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CAPÍTULO 4

Autor: Crystal k
Damien correu até mim.

Assim que viu meus olhos cheios de lágrimas e a caixinha de música destruída no chão...

Seu rosto se encheu de dor.

— Bella... o que aconteceu?

Os olhos dele desceram para minhas mãos.

— As suas mãos...

Ele tentou me tocar.

Mas eu recuei imediatamente.

Como se sentisse nojo.

Naquele instante...

Sophia entrou correndo logo atrás dele.

Ela se jogou nos braços da mãe, chorando desesperadamente.

— Mamãe... você está bem?

As lágrimas escorriam pelo rosto dela.

— A culpa é toda minha.

— Eu não deveria ter pedido que você viesse me ajudar.

Ela olhou para mim.

— Senhorita Isabella...

— Por favor, nos perdoe.

— Nós não fizemos por mal.

Elena entrou na encenação imediatamente.

Olhou para mim com um falso semblante de terror.

— Damien...

— Você precisa conversar com a Isabella.

Apontou discretamente para mim.

— Ela estava igual a uma louca.

— Disse que ia nos matar...

Respirei fundo.

Apontei para os pedaços espalhados pelo chão.

Minha voz era puro gelo.

— Eu só disse para ela não tocar nas coisas da minha mãe.

Os olhos de Damien passaram por Sophia.

Depois por Elena.

Por fim...

Pararam em mim.

Sua testa se franziu.

A dor que havia em seu olhar desapareceu.

No lugar dela...

Surgiram impaciência.

E dúvida.

— Bella...

Sua voz saiu pesada.

— Já chega.

Havia algo ali...

Que eu nunca tinha ouvido antes.

Decepção.

Comigo.

Olhei para o homem à minha frente.

Parecia um completo estranho usando o rosto do meu marido.

Dentro da minha casa.

Me transformando na vilã...

Por defender a última lembrança da minha mãe.

Aquilo era absurdo.

Ridículo.

Trágico.

Respirei fundo.

Depois falei calmamente:

— Damien...

— Eu quero o divórcio.

As palavras explodiram como uma bomba.

O rosto dele perdeu completamente a cor.

Ele segurou meus ombros.

— Não!

Sua voz falhou.

— O que você está dizendo?

— Bella...

— Você não pode fazer isso.

Olhei diretamente em seus olhos.

Meu rosto permanecia frio.

— Por que não?

Ele balançou a cabeça repetidamente.

— Porque eu amo você!

Sua voz ecoou pela sala.

— Eu só amo você!

Pela primeira vez...

Havia pânico em sua voz.

Um pânico que nem ele próprio percebia.

— A Sophia e a mãe dela...

— Não significam nada.

Respirou fundo.

— A família delas as expulsou.

— Eu só estava...

— Ajudando.

Atrás dele...

Sophia parou de chorar por um segundo.

Vi um lampejo de ódio atravessar seus olhos.

Sorri com ironia.

— Está vendo?

Minha voz saiu calma.

— Nem você consegue acreditar nas próprias mentiras.

Afastei as mãos dele dos meus ombros.

Virei-me.

E caminhei em direção à saída.

Sem olhar para trás.

— Isabella!

Ouvi Damien correr atrás de mim.

Mas, antes que ele me alcançasse...

Aquela voz irritante ecoou novamente.

— Damien...

Sophia levou a mão ao peito.

— Eu não estou me sentindo bem.

— Meu coração...

— Está doendo...

Os passos de Damien pararam.

Naquele instante...

Ficou claro quem ele havia escolhido.

Saí daquela mansão.

Daquele mausoléu que um dia chamei de lar.

E fui para o único lugar que fazia sentido.

Um bar.

O uísque não diminuiu a dor.

Só a tornou ainda mais intensa.

Minha amiga já estava completamente bêbada e desacordada sobre a mesa.

Eu cambaleava em direção ao banheiro...

Quando esbarrei com força contra um peito firme.

O cheiro intenso de uísque invadiu meu nariz.

Levantei os olhos, ainda com a visão embaçada.

O homem à minha frente tinha um rosto assustadoramente parecido com o de Damien.

Mas havia algo diferente.

Mais duro.

Mais frio.

Seus olhos eram mais profundos.

Muito mais perigosos.

O álcool transformou toda a minha dor em raiva.

Segurei sua gravata.

E lhe dei um tapa com toda a força que ainda tinha.

— Desgraçado!

Minha voz saiu embargada.

— Damien Falcone...

— Seu desgraçado!

— Você e aquela vagabunda podem ir para o inferno!

A cabeça do homem virou para o lado por causa do impacto.

Mas ele não demonstrou nenhuma irritação.

Apenas um sorriso sombrio surgiu em seus lábios.

Ele segurou meu pulso.

Aproximou-se o suficiente para que sua voz grave ecoasse junto ao meu ouvido.

— Olhe direito.

Fez uma pequena pausa.

— Eu não sou o seu marido.

Sorri de maneira torta.

As palavras saíam arrastadas.

— Você é um Falcone.

— Está perto o bastante.

O restante da noite...

Virou um borrão.

Lembro apenas do perfume amadeirado que ele usava.

Lembro que seus braços eram mais fortes do que os de Damien.

Lembro de deixar toda a minha dor...

Toda a minha raiva...

Escorrer até não restar mais nada.

Na manhã seguinte...

Acordei em um quarto de hóspedes da residência principal da família Falcone.

Minha cabeça parecia prestes a explodir.

A luz do sol invadia o quarto.

Sentei-me na cama de um salto.

Foi então que percebi...

Estava nua debaixo dos lençóis.

Em uma cama que não era minha.

E havia um homem deitado ao meu lado.

Ele estava de costas.

Seu perfil era firme.

Marcante.

Era o homem do bar.

— Quem é você?

Arranquei um lençol da cama.

Enrolei-o rapidamente em volta do corpo.

O homem abriu os olhos.

Virou-se lentamente para mim.

Não havia surpresa em seu olhar.

Apenas um discreto traço de diversão.

— Você acordou?

Nem pensei.

Juntei minhas roupas espalhadas pelo chão.

Vesti tudo da maneira que consegui.

E saí correndo do quarto.

Desci a escada como uma fugitiva.

Mas...

Assim que cheguei ao grande salão da mansão...

Dei de cara com Damien.

Ele parecia ter passado a noite inteira me procurando.

Os olhos estavam vermelhos.

Cansados.

Assim que me viu...

Um lampejo de esperança surgiu em seu rosto.

— Bella...

— Você voltou!

— Eu...

As palavras morreram em sua garganta.

Porque ele viu o homem descendo a escada logo atrás de mim.

Ele vinha caminhando tranquilamente.

A camisa permanecia parcialmente aberta.

No pescoço...

As marcas vermelhas deixadas pelas minhas unhas eram impossíveis de esconder.

Toda a cor desapareceu do rosto de Damien.

Ele alternou o olhar entre nós dois.

Sua voz tremia de forma incontrolável.

— Isabella...

Engoliu em seco.

— Por que você está com o meu tio?

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