INICIAR SESIÓNCapítulo 3
As mãos de Lia tremiam enquanto ela discava o número de Bruno. O telefone chamou várias vezes, ecoando no silêncio pesado do hospital, mas ninguém atendeu. Ela afastou o celular do ouvido lentamente e respirou fundo, tentando controlar o nervosismo que apertava seu peito. A sensação de estar sozinha naquele momento era sufocante. Sem outra opção, Lia decidiu voltar para o apartamento. Precisava falar com ele pessoalmente. Precisava de ajuda, e naquele instante, Bruno ainda era a única pessoa em quem ela conseguia pensar, mesmo depois de tudo o que havia visto. Quando abriu a porta, seu coração disparou. — Bruno? O silêncio foi a única resposta. Ela caminhou lentamente pela sala, olhando ao redor. Tudo estava no lugar, exatamente como sempre esteve, mas algo havia mudado. O ambiente parecia frio, vazio… estranho. Aquele lugar, que antes era seu refúgio, agora carregava um peso sufocante. As lembranças vieram sem pedir permissão, trazendo de volta a cena no estacionamento do motel. Dois anos. Dois anos inteiros da vida dela entregues àquele relacionamento. Dois anos acreditando em promessas, em planos, em um futuro que agora parecia não ter passado de uma ilusão cruel. Ela lembrava de cada palavra, de cada gesto, de cada noite em que Bruno a abraçou dizendo que nunca a deixaria. Lembrava de como confiou… como se permitiu acreditar sem reservas. E agora, tudo parecia uma mentira. Uma mentira construída diante dos seus olhos enquanto ela permanecia cega demais para enxergar. Como não percebeu? Como ignorou os sinais? As desculpas mal explicadas, os horários estranhos, as mensagens apagadas, o distanciamento repentino… tudo estava ali. Talvez todos já soubessem. Talvez só ela não tenha visto. Talvez tenha sido apenas a única idiota apaixonada o suficiente para acreditar. O celular vibrou em sua mão, arrancando-a dos pensamentos. O coração acelerou imediatamente. Ela olhou para a tela quase sem respirar. "Amor, surgiu uma viagem de trabalho de última hora. Passei no apartamento, mas você não estava e tive que sair às pressas. Vou ficar fora por dois dias e provavelmente sem sinal. Como você sabe, o trabalho é puxado. Te amo." Lia encarou a mensagem por alguns segundos. Então, uma risada amarga escapou de seus lábios. — Filho da puta… Ela apertou o celular com força, os olhos ardendo. — Esse desgraçado… Mas, naquele momento, havia algo mais urgente que sua dor. Sua avó ainda estava no hospital. Sem perder mais tempo, Lia saiu do apartamento e voltou imediatamente para lá. Ao chegar, foi direto até a recepção. — Boa noite. Eu vim ver minha avó, Rosa Avelar. A enfermeira digitou no computador antes de responder: — A senhora Rosa não está mais internada aqui. O coração de Lia disparou. — Como assim? — Ela foi transferida para outro hospital há algumas horas. O sangue de Lia gelou. — Como tiraram a minha avó daqui sem a minha autorização? A enfermeira franziu levemente a testa. — Senhorita… quem autorizou a transferência foi o filho dela. Lia ficou imóvel por um segundo. — O filho dela? — Sim. A revolta explodiu dentro dela. Sem dizer mais nada, saiu do hospital e pegou o primeiro táxi que encontrou. Só havia um lugar para onde precisava ir. A casa do pai. Fazia mais de treze anos desde a última vez que esteve ali. Naquela época, ainda era uma criança que não entendia por que, de repente, parecia não ter mais lugar dentro da própria família. Ao entrar, encontrou Daniel sentado no sofá, como se nada estivesse acontecendo. — Foi o senhor que transferiu a vovó? — perguntou imediatamente. Ele ergueu os olhos, incomodado. — Baixe o tom quando falar comigo. Levantou-se com calma. — E sim, fui eu. Sua avó precisa do melhor atendimento possível se quiser sobreviver. O caso dela é delicado. Lia cruzou os braços, sentindo a raiva crescer. — E o que o senhor quer em troca? O olhar dele ficou frio. — Você sabe exatamente. Ele fez uma pausa. — Você vai se casar com o senhor Beaumont. O ar faltou. — Pai… o senhor nem conhece esse homem. Eu não vou me casar com um estranho! — Esse casamento era para a filha da sua esposa! — continuou ela. — Por que eu tenho que pagar por isso? — Porque ela tem um futuro — respondeu ele com desprezo. O olhar percorreu Lia de cima a baixo. — E você? Mora com um homem que nem quis se casar com você, largou a faculdade e não trabalha. Que tipo de futuro você acha que tem? As lágrimas vieram, mas sua voz não falhou. — Eu terminei a faculdade. E não preciso de marido para sobreviver. Daniel suspirou, impaciente. — Você não entende. A família Beaumont é poderosa. Ele é herdeiro de um império. Você vai ter tudo. Lia riu, amarga. — Com um homem desfigurado? — Isso não importa. Para viver bem, é preciso fazer sacrifícios. — Sacrifícios meus, não é? — rebateu. — Porque a filha que o senhor ama não precisa fazer nenhum. — Você é minha filha! Lia riu, mas só havia dor. — Engraçado… porque o senhor só lembra disso quando precisa de mim. Ela se virou para sair. — E ainda usa a própria mãe para me ameaçar. — Esse casamento vai acontecer! — a voz dele ecoou atrás dela. Lia parou. — Goste você ou não — completou Daniel, frio. — Você não tem escolha. Ela se virou lentamente, sentindo o peso daquelas palavras. Não era um pedido. Era uma sentença. Daniel fez um gesto para um dos seguranças. — Tranque-a no quarto. Antes que Lia pudesse reagir, foi segurada pelo braço e arrastada pelo corredor. A porta se fechou atrás dela com um clique seco. O mesmo quarto onde passou parte da infância… agora parecia menor, mais escuro, sufocante. Ela tentou a maçaneta. Trancada. O silêncio tomou conta do espaço. Sentada no chão, com as costas encostadas na parede, Lia abraçou as próprias pernas, sentindo o corpo tremer. As lágrimas vieram sem controle, silenciosas, pesadas. Aquela não era apenas uma prisão física. Era o fim de qualquer escolha. E naquela noite… Lia não conseguiu dormir. Nem por um segundo.Capítulo 203 Samuel sentiu o sangue ferver nas veias, a raiva sobrepujando qualquer resquício de medo. Encarando o cano da pistola sem recuar um milímetro, ele sibilou: — Você é um covarde mesmo, Marco. Não tem coragem de me enfrentar feito homem. Precisa de uma arma para se sentir alguém.— Chega, Samuel! — interveio Matteo, a voz tensa, temendo que o tio perdesse completamente a cabeça e puxasse o gatilho.— Pai, já chega! — Enzo deu um passo firme à frente, postando-se ao lado de Samuel com as mãos estendidas em um gesto de apelo. — Me dá essa arma, por favor. Não faça algo que vai acabar com a sua vida de vez.— Cala a boca! — rugiu Marco.Em um estalo de pura insanidade, ele puxou o gatilho, disparando contra o chão, a poucos centímetros dos pés do próprio filho. O estrondo do tiro ecoou pelas paredes de mármore, deixando um rastro de fumaça e o cheiro acre de pólvora no ar.— Mais uma palavra e o próximo tiro vai ser em você! — ameaçou o homem, com os olhos injetados.— Pare com
Capítulo 202O baque seco do punho de Marco contra o rosto de Samuel ecoou pela sala. Samuel deu um passo trôpego para trás, pego completamente de surpresa pelo golpe; ele jamais imaginara que o tio cruzaria a linha da agressão física daquela forma. Porém, o choque durou apenas um segundo. Movido pelo puro instinto de defesa, Samuel avançou. Com os reflexos afiados, ele grudou as mãos no pescoço de Marco, apertando com firmeza e empurrando o homem com força contra o chão. Marco caiu de costas, arquejando, enquanto Samuel se posicionava sobre ele com o punho fechado e erguido no ar. Os olhos de Samuel eram uma escuridão profunda, tomados por uma fúria que há muito tempo ele não sentia.O punho de Samuel estancou no ar, tremendo pela força da contenção. Ele respirou fundo, controlando o ímpeto de descarregar os anos de provocação naquele soco.— Você tem sorte de eu não querer bater em um verme feito você... — sibilou Samuel, a voz assustadoramente baixa e firme. — Mas escuta bem: se ou
Capítulo 201A brisa fresca da noite começou a soprar pelo pátio, trazendo consigo o fim das comemorações. Aos poucos, os convidados começavam a se despedir, deixando Lia com sorrisos satisfeitos no rosto. A matriarca da família, Catarina, também se ajeitava para se retirar. Ao caminhar até Samuel para se despedir, ela aninhou o pequeno Élio nos braços com um carinho terno, observando o semblante tranquilo do bisneto.Samuel observou a cena em silêncio. Aproveitando a privacidade daquele instante, decidiu externar uma dúvida que há dias lhe martelava a mente.— Vovó... O Enzo tem demonstrado alguma responsabilidade como pai?Catarina soltou um suspiro brando, fixando os olhos na criança adormecida em seu colo antes de responder:— Seu primo parece finalmente ter tomado jeito, Samuel. Ele ama esse menino. A verdade é que ele não tem jeito algum com crianças, mas o esforço dele é genuíno, sabe? Está até planejando se mudar com o pequeno para um lugar só deles, para criá-lo com a devida
Capítulo 200Alguns meses depois ...O som de risadas infantis ecoava pelo enorme e bem cuidado pátio da mansão de Samuel. O sol brilhava suavemente, iluminando a decoração colorida montada para o aniversário de cinco anos de Noah. O clima era de pura leveza e celebração. Finalmente, depois de tantas tempestades, Lia e Samuel viviam dias de paz e felicidade plena.Noah corria de um lado para o outro na grama, tentando fugir da prima Bia em uma brincadeira animada de pega-pega. Um pouco mais afastada, sentada sob a sombra de uma árvore, Catarina sorria observando os netos. Élio, agora com três anos, estava no colo dela, recebendo todo o carinho que merecia. Após a prisão de Isabela, a verdade sobre a paternidade do menino havia vindo à tona; com a confirmação de que ele era legítimo herdeiro de Enzo Beaumonte, a família o acolhera de braços abertos, garantindo que ele crescesse cercado de amor e longe da amargura da mãe.Perto dali, Daniel observava a cena com um olhar sereno, embora a
Capítulo 199Daniel sentia as mãos tremerem descontroladamente. Seus olhos vagavam por aquele quarto frio e miserável, um lugar que fedia a mofo e abandono. E no centro de tudo estava Lia. Ela tinha uma aparência péssima; o canto da boca exibia um corte recente com sangue pisado e o rosto ostentava marcas roxas de agressão. Ver a filha caçula naquele estado quebrou o restante do coração de Daniel, transformando sua dor em uma fúria cega.Ele avançou a passos largos para dentro do cubículo.— Anda logo! Solta a minha filha! — rugiu Daniel. Ele encarou os capangas com sangue nos olhos. — Quem de vocês ousou tocar na minha filha?!Antes que o segurança mais próximo pudesse reagir, Daniel desferiu um soco violento contra o rosto dele. O outro homem tentou avançar para revidar, mas foi impedido por um comando gritado.— Não encostem no meu pai! — ordenou Isabela, a voz esganiçada pelo nervosismo. Ela sentia, segundo a segundo, que as coisas estavam fugindo completamente de seu controle.Da
Capítulo 198Isabela sentia as pernas tremerem a cada passo que dava pelo corredor escuro, aproximando-se da porta onde Lia estava trancada. Ao seu redor, os homens tentavam se explicar desesperadamente, repetindo que houvera um engano e que Lia não havia escapado, mas o som das vozes deles parecia abafado pela paranoia que ensurdecia a vilã. Com as mãos trêmulas, ela enfiou a chave na fechadura. Teve um pouco de dificuldade, o metal travando por um instante, mas quando a porta finalmente se abriu com um estalo seco, o coração de Isabela disparou no peito.Lia estava ali. Deitada na cama, com os olhos arregalados e assustados, ela se levantou rapidamente assim que a luz do corredor invadiu o quarto escuro.— Isabela... — sussurrou Lia, a voz falhando pelo choque. — Você...— O quê?... Como isso é possível?! — Isabela deu um passo para trás, levando as mãos à cabeça, completamente desorientada. — Eu vi... eu ouvi a hora que você ligou para o papai!A mente de Isabela deu um nó ao se le







