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CAPÍTULO 3

Author: Crystal k
— Pare!

Gritei enquanto corria em direção a elas.

A mãe de Sophia, Elena Ricci, virou-se lentamente.

Nos lábios...

Havia o sorriso de um predador que acabava de conquistar um novo território.

— Isabella...

— Você voltou.

Ela olhou ao redor da sala com satisfação.

— O Damien me convidou para ajudar a redecorar a casa.

Sorriu.

— Ele disse que a Sophia prefere um estilo mais alegre.

Meu olhar percorreu a sala de estar.

E meu coração afundou.

As tapeçarias do século XVI, das quais eu tanto me orgulhava...

Haviam sido arrancadas das paredes.

Estavam jogadas no chão.

No lugar delas...

Pendia um quadro enorme de uma rosa cor-de-rosa.

Barato.

Vulgar.

Minha coleção de discos clássicos raros havia sido enfiada dentro de uma caixa de papelão.

Ao lado...

Uma caixa de som coberta por pedras brilhantes tocava música pop em um volume irritante.

Aquela casa...

O refúgio que Damien e eu havíamos construído juntos...

Estava sendo profanada.

Destruída.

Respirei com dificuldade.

— Esta...

Minha voz tremia de tanta raiva que quase não saiu.

— É a minha casa.

— Claro que é, querida.

Elena respondeu com um sorriso de desprezo.

Os olhos dela passeavam pelo ambiente.

— Mas uma casa deve transmitir vida.

Fez uma careta.

— Não parecer um túmulo.

Depois deu de ombros.

— Já passou da hora de jogar fora todo esse peso morto.

Ela tirou o celular do bolso.

Abriu uma conversa.

E colocou a tela diante do meu rosto.

Era uma mensagem de Damien.

Cada palavra atravessou meu peito como uma faca.

"Faça o que quiser com a casa. Só deixe tudo do jeito que a Sophia gosta."

Por um instante...

Meu cérebro se recusou a acreditar.

Damien...

Havia permitido que alguém me humilhasse daquela forma.

Mas nem tive tempo para processar aquilo.

Os olhos de Elena pousaram sobre a lareira.

Meu coração parou.

Sobre a prateleira...

Estava uma delicada caixinha de música antiga.

A última lembrança que eu tinha da minha mãe.

— Esta aqui, por exemplo...

Elena pegou a caixinha.

Começou a girá-la distraidamente na mão.

— Mal-acabada.

Sorriu com desprezo.

— Antiquada.

Fez uma expressão de nojo.

— Que porcaria é essa?

Meu corpo inteiro enrijeceu.

— Coloque.

Minha voz saiu baixa.

— No lugar.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Deixe-me adivinhar...

Sorriu.

— Foi um presente da sua mãe morta?

Sem esperar resposta...

Abriu a tampa da caixinha.

A melodia cristalina tomou conta da sala.

Era a música favorita da minha mãe.

Fechei os punhos.

— Eu disse...

Minha voz carregava puro instinto assassino.

— Coloque.

— No lugar.

Elena riu.

— Você acha que me assusta?

Aproximou-se lentamente.

— Isabella...

— Está na hora de aceitar a realidade.

Seu sorriso ficou cruel.

— O Damien ama você.

— Mas ele precisa de emoção.

Inclinou a cabeça.

— Uma mulher antiquada e sem graça como você nunca conseguiria mantê-lo interessado.

Olhou novamente para a caixinha.

— Esse lixo...

Levantou-a um pouco mais.

— Representa exatamente o seu passado ridículo...

— Abandonado...

**Crash.**

Ela soltou a caixinha.

Ela se despedaçou contra o piso de mármore.

Em centenas de fragmentos.

Junto dela...

Meu coração também se partiu.

A música parou.

Assim como algo dentro de mim.

Naquele instante...

Lembrei de quando eu era apenas uma menina.

Minha mãe me segurava no colo.

Apontava para o brasão da família Moretti gravado na caixinha.

E dizia com um sorriso:

— Bella...

— Lembre-se...

— Você é uma Moretti.

— Nunca...

— Nunca perca o seu orgulho.

Agora...

Aquela caixinha.

O último símbolo da minha mãe.

Estava reduzida a pedaços.

Assim como o meu orgulho.

Avancei sobre Elena como uma leoa.

Mas dois seguranças enormes apareceram do nada.

Seguraram meus braços.

Imobilizaram-me completamente.

Eu não conseguia me mover.

Só podia assistir.

Elena pisou sobre os pedaços da caixinha.

O salto do sapato esmagou cada fragmento.

O som...

Era insuportável.

Ela abaixou os olhos para mim.

Seu rosto transbordava triunfo.

— Está vendo?

Sorriu.

— Quebra com tanta facilidade...

Olhou para os cacos.

Depois voltou a me encarar.

— Igual a essa caixinha barata.

Fez uma pausa.

— Igual ao seu orgulho.

Forcei meu corpo contra os seguranças.

Minha voz saiu como um rosnado.

— Você vai pagar.

Respirei fundo.

— Eu juro...

— Em nome da família Moretti...

— Vou reduzir toda a sua linhagem a cinzas.

Naquele exato momento...

As portas da mansão se abriram com violência.

— Isabella!

A voz desesperada de Damien ecoou pela casa enquanto ele corria para dentro.

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