FAZER LOGINAlgumas pessoas começaram a dançar. Inclusive o diretor Müller, que mexia todo o seu corpo, como aqueles bonecos infláveis que ficam na frente das lojas, quando há descontos, chamando a atenção das pessoas.
Esther observou de longe Fogueira atravessar a porta de entrada. Ele parou, olhando para todos os lados antes de bater seus olhos na garota. Ela percebeu. Ele estava indo em sua direção.
— Oi! Esther. — O sorriso dele se mistura às palavras, ecoando aos ouvidos da garota.
— Oi! — Aquela palavra saiu arrastada, enquanto ela pensava no encontro inesperado de hoje mais cedo.
Ela pensou por dois segundos antes de continuar a conversa com uma pergunta que não se encaixava muito bem:
— De boas com seu pai?
Fogueira respirou profundamente estampando um sorriso a fim de evitar o nervosismo.
— Ele é um homem de poucas palavras. — O garoto balbuciou as palavras, trocando de assunto em seguida. — O pessoal caprichou na decoração. Tá simplesmente incrível!
Esther deu uma olhada ao redor mais uma vez.
— Sim, verdade. — Ela disse, olhando para a mesa com bebida antes de questionar. — Quer uma bebida?
— Claro. Do que será? — Indagou, já fuçando a mesa.
— Não tenho certeza. — Não, naquele momento ela não queria se abaixar e cheirar a bebida. Definitivamente não.
— Ah! É maçã verde. — Fogueira disse, servindo um copo para ela.
— Obrigada. — Agradeceu.
— Sabe, isso é puro açúcar, mas é ótimo. — Ele respondeu rindo, servindo um copo para si mesmo.
Esther provou, e pela sua cara, aquilo estava bom.
— Sim, é um ótimo sabor realmente. — Ela assegurou, enquanto sorriu para ele.
Esther tomou mais um gole, desta vez satisfeita com o suave sabor que se desmanchava em sua boca.
Uma segunda música começou a tocar. Ainda no repertório de The Strokes.
— Sabe, eu curto muito esta música. — Ele falou em um tom de voz empolgado, enquanto mexia o pescoço de lá para cá, em sincronia com suas mãos. Em seguida, ele colocou o copo sobre a mesa e retirou o da mão dela, colocando no mesmo lugar.
— Anda. Você vai adorar dançar isto! — Ele disse, puxando-a suavemente pela cintura e colocando-a bem próxima de seu corpo. Ela pôde sentir instantaneamente o cheiro de seu perfume. Daquele ângulo, ela conseguia ver com mais detalhes seus belos olhos, que brilhavam ao som de Hard The Explain.
— Eu não sei dançar.
— Nem eu. Mas eu sei mexer o corpo. — Ele disse dando um exemplo. Fogueira não dançava daquele jeito desde a última festa em sua antiga cidade.
O garoto riu de sua própria falta de coordenação motora.
— Mexe estes braços. — Ele continuou, balançando os mesmos, ainda segurando as mãos de Esther. Elas suavam frio. Quase escorregando das palmas dele.
Esther começou uma vergonhosa e frustrada tentativa de dança. Até que arrastar o pé e bater as mãos era divertido.
Fogueira riu dela, fazendo-a gargalhar também. Eles estavam ligados pela música envolvente e dançante.
— Está ótimo. — Ele incentiva, sacudindo os braços dela, enquanto sorria.
Ele a puxou para o meio do salão, enquanto cantava com a música, mexendo os lábios. Em uma espécie de dublagem.
Todos que estavam ali presentes, começaram a observá-los. Cochichos e olhos atentos se espalharam.
— Ai meu Deus. Todos estão olhando para nós. — Esther disse, tentando não reparar os olhares quase que desnorteantes da galera.
Fogueira parecia não ligar muito para todos que estavam ali. Ele olhou para todos, mas não deixou de dançar. Ele ignorava.
— Faça de conta que eles não estão aqui e solte mais o corpo. — Ele falou em um tom de voz moderado, em que ela pudesse ouvir.
Eles continuaram a maluca dança, agora em ritmo mais acelerado, que logo contagiou as demais pessoas, que se juntaram a eles, na pista, e começaram a seguir seus dessincronizados passos.
— Eles estão adorando, vê? — Fogueira disse, enquanto sorria e a fez rodopiar em um passo improvisado.
De longe Esther avistou Elis, que aplaudia sua apresentação surpresa e cheia de improvisos.
Assim que a música terminou eles pararam de dançar, e todos que estavam ali começaram a aplaudir e assobiar em euforia.
— Viu? Nem foi tão difícil. — Ele falou, tomando fôlego antes de pronunciar. — Só um instante. Preciso ir ali.
Ele apontou com a cabeça para a banda, sorrindo para ela em seguida.
— Tudo bem. — Respondeu à garota, tentando recuperar seu fôlego. Aonde ele está indo?
Esther voltou para seu lugar próximo à mesa de bebidas e Elis se aproximou dela com um sorriso imenso em seu rosto.
— Aquele era o Fogueira? — Ela indagou, enquanto o acompanhava com os olhos. Ele conversou com o Estevão por alguns segundos, depois deu o fora pela porta principal.
— Sim. — Arfou, procurando seu copo que estava sobre a mesa.
— Longa história. — Ela continuou ao notar que Elis fez uma cara em que pensava muitas coisas sobre eles dois.
— Vou adorar saber tudo direitinho, depois...
Esther fez que sim com a cabeça, economizando palavras.
— E ele foi aonde? — Ela perguntou-a.
— Também gostaria de saber. — Ela respondeu, tomando um gole de sua bebida.
— Você está gostando dele? — Ela insistiu no assunto não muito lúcido e real para Esther. Do que aquela magrela estava falando?
— Não... Ele só é um conhecido em comum. Meu pai trabalha com o pai dele, no Clube. E outra. Ele agora j**a no time, o que faz tecnicamente de meu pai, seu técnico. — Esther respondeu, pondo mais bebida em seu copo. Aquilo estava aumentando sua energia.
— Uau. Eu consigo entender. — Elis disse, refletindo a informação.
— O que está tomando?
— É um troço de maçã verde. Quer? É bem gostosinho. — Esther destaca a última palavra.
— O Fogueira? — Elis esbugalhou os olhos ao indagar. Sua cabeça era mais proibida e suja que a Deep Web.
— Não, garota. O drink!
Esther o puxou delicadamente pelo braço antes de dizer:
— Vem. Vamos dar uma volta.
— Você quer procurar o Fogueira?
— Não. Eu quero um pouco de ar. Dá para parar de falar do Fogueira?
— Está bem. — Ela fez um gesto como se estivesse fechando sua boca com um zíper.
Elas andaram em direção ao estacionamento aberto do colégio, que ficava logo depois de uma porta corta-fogo, que estava do outro lado do salão.
— Acho que não podemos sair por lá — Elis advertiu, apontando para a porta.
— Vamos tentar.
Elas foram em direção à porta e a empurraram, assim que chegaram. Do outro lado havia o estacionamento e elas se deparam com uma garota que beijava descaradamente um rapaz em cima do capô de um carro.
— Desculpe-me. — Esther disse, fechando a porta e voltando para o mesmo lugar.
— Você anda bem inquieta, sabe? — Elis murmurou, assim que Esther terminou de respirar profundamente.
— Você acha?
— Sim!
— Minha mãe também acha. Mas são coisas de suas cabecinhas. — Ela acrescentou, sentando-se nas cadeiras que tinham logo abaixo da arquibancada do ginásio.
— Não não não... Não é hora de desanimar-se! A festa está só começando. — Elis disse, fazendo-a se levantar da cadeira.
— Logo logo o Fogueira estará por aí novamente. — Ela completou, dando-lhe umas pequenas cotoveladas, com aquela carinha de sem-vergonha.
— Você tem razão. Vamos aproveitar a festa. — Esther falou, estendendo um sorriso.
Naquele ínterim, o Estevão e sua banda começaram a tocar uma suave música em estilo rock'n'roll.
— Eles começaram! — Elis gritou com empolgação, acenando para eles.
Para uma festinha beneficente de ensino médio, até que estava animada. Fazendo todos esquecerem de seus eventuais problemas e preocupações.
A festa havia realmente levantado o dinheiro da meta anual. A quadra seria reformada.
Era oito e meia da noite e a festa acabara no horário previsto.
Fogueira não voltara, para a inquietação dela, fazendo-a pensar e formular a ideia de que ele é craque em desaparecimentos.
Elis ia ficar mais um pouco no colégio, queria ajudar seu amigo com a arrumação. Ela sabia mesmo investir em uma pessoa...
— Você tem certeza de que está bem? — Elis a perguntou, enquanto a acompanhava até o carro.
A chuva dera uma trégua, mas o céu ainda estava carregado e o clima frio.
— Sim... Está tudo ótimo comigo. — Esther disse um pouco aérea, enquanto entrava no automóvel.
— Não esqueça de me m****r uma mensagem quando chegar em sua casa. — Elis pediu, sorrindo e soltando-a um beijo no ar.
— Certo. Até breve. — Esther sorriu ao dizer.
Esther dirigiu por quatro quadras, e para em um posto de combustível.
— Boa noite. A senhora poderia ir mais adiante, na bomba verde, por favor? — Disse o frentista, assim que ela encostou na primeira bomba.
— Você poderia me apontar qual delas, por favor. — Ela pediu, até porque não saberia diferenciar qual delas é a verde.
— Aquela verde, ali. — O homem apontou, com uma cara de nervoso.
— Tudo bem...
Assim que ela parou próximo à bomba, ele pegou a chave do carro e abriu a tampa do tanque, abastecendo-o a partir da informação da quantidade de litros que ela pediu.
— Pronto! — Ele entregou a chave pela janela.
— Obrigada.
Já era um pouco tarde, por volta das nove e vinte da noite, e sua mãe já estava ligando-a.
— Já estou chegando. — Esther disse ao atender a ligação no celular.
Elas se falaram por alguns segundos, sobre algumas outras coisas antes de encerrar a chamada.
A chuva começou a cair, ficando mais intensa gradativamente, e passando-a a leve impressão de que não cessaria tão cedo.
Esther diminuiu a velocidade do carro e virou a esquina uma rua antes da avenida principal. Ela estava vazia devido ao pequeno temporal.
Os faróis do carro apresentaram-lhe uma silhueta logo à frente. Com a aproximação, ela percebeu que a pessoa que usava um grande casaco de couro e capuz na cabeça, corria em direção oposta a do carro.
Assim que a pessoa passou por ela, ela mudou de expressão, recolhendo aquele rosto.
Ela olhou pelo retrovisor, e por um impulso instintivo, pisou no freio rapidamente, parando o carro.
A pessoa percebeu e também para de correr, caminhando até o carro, e chegando rapidamente a porta do passageiro da frente. A pessoa encostou o rosto no vidro da janela e deu três batidas rápidas no mesmo.
Era o Fogueira...
— Fogueira? Para onde está indo? — Esther perguntou ao abrir o vidro da janela do carro.
— Acho que posso explicar melhor se você me deixar entrar no carro. — Ele respondeu, enquanto ria.
— Ah sim! Claro. Desculpe. — Ela abriu a porta e ele se adentrou rapidamente.
— Você parou e eu reconheci o carro. Só não tinha certeza que poderia ser você — Ele falou, retirando o casaco e colocando-o sobre o colo.
— Estou indo para casa. Se quiser te levo à sua. — Ela ofereceu carona.
— Bom. Meu colega me deu cana. — Fogueira disse, ligando o ar condicionado na função aquecedor e colocando as mãos em frente a uma das saídas de ar.
— Se importa?
— Não. — Ela aumenta a potência do ar, girando o botão.
— Eu sinto muito, mas sou péssima com gírias. Quando você diz que seu amigo lhe deu cana, o que significa? — Ela completou.
— Ele simplesmente esqueceu-se de me pegar na festa e me levar para casa. — Ele respondeu.
Fogueira hesitou por um segundo antes de indagar:
— E você, gostou da festa?
— A festa beneficente do colégio? — Ela retrucou, questionando-lhe com mais ênfase, a fim de saber se estavam falando da mesma festa.
— Sim. — Ela respondeu quase que sem abrir a boca. Ele apenas expressou um sorriso em seguida.
— Ótima. — Ela respondeu, puxando todo o volante para o lado e entrando em uma rua.
Eles ficaram em silêncio por alguns segundos.
— Onde você mora mesmo? — Ela perguntou, assim que iniciou o trajeto para a casa dele.
— Não estou indo para casa. Você poderia me deixar na casa deste meu colega? — Ele retrucou com uma expressão de preocupado.
— Claro. Se eu não estiver fazendo parte de um plano maluco. Por mim tudo bem. — Ela respondeu, enquanto segurava uma risada simples.
Ele riu em concordância.
Esther seguiu as instruções de localização de Fogueira, e dirigiu por ruas afastadas.
O silêncio às vezes reinava por longos minutos, durante um destes momentos de total falta de palavras.
— Pare! — Fogueira exclamou, fazendo Esther frear freneticamente.
CORES RARAS - Magno NovaesIndependentemente da quantidade de livros e enciclopédias que Esther Ferreira leia, nenhum parece ter a resposta para quem ela realmente é e qual sua verdadeira influência neste mundo. Uma incessante busca para compreender por que chegou a este mundo do jeito que chegou a consome, mergulhando-a em um mar de incertezas. Ainda assim, entre todos da família, Esther sempre foi a mais entusiasmada. Apesar das inseguranças sobre os eventos em sua vida, mantinha-se firme graças à fé, esperança e uma positividade inabalável. Contudo, frequentemente sentia-se à beira de um abismo. Jéssica Ferreira, sua mãe, acreditava — mesmo sem ser psicóloga — que essa angústia de Esther era apenas um efeito de sua tumultuada adolescência. A "garotinha" estava a um passo de seus dezoito anos, dezoito primaveras peculiares aos olhos de Esther. Desde a mudança de sua família para Monteiro oito anos atrás, Esther passou a questionar ações e comportamentos que, para muitos, pareciam
A CASA Eles entraram na rua Dr. Sales e foram direto para a casa de Fernando. Fazendo o mesmo esquema. Assim que chegaram, deixaram suas bicicletas ao lado e pegaram a chave secreta novamente. — Não ligue a luz. Não vamos chamar atenção. — Fogueira disse, quando Esther já estava prestes a acionar o botão da luz da sala. — Vamos usar a lanterna do celular.— Ah! Que burra eu sou... Está bem. — Esther respondeu, puxando seu celular do bolso e ligando a lanterna. A casa estava muito escura, mas nada que pudesse limitar a locomoção deles.— Eu não estou vendo estas caixas. — Esther disse para Fogueira, olhando para todos os cantos.— Talvez esteja no porão. — Ele sugeriu, indo até à cozinha. — Esther. Vem aqui! — Ele completou. Sua voz saiu firme e séria. — O que foi? — Ela chegou atrás dele, receosa.— Há galões com gasolina. São mais de trinta litros. — Ele falou, iluminando os galões que estavam pelo chão.— Para quê tanta g
Esther estava muito preocupada ao descobrir que seu amigo havia caído nas mãos de algum criminoso sujo e corrupto. Ela estava a ponto de tirar esta história a limpo, mas precisava ser cautelosa. Precisava manter sua integridade.Fogueira alertou a Esther para não envolver a polícia até ter provas suficientes dos fatos que descobriram, mas estavam prontos para acionar a polícia militar estadual, assim que encontrassem o responsável por tudo.Todas as informações levavam a um suspeito: Toupeira. O policial que estava envolvido com o esquema de tráfico na cidade. De alguma maneira, ele encobria os outros. Era o que Esther percebera naquele momento. — Você está na frente deste computador há um bom tempo. — Jéssica afirmou, ao chegar no quarto da filha. Esther estava fazendo pesquisas na web, a fim de descobrir mais alguma pista das histórias que cada vez se juntavam em uma única.— Eu já terminei. É um trabalho do colégio. — Ela disse, fechando rapidamente a aba que est
A CASA DE SHOW O sinal do colégio tocou, alertando os alunos sobre o intervalo. Esther e Elis se encaminhavam até a praça de alimentação, que já estava cheia de estudantes por todas as partes.Elas procuraram um lugar para sentar e fizeram isso, quando localizaram uma mesa livre no canto do grande salão, junto a uma janela — Você deveria me deixar mais informada sobre sua relação com o Fogueira. — Elis disse, colocando sua mochila sobre a mesa e retirando seu lanche que trouxe de sua casa. Era um suculento e saudável sanduíche de frango.— Sabe. Eu estou deixando as coisas fluírem. — Esther disse, também pegando seu lanche. — Acho que você está cansada desse papo de "deixar as coisas fluírem".— Pode ter certeza que sim. Acho que já fluiu o bastante. Parte para o plano "amasso".— O quê? Você pirou? Ele é diferente. — Esther defende o respeito admirável de Fogueira. — Tô brincando. Cuidado para não perder a vez. — Ela fez uma brincade
Esther e Fogueira, ainda que não soubessem, ou talvez não tenham percebido tão prontamente, suas histórias estavam, agora, ligadas. O destino de fato pode não existir, mas este de alguma maneira precisava uni-los para o propósito que estava prestes a acontecer. O parque estava um pouco vazio, no ápice do sol das duas da tarde, mas era fresco. Poucas pessoas faziam exercícios e passeavam por ali. Algumas optaram por descansar à sombra de uma árvore para ler um bom livro. Esther estendeu uma toalha no gramado, debaixo de uma árvore ipê-rosa, e se deitou, olhando para o contraste daquelas coisas ao seu redor. O rosa se destacava sobre o azul ciano do céu. Os pássaros cantavam e ela estava devagar e inevitavelmente entrando em um estado de relaxamento profundo ao ponto de adormecer. A leve brisa que passava derrubava as pétalas sobre seu corpo, em uma experiência cinematográfica para ela.Esther respirou profundamente e fechou seus olhos, ainda que ela tivesse feito o pro
OBSERVE O QUE O MUNDO MOSTRA Uma onda de frio naquela tarde indicava o início do que parecia um inverno rigoroso. Esther carregou sua mochila nas costas, enquanto pedalava tranquilamente até a biblioteca pública municipal. Assim que ela chegou no lugar, ela deixou sua bicicleta no espaço onde costuma repousá-la, e subiu as escadas, enquanto puxava o zíper da mochila e a abria. Ela retirou o velho livro e o folheou rapidamente antes de entrar na biblioteca, a fim de ver se não havia nada dentro que passou despercebido.A porta abriu, rangendo. Um cheiro familiar de livros e um ar tão gelado quanto do exterior, era notável no local. A bibliotecária olhou diretamente para a visita que acabara de atravessar a porta.— Boa tarde. — Esther disse, ao se aproximar do balcão da recepção.— Boa tarde, Esther. — A bibliotecária respondeu sorridente.— Desculpe. Mas eu nunca perguntei seu nome? — Esther indagou um pouco sem graça. Era estranho el







