Beranda / Urbano / CONTRATO DE 180 DIAS - O PRAZO DO AMOR / CAPÍTULO 5 - ARQUIVO CORROMPIDO

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CAPÍTULO 5 - ARQUIVO CORROMPIDO

Penulis: Barbara Garrett
last update Tanggal publikasi: 2026-03-17 20:19:37

"Dante"

Estou no meio da conversa com a Sophia, quando o Fred escancara a porta da copa e anuncia em alto e bom som que deu merda no Cybersky.

Ele nem menciona o sistema, mas pelo tom de voz e pelo olhar assombrado, é o suficiente para me colocar em alerta.

— Com licença, doutora Sophia. — Digo em voz baixa.

Me levanto rápido e sigo Fred, que ainda faz menção de dizer algo para a advogada, mas vendo minha agitação sai na minha frente em direção à própria sala.

— Vamos Fred. Me fala o tamanho da merda.

A sala do Frederico é inegavelmente bem mais organizada que a minha. Uma mesa, duas cadeiras e um laptop. Sinceramente, não entendo como um ser humano consegue ser tão desapegado assim.

Fred só abre o sistema. E... nada acontece. Ele tenta uma, tenta duas, tenta três vezes. A resposta é sempre a mesma. Um bip. Uma mensagem de erro.

— Aconteceu logo após a queda de energia. — Diz e fica quieto olhando para a tela que mostra o sistema bugado.

Eu tiro os óculos do rosto e aperto o espaço entre os olhos por alguns instantes. Se controla, Dante. Você tem visita na empresa. Foi um caso fortuito. Não é culpa de ninguém. Você é um resolvedor de problemas.

— Tá tudo bem, Dante? — Fred balbucia.

Ponho os óculos no lugar. Solto o ar pelo nariz fazendo barulho.

— Tudo certo, Fred. Vamos resolver isso agora.

Me levanto deixando Fred para trás e retorno para o andar dos desenvolvedores. Todos concentrados em seus computadores no desafio de colocar o Cybersky pra funcionar. Pego uma cadeira de rodinhas e a faço deslizar até a mesa do Renato, nosso analista mais novo.

— Essa queda de energia foi estranha, Dante.

Apuro meus ouvidos.

— Fala comigo.

Renato dá de ombros.

— Só acho. Não faz muito sentido. Segunda-feira de sol, manhã, e do nada vem uma queda de energia, justamente no meio dos testes?

E fica quieto. Não insisto para que continue. Ainda sentado, deslizo a cadeira pela sala até a mesa do Mark, o mais velho e experiente dos desenvolvedores. O homem de quase dois metros de altura e mentalidade de adolescente me olha de rabo de olho e continua seu trabalho.

— Encontrou alguma solução, Mark?

Ele rosna uma resposta.

— Estou tentando entender o problema primeiro, Dante.

Bem, pelo visto, preciso me recolher ao meu covil e debruçar sobre meu computador para resolver o problema do arquivo corrompido.

— Dante, vem cá.

A voz rouca e grave acompanhada de cheiro de cigarro me desconcentram.

— Fala Sílvia. O que foi? Esse café é pra mim?

A minha secretária está de pé ao meu lado segurando um copo plástico repleto de café fumegante.

— Vai sonhando. — Ela aponta o polegar com unha longa e vermelha para a copa.

— Muito mal educado de sua parte deixar a advogada lá plantada igual uma trouxa.

— Puta merda — Dou um tapa na testa. Faço menção de me levantar, mas Sílvia faz que não com o indicador duro em minha direção.

— Ela já foi. Fiz companhia para a pobre enquanto você cheira o cangote desses machos. 

Abusada.

— Sílvia! — Mas ela sai de perto sem me dar atenção. Coço minha barba por fazer e volto para a minha sala. Por alguns instantes me sinto mal pela Sophia, por tê-la deixado sozinha tomando café. Mas ela é advogada, deve estar acostumada a correria e imprevistos. Estalo meu pescoço e mergulho no Cybersky.

A primeira coisa que eu faço é depurar o código fonte. Isso fará com que eu consiga visualizar os erros que porventura aconteceram no Cybersky.

Não é um trabalho rápido nem fácil. E agora, me vem o Júlio à mente. Ele seria o sujeito que descobriria fácil o que fazer. Não que ele tivesse uma genialidade como a minha, mas o cara é malandro, do tipo que consegue pescar no ar o que pode vir a ser uma ameaça.

E foi por causa da malandragem dele que eu fui traído. Sinceramente, às vezes eu sinto raiva de mim por ter confiado tanto, nele e na Vânia.

— Quer saber? Vou tomar um café.

Me levanto para ir à copa quando Sílvia abre a porta da minha sala com um sorriso malévolo. Ela traz uma bandeja com duas xícaras enormes de café.

— Senta que eu quero falar contigo, moleque.

Sílvia está comigo desde que abri a empresa e ela já viu muita coisa acontecer aqui dentro. Ela é prima da minha mãe, e sempre me tratou como um sobrinho.

— Parece que tem alguém adivinhando meu pensamento.

A secretária coloca a minha xícara sobre a mesa com cuidado e se senta na cadeira confortável diante de mim. Ela sorve um gole do café e fica séria.

— Você sabe que estão querendo te sacanear, não sabe?

Inclino meu corpo para a frente e seguro minha cabeça com a mão.

— Por que você está me dizendo isso, Sílvia? O que você sabe que eu não sei?

Sílvia coloca a xícara sobre o pires fazendo um tilintar seco.

— Olha, Dante, eu passo o dia inteiro neste escritório e sei que a maioria dos empregados adora você. Mas você sabe que tem uma pessoa aqui que eu tenho o pé atrás.

Cruzo meus braços.

— O Fred, né?

Ela olha para o lado e faz uma careta.

— Você adora fazer caridade, Dante. Ele fica o dia inteiro coçando o saco. Não enxerga isso não?

Solto um longo suspiro.

— Ele é meu amigo, Sílvia. Dos tempos da faculdade. É meio que um compromisso que eu tenho com ele.

Sílvia pega a xícara e toma o restante do café de um gole só.

— Você é muito bom, Dante. E muito bobo também. Se eu fosse você, ficaria de olho nele. Eu não confio. O Carlos Alberto virá aqui comigo no final de semana para verificar a instalação de energia. Eu arranco as minhas unhas se essa queda de energia não foi proposital.

Franzo as sobrancelhas ao imaginar a cena.

— Pelo jeito você está certa disso. Me deixe a par de tudo o que ele encontrar.

Silvia pega as xícaras e se prepara para sair quando interrompe seus passos e olha para mim de um jeito mais gentil.

— Eu gostei da doutora Sophia.

Coço minha sobrancelha.

— Eu acho que ela pode ser útil para a empresa. — Respondo seco.

Sílvia sacode a cabeça para os lados.

— Para de ser lerdo, Dante. A mulher é linda, chique e inteligente. Não acha que tá na hora de superar aquela mulherzinha vulgar, não?

Viro os olhos e volto para o computador.

— Sílvia, não se mete nisso. E obrigado pelo café.

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