FAZER LOGINNos três dias seguintes à cúpula...Damien enlouqueceu completamente.Ele havia perdido a família.A fortuna.O poder.E, acima de tudo...Havia me perdido.A rede de Julian nos informou que Damien havia se trancado em um esconderijo decadente.Passava os dias bebendo até perder os sentidos.Conversando sozinho.— A culpa é toda dela...Repetia sem parar.— A culpa é toda daquela desgraçada.Mas ele não estava falando de mim.Estava falando de Sophia.Na quarta noite...Disparos ecoaram nas docas.Julian e eu estávamos no escritório da residência principal.Planejávamos a reestruturação da família...Quando Marco entrou às pressas.— Chefe, temos um problema!Ele mal conseguia respirar.Julian franziu a testa.— O que aconteceu?— Encontraram um corpo no Píer 12.— De quem?Marco limpou o suor da testa.— Sophia Ricci.Uma compreensão silenciosa passou entre nós.Julian assumiu imediatamente o controle.— Detalhes.— Três tiros.Marco respirou fundo.—
Duas semanas depois...A Cúpula das Cinco Famílias foi realizada.O último andar do hotel mais luxuoso da cidade estava completamente isolado.Os cinco Dons ocupavam seus lugares ao redor de uma enorme mesa oval.Atrás de cada um deles...Dois seguranças permaneciam imóveis.Damien estava sentado na cabeceira.Como um rei governando as ruínas do próprio reino.Sem os bens que eu havia recuperado...A família Falcone enfrentava uma grave crise financeira.Três famílias menores já cogitavam romper sua aliança com eles.Don Benedetti, o mais velho entre todos, abriu a reunião.— Senhores...Sua voz grave ecoou pela sala.— Hoje discutiremos a liderança da família Falcone.O rosto de Damien escureceu.— Que discussão é essa?Levantou levemente a voz.— Eu sou o legítimo...— Isto não tem relação com o seu sobrenome, Damien.Benedetti o interrompeu.— Tem relação com o seu julgamento.Do outro lado da mesa...Os demais Dons permaneciam com expressões fechadas.Don Ru
A ligação chegou às quatro da manhã.Arrancando-me de um sono profundo.— O que aconteceu?Atendi fingindo estar sonolenta.A voz de Marco veio do outro lado, carregada de pânico.— Senhora, foi um desastre!Respirou com dificuldade.— O FBI acabou de invadir o Píer 2!Sentei-me na cama.Minha voz assumiu um choque que ninguém podia ver.— O quê?— O Neptune foi apreendido.Marco falava rápido demais.— Toda a carga foi confiscada.— E três dos nossos homens foram presos.— Qual foi o prejuízo?— Pelo menos cinco milhões.A voz dele tremeu.— Sem contar os honorários dos advogados e as fianças.Fez uma pausa.— O chefe está enlouquecendo.— Ele quer ver você.— Estou indo.Desliguei.Um sorriso frio tocou meus lábios.A armadilha havia sido acionada.A sala de reuniões da residência principal estava um caos.Os anciãos se reuniam ao redor da longa mesa.Cada rosto parecia tão sombrio quanto uma tempestade prestes a explodir.Damien permanecia no centro do s
Três dias depois...Damien apareceu pessoalmente no meu quarto.Usava um terno azul-marinho impecável.No rosto...Um sorriso falso e benevolente.Claramente...Já havia se recuperado do choque da reunião.E estava pronto para seguir com o próprio plano.— Isabella...— Precisamos conversar.Continuei organizando os livros sobre a mesa de cabeceira.Nem sequer olhei para ele.— Não temos nada para conversar.Damien começou a andar pelo quarto.— A família precisa de estabilidade.Sua voz era controlada.— Os anciãos precisam enxergar que continuamos unidos.Soltei uma risada fria.— Unidos?Finalmente parei o que estava fazendo.— Você quer dizer que precisa que eu participe da sua farsa.— Quero dizer que você precisa ajudar Sophia a se adaptar à nova função.Levantei os olhos para ele.— Que nova função?Damien assumiu um tom sério.— Assumir os negócios que antes estavam sob seu controle.Fez uma pausa.— Os cassinos.— As operações no porto.— Os invest
Depois da reunião...Fui "escoltada" de volta para a mansão.Dois homens de Damien permaneceram do lado de fora da minha porta.Eles chamavam aquilo de proteção.Eu chamava de jaula.O quarto ainda estava destruído.Elena e os homens de Sophia haviam retirado quase todas as minhas coisas.Deixaram apenas aquilo que consideravam "sem importância".Sentei-me na beirada da cama.O móvel onde a caixinha de música da minha mãe costumava ficar agora tinha apenas um espaço vazio.Oco.Depois que ela foi destruída naquele dia...Nunca mais vi os pedaços.Eles simplesmente...Desapareceram.Fechei os olhos com força.Lutei contra a ardência familiar que surgiu atrás deles.Recusei-me a deixar uma única lágrima cair.Dentro da minha cabeça...Ainda conseguia ouvir o fantasma daquela melodia.Uma música que eu acreditava nunca mais escutar.Uma batida na porta interrompeu meu luto silencioso.— Entre.Não era um dos guardas.Era Julian.Ele usava um terno preto.Nas mãos
O ar no salão congelou.Os olhos de Damien alternavam entre mim...E o homem que ele chamava de tio.— Isabella...Ele pronunciou meu nome com dificuldade.— Eu fiz uma pergunta!Sua voz explodiu.— Por que você está com o meu tio?Ele avançou na minha direção.Mas o outro homem se moveu antes.Parou entre nós dois.Silencioso.Inabalável.Como uma muralha.Damien voltou toda a sua fúria para ele.— Você...Cuspiu cada palavra.— Um exilado.— Como ousa tocar na minha esposa?O homem sequer alterou a expressão.Sua voz permaneceu assustadoramente calma.— Damien.— Controle-se.Fez uma pequena pausa.— Você passou a noite inteira procurando por ela, não foi?Olhou diretamente para o sobrinho.— Eu apenas a encontrei.Damien soltou uma risada de puro desprezo.Os olhos queimavam de raiva.— Encontrou?Sua voz carregava veneno.— Na sua cama?Respirei fundo.Foi a primeira vez que falei.Minha voz saiu rouca.— E onde você queria que eu estivesse, Damie







