Share

CAP. 64 — O VÉU DE PAZ

Author: A.C. Borges
last update Petsa ng paglalathala: 2026-08-09 16:32:21

POV RIANE

O rio batia contra o barranco abaixo do templo, num ritmo constante que parecia acompanhar minha respiração. A penumbra do salão circular de itaúba era atravessada pelas últimas faixas de luz da tarde, iluminando as túnicas penduradas nos esteios de madeira de lei. A fumaça do breu-branco queimado permanecia suspensa no ar, misturada ao cheiro das folhas secas de cipó-alho. Mesmo ali, longe do mandiocal, meu corpo ainda não tinha esquecido a luta.

Tembé estava curvado sobre a mesa d
Patuloy na basahin ang aklat na ito nang libre
I-scan ang code upang i-download ang App
Locked Chapter

Pinakabagong kabanata

  • CAPTURADA PELO ALFA DA FLORESTA NEGRA   CAP. 71 — A MARCA DA ARMADURA

    POV RIANE A ponta da lança de osso raspou na madeira da paliçada a um palmo do meu rosto. — Afaste essa lança antes que eu tire o seu braço fora — a voz de Caruã estalou no pátio do Xingu como um golpe de chicote. O Alfa já estava na minha frente, o corpo inteiro transformado em uma muralha de músculos tensos. As pupilas dele queimavam num dourado bruto, perigoso, o rosnado baixo vibrando no peito nu com a fúria nua de quem não aceitaria um segundo de hesitação. Ao redor do armazém principal, doze guerreiros do Xingu mantinham as armas erguidas, cercando a entrada do galpão de suprimentos onde o corpo do batedor jazia na lama da margem. Tonho deu dois passos à frente, empurrando a lança do próprio guarda para baixo. O rosto do Alfa do Xingu estava fechado em uma ruga profunda, os olhos castanhos fixos no corpo do homem morto e, em seguida, na marca cravada no peito dele — um entalhe tosco de madeira que imitava o símbolo do Solimões. — O batedor foi achado há menos de vinte minut

  • CAPTURADA PELO ALFA DA FLORESTA NEGRA   CAP. 70 — A PRIMEIRA FISSURA

    POV RIANE O vento do Xingu subia pelo barranco carregando lodo e chuva grossa. O sol da tarde despencava atrás das copas das maçarandubas, pintando a água barrenta de um tom acobreado. Eu caminhava em silêncio ao lado de Caruã pela trilha de terra batida que voltava do posto norte. A figura de Zuri, com as cicatrizes no rosto e a dureza seca na voz, tinha ficado para trás, mas as palavras dela pareciam ecoar a cada passo que eu dava no barro. O selo segura o tranco no começo... o metal no seu peito não vai te salvar; vai te derreter de dentro para fora. Caruã percebeu o meu ritmo lento. Ele diminuiu o passo, a mão grande descendo pelo meu ombro até firmar na minha cintura. O olhar castanho dele — limpo, sem o dourado da fera em alerta — desceu para o meu rosto com uma cautela silenciosa. — Você está calada desde que saímos daquele rancho — ele comentou, a voz baixa, o som abafado pelo piado das cigarras na mata. — A velha falou muito sobre a ancoragem. Mas a Zuri vive isolada

  • CAPTURADA PELO ALFA DA FLORESTA NEGRA   CAP. 69 — A OUTRA MARGEM

    POV ZURI Eu reconheci o mormaço da pedra antes mesmo da voadeira encostar na rampa de taquara da enseada norte. O calor que subia do metal da garota era denso, desalinhado, o tipo de energia de ancoragem que arde na pele de quem carrega sangue de linhagem sem saber o peso do que guarda. Já vi essa mesma chama consumir três das minhas antes que a primeira lua cheia de tempestade se erguesse no céu. Duas viraram poeira no leito do rio; a terceira enlouqueceu antes do Fundo ser fechado. Eu estava sentada sobre o tronco caído de uma maçaranduba, afiando a ponta do meu anzol de osso de pirarucu com uma pedra de rio. Usava a túnica curta de couro cru, surrada pelo uso e manchada de resina de breu-preto nas mangas. Meus cabelos grisalhos estavam presos por uma tira de tucum na nuca, e o meu rosto trazia as cicatrizes finas que a mata-cobra de quem sobreviveu à própria queima. A garota saltou do barco com a agilidade de quem aprendeu a se mover na pressa. O moletom escuro estava abert

  • CAPTURADA PELO ALFA DA FLORESTA NEGRA   CAP. 68 — O PERFUME DA ÁGUA

    POV RIANEO cheiro de vitória-régia e de água-doce continuava a cobrir a fumaça de breu da casa de conselho do Xingu.Caruã permanecia postado como uma muralha entre o sujeito e mim, o peito nu subindo e descendo num ritmo pesado. As pupilas do meu Alfa queimavam num dourado puro, a mão travada na empunhadura da faca de caça, o rosnado baixo da fera vibrando no ar da sala com uma promessa clara de sangue.O homem de camisa de linho branco deu mais uma risada curta, o som suave como água correndo em leito de pedra. Ele deu um passo para o lado com uma elegância fluida, contornando a projeção dos ombros de Caruã sem demonstrar pressa nem medo.— Você devia afrouxar esse cinto, Alfa do Rio Negro — o sujeito provocou, inclinando a cabeça com um charme preguiçoso. — O ferro do seu peito vai acabar rasgando essa pele bonita antes do anoitecer.Caruã girou o corpo no mesmo milissegundo, a lâmina de aço saindo três dedos da bainha de couro com um estalo seco.— Mais um passo e eu te corto ao

  • CAPTURADA PELO ALFA DA FLORESTA NEGRA   CAP. 67 — O PREÇO DO NOME

    POV RIANE O ar dentro da grande casa de conselho do Xingu cheirava a gordura de capivara queimada na banha. A estrutura inteira era erguida sobre pilares grossos de itaúba, e a fresta entre as tábuas do chão deixava ver a água barrenta do igarapé correndo lá embaixo. Tonho continuava parado diante da mesa de pedra polida, os braços cruzados sobre as cicatrizes do peito. O tom castanho queimado dos olhos dele ainda mantinha o mesmo espanto de quando leu o nome da minha mãe no meu rosto, no trapiche. Ao lado dele, dois Alfas do Conselho do Xingu permaneciam em silêncio, as lanças de osso de arapaima apoiadas nos ombros. — Você disse o nome dela no porto — dei dois passos à frente, batendo a mão no tecido do meu moletom, onde o pingente de pedra preta queimava em silêncio. — Você conhecia a Iracema. O que a minha mãe tinha a ver com o Xingu? Tonho desviou o olhar para a chama da tocha presa no pilar. A mandíbula dele travou, a carne do maxilar enrijecendo. — Conhecer é uma pal

  • CAPTURADA PELO ALFA DA FLORESTA NEGRA   CAP. 66 — TERRA ESTRANHA

    POV CARUÃ O ronco da voadeira diminuía à medida que o canal do rio se estreitava. A água escura do Rio Negro tinha ficado quilômetros atrás, dando lugar a uma correnteza barrenta e mais rápida, cercada por um teto denso de maçarandubas e igapós carregados de musgo. Riane estava sentada na proa, o moletom escuro aberto no peito por causa do mormaço abafado do meio-dia. O vento que vinha da curva do rio balançava os cabelos dela, e os olhos âmbar varriam a margem com atenção afiada. O pingente de pedra preta repousava contra a sua clavícula, emaranhado na corrente. Atrás de nós, na segunda embarcação de apoio, Kauã e dois Deltas de confiança mantinham a distância de escolta. A viagem a dois pelo canal parecia um respiro necessário depois de semanas sufocadas pelo pátio do Rio Negro. Sem o Conselho cobrando respostas e sem os olhares desconfiados dos guerreiros, a tensão entre nós tinha assentado numa proximidade quase silenciosa. O braço dela roçava o meu ombro toda vez que a lanc

Higit pang Kabanata
Galugarin at basahin ang magagandang nobela
Libreng basahin ang magagandang nobela sa GoodNovel app. I-download ang mga librong gusto mo at basahin kahit saan at anumang oras.
Libreng basahin ang mga aklat sa app
I-scan ang code para mabasa sa App
DMCA.com Protection Status