Share

Capítulo 2

Author: Kely G.
last update publish date: 2026-04-17 22:37:26

Alex Foxy

— O que você está fazendo aqui? — perguntei, olhando a mulher parada na minha frente. — Minha mãe não está em casa, volte outra hora! — Empurrei a porta para fechar, mas ela impediu.

— Eu não quero falar com ela, é com você — disse e já foi entrando. Que mulher atrevida.

— Eu não tenho nada para falar com você!

— Mas eu tenho muito o que conversar com você.

— Não me interessa, então vá embora e poupe o meu tempo!

— Eu não vou embora, então é melhor você me ouvir! Alex, o seu pai é um homem incrível, você precisa dar essa chance a ele.

— Eu já disse que não! Agora sai da minha casa!

— Cara, você não tem um coração? O seu pai está morrendo e só quer passar seus últimos dias com vocês! — A maldita mulher que, aparentemente, conhecia "bem" aquele velho filho da puta, gritou na minha sala.

— Eu já falei, caralho! Eu não quero contato com aquele velho maldito, eu não tenho pai! — Gritei de volta. — Agora vai embora da minha casa, porra!

Ela continuou no mesmo lugar e ainda me olhou de cima a baixo, com cara de cachorra no cio.

— Eu não vou sair daqui até você aceitar ir lá! — desafiou-me, colocando as mãos na cintura. — Olha, eu sei a sua história, o Gui me contou tudo que ele fez, mas ele se arrependeu e procurou por vocês. Cara, ele só quer uma chance de se redimir — continuou insistindo sem tirar os pés do lugar. Eu passei as mãos nos cabelos e respirei fundo, tentando controlar a vontade de agarrar a maldita pelo pescoço.

— Já estou sendo paciente demais com você. Você vai sair ou não? — Cerrei os dentes de tanta raiva.

— Eu já disse que só vou embora quando você disser sim para o meu pedido — sorriu, desafiadora. A paciência que eu já não tinha acabou de ir para a casa do caralho com a petulância dela.

Caminhei até ela e segurei seu braço, arrastando-a porta afora.

— Ai! — reclamou quando caiu de bunda no chão. Eu, literalmente, a joguei na rua. — Como você é mal-educado! E grosso também! Um cara tão bonito deveria agir melhor com uma dama.

— Eu agiria, se você fosse uma dama, mas você está longe disso, é só uma vadia intrometida que gosta de incomodar! — Cuspi as palavras sem um pingo de remorso e entrei em casa, bati a porta com tanta força que o quadro caiu da parede. Mesmo assim, a filha da puta continuou fazendo escândalo na minha porta, não parou enquanto não liguei para a polícia e a levaram embora.

Vinte e quatro anos, são exatos vinte e quatro anos que eu não tenho ninguém para chamar de pai, passei vinte e quatro anos da minha vida tendo que me virar para ajudar a minha mãe. Cresci vendo ela chorar pelos cantos por causa daquele desgraçado e só agora ele lembrou que tem filho e esposa? Agora, depois de anos, depois de todas as fases ruins passarem, ele envia essas duas mulheres na nossa porta nos pedindo para ir a Las Vegas vê-lo? Não mesmo! Eu não quero nenhum tipo de contato com aquele velho.

Meu nome é Alex Foxy, infelizmente, tenho o sobrenome dele. Tenho vinte e quatro anos e cresci em Chicago. Somos só eu e minha mãe. Tivemos uma vida simples, difícil, às vezes mais do que difícil. Passamos por momentos precários quando minha mãe adoeceu. Tive que trabalhar desde cedo para ajudar nas contas, não tive tempo de curtir a adolescência como qualquer garoto de treze ou quatorze anos. Minha rotina era escola, trabalho e treinos; lutava desde os sete anos de idade. No início, era só para controlar o meu temperamento, eu brigava muito na escola, mas gostei tanto que aos treze anos me inscrevi no campeonato de MMA juvenil. Era um torneio clandestino, não tinha regras, nenhuma regra mesmo, mas pagava muito bem. Eu lutava duas, às vezes três lutas por mês para manter as contas pagas e ter uma grana sobrando. Lutar escondido da minha mãe foi minha rotina por dois anos. Depois, acabei contando e ela me apoiou, o que foi bom, pois isso também me ajudou a ter um pouco de controle sobre as minhas emoções. Ao menos na maior parte do tempo eu me controlo e não fico agredindo quem me provoca. Parei de lutar por dinheiro quando consegui um emprego numa empresa de transportes, mas ainda treino e luto também, agora só para manter a forma e diminuir a raiva.

Quando fiz quatorze anos, minha mãe começou a trabalhar para o senhor Joseph. Ele foi a única figura paterna que conheci, foi ele quem me apoiou na minha fase de adolescência, livrando-me das encrencas que eu me metia por causa das brigas. O Joseph me deu muitos conselhos e foi um grande confidente nos momentos complicados da minha vida. Sou muito grato a ele.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Casada com o CEO que me Odeia    211

    Então aquele monstro continuava vivo? O pesadelo ainda não tinha acabado? Minhas mãos começaram a tremer e Liz as apertou entre as suas. A voz soou calma demais quando tentava me tranquilizar. — Izzy, não precisa ter medo. Nós não o matamos naquele momento, mas ele está morto. Ela sorriu ao notar minha confusão. — O Alex o matou no hospital. — Então… — Sim, o Alex conversou com o Salomon e ele falou tudo sobre o nosso passado. Izzy, não fique com receio do que você viveu, o Ruy também estava lá e sabe de tudo. Eles viram o vídeo que aquele desgraçado nos obrigou a confessar, Izzy, eles viram tudo e mesmo assim estão aqui. O Ruy sabia de tudo… Ele conversou com o Salomon e sabe tudo que eu fiz. Minha cabeça parecia que iria explodir, eu nunca imaginei que ele já soubesse, que esse tempo todo ele conhecia o pior de mim e não disse nada. — Então…— Sim, eles sabem. Izzy, não foi nossa culpa. Nós só queríamos sobreviver, éramos crianças inocentes que não merecíamos passar por nada

  • Casada com o CEO que me Odeia    210

    Finalmente chegou o dia da minha alta médica. Meu corpo ainda não se recuperou completamente, minha mente também não, porém estou livre para recomeçar. E agora, sei que ele não voltará nunca mais, sei que este capítulo se encerrou de uma vez por todas. As marcas, ainda visíveis na minha pele e as cicatrizes extensas no meu pescoço e abdômen são a prova de que eu lutei e venci. A mulher que me olhava de volta no espelho todos os dias é forte. E agora eu sabia disso. — Está tudo bem aí, Izzy? — a voz do Ruy soou do outro lado da porta, após uma batida. Ele queria me ajudar no banho como das outras vezes, mas eu insisti para fazer sozinha. Ruy está oferecendo todo o suporte emocional, financeiro e até mesmo profissional, pois já falou sobre apoiar o projeto. Mas, eu ainda não sei se é isso mesmo que eu quero. E agora, saindo do hospital, meu medo dessa nova vida está ainda maior. — Izzy! — a voz soou mais alta e eu sorri ao pensar no vinco entre suas sobrancelhas, ele sempre surgia q

  • Casada com o CEO que me Odeia    209

    IZZABELLYAs palavras de Ruy ecoavam na minha mente como marteladas em vidro. “É tão ruim assim ter alguém que cuide de você?”. Ele fazia tudo parecer tão lógico, tão absurdamente perfeito, que por um segundo eu quase esqueci o peso da sua mão no meu ombro, o tom de comando, mas também de zelo.Olhei para aqueles olhos escuros e intensos, tão próximos dos meus. Meu coração batia descompassado contra o peito, um misto de pânico e uma exaustão que parecia vir direto dos meus ossos. Ele tinha razão sobre uma coisa: eu estava cansada. Cansada de lutar, de contar moedas, de prender a respiração toda vez que o telefone tocava com medo de ser mais uma crise ou mais uma conta que eu não podia pagar. Olhar para o Roy na tela minutos atrás, rindo com os pais de Ruy, tinha sido um golpe direto na minha armadura. Meu irmão estava seguro. Estava feliz. Algo que eu mal conseguia garantir em dias bons.— Ruy... — Meu próprio sussurro soou fraco, uma bandeira branca que eu odiava hastear. Ele perce

  • Casada com o CEO que me Odeia    208

    RUYA Izzy ria e conversava com o irmão, era visível o quanto ela o amava, cada reação sua deixava explícito que tentava protegê-lo. Eu ri quando percebi seu constrangimento ao falar com meus pais, as bochechas vermelhas sempre apareciam como resposta de que aquilo estava fora dos seus limites. E ela ficava ainda mais linda assim. — Izzy, minha querida, não se preocupe, nós estamos adorando passar os dias com esse lindinho. Aliás, eu nem quero devolvê-lo quando você voltar. E eu estou ansiosa para conhecê-la pessoalmente — minha mãe sorriu, enquanto acariciava os fios curtinhos dos cabelos do Roy.— É exatamente isso, Izzy, estamos realizando nosso sonho de ser avós, já que esse nosso filho não quis nos agradar — agora foi meu pai, ele não perdia uma oportunidade de lembrar as reclamações da minha mãe. — Então que bom que agora vocês têm o Roy — respondi, mostrando meu rosto na tela. — Nem começa, nós ainda queremos mais netos e o Roy também quer sobrinhos, não é, meu amor? — a v

  • Casada com o CEO que me Odeia    Capítulo 207

    — Está se sentindo melhor? — indagou, enquanto colocava uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. Eu movi minha cabeça, concordando. Demorei um pouco para conseguir responder, estava constrangida e também emocionada com as atitudes do Ruy, ele não tentou ultrapassar nenhum limite enquanto me ajudava no banho, depois separou as roupas e ainda secou meus cabelos com cuidado. É impressionante como essa versão dele me surpreendeu. Na verdade, acho que eu sempre soube que ele era incrível, via como ajudava a Liz, seu apoio nos momentos em que ela mais precisava foi justamente o que me chamou atenção, além da beleza é claro. Soltei um suspiro profundo ao pensar em tudo que nos separava. Agora, após esse choque de realidade que levei, eu percebi que somos diferentes demais. As minhas bagagens são pesadas, feias e carregam uma escuridão que o Ruy não vai querer compartilhar, ele não vai aceitar que eu não fui só uma vítima, eu também cometi muitos pecados entre aquelas paredes. Encaro

  • Casada com o CEO que me Odeia    Capítulo 206

    IZABELLY Encarei o homem ao meu lado e não tinha palavras para responder. Seu sorriso, que era uma mistura de sarcasmo e malícia, só me deixava mais constrangida. Ele estava mesmo dizendo que ia me ajudar a tomar banho? Não, isso não deveria acontecer. De repente o dia em que nos beijamos no hotel, aconteceu há apenas uma semana, mas com tudo que veio depois, parecia uma memória muito distante. Eu queria viver bem com ele. Já até cometi o vexame de fazer uma declaração, agora vejo aquela cena tal qual uma piada — que se tornava mais engraçada quando sua resposta foi um belo fora. Ainda estava perdida em pensamentos quando sua boca tomou a minha, seus lábios sugaram os meus com fome. Minha resposta — impulsiva, talvez, eu não estava preparada para isso — o incentivou a aumentar a intensidade, eu mal conseguia manter minha mente sã, enquanto sentia sua língua dominar o espaço da minha boca. Suas mãos seguraram com cuidado minha nuca, mantendo minha cabeça firme enquanto sua boca

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status