LOGINEle deu um sorriso sem o menor traço de alegria.
— Quem sou eu? Ele repetiu com um tom gélido. — Eu sou Victor Gouveia. O "marido traído" daquela mulher ali dentro. Fiquei estática. Aquele era o bilionário CEO do Grupo Gouveia. O homem cujo império Gustavo ajudava a administrar como subordinado. — Você... você sabia sobre o caso dos dois? Perguntei, tentando recompor minha dignidade enquanto ajustava meu sobretudo. — Sim, a alguns meses sofri um atentado, e comecei a desconfiar de todo mundo, até da minha esposa, não demorou muito descobri que ela tinha um caso com um colega de trabalho. E isso não é tudo. Abri uma auditoria depois de alguns desvios financeiros nesse ano. A auditoria solicitada tem revelodo fraudes massivas na empresa, com desvios milionários de fundos para contas ocultas no exterior. Mas ainda não consegui provas que o atentado e o desvio do dinheiro foi feito por eles. Disse Victor, mantendo os olhos fixos na porta do escritório. — Seu marido é o Vice Diretor e minha esposa é a Diretora Financeira, não é só a traição conjugal, eles são meus suspeitos número um até o momento. Comecei coletar as provas da traição conjugal, do meu atentado e do desvio financeiro. Ele fixou seus olhos cinzentos nos meus. Havia uma proposta silenciosa ali. Uma aliança forjada no fogo da decepção. — Eles nos tratam como descartáveis. Chegou a hora de nos livrarmos desses dois. Senti a dor ser substituída por uma adrenalina gelada. A Isabel que subiu aquele elevador cheia de amor havia morrido; em seu lugar, algo muito mais perigoso estava nascendo. — Como faremos isso? Perguntei, minha voz agora tão firme quanto a dele. Victor estendeu a mão para mim, um pacto entre dois traídos. — Primeiro, saímos daqui sem que percebam. Depois... nós vamos tirar tudo o que eles mais amam: o status e, finalmente, um ao outro. E se as investigações que estão iniciando sobre os desfalques e o atentado se confirmarem, os dois irão para a cadeia. Depois de deixar o local, Victor me conduziu até a sala da presidência, nunca na minha vida imaginei que teria total acesso aquele setor. A sala do CEO era enorme e com móveis requintados. Victor educadamente me mandou sentar e disse: _ Isabel, eles merecem mais que o divórcio, que tal um acordo entre nós? _ Que tipo de acordo? Victor sorriu e disse: — Um acordo que irá beneficiar a nós dois e destruir aqueles traidores. O primeiro passo é o divórcio. Em seguida, o Grupo Gouveia entra com uma parceria comercial estratégica, libertando você da dependência financeira da família de Gustavo. Depois, introduziremos nossa união ao público. Um relacionamento de fachada, obviamente, respaldado por um contrato estrito que vai lhe garantir vantagens imensuráveis. Eu estava chocada, era muita informação numa noite só. _ Mas o que ganho com esse contrato de mentira? Victor sorriu. _ A ruína lenta de Gustavo e Sandra. Eu achei tudo um absurdo. _ Mas um relacionamento entre nós depois de um divórcio não seria algo que as pessoas comentariam? Victor me olhou com firmeza. _ Deixe que pensem, ninguém terá peito de me contestar. O silêncio na sala da presidência era tão denso que eu podia ouvir o tique-taque metálico do relógio de pulso de Victor. Ele não parecia um homem que acabara de descobrir uma traição; parecia um general movendo peças em um tabuleiro de mármore. — Temos um pacto? Ele repetiu, a voz aveludada mas cortante como uma lâmina. Respirei fundo e disse: — Victor, eu sou apenas uma arquiteta. Gustavo conhece meus passos, minhas fraquezas. Como espera que eu sustente uma farsa desse tamanho ao lado do homem que me conhece como a palma da mão sem que ele perceba o jogo? Victor levantou-se e caminhou até a parede de vidro que revelava a metrópole iluminada. — Gustavo é arrogante e ambicioso Isabel. E a arrogância é o ponto cego dos medíocres. Ele acredita que você está em casa esperando por ele como a mulher obediente que ele está acostumado, mas nunca estratégica. No momento em que você aparecer ao meu lado, o chão vai sumir sob os pés dele. Ele não vai entender se você já estava comigo antes, ou se é uma vingança. Essa dúvida vai corroê-lo por dentro, fazendo-o cometer erros. E nos negócios, erros custam caro. Ele se virou, apoiando-se na mesa de carvalho. — No contrato, você terá uma cláusula de indenização por danos morais que faria qualquer prêmio de loteria parecer esmola. Além disso, o Grupo Gouveia financiará seu próprio escritório. Você não será mais a "esposa de um funcionário". Você será a mulher que o CEO escolheu para está ao seu lado.Ele puxou a jovem ao seu lado pela cintura, expondo-a como um troféu.— ...é Gabriela. Minha namorada.O insulto estalou no ar como um tapa. Meu sangue subiu à cabeça, e os meus lábios se abriram para responder, mas Victor foi mais rápido. Ele se levantou a metade do caminho, a mandíbula tão trincada que os músculos do seu rosto saltaram.— Charles... A voz de Victor baixou uma oitava, tornando-se perigosamente calma. — Creio que a única "qualquer" nesta sala é a mulher ao seu lado. Então meça muito bem as suas palavras antes de voltar a pronunciar o nome de Isabel.Um suspiro coletivo ecoou pelo salão. O ar ficou tão denso que parecia impossível respirar. O confronto físico parecia a um milímetro de acontecer. Antes que Charles desse o troco e o caos se instalasse de vez, a bengala de Dom Camilo bateu com força contra o piso.TOC!— Chega! Vociferou o velho, o olhar faiscando. — Não tolerarei baixarias na minha casa! Eu exigi um jantar de família em harmonia. Guardem a imbecilida
O eco dos nossos passos no mármore polido parecia anunciar algo inevitável. Quando finalmente alcançamos o imenso arco de entrada do salão principal, o mordomo Luiz deteve-se por um segundo, fez uma mesura impecável, impecável demais, como quem esconde o peso do que está prestes a presenciar, e inclinou levemente a cabeça.— Com licença, senhor. Voltarei ao meu trabalho.Murmurou com a voz baixa e neutra de quem já viu ruínas inteiras se erguere e caírem sob aquele mesmo teto.Ele se retirou em silêncio, desaparecendo pelas sombras do corredor. Na sala, porém, ninguém notou sua partida. Nem a nossa chegada.O ambiente estava impregnado pelo cheiro forte de perfumes caros, uísque envelhecido e o zumbido contínuo de conversas banais. A iluminação de cristal do lustre gigantesco projetava luz sobre um cenário que mais parecia um tribunal. Todos pareciam tão entretidos em suas próprias intrigas que éramos invisíveis.Até que Victor deu um passo à frente. Ele pigarreou com firmeza, cortan
Sustentei seu olhar, sentindo o peso do silêncio que nos cercava, e assenti devagar. Minha voz saiu firme, carregada de uma promessa que eu vinha repetindo para mim mesma em frente ao espelho como um mantra de sobrevivência.— Não se preocupe, Victor. Dessa vez, eu não vou te envergonhar.Afirmei, erguendo o queixo, sentindo um arrepio gélido percorrer minha espinha. — Não vou deixar ninguém pisar em mim. Eu vou provar que posso estar à sua altura... a altura da esposa que você precisa ao seu lado.Victor me encarou por um segundo interminável. Seus lábios se curvaram em um sorriso satisfeito, do tipo que calculava cada vitória antes mesmo de entrar no campo de batalha.---Os dias que antecederam o fim de semana pareceram passar como um borrão sufocante.Camila me visitou na mansão e sua empolgação foi total.— Amiga eu amei esse lugar, parece um castelos e você é a rainha.Eu ri da empolgação de Camila. Quando o sábado finalmente despontou, o ar daquela noite parecia pesado, quase
Assim que o café da manhã finalmente terminou, uma refeição em que quase precisei de um mapa para achar os talheres corretos. Victor vestiu seu paletó sob medida, deu aquele aceno sutil e partiu para o todo-poderoso Grupo Gouveia. Eu, por minha vez, peguei minhas coisas e me mandei para o meu escritório de arquitetura, rezando para que a rotina mantivesse meus pés no chão.Pura ilusão, porque a manhã passou feito um furacão implacável.Exatamente no segundo em que sentei para almoçar, o celular na mesa começou a vibrar tanto que quase caiu no chão. O nome na tela? Camila.Atendi e nem deu tempo de dizer “alô”.— ISABEL! MEU DEUS, ISABEL! O grito dela no alto-falante quase estourou meu tímpano direito. — Isabel, eu já me mudei! Estou instalada no apartamento que você me deu! Nossa, amiga, que absurdo é esse?! Isso não é um apartamento, é um palácio! Eu nunca vi tanto luxo na minha vida! Tem torneira dourada, amiga! DOURADA! Eu tô me sentindo a própria herdeira europeia. Vou contrata
O primeiro raio de sol atravessou suavemente a fresta das cortinas, desenhando um feixe dourado sobre o lençol. Abri os olhos bem devagar, sentindo o peso gostoso do sono se dissipar. Estiquei os braços em uma preguiça demorada e, por instinto, deslizei a mão para o lado da cama em busca do calor do seu corpo.Nada de Victor ali.O colchão ao meu lado já estava frio. Victor devia ter se levantado de bem cedo para resolver as intermináveis pendências do Grupo Gouveia. Um pequeno suspiro escapou dos meus lábios. Eu sabia que ele era um homem de negócios, sempre muito ocupado.Esfreguei os olhos com as costas das mãos e me sentei na borda da cama, sentindo o corpo inteiro responder a cada movimento. Havia um cansaço bom, uma dor sutil nos músculos e uma sede imensa. Em um segundo, a lembrança da noite anterior me atingiu em cheio: as mãos dele firme na minha cintura, os sussurros ao pé do ouvido, a intensidade de cada toque. Senti meu rosto arder imediatamente, tomado por uma onda irrepr
Continuamos do mesmo jeito por vários minutos, movendo nossos corpos apenas o suficiente, mas, ao mesmo tempo, parecia completamente longe de ser o bastante. Uma de suas mãos desliza até minha lombar, e a outra vai para a parte de trás da minha cabeça. Ele segura um tanto do meu cabelo e dá uma leve puxada, até minha garganta ficar exposta à sua boca._ Adoro esses seus cabelos longos.Considerando que ele está em vantagem devido à nossa posição. Suas mãos estão livres para perambular por todo meu corpo. Assim que os seus dedos encontram o local exato que normalmente me faria gritar seu nome, seguro seus ombros com mais força e reposiciono os joelhos para ter mais controle sobre meus movimentos.Quero que ele seja tão torturado nas minhas mãos quanto estou sendo nas dele.Assim que me reposiciono e consigo descer ainda mais o corpo sobre o dele, o ritmo lento desaparece. Sua boca encontra a minha num beijo descontrolado e furioso... com mais desejo e força do que qualquer beijo de an







