LOGINEu sentia meu coração martelar. A dor da imagem de Gustavo com Sandra ainda estava lá, mas a humilhação estava sendo sufocada por um desejo de vingança.
— E a Sandra? Perguntei. — Ela não é apenas sua esposa, Victor. Vocês são a união das duas famílias mais ricas do país. Victor sorriu com desgosto. — Casei com Sandra para agradar minha família, eu precisava de uma esposa para ocupar o cargo de CEO do Grupo Gouveia. A família de Sandra estava praticamente falida, ainda não caíram por causa do nosso casamento, investi muito dinheiro nos investimentos da familia Figueiredo. Sandra quer o brilho, mas esquece que o brilho depende da luz que eu forneço. No minuto em que o divórcio for assinado com as provas de infidelidade que eu colhi, ela sairá com uma mão na frente e outra atrás. Sem pensão, sem ações, sem dignidade. E quando ela perceber que você, a mulher que ela subestimou, ocupa o lugar que era dela... Ele fez uma pausa dramática. _ O colapso será total para ela e sua família sanguessuga. Caminhei até a mesa. Peguei a caneta que repousava sobre um suporte de cristal. Minha mão tremeu por um segundo, mas a imagem de Gustavo no escritório com ela voltou como um chicote. — Eu quero mais uma coisa. Eu disse, encarando os olhos cinzentos de Victor. — Diga. — Quero que a derrota deles seja lenta. Não os destrua amanhã. Quero que eles sintam o gosto do poder que acham que conquistaram, para que a queda seja de uma altura fatal. Não destrua a empresa da família de Gustavo ainda, não retire o poder total dos Velosos, eu mesma quero fazer isso. Será meu presente para Gustavo. Um brilho de genuína admiração cruzou o rosto de Victor. Pela primeira vez, o sorriso dele pareceu chegar aos olhos, mas era um sorriso perigoso. — Você tem instinto, Isabel. Eu gosto disso. Assinei o documento com firmeza. As letras em preto no papel timbrado selavam o fim da minha vida antiga e o início de uma guerra fria. Victor olhou para o documento e disse. _ Me passe seu número, manteremos contato, volte para sua casa e finja que nada aconteceu e que você nunca esteve aqui hoje. Depois de passar meu número para Victor, eu disse. _ Farei o que você me pede, mesmo sendo difícil ter que encarar aquele crápula do Gustavo. Victor me olhou. — Amanhã meu advogado entrará em contato com você, para lhe entregar uma cópia do nosso contrato e seu pedido de divórcio. Mas só mostre os papéis do divórcio ao seu marido, depois que eu finalizar meu divórcio com Sandra. Prepare-se, Isabel. A partir de agora, o mundo vai olhar para você. E Gustavo... bem, Gustavo vai descobrir que o maior erro da vida dele não foi me trair, mas sim subestimar a mulher com quem ele dormia. Ao sairmos daquela sala, eu não era mais a esposa traída. Eu era o xeque-mate que eles jamais viram chegar. A caçada havia começado. ✨ Ao chegar em casa, o relógio na parede da sala badalou as primeiras batidas da meia-noite quando girei a chave na fechadura. O silêncio da casa, que antes soava como paz, agora me atingia como um golpe surdo. Cada passo que dava pelo corredor parecia ecoar as imagens nítidas que queimavam em minha mente: o escritório de Gustavo, as luzes baixas e a visão devastadora dela nos braços de Gustavo. Não era apenas uma traição carnal; era uma teia de mentiras que envolvia o nosso próprio círculo social, Gustavo contaminou tudo o que construímos. Ver meu marido nos braços da esposa de Victor, seu próprio chefe, foi como assistir a uma peça de teatro de péssimo gosto. A cena transformava nossa realidade em um cenário grotesco de deslealdade, onde o respeito e a hierarquia foram sacrificados em nome de um jogo perigoso que agora ameaçava desmoronar a vida de todos nós. Ao entrar no nosso quarto, o ar parecia rarefeito. Os porta-retratos na cômoda, que antes exibiam nossos sorrisos em viagens de verão, nosso casamento, agora pareciam máscaras de cera. Esse "lar" era agora um museu de memórias mortas, um lugar vazio e gélido que não oferecia mais abrigo, apenas lembranças do que nunca foi real. Me despi mecanicamente e entrei no chuveiro. A água quente misturava-se às minhas lágrimas que insistiam em cair, lavando a sujeira invisível desse dia. Meus olhos, inchados e num tom de vermelho vivo, ardiam sob o vapor. Exausta demais para manter-me de pé, eu desabei na cama. O sono veio rápido, uma fuga biológica para o trauma, mas não trouxe paz. A noite foi povoada por pesadelos.Charles fez uma pausa, e com olhar de deboche, disse.— E fiquei sabendo, que essa mulher era a ex do amante de Sandra. Isso é patético.Dom Camilo, que observava o espetáculo em silêncio absoluto, inclinou-se levemente para a frente. Suas rugas profundas pareciam ainda mais marcadas sob a iluminação do lustre de cristal.— Isso é verdade, Victor? Interveio o patriarca, com a voz pausada e imponente. — Você se casou com essa mulher? Ela é realmente sua esposa?Victor sustentou o olhar do avô sem hesitar por um segundo sequer.— Sim, vovô. É a mais pura verdade. Isabel e eu já estamos casados.Respondeu Victor. Com um movimento calmo e calculado, ele colocou a mão no bolso interno do paletó e retirou um documento dobrado. — Se vocês precisam de provas para acreditar, aqui está a nossa certidão de casamento.Victor estendeu o documento. Dom Camilo o pegou e, com mãos firmes, desdobrou o papel, analisando meticulosamente o selo e o timbrado oficial do cartório.— A Isabel já está mora
O eco dos brindes e das felicitações a Charles e Gabriela finalmente começou a dissipar no ar carregado da sala principal. A atmosfera, embora aparentemente festiva, escondia a rigidez típica dos encontros da família Gouveia, onde cada sorriso era medido e cada olhar, calculado.Acomodado na cabeceira do enorme sofá, o pai de Victor quebrou o silêncio momentâneo. Ele ajeitou o terno com gestos lentos e direcionou o olhar ao filho, num tom que alternava curiosidade e cobrança:— Victor, qual é a sua novidade, meu filho? Estamos todos ansiosos para ouvi-la.Antes que Victor pudesse dar qualquer resposta, um riso soprado e ácido cortou o ambiente. Sophie, prima de Victor, ajeitou a postura e olhou para mim de cima a baixo, deixando transparecer todo o seu desprezo em um sorriso de canto de boca.— Ah, tio... Talvez a grande novidade que o Victor guardou para a família seja novamente sobre a Isabel. Debochou ela, marcando meu nome com desdém. — Mas convenhamos, todos nós já sabemos a hi
O jantar transcorreu em um silêncio quase asfixiante. Os talheres batendo contra a porcelana fina pareciam estalos de tensão prestes a explodir, mas, contra todas as expectativas, nenhum confronto estourou à mesa. Era apenas a calmaria calculada que precede a tempestade.Quando retornamos à sala de estar, a atmosfera pesada nos acompanhou. O ambiente amplo, ornamentado com luxo sob a luz amarelada dos lustres de cristal, parecia pequeno demais para o tamanho dos segredos que flutuavam ali. Dom Carmilo, a verdadeira autoridade da casa, acomodou-se em sua poltrona de couro e pigarreou, quebrando o suspense.— Charles, Victor... Agora que terminamos de jantar e estamos todos devidamente reunidos, creio que seja a hora. Queremos saber qual é a grande novidade que vocês têm para nós.Antes mesmo que Victor pudesse sequer se mover, Charles se levantou com uma pressa quase infantil. Aquele cinismo oportunista estampado no rosto não enganava ninguém. Ele queria a palavra primeiro, queria roub
Ele puxou a jovem ao seu lado pela cintura, expondo-a como um troféu.— ...é Gabriela. Minha namorada.O insulto estalou no ar como um tapa. Meu sangue subiu à cabeça, e os meus lábios se abriram para responder, mas Victor foi mais rápido. Ele se levantou a metade do caminho, a mandíbula tão trincada que os músculos do seu rosto saltaram.— Charles... A voz de Victor baixou uma oitava, tornando-se perigosamente calma. — Creio que a única "qualquer" nesta sala é a mulher ao seu lado. Então meça muito bem as suas palavras antes de voltar a pronunciar o nome de Isabel.Um suspiro coletivo ecoou pelo salão. O ar ficou tão denso que parecia impossível respirar. O confronto físico parecia a um milímetro de acontecer. Antes que Charles desse o troco e o caos se instalasse de vez, a bengala de Dom Camilo bateu com força contra o piso.TOC!— Chega! Vociferou o velho, o olhar faiscando. — Não tolerarei baixarias na minha casa! Eu exigi um jantar de família em harmonia. Guardem a imbecilida
O eco dos nossos passos no mármore polido parecia anunciar algo inevitável. Quando finalmente alcançamos o imenso arco de entrada do salão principal, o mordomo Luiz deteve-se por um segundo, fez uma mesura impecável, impecável demais, como quem esconde o peso do que está prestes a presenciar, e inclinou levemente a cabeça.— Com licença, senhor. Voltarei ao meu trabalho.Murmurou com a voz baixa e neutra de quem já viu ruínas inteiras se erguere e caírem sob aquele mesmo teto.Ele se retirou em silêncio, desaparecendo pelas sombras do corredor. Na sala, porém, ninguém notou sua partida. Nem a nossa chegada.O ambiente estava impregnado pelo cheiro forte de perfumes caros, uísque envelhecido e o zumbido contínuo de conversas banais. A iluminação de cristal do lustre gigantesco projetava luz sobre um cenário que mais parecia um tribunal. Todos pareciam tão entretidos em suas próprias intrigas que éramos invisíveis.Até que Victor deu um passo à frente. Ele pigarreou com firmeza, cortan
Sustentei seu olhar, sentindo o peso do silêncio que nos cercava, e assenti devagar. Minha voz saiu firme, carregada de uma promessa que eu vinha repetindo para mim mesma em frente ao espelho como um mantra de sobrevivência.— Não se preocupe, Victor. Dessa vez, eu não vou te envergonhar.Afirmei, erguendo o queixo, sentindo um arrepio gélido percorrer minha espinha. — Não vou deixar ninguém pisar em mim. Eu vou provar que posso estar à sua altura... a altura da esposa que você precisa ao seu lado.Victor me encarou por um segundo interminável. Seus lábios se curvaram em um sorriso satisfeito, do tipo que calculava cada vitória antes mesmo de entrar no campo de batalha.---Os dias que antecederam o fim de semana pareceram passar como um borrão sufocante.Camila me visitou na mansão e sua empolgação foi total.— Amiga eu amei esse lugar, parece um castelos e você é a rainha.Eu ri da empolgação de Camila. Quando o sábado finalmente despontou, o ar daquela noite parecia pesado, quase







