O Magnata Turco que Dormia em Outro Quarto

O Magnata Turco que Dormia em Outro Quarto

last updateLast Updated : 2026-09-10
By:  Eva BelmontUpdated just now
Language: Portuguese
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Para salvar os negócios de sua família, Leyla Demir aceita se casar com o homem que menos desejava ter como marido. Emir Karahan é um dos magnatas mais poderosos de Istambul. Frio, reservado e acostumado a controlar tudo, ele também não escolheu aquele casamento. Para ele, a união entre as famílias Karahan e Demir é apenas um acordo necessário para proteger seus interesses. Antes da cerimônia, os dois estabelecem algumas regras. Não haverá cobranças. Não haverá interferência na vida pessoal. E, acima de tudo, cada um terá seu próprio quarto. Leyla acredita que será fácil cumprir o acordo. Afinal, Emir deixa claro que não espera amor ou intimidade entre eles. Mas morar sob o mesmo teto começa a mudar tudo. Um café deixado sobre a mesa nas manhãs difíceis. Uma mensagem perguntando se ela chegou bem. Uma mão estendida quando ela mais precisa. Pequenos gestos começam a diminuir a distância entre os dois. Leyla descobre que por trás da frieza de Emir existe um homem marcado por perdas e segredos. E Emir percebe que sua esposa não é a mulher obediente que sua família imaginava. Leyla possui sonhos próprios e não aceita ser tratada como uma peça em um acordo familiar. O que deveria ser apenas um casamento de conveniência começa a se transformar em algo inesperado. Ciúmes surgem onde havia indiferença. Desejo aparece onde deveria existir apenas distância. E sentimentos crescem justamente entre duas pessoas que prometeram não se apaixonar. Quando o prazo do casamento se aproxima do fim, Leyla decide recuperar sua liberdade. Só existe um problema. Emir finalmente descobriu que não quer mais que ela vá embora.

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Chapter 1

Capítulo 1 A Noite que Mudou Tudo

Leyla Demir passou mais tempo diante do espelho naquela noite do que gostaria de admitir.

Não porque estivesse insegura com a própria aparência.

Era porque, pela primeira vez desde que havia se casado com Emir Karahan, ela queria que ele percebesse.

Queria que ele olhasse para ela e entendesse que aquela noite era diferente.

Escolhera um vestido azul-escuro de tecido delicado, elegante sem ser exagerado. Os cabelos estavam soltos sobre os ombros, presos apenas de um lado por uma pequena presilha dourada. Ela havia colocado brincos discretos e um perfume que sabia que Emir gostava.

Quando terminou de se arrumar, olhou para o próprio reflexo e sorriu.

Um sorriso pequeno.

Esperançoso.

Ridículo, talvez.

Mas verdadeiro.

Naquela noite, eles completavam seis meses de casamento.

Se alguém tivesse contado a Leyla, no dia em que assinara os documentos, que ela estaria ansiosa para passar uma noite ao lado de Emir Karahan, provavelmente teria rido.

O casamento havia começado como um acordo.

As famílias haviam decidido.

Eles haviam obedecido.

E, desde o início, tinham estabelecido limites claros.

Quartos separados.

Liberdade individual.

Nenhuma cobrança.

Nenhuma expectativa.

Só que alguma coisa havia mudado.

Não havia acontecido de repente. Fora acontecendo aos poucos, quase sem que Leyla percebesse.

Emir começou a deixar o café pronto para ela quando sabia que teria uma manhã complicada.

Começou a perguntar se ela havia chegado bem quando saía sozinha.

Quando ela ficava doente, ele aparecia com remédios e permanecia por perto, mesmo fingindo que tinha assuntos para resolver.

Quando Leyla teve uma discussão desagradável com um dos diretores da empresa da família, Emir não fez um discurso.

Apenas entrou na sala, colocou-se ao lado dela e disse, com sua voz baixa e firme:

"Minha esposa não precisa pedir permissão para ser ouvida."

Depois disso, ninguém voltou a questioná-la daquela maneira.

Eram pequenas coisas.

Talvez pequenas demais para significarem alguma coisa.

Mas significavam para ela.

Leyla aprendera a esperar pelos pequenos gestos de Emir.

E talvez esse tivesse sido seu maior erro.

Ela pegou o celular sobre a penteadeira.

Nenhuma mensagem.

Olhou para o relógio.

19h42.

Emir havia dito que estaria em casa às oito.

Leyla sorriu sozinha.

Ainda havia tempo.

Ela saiu do quarto e caminhou até a sala.

A mansão estava silenciosa.

As luzes douradas iluminavam os corredores, e uma mesa havia sido preparada para dois perto das grandes janelas. Ela mesma havia pedido que tudo fosse organizado daquela maneira.

Nada extravagante.

Apenas um jantar tranquilo.

Sem familiares.

Sem funcionários circulando.

Sem negócios.

Apenas os dois.

Ela queria conversar.

Queria contar a Emir sobre um projeto que vinha planejando havia semanas.

Queria saber como ele realmente se sentia sobre aqueles seis meses.

Talvez até perguntasse se ele considerava aquele casamento menos estranho do que no começo.

Talvez...

Leyla balançou a cabeça.

Não.

Não criaria expectativas.

Ela havia aprendido que Emir era um homem difícil de decifrar.

E, ainda assim, nos últimos meses, ele tinha se tornado a pessoa que ela procurava quando alguma coisa dava errado.

Isso deveria significar alguma coisa.

Deveria.

Às 20h05, ela mandou uma mensagem.

Leyla:

"Você ainda está vindo?"

A mensagem foi entregue.

Nenhuma resposta.

Ela colocou o celular sobre a mesa.

Esperou.

20h18.

Nada.

20h31.

Nada.

Leyla tentou não se incomodar.

Talvez tivesse surgido uma reunião.

Talvez algum problema na empresa.

Talvez...

20h47.

Ela pegou o celular novamente.

Leyla:

"Está tudo bem?"

Dessa vez, nem mesmo tentou esconder a preocupação.

Emir não costumava desaparecer daquele jeito.

Ele podia ser reservado. Podia ser frio. Podia passar horas trabalhando sem perceber o tempo.

Mas sempre avisava.

Sempre.

Leyla ficou olhando para a tela.

A última vez que ele havia saído sem dizer nada, tinha enviado uma mensagem dizendo que chegaria tarde.

Era assim que ele cuidava dela.

Sem declarações.

Sem palavras bonitas.

Mas cuidava.

Por isso, ela havia permitido que seu coração baixasse a guarda.

Por isso aquela noite parecia tão importante.

Ela queria acreditar que talvez Emir também tivesse percebido.

20h56.

O telefone vibrou.

Leyla sorriu imediatamente.

"Finalmente."

Pegou o aparelho.

Mas não era uma mensagem de Emir.

Era uma fotografia recebida de um número desconhecido.

O sorriso desapareceu.

Ela abriu a imagem.

E ficou imóvel.

Durante alguns segundos, não conseguiu compreender o que estava vendo.

Emir estava em um hospital.

Usava uma camisa preta, as mangas dobradas até os antebraços. O cabelo estava desalinhado, como se tivesse passado horas naquele lugar.

Mas não era isso que fez o coração de Leyla parar.

Era a mulher em seus braços.

Uma mulher jovem, de cabelos castanhos, estava encostada contra o peito dele.

Os braços dela envolviam a cintura de Emir.

E ele a segurava com força.

A cabeça dela repousava sobre o peito dele.

A expressão dos dois era íntima demais.

Próxima demais.

Na fotografia, Emir olhava para aquela mulher de uma maneira que Leyla nunca havia visto.

Havia preocupação.

Havia carinho.

Havia uma ternura que doeu mais do que qualquer palavra poderia doer.

Leyla ampliou a fotografia.

O fundo mostrava claramente um corredor de hospital.

Ao lado da mulher havia uma cadeira de rodas.

Mas nada disso conseguiu acalmar sua mente.

Por que Emir estava ali?

Quem era aquela mulher?

Por que ele não havia contado?

Por que havia desaparecido justamente naquela noite?

E, principalmente...

Por que alguém enviaria aquela fotografia para ela?

Seu dedo tremia sobre a tela.

Ela abriu a conversa.

Nenhum texto.

Apenas a fotografia.

Leyla voltou para a imagem.

Observou o rosto de Emir.

Aquele era o mesmo homem que, semanas antes, havia colocado um casaco sobre seus ombros quando ela adormeceu no sofá.

O mesmo homem que tinha enviado uma mensagem perguntando se ela havia tomado café antes de sair.

O mesmo homem que ficara acordado até tarde quando ela estava com febre.

O mesmo homem que parecia se importar.

Ou pelo menos era isso que ela havia escolhido acreditar.

Seu peito apertou.

Ela tentou encontrar uma explicação.

Talvez aquela mulher fosse alguém da família.

Talvez estivesse doente.

Talvez...

Mas por que o abraço parecia tão íntimo?

Por que Emir não tinha contado?

Leyla abriu a conversa com ele.

O último contato continuava sendo a mensagem que ela havia enviado.

Nenhuma resposta.

Ela digitou:

Leyla:

"Emir, onde você está?"

Apagou.

Escreveu novamente.

Leyla:

"Quem é ela?"

Apagou outra vez.

Os olhos começaram a arder.

Ela odiava aquela sensação.

Odiava estar esperando uma resposta de alguém que claramente não tinha considerado necessário explicar onde estava.

Então percebeu algo.

Não era apenas a fotografia que estava machucando.

Era a expectativa.

Ela esperava que aquela noite significasse alguma coisa.

Esperava que Emir aparecesse pela porta.

Esperava que ele se sentasse diante dela.

Esperava que dissesse alguma coisa capaz de confirmar que aqueles seis meses haviam significado para ele pelo menos uma pequena parte do que significaram para ela.

Agora, olhando para aquela fotografia, percebeu o quanto havia se deixado envolver.

Ela tinha começado a aceitar os cuidados dele como se fossem promessas.

Tinha confundido atenção com sentimento.

Proteção com amor.

Companheirismo com escolha.

Talvez Emir nunca tivesse prometido nada.

Talvez ela tivesse criado tudo sozinha.

O celular vibrou novamente.

Leyla olhou.

Outra mensagem do mesmo número desconhecido.

Dessa vez, havia apenas uma frase:

"Acho que você merece saber com quem seu marido realmente está."

O sangue pareceu desaparecer de seu rosto.

Ela encarou aquelas palavras durante longos segundos.

Depois voltou para a fotografia.

Algo dentro dela se partiu.

Não houve grito.

Não houve lágrimas imediatas.

Apenas um silêncio profundo.

Leyla olhou para a mesa preparada para dois.

As velas ainda estavam acesas.

A comida começava a esfriar.

Duas taças permaneciam sobre a mesa.

Ela havia imaginado Emir entrando pela porta, sorrindo discretamente ao vê-la.

Agora não conseguia sequer olhar para aquela mesa.

Levantou-se devagar.

Apagou uma das velas.

Depois a outra.

O jantar poderia ser jogado fora.

As flores poderiam ser retiradas.

Aquela noite poderia desaparecer.

Mas ela não conseguiria apagar a sensação que aquela fotografia havia deixado.

Leyla pegou o celular e abriu novamente a conversa com Emir.

Dessa vez, não escreveu perguntando onde ele estava.

Não perguntou quem era a mulher.

Não exigiu explicações.

Apenas digitou:

Leyla:

"Espero que ela fique bem."

Ficou olhando para a mensagem.

Era tudo.

Sem acusações.

Sem lágrimas.

Sem perguntas.

Antes de enviar, hesitou.

Uma parte dela ainda queria esperar.

Ainda queria acreditar.

Ainda queria que Emir ligasse e explicasse tudo.

Mas outra parte, aquela que havia sido ferida naquela noite, sabia que alguma coisa precisava mudar.

Ela enviou.

Em seguida, bloqueou o celular.

Leyla respirou fundo.

Se Emir quisesse explicar, encontraria uma maneira.

Mas ela não correria atrás dele.

Não daquela vez.

Ela havia passado meses aprendendo a conviver com um homem que mantinha o coração fechado.

Agora era a vez dela.

Subiu as escadas lentamente.

Parou diante da porta do quarto de Emir.

Ficou olhando para ela durante alguns segundos.

Aquele quarto havia sido uma fronteira entre os dois desde o casamento.

Naquela noite, aquela porta parecia representar muito mais.

Leyla deu um passo para trás.

"Chega."

A palavra saiu baixa.

Quase um sussurro.

Mas foi suficiente.

Ela entrou em seu próprio quarto, retirou os brincos, soltou os cabelos e deixou o vestido escuro cair sobre a poltrona.

Depois ficou diante do espelho.

Os olhos estavam vermelhos.

Mas não choraria.

Não por ele.

Não por uma fotografia.

Não por alguém que sequer havia considerado importante explicar sua ausência.

Leyla pegou o celular novamente.

Abriu a conversa com Emir.

A última mensagem continuava sem resposta.

Ela olhou para ela uma última vez.

Então tomou uma decisão.

A partir daquela noite, não importava mais o quanto Emir cuidasse dela.

Não importava quantos cafés deixasse sobre a mesa.

Não importava quantas vezes perguntasse se ela estava bem.

Não importava quantas vezes a protegesse.

Ela não permitiria que pequenos gestos voltassem a enganar seu coração.

Se Emir queria viver aquela vida longe dela, ela respeitaria.

Mas não continuaria oferecendo sentimentos a um homem que aparentemente tinha alguém ocupando um espaço que ela jamais havia conseguido alcançar.

Leyla colocou o celular na mesa de cabeceira.

Deitou-se.

Virou-se para o lado oposto da porta.

E fechou os olhos.

Naquela noite, enquanto o homem que havia se tornado seu marido permanecia em algum lugar de Istambul ao lado de outra mulher, Leyla tomou uma decisão silenciosa.

Ela não deixaria de ser esposa de Emir Karahan naquela noite.

Mas deixaria de ser a mulher que esperava por ele.

Seu casamento continuaria existindo.

Seu coração, não.

Pelo menos era isso que ela prometeu a si mesma.

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