiro de vitória-régia e de água-doce continuava a cobrir a fumaça de breu da casa de conselho do Xingu.Caruã permanecia postado como uma muralha entre o sujeito e mim, o peito nu subindo e descendo num ritmo pesado. As pupilas do meu Alfa queimavam num dourado puro, a mão travada na empunhadura da faca de caça, o rosnado baixo da fera vibrando no ar da sala com uma promessa clara de sangue.O homem de camisa de linho branco deu mais uma risada curta, o som suave como água correndo em leito de pedra. Ele deu um passo para o lado com uma elegância fluida, contornando a projeção dos ombros de Caruã sem demonstrar pressa nem medo.— Você devia afrouxar esse cinto, Alfa do Rio Negro — o sujeito provocou, inclinando a cabeça com um charme preguiçoso. — O ferro do seu peito vai acabar rasgando essa pele bonita antes do anoitecer.Caruã girou o corpo no mesmo milissegundo, a lâmina de aço saindo três dedos da bainha de couro com um estalo seco.— Mais um passo e eu te corto ao

  • CAPTURADA PELO ALFA DA FLORESTA NEGRA   CAP. 67 — O PREÇO DO NOME

    POV RIANE O ar dentro da grande casa de conselho do Xingu cheirava a gordura de capivara queimada na banha. A estrutura inteira era erguida sobre pilares grossos de itaúba, e a fresta entre as tábuas do chão deixava ver a água barrenta do igarapé correndo lá embaixo. Tonho continuava parado diante da mesa de pedra polida, os braços cruzados sobre as cicatrizes do peito. O tom castanho queimado dos olhos dele ainda mantinha o mesmo espanto de quando leu o nome da minha mãe no meu rosto, no trapiche. Ao lado dele, dois Alfas do Conselho do Xingu permaneciam em silêncio, as lanças de osso de arapaima apoiadas nos ombros. — Você disse o nome dela no porto — dei dois passos à frente, batendo a mão no tecido do meu moletom, onde o pingente de pedra preta queimava em silêncio. — Você conhecia a Iracema. O que a minha mãe tinha a ver com o Xingu? Tonho desviou o olhar para a chama da tocha presa no pilar. A mandíbula dele travou, a carne do maxilar enrijecendo. — Conhecer é uma pal

  • CAPTURADA PELO ALFA DA FLORESTA NEGRA   CAP. 66 — TERRA ESTRANHA

    POV CARUÃ O ronco da voadeira diminuía à medida que o canal do rio se estreitava. A água escura do Rio Negro tinha ficado quilômetros atrás, dando lugar a uma correnteza barrenta e mais rápida, cercada por um teto denso de maçarandubas e igapós carregados de musgo. Riane estava sentada na proa, o moletom escuro aberto no peito por causa do mormaço abafado do meio-dia. O vento que vinha da curva do rio balançava os cabelos dela, e os olhos âmbar varriam a margem com atenção afiada. O pingente de pedra preta repousava contra a sua clavícula, emaranhado na corrente. Atrás de nós, na segunda embarcação de apoio, Kauã e dois Deltas de confiança mantinham a distância de escolta. A viagem a dois pelo canal parecia um respiro necessário depois de semanas sufocadas pelo pátio do Rio Negro. Sem o Conselho cobrando respostas e sem os olhares desconfiados dos guerreiros, a tensão entre nós tinha assentado numa proximidade quase silenciosa. O braço dela roçava o meu ombro toda vez que a lanc

  • CAPTURADA PELO ALFA DA FLORESTA NEGRA   CAPÍTULO 65 — O PESO DA GUARDA

    POV JUMA A prancheta de madeira na minha mão parecia mais pesada que uma lança de combate. Eu estava parada na curva do galpão de armas, observando a movimentação no pátio central. O sol da manhã cortava a névoa do rio, fazendo a terra batida brilhar com um tom avermelhado. Três voadeiras de madeira pesada estavam atracadas no porto de baixo, carregadas com suprimentos, sacos de farinha e mantas de pirarucu seco. Caruã ajustava a alça do seu colete de couro ao lado do deque. Ao seu lado, Riane conversava com Bira, o moletom escuro dobrado nos cotovelos e o sorriso leve ainda presente no rosto. Eles pareciam mais leves. Depois da conversa no templo no fim da tarde de ontem, quando Tembé decifrou o selo da pedra preta, uma onda de calma tinha se espalhado pela casa de comando. O Alfa e a sua companheira partiam para a missão diplomática no Xingu acreditando que a retaguarda no Rio Negro estava pacificada. Eu sabia que não estava. A folha de pele de veado com as rasuras do ano do ma

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