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Capítulo 5

Penulis: Srta. Oliveira
last update Tanggal publikasi: 2026-03-05 05:03:14

Capítulo 5

Narrado por Ariella

Acordei com o sol entrando pela fresta da cortina.

Estiquei o braço para pegar o celular. Sete e dez. Nenhuma mensagem do hospital. Isso era bom sinal.

Levantei e fui para o banheiro. O chuveiro quente ajudou a despertar. Fiquei ali por alguns minutos, pensando no dia que teria pela frente.

Cuidar da Sofia.

Ainda não sabia se aquilo era castigo ou oportunidade.

Desci e encontrei Sofia já sentada à mesa, de uniforme, Lina no colo. Rossetti servia o café.

— Bom dia — falei.

— Bom dia — ela respondeu, sem levantar os olhos.

Sentei ao lado dela.

— Já comeu?

Ela apontou para o prato vazio.

— Acabou agora.

— Que bom.

Ficamos em silêncio por um momento.

— Hoje vou levar você na escola — falei.

Ela me olhou.

— Você?

— Eu. O motorista vai dirigir, mas eu vou junto.

Ela processou a informação.

— Tá.

No carro, Sofia ficou quieta, olhando pela janela. Eu não sabia o que dizer. Não tinha experiência com crianças. Só com os meninos, mas eles eram diferentes. Eram meus irmãos. Com eles, eu sabia como agir.

Com Sofia, era um território novo.

— Você gosta da escola? — perguntei.

Ela deu de ombros.

— Mais ou menos.

— O que você mais gosta?

Ela pensou.

— Desenhar.

— E o que menos gosta?

— Matemática.

Quase ri.

— Meus irmãos também não gostam de matemática. O Beto prefere ler. Passa o dia com um livro na mão.

Ela me olhou.

— Ele lê?

— Lê. Fica no canto do quarto lendo enquanto o Rafa faz fisioterapia.

Ela pensou por um momento.

— Que bom que eles têm um ao outro.

Olhei para ela.

— É. Que bom.

Deixei Sofia na escola e fui para o hospital.

Rafa estava no quarto, fazendo exercícios com a fisioterapeuta. Beto lia no canto, como sempre.

— Ari! — Rafa sorriu quando me viu. — Olha, já tô mais forte.

Ele levantou os braços para mostrar os músculos. Estava mais magro do que antes, mas o olhar era mais vivo.

— Tô vendo.

A fisioterapeuta sorriu.

— Ele está se saindo muito bem. A resposta ao tratamento tem sido excelente.

— Ouviu? — Rafa se empolgou. — Excelente!

Ri e sentei na cama depois que ela saiu.

— E você? — perguntei para Beto.

Ele deu de ombros.

— Lendo.

— Sempre lendo.

Ele quase sorriu.

— Os médicos disseram que meus exames estão estáveis. A doença não progrediu muito.

— Que bom, Beto.

— É. Mas fico preocupado com ele. — olhou para Rafa.

— Eu sei. Mas ele está melhorando. E você está aqui. Isso ajuda.

Ele assentiu.

Fiquei com eles até a hora do almoço.

Voltei para a mansão no começo da tarde.

A casa estava silenciosa. Rossetti apareceu no corredor.

— O senhor está no escritório. Pediu para avisar que quer vê-la quando chegasse.

Olhei para ela.

— Agora?

— Sim.

Respirei fundo e fui para o escritório. Bati na porta.

— Entre.

Abri. Ele estava atrás da mesa, como sempre.

— Sente-se.

Sentei.

— Como foi com Sofia hoje?

A pergunta me surpreendeu.

— Bem, acho. Levei ela na escola.

— E o que conversaram?

Franzi a testa.

— Por que quer saber?

Ele me olhou por um momento.

— Porque é minha filha.

— E você pode perguntar a ela.

— Ela não fala comigo.

O silêncio caiu entre nós.

— Ela perguntou sobre meus irmãos — falei. — Quis saber o que eles fazem no hospital.

— E o que disse?

— Que o Rafa faz fisioterapia e o Beto fica lendo. Ela achou bom que eles têm um ao outro.

Ele ficou em silêncio por um momento.

— E como eles estão?

A pergunta me pegou de surpresa.

— Rafa está melhorando rápido. Beto está estável. Os médicos estão otimistas.

— Bom.

Ficamos em silêncio.

— Pode ir.

Levantei.

Na porta, me virei.

— Alessandro?

— Sim?

— Ela não fala com você porque tem medo. Não de você, mas de se machucar. Já perdeu a mãe. Se perder você também, não vai ter mais ninguém.

Ele não respondeu.

Saí e fechei a porta.

No fim da tarde, busquei Sofia na escola.

Ela saiu com a mochila nas costas, Lina debaixo do braço. Quando me viu, parou por um segundo, depois continuou andando.

— Cansada? — perguntei no carro.

Ela balançou a cabeça.

— Teve lição?

— Pouca.

— Vamos fazer juntas quando chegar.

Ela me olhou.

— Você vai ajudar?

— Vou.

Ela quase sorriu.

Fizemos a lição na mesa da cozinha. Rossetti preparava o jantar ao fundo.

Sofia tinha dificuldade com as contas, mas quando eu explicava devagar, ela entendia.

— Tô vendo que você não é tão ruim em matemática — falei. — Só precisa de calma.

Ela me olhou.

— Minha mãe não ajudava.

— Não?

— Ela ficava no quarto. A babá que ajudava.

Fiquei em silêncio.

— Mas a babá não tinha paciência — ela continuou. — Falava que eu era lenta.

— Você não é lenta. Só aprende de um jeito diferente.

Ela pensou nisso.

— Você é legal.

A frase simples me apertou o peito.

— Obrigada.

No jantar, Alessandro apareceu.

Sofia comeu em silêncio, mas de vez em quando olhava para ele. Ele também olhava para ela, mas nenhum dos dois falava.

Depois que Sofia subiu, fiquei na mesa.

— Por que não fala com ela? — perguntei.

Ele me olhou.

— Falo.

— Não fala. Fica olhando, mas não fala.

Ele largou o garfo.

— Não sei o que dizer.

— Tenta "como foi seu dia" ou "gostou da escola". Coisas normais.

— Não sou bom em coisas normais.

Quase ri.

— Isso eu já percebi.

Ele me olhou por um momento.

— Você é boa com ela.

— Ela é fácil de gostar.

— Não foi fácil com as babás.

— Porque babás são pagas para cuidar. Eu não sou paga para gostar dela.

Ele franziu a testa.

— O contrato...

— O contrato diz que eu devo fazer o papel de madrasta. Não diz que preciso gostar, mas gosto. Ela merece.

Fiquei em silêncio por um momento.

— Boa noite, Alessandro.

— Boa noite.

Subi as escadas sentindo o olhar dele nas costas.

No quarto, tomei banho e deitei na cama.

Fiquei pensando no dia. Em Sofia, em Alessandro, nos meninos. No Beto, lendo no canto do quarto, sempre ao lado do irmão. Na doença que age diferente em cada um, mas que une os dois do mesmo jeito.

Três horas da manhã, acordei com sede.

Desci para pegar água e vi a luz do escritório acesa.

Espiei pela porta entreaberta. Alessandro estava lá, com uma foto na mão. Não dava para ver de quem.

Bati de leve.

Ele levantou os olhos.

— Não consegue dormir? — perguntei.

— Muita coisa na cabeça.

Entrei.

— Posso sentar?

Ele fez um gesto com a mão.

Sentei na cadeira em frente à mesa. Vi a foto virada. Uma mulher loira, sorrindo. Sofia pequena no colo.

— É a mãe da Sofia ? — perguntei.

Ele assentiu.

— Não era assim que eu lembrava dela.

— Como era?

Ele pensou.

— Mais... viva.

Fiquei em silêncio.

— Ela me traiu — ele continuou. — Escondeu Sofia. Mas quando olho para essa foto, não consigo odiá-la.

— Porque era a mãe da sua filha.

Ele me olhou.

— Isso.

Ficamos em silêncio por um longo momento.

— Sabe o que eu aprendi depois que meus pais morreram? — falei. — Que a gente pode sentir duas coisas ao mesmo tempo. Raiva e amor. Mágoa e saudade. Não precisa escolher.

Ele me estudou.

— Você é mais sábia do que parece.

— Não sou sábia. Só sobrevivi.

Ele quase sorriu.

— Boa noite, Ariella.

— Boa noite, Alessandro.

Levantei e saí.

No corredor, parei por um segundo. A luz do escritório ainda estava acesa.

Subi para o quarto, deitei e fechei os olhos.

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