เข้าสู่ระบบO relógio digital no criado-mudo marcava três horas da manhã, quando o silêncio da madrugada foi subitamente rasgado pelo ronco abafado do motor e pelo ranger metálico do portão automático.
Não precisei abrir os olhos para saber: era Gustavo. Eu permaneci imóvel, o corpo rígido sob os lençóis de cetim da cama que parecia grande demais para mim. Quando a maçaneta girou e os passos pesados dele ecoaram pelo quarto, eu controlei a minha própria respiração, transformando-a em um ritmo lento e artificial. O fingimento era minha única armadura. Gustavo exalava um cansaço que ia além do físico pela noite de sexo. Sem dizer uma palavra, ele seguiu direto para o banheiro. O som da água batendo no box durou uma eternidade, trinta minutos depois, ele finalmente saiu do banheiro, o quarto foi invadido pelo cheiro de sabonete e vapor. Senti o colchão ceder sob o peso dele, uma inclinação familiar que me forçava, sutilmente, para mais perto do homem de quem eu queria longe, quilômetros de distância de mim. Não houve "boa noite" ou o toque de dedos me buscando. De um lado, Gustavo sucumbiu quase instantaneamente, a respiração pesada denunciando um sono profundo e sem defesas. Do outro: Eu permanecia com os olhos fixos na penumbra, a mente em um turbilhão. Enquanto ele descansava do mundo, eu guardava a madrugada. Com os olhos bem abertos. ✨ Quando o sol surgiu, o silêncio da manhã era cortante, interrompido apenas pelo som metálico da colher de prata batendo contra a porcelana da xícara. Eu sentia o estômago dar voltas, não pela comida, mas pelo peso da verdade que carregava desde a noite anterior. Lúcia, que conhecia cada expressão minha, moveu-se silenciosamente pela cozinha. — A senhora está pálida, Dona Isabel. Tem certeza que é só o sono? Posso preparar um chá de hortelã... — Não precisa, Lúcia. Respondi forçando um sorriso que não chegou aos olhos. — Foi apenas uma noite mal dormida. O café está ótimo. Nesse momento, os passos firmes de Gustavo ecoaram na escadaria de madeira. Ele entrou na sala de jantar como se o mundo fosse um palco montado exclusivamente para o seu brilho. O terno impecável, o cabelo levemente molhado de forma charmosa, e aquele sorriso, o mesmo sorriso que, anos atrás, a fizera acreditar que ele era o homem mais íntegro da Terra. — Bom dia, meu amor. Ele murmurou, inclinando-se para depositar um beijo suave em minha bochecha. Olhei diretamente para ele. Nem um músculo lhe tremeu no rosto. Nenhuma hesitação no olhar, nenhuma pressa defensiva no gesto. Ele sentou-se à cabeceira, serviu-se de suco de laranja e abriu o jornal com a naturalidade de um santo. E foi isso que me enjoou mais. Não foi a traição em si, a descoberta, o choque da quebra do pacto. Foi a calma dele. A forma perfeita, milimetricamente treinada, como ele continuava a mentir enquanto ainda trazia no corpo o cheiro da noite de sexo e a arrogância de quem se sente intocável. — Dormiu bem? Ele perguntou, pagou o jornal sem desviar os olhos da notícia de economia. — Você parece um pouco distante hoje, seus olhos estão fixos no café mas sua mente parece estar em outro lugar. É por causa de ontem à noite? Escuta, eu sei que falhei com você, mas não foi por mal. Eu precisava revisar cada parágrafo daquele contrato; o senhor Gouveia foi categórico ao dizer que precisava de tudo na mesa dele logo no primeiro horário. Eu não tive escolha, era o meu trabalho em jogo. Sorri quando ele mencionou o nome de Victor Gouveia, se ele aumenos sonhasse. — Tive um pesadelo, só isso. Não se preocupe, podemos comemorar hoje a noite, Gustavo. Gustavo pegou minha mão e disse. — Meu amor, hoje celebramos cinco anos de uma caminhada linda lado a lado. Para comemorar nossa história, reservei uma mesa especial para nós dois no Bistrô Restaurante esta noite as 20 horas. Preparei tudo para que o nosso jantar seja perfeito e, para não perdermos um segundo sequer, consegui organizar minhas pendências e sairei mais cedo do escritório. Mal posso esperar para deixar a rotina de lado e focar apenas em você Assenti sem emoção, porque o teatro tinha que continuar até Victor me dá um sinal. Ele voltou a ler o jornal. Eu levantei e sai da sala de jantar sem olhar para trás, deixando-o sozinho com sua calma impecável e sua mentira perfeita. Pela primeira vez, o silêncio da casa não parecia um refúgio para ele, mas o início de uma contagem regressiva.Ele puxou a jovem ao seu lado pela cintura, expondo-a como um troféu.— ...é Gabriela. Minha namorada.O insulto estalou no ar como um tapa. Meu sangue subiu à cabeça, e os meus lábios se abriram para responder, mas Victor foi mais rápido. Ele se levantou a metade do caminho, a mandíbula tão trincada que os músculos do seu rosto saltaram.— Charles... A voz de Victor baixou uma oitava, tornando-se perigosamente calma. — Creio que a única "qualquer" nesta sala é a mulher ao seu lado. Então meça muito bem as suas palavras antes de voltar a pronunciar o nome de Isabel.Um suspiro coletivo ecoou pelo salão. O ar ficou tão denso que parecia impossível respirar. O confronto físico parecia a um milímetro de acontecer. Antes que Charles desse o troco e o caos se instalasse de vez, a bengala de Dom Camilo bateu com força contra o piso.TOC!— Chega! Vociferou o velho, o olhar faiscando. — Não tolerarei baixarias na minha casa! Eu exigi um jantar de família em harmonia. Guardem a imbecilida
O eco dos nossos passos no mármore polido parecia anunciar algo inevitável. Quando finalmente alcançamos o imenso arco de entrada do salão principal, o mordomo Luiz deteve-se por um segundo, fez uma mesura impecável, impecável demais, como quem esconde o peso do que está prestes a presenciar, e inclinou levemente a cabeça.— Com licença, senhor. Voltarei ao meu trabalho.Murmurou com a voz baixa e neutra de quem já viu ruínas inteiras se erguere e caírem sob aquele mesmo teto.Ele se retirou em silêncio, desaparecendo pelas sombras do corredor. Na sala, porém, ninguém notou sua partida. Nem a nossa chegada.O ambiente estava impregnado pelo cheiro forte de perfumes caros, uísque envelhecido e o zumbido contínuo de conversas banais. A iluminação de cristal do lustre gigantesco projetava luz sobre um cenário que mais parecia um tribunal. Todos pareciam tão entretidos em suas próprias intrigas que éramos invisíveis.Até que Victor deu um passo à frente. Ele pigarreou com firmeza, cortan
Sustentei seu olhar, sentindo o peso do silêncio que nos cercava, e assenti devagar. Minha voz saiu firme, carregada de uma promessa que eu vinha repetindo para mim mesma em frente ao espelho como um mantra de sobrevivência.— Não se preocupe, Victor. Dessa vez, eu não vou te envergonhar.Afirmei, erguendo o queixo, sentindo um arrepio gélido percorrer minha espinha. — Não vou deixar ninguém pisar em mim. Eu vou provar que posso estar à sua altura... a altura da esposa que você precisa ao seu lado.Victor me encarou por um segundo interminável. Seus lábios se curvaram em um sorriso satisfeito, do tipo que calculava cada vitória antes mesmo de entrar no campo de batalha.---Os dias que antecederam o fim de semana pareceram passar como um borrão sufocante.Camila me visitou na mansão e sua empolgação foi total.— Amiga eu amei esse lugar, parece um castelos e você é a rainha.Eu ri da empolgação de Camila. Quando o sábado finalmente despontou, o ar daquela noite parecia pesado, quase
Assim que o café da manhã finalmente terminou, uma refeição em que quase precisei de um mapa para achar os talheres corretos. Victor vestiu seu paletó sob medida, deu aquele aceno sutil e partiu para o todo-poderoso Grupo Gouveia. Eu, por minha vez, peguei minhas coisas e me mandei para o meu escritório de arquitetura, rezando para que a rotina mantivesse meus pés no chão.Pura ilusão, porque a manhã passou feito um furacão implacável.Exatamente no segundo em que sentei para almoçar, o celular na mesa começou a vibrar tanto que quase caiu no chão. O nome na tela? Camila.Atendi e nem deu tempo de dizer “alô”.— ISABEL! MEU DEUS, ISABEL! O grito dela no alto-falante quase estourou meu tímpano direito. — Isabel, eu já me mudei! Estou instalada no apartamento que você me deu! Nossa, amiga, que absurdo é esse?! Isso não é um apartamento, é um palácio! Eu nunca vi tanto luxo na minha vida! Tem torneira dourada, amiga! DOURADA! Eu tô me sentindo a própria herdeira europeia. Vou contrata
O primeiro raio de sol atravessou suavemente a fresta das cortinas, desenhando um feixe dourado sobre o lençol. Abri os olhos bem devagar, sentindo o peso gostoso do sono se dissipar. Estiquei os braços em uma preguiça demorada e, por instinto, deslizei a mão para o lado da cama em busca do calor do seu corpo.Nada de Victor ali.O colchão ao meu lado já estava frio. Victor devia ter se levantado de bem cedo para resolver as intermináveis pendências do Grupo Gouveia. Um pequeno suspiro escapou dos meus lábios. Eu sabia que ele era um homem de negócios, sempre muito ocupado.Esfreguei os olhos com as costas das mãos e me sentei na borda da cama, sentindo o corpo inteiro responder a cada movimento. Havia um cansaço bom, uma dor sutil nos músculos e uma sede imensa. Em um segundo, a lembrança da noite anterior me atingiu em cheio: as mãos dele firme na minha cintura, os sussurros ao pé do ouvido, a intensidade de cada toque. Senti meu rosto arder imediatamente, tomado por uma onda irrepr
Continuamos do mesmo jeito por vários minutos, movendo nossos corpos apenas o suficiente, mas, ao mesmo tempo, parecia completamente longe de ser o bastante. Uma de suas mãos desliza até minha lombar, e a outra vai para a parte de trás da minha cabeça. Ele segura um tanto do meu cabelo e dá uma leve puxada, até minha garganta ficar exposta à sua boca._ Adoro esses seus cabelos longos.Considerando que ele está em vantagem devido à nossa posição. Suas mãos estão livres para perambular por todo meu corpo. Assim que os seus dedos encontram o local exato que normalmente me faria gritar seu nome, seguro seus ombros com mais força e reposiciono os joelhos para ter mais controle sobre meus movimentos.Quero que ele seja tão torturado nas minhas mãos quanto estou sendo nas dele.Assim que me reposiciono e consigo descer ainda mais o corpo sobre o dele, o ritmo lento desaparece. Sua boca encontra a minha num beijo descontrolado e furioso... com mais desejo e força do que qualquer beijo de an







