LOGINNatasha Sullivan é uma jovem brasileira de 25 anos que carrega no peito um segredo e um amor não correspondido. Há três anos, ela finge ser noiva do magnata americano Thorne Sullivan — um acordo frio para acalmar os dias finais do avô moribundo do empresário. Ela é grata por ele tê-la salvo de um ataque brutal, mas a gratidão a prendeu em uma jaula dourada de humilhações e silêncio. Enquanto Natasha cuida do avô de Thorne com devoção genuína e enfrenta o preconceito da família Sullivan, seu coração se parte a cada dia. Ela ama Thorne, mas ele a trata como um móvel na mansão: frio durante o dia, ardente apenas nas noites em que a procura no escuro. Quando Terry Riard, a ex-namorada modelo que o deixou no passado, volta dos Estados Unidos para reconquistá-lo, o frágil equilíbrio de Natasha se despedaça. Terry está determinada a recuperar seu lugar, inclusive humilhando Natasha a cada oportunidade. Em meio à competição silenciosa entre as duas mulheres, um segredo ameaça explodir: Natasha está grávida de Thorne. Mas como revelar isso quando o homem que ama está dividido entre o passado e o presente? Quando a própria família Sullivan conspira para expulsá-la?
View MoreO quarto do avô de Thorne cheirava a lavanda e remédios. Natasha ajustou o travesseiro atrás das costas do idoso com a mesma delicadeza com que arrumava as flores que sempre trazia para alegrar o ambiente. O senhor Sullivan, com seus olhos cansados, mas ainda brilhantes, apertou a mão dela com a pouca força que lhe restava.
"Minha menina", ele sussurrou, a voz rouca, mas carregada de afeto. "Você sempre cuida de mim melhor do que qualquer enfermeira. Não sei o que faria sem você."
Natasha sorriu, sentindo o calor daquele carinho genuíno. O avô de Thorne era a única pessoa naquela família enorme que a tratava como mais do que uma estranha. "O senhor sabe que eu gosto de cuidar do senhor, vovô. É meu prazer."
Ele riu, um som fraco, mas sincero. "Sabe, quando Thorne me disse que ia se casar com você, eu fiquei preocupado. Pensei que ele estava fazendo aquilo só para me agradar, já que estou com os dias contados. Mas quando vi o brilho nos seus olhos, quando percebi como você é doce, entendi que ele tinha feito a melhor escolha da vida."
Natasha sentiu o sorriso congelar no rosto por um instante, mas se recuperou rápido. Ela não podia deixar transparecer a verdade. Não para ele. O senhor Sullivan estava doente, muito doente, e seu maior sonho era ver o neto mais velho, o herdeiro da família, finalmente assentado com uma boa mulher.
Havia três anos que Thorne a havia pedido em noivado. Três anos de segredo. Três anos de mentiras. Natasha sabia a verdade: Thorne não a amava. Ele a pedira em noivado por uma única razão: para dar ao avô moribundo a paz que ele tanto desejava. E também, talvez, para se vingar de Terry, que o havia deixado para seguir carreira como modelo na Europa.
Ela era apenas uma peça no tabuleiro de Thorne. Uma peça útil. Uma peça descartável.
Apertou a mão do idoso com mais força. "O senhor não precisa se preocupar comigo, vovô. Eu cuido de Thorne, e ele cuida de mim. Somos felizes."
Mentira. Mas algumas mentiras eram necessárias. E essa, em particular, era para proteger o coração frágil daquele homem bondoso que a tratava como neta.
"Você é uma bênção, Natasha", ele disse, fechando os olhos. "Uma bênção que Deus mandou para esta família. Não importa o que os outros digam, você é mais Sullivan do que qualquer um deles."
Ela beijou a testa enrugada dele, sentindo as lágrimas ameaçarem surgir. "Descanse agora. Amanhã volto para tomar café com o senhor."
O senhor Sullivan já estava quase dormindo quando ela apagou a luz, deixando apenas o abajur aceso. Fechou a porta devagar, encostou a testa na madeira e respirou fundo.
Três anos.
Quando Thorne a salvou naquela noite no restaurante, ela pensou que tinha encontrado um príncipe encantado. Ele tinha aparecido como um anjo, quebrando garrafas e afastando os homens bêbados que tentaram abusar dela. Depois, a levou para casa, pagou seu tratamento, e ofereceu um emprego melhor em sua rede de restaurantes. Ele foi seu salvador.
Ela se apaixonou, claro. Como não se apaixonar por alguém que te salva da escuridão? Mas Thorne nunca a olhou com desejo. Com gratidão, talvez. Com respeito profissional. Mas nunca com amor.
Então, um dia, ele a chamou em seu escritório e disse: "Natasha, preciso te pedir um favor. Meu avô está morrendo. Ele quer me ver casado. Você pode fingir ser minha noiva?"
Ela aceitou. Como poderia recusar? A dívida que tinha com ele era maior do que qualquer orgulho. E, no fundo, uma parte ingênua de seu coração acreditava que, com o tempo, ele aprenderia a amá-la.
Mas três anos depois, Thorne ainda a tratava com a mesma frieza educada. Ele tolerava seus cuidados, aceitava seus presentes, comia a comida que ela preparava. Mas nunca a tocava com carinho. Nunca olhava nos olhos dela por mais de alguns segundos. Nunca perguntava como tinha sido seu dia.
Ela era invisível. Uma funcionária que morava na casa dele. Uma noiva de mentira.
Natasha desceu as escadas da mansão Sullivan, passando pela sala de jantar onde o resto da família ainda bebia vinho e fofocava sobre quem iria herdar o quê. A tia-avó Eleanor a olhou com desdém, como sempre.
"Já foi cuidar do velho?", perguntou, a voz cheia de sarcasmo. "Que dedicada. Não é à toa que Thorne a mantém por perto. Você é ótima babá."
Ignorando a provocação, Natasha foi até a cozinha. Pegou o embrulho que havia escondido atrás da geladeira, cuidadosamente embrulhado em papel de seda azul. Dentro, um cachecol de lã. Ela mesma tricotou, durante horas, com as cores favoritas de Thorne: cinza e preto. Ele nunca usava cachecóis, mas ela sabia que ele sentia frio nos dias de inverno rigoroso de Nova York. Era um gesto pequeno, talvez bobo. Mas era o que ela podia oferecer. Mais um gesto de amor não correspondido.
A porta da frente se abriu com um estrondo.
Thorne entrou, e Natasha sentiu o coração disparar, como sempre acontecia quando ele estava perto. Ele vinha acompanhado. Não apenas dos amigos de negócios que sempre traziam para jantares improvisados.
Havia uma mulher agarrada ao seu pescoço.
Loira. Alta. Vestido vermelho curto, salto agulha. Ela ria, os braços envoltos no pescoço de Thorne, seus lábios próximos ao ouvido dele, sussurrando algo que o fez sorrir.
Natasha reconheceu aquela mulher instantaneamente. As fotos no quarto de Thorne, escondidas na gaveta da mesa de cabeceira, que ela encontrou sem querer enquanto arrumava suas camisas.
Terry.
Simone desligou o telefone e soltou um longo suspiro.A conversa com Thorne Sullivan fora mais longa do que esperava e, sobretudo, surpreendentemente sincera.Ele reencontrara Natasha no Brasil.Até aí, Simone já desconfiava. O que não esperava era o restante.Thorne descobrira que tinha filhos com a antiga noiva e, se tudo corresse como pretendia, iria se casar com ela.Filhos.Simone continuou olhando para a tela apagada do celular, tentando assimilar a informação.Havia mirado na rival errada.Desde o início, preocupara-se muito mais com Terry. A modelo sofisticada morava na mesma casa de Thorne, tinha um passado com ele e uma intimidade difícil de ignorar. Natasha, por outro lado, não passava de uma antiga noiva de contrato que desaparecera havia anos.Ou era o que Simone pensara.Aparentemente, aquela brasileira fora muito mais importante para Thorne do que ele deixara transparecer.Recostou-se no banco traseiro do Cadillac Celestiq enquanto o carro avançava pelas ruas de Nova Yo
Terry entrou na mansão carregada de sacolas e parou ao encontrar Eleanor no corredor, dando ordens para que um dos maiores quartos fosse completamente esvaziado.Não parecia uma simples reforma.Havia uma agitação incomum na casa."O que está acontecendo?"Eleanor virou-se para ela com uma satisfação que Terry não gostou nem um pouco."Estou mandando preparar este quarto.""Para quem?""Para os meus netos."Terry sentiu os dedos apertarem as alças das sacolas."Seus... netos?""Três."O corredor pareceu estreitar ao redor dela."Eu não sabia que você tinha netos.""Nem eu, até alguns minutos atrás."Eleanor pegou o celular e abriu uma fotografia.Terry olhou.Três crianças.Dois meninos e uma menina.O coração começou a bater tão depressa que ela teve dificuldade para respirar.Não.Não podia ser."São filhos de quem?"Eleanor lançou-lhe um olhar impaciente."De Thorne, obviamente."Uma das sacolas escorregou da mão de Terry e bateu no chão.Eleanor observou-a."Qual é o problema?""N
Eleanor abriu o arquivo enviado pelo filho ainda contrariada.Esperava encontrar algum documento, talvez algo relacionado à razão pela qual Thorne decidira prolongar sua permanência no Brasil. Em vez disso, três crianças apareceram na tela.Dois meninos e uma menina.Eleanor aproximou o celular do rosto.Seus olhos passaram rapidamente pelos meninos, mas pararam na garota.Alguma coisa naquela criança a perturbou.O formato do rosto. Os olhos. Principalmente a expressão.Seu coração deu uma batida estranha."Quem são essas crianças?"Do outro lado da linha, a resposta de Thorne veio tranquila."São seus netos, mãe."Eleanor ficou muda."Mãe?"Ela continuou sem responder."Mãe, você está bem?""Netos?", finalmente repetiu."Sim.""Os três?""São trigêmeos."Eleanor voltou a olhar para a fotografia.Três.Tinha três netos.Uma emoção inesperada tomou conta dela."Finalmente eu sou avó! Já estava perdendo as esperanças."Thorne não aguentou e caiu na risada. Ele parecia tenso no inicio d
"Você é a mãe dos meus filhos. Então iremos nos casar, obviamente."Depois de dizer aquilo em voz alta, Thorne percebeu o quanto tudo parecia certo.Não se tratava apenas das crianças.Deveria ter sido assim desde o momento em que, ainda nos Estados Unidos, finalmente admitira para si mesmo que gostava de Natasha. Talvez, se ela não tivesse desaparecido, tivessem chegado àquele ponto muito antes. Agora, sabendo que tinham três filhos juntos, a ideia de formarem uma família lhe parecia ainda mais natural.Natasha, porém, continuava estática."Você quer casar comigo...""Sim.""Não com Terry?"Thorne quase suspirou.Curiosamente, estava muito mais calmo agora. Depois de anos de confusão, seus sentimentos pareciam finalmente organizados.Aproximou-se e colocou a mão sobre o ombro dela."Deixe-me explicar uma coisa para encerrarmos de vez esse assunto de Terry."Natasha não se afastou, mas continuou desconfiada."Eu gostei muito dela quando era mais jovem. Muito mesmo. Quando Terry decidi






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