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CAPÍTULO 2 - VOCÊ ESTÁ SENDO OBSERVADO

Penulis: Barbara Garrett
last update Tanggal publikasi: 2026-03-08 21:55:46

“Dante”

Pego um café expresso fumegante na cozinha e retorno rápido para a minha mesa. Há meses trabalho incansavelmente na implementação do novo sistema que batizei de CyberSky, cuja promessa é integrar segurança, gestão e análise de dados corporativos. Uma verdadeira joia em forma de dados.

O governo federal brasileiro está prestes a abrir a licitação para adquirir um software que controle os dados de todos os cidadãos, e que será uma solução segura para os órgãos governamentais e é óbvio que eu, Dante Vergara, o CEO da BRAINNET, uma potência da tecnologia, vencerei a proposta.

São sete horas da manhã e quem chega na empresa não sabe dizer se eu já estava aqui ou se eu ainda estou trabalhando, a verdade é que eu já não diferencio mais o dia e a noite.

Meus analistas fazem todo o serviço intelectual orientados por mim, no entanto, quando o trabalho deles acaba, o meu começa. Faço um sem número de testes, colocando em cheque a funcionalidade do sistema. E, pelo andar da carruagem, o meu trabalho ou o meu retrabalho, melhor dizendo, está chegando ao fim.

― Já chegou ou ainda está aqui, Dante?

A voz grossa de Frederico ecoa na sala.

Ergo os olhos, tiro os óculos de grau e esfrego o rosto devagar. Frederico é meu amigo desde a época da faculdade de engenharia de software, mas nunca foi um gênio dos computadores como eu. Por consideração e amizade, chamei Frederico e Júlio para serem meus parceiros na empresa que fundei enquanto ainda frequentava os bancos acadêmicos.

― Ainda estou aqui, Fred. ― Respondo com a voz rouca. ― E você? Conseguiu o contato da advogada?

Frederico puxa uma cadeira e senta-se ao meu lado. Ele retira o celular do bolso e mexe nele por alguns minutos.

― Ela chegará em uma hora. A mulher é experiente, mas parece que arrumou alguns inimigos em Brasília.

Aprumo a postura.

― Como assim, inimigos?

Um inimigo é a última coisa que eu quero, ainda mais em Brasília, onde objetivo fechar negócio.

Frederico passa a língua pelos lábios e se inclina para cochichar a fofoca, coisa que ele adora.

― Pelo que me consta e pelas informações que eu obtive, ela é filha do Inácio Souza, um senador bastante influente. Há alguns anos, ela denunciou o próprio pai por corrupção, mas, sabe como é… Não deu em nada e desde então, ela não usa mais o nome do pai, usa o nome da mãe, Mascarenhas.

― Interessante… Isso pode ser bom, meu amigo! Na verdade, é ótimo!

Me animo e dou uns tapinhas no ombro de Fred. Frederico franze as sobrancelhas e estica as costas para trás.

― Como isso pode ser bom? Ela é inimiga do pai!

― Pensa comigo, cabeção. Tem um ditado antigo que diz assim: beije meu filho e adoce a minha boca. Filho é filho, cara! Ela pode ter ficado estremecida com o pai, mas ele… Ele é pai. Vai perdoar a filha, com certeza!

Frederico se levanta e solta.

― Como você pode afirmar isso, cara? Nem filho você tem!

E sai em direção a sua sala.

Me calo. E amargo a realidade que luto para afastar da minha mente. Eu não tenho filhos. E quero tanto. Meu casamento de pouco mais de dois anos acabou por conta disso. Vânia Mendonça, minha ex-mulher, vaidosa e mimada, nunca quis ter filhos por temer perder a boa forma, ter seu tempo livre tomado, entre outras queixas que fazia constantemente.

Toda vez que eu tocava no assunto, ela saía pela tangente. Eu insistia. Água mole em pedra dura, tanto b**e até que fura. Se a gente se amava, mais cedo ou mais tarde, Vânia cederia. Mas não. O que aconteceu foi o extremo oposto.

No nosso segundo aniversário de casamento, resolvi fazer uma surpresa para ela e saí mais cedo do trabalho. Pedi para um restaurante famoso entregar comida japonesa depois das nove da noite, horário em que, segundo meus planos, já teríamos feito amor e estaríamos famintos, felizes e cansados.

Ao abrir a porta de meu apartamento no Leblon, vi sobre o sofá o paletó de meu então amigo Júlio. O que Júlio estaria fazendo em minha casa, àquela hora e sem o meu conhecimento? Algo em meu instinto masculino gritou como um aviso. Balancei a cabeça afastando os pensamentos intrusivos. Júlio era um amigo, um irmão. Sem saber direito o que fazer, segui para o quarto e não havia ninguém na cama. Os lençóis, porém, completamente mexidos. No entanto, o chuveiro da suíte estava ligado. Me aproximei em silêncio e apenas constatei o que temia em meu íntimo. Júlio e Vânia, nus, transando enlouquecidamente dentro do box.

Aquilo foi o suficiente. Fiz questão de ser visto pelos dois. Depois daquele dia, meu casamento acabou, Vânia se mudou para o apartamento de Júlio e a sociedade foi extinta.

― O melhor a fazer, é trabalhar. ― Falo comigo mesmo, como se o trabalho fosse apagar as lembranças que ocasionalmente assombram minha mente.

Viro-me para o meu computador e mergulho nos dados do software ao qual venho me dedicando. Estou imerso em meus pensamentos e em meus cálculos, até que uma notificação de uma mensagem de e-mail pisca na tela.

A mensagem por alguma razão capta a minha atenção e logo clico sobre ela para abri-la.

― Que raio de remetente é esse? hal9000@mailfence.com?

Abro o e-mail ressabiado. Eu, melhor do que ninguém, sei o quanto um malware pode ser letal para os computadores de minha empresa e para os meus softwares. No entanto, ao abrir a mensagem, percebo que não há qualquer link clicável. Apenas uma linha com uma mensagem no mínimo curiosa: “Você está sendo observado”.

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