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POV/ LORENZOEthan ergueu os olhos.Os Moretti não tinham autorizado o transporte de mulheres. Leopoldo tinha escondido vítimas entre cargas que passavam por estruturas usadas nos negócios deles. Agora, depois das mensagens e da voz de Yuri, precisávamos rever o quanto ele sabia e o que pretendia continuar fazendo.Os papéis não diziam aquilo abertamente.Também não explicavam por que tentaria matar as próprias filhas.Empurrei uma folha para perto de Dominic.— Ele precisava de vocês para conseguir isso.— Precisava do acesso — meu irmão respondeu.Ethan ficou alguns segundos olhando para a mesa.— E agora precisamos descobrir o que ele achou que ganharia com a nossa morte.Dominic largou a folha.Seu rosto estava marcado pela poeira e pelo cansaço. A compressa em sua mão tinha começado a manchar de novo.— Eu vou matar ele.Ethan sustentou seu olhar.— Eu vou te ajudar.Fiquei sentado entre os dois, ouvindo aquelas palavras.Quis dizer a mesma coisa, mas a imagem que veio foi Antone
POV/ LORENZOO homem assentiu.— Eu já falei com meu chefe. Foi um serviço…— O quê? — perguntei, aproximando-me. — Que serviço?Ele tentou responder, mas mudou a versão quando Ethan citou o horário de saída.A primeira mentira me fez agarrar sua camisa.— Minha mulher está no hospital.Dominic segurou meu pulso.— Deixa ele falar.O funcionário começou a negar que soubesse de qualquer problema. Ethan colocou os registros diante dele e apontou a diferença entre o chamado recebido pela empresa e o que ele tinha dito.O homem baixou os olhos.Acertei seu rosto.Ele bateu contra uma bancada e levou as mãos à boca. Fui atrás, mas Dominic entrou entre nós.— Lorenzo.Tentei passar por ele.— Você estava lá! — gritei para o homem. — Viu as crianças entrando? Viu minha mulher?O funcionário começou a chorar. Dizia que não queria, que não podia ter recusado.Eu só conseguia olhar para suas mãos.Eram mãos limpas. Não tinham o sangue de Antonella, não tinham poeira debaixo das unhas de tentar
POV/ LORENZOOlhei para as portas.Eu ia sair deixando Antonella, Sienna e Cassian ali.O pensamento me fez dar um passo na direção do corredor. Parei sem saber o que pretendia fazer. Não me deixariam entrar, e eu não tinha uma resposta para oferecer se perguntassem do que precisava.Uma profissional do hospital se aproximou depois da discussão. Pediu que baixássemos a voz e olhou para minha boca, depois para a testa de Aléssia.— Vocês já receberam atendimento?Ninguém respondeu de imediato.Dominic se voltou para a mulher.— Minha esposa machucou a cabeça. Precisa ser examinada.Aléssia começou a protestar, mas ele segurou sua mão.— Por favor.A profissional também observou Elizabeth.— A senhora estava na ocorrência?Minha cunhada assentiu.— Vamos avaliar vocês.Dominic explicou que as duas tinham passado mal antes da festa e pediu que relatassem isso ao médico, inclusive o que tinham comido. A profissional ouviu e disse que começariam pela avaliação clínica e dos ferimentos.Fiq
POV/ ALESSIALorenzo deu um passo.— Sou o marido dela.Eu segurava a mão de Dominic quando a médica começou a explicar.Tinham realizado uma cesariana de emergência. O trauma provocou um descolamento da placenta, comprometendo a oxigenação de Sienna. Os cirurgiões retiraram o fragmento e conseguiram controlar o sangramento de Antonella.— Elas estão vivas? — Lorenzo perguntou.— Estão — a médica respondeu. — Mas continuam em estado grave.Meu cunhado levou a mão ao peito.— A menina nasceu prematura e precisou de ajuda para respirar. Está sendo encaminhada à UTI neonatal. A equipe vai acompanhar também os efeitos da falta de oxigênio antes do nascimento.Ethan se aproximou mais.— E minha irmã?— Perdeu muito sangue. Terminamos a cirurgia, mas ela precisa de cuidados intensivos e monitorização contínua. As próximas horas, especialmente as primeiras vinte e quatro, serão importantes para avaliarmos a resposta ao tratamento.Lorenzo passou a mão pelo rosto.— Então vocês conseguiram sa
POV/ ALESSIAEle parou para escutar. Sua mão livre estava fechada junto à perna.Não recebeu a resposta que esperava. Desligou, tornou a ligar e se afastou antes que eu conseguisse perguntar qualquer coisa.Mais ambulâncias entraram na propriedade. Uma equipe organizou os feridos no pátio, enquanto os bombeiros continuavam retirando pessoas do salão.Vi uma maca sair coberta.Depois outra.Quando uma mulher tentou alcançar a segunda, alguém precisou segurá-la. O grito dela me fez parar com uma toalha nas mãos.Baixei os olhos e continuei andando.Entreguei o tecido a uma socorrista, que me pediu para deixar o espaço livre. Obedeci e voltei para perto de Elizabeth.Minha irmã estava ajudando uma senhora a se sentar. Ajoelhei-me para afastar um pedaço de vidro perto de seus pés e só então percebi que minha mão também estava sangrando.Jonas me encontrou ali.— Precisa deixar alguém olhar sua cabeça.— Depois.Ele olhou para o pano que eu tinha abandonado sobre uma cadeira.— Aléssia.Pe
POV/ DOMINICEu tinha ensinado aquele menino a caminhar. Tinha segurado seu corpo pequeno quando acordava chorando, levado comida, trocado fraldas e esperado que parasse de reclamar para conseguir dormir também.Não sabia lembrar qual palavra veio primeiro. Lembrava da voz, da insistência com que me chamava e da mão puxando minha roupa para conseguir atenção.Ele sempre conseguiu.Agora eu daria qualquer coisa para ouvi-lo outra vez.— Pode me chamar — pedi. — Pode pedir qualquer coisa. Eu faço.As lágrimas atrapalhavam minha visão. Balancei a cabeça para afastá-las, mas outras caíram sobre o peito dele.O profissional pediu uma nova avaliação. Precisei soltar.Fiquei parado com as mãos suspensas, esperando.Ele procurou o pulso, conferiu o monitor e voltou a olhar para Cassian.Meu irmão continuava sem responder.— Não — falei, antes que alguém dissesse alguma coisa. — Não acabou.Tentei me aproximar novamente. A mulher segurou meu ombro, mas eu já estava chorando de um jeito que não







