Compartir

Completo Pânico

Autor: Darlla Vi
last update Fecha de publicación: 2026-07-31 02:42:11

Izobel Bellarno:

— Podemos, claro. — Então me voltei para Althea, rapidamente, em português: — Acho que vamos ter que adiar o almoço. Meu irmão quer conversar comigo. Prometo que te apresento a ele em outra oportunidade.

— Claro, amiga. — Ela colocou a mão no meu ombro, já percebendo que a situação era séria. — Depois me avisa se está tudo bem...

Assenti, nós trocamos um beijo no rosto, e eu segui Kael até o carro que tinha alugado. Sem dúvidas era até uma humilhação ele andar no meu. Sem contar que ficaria completamente apertado lá dentro, sendo um homem de quase um metro e noventa.

Fui o caminho todo muito nervosa, especialmente porque Kael era muito falante, mas nem tentou puxar papo. Quanto mais avançávamos, chegando à orla do Rio – onde ele estava hospedado –, mais minha ansiedade se tornava latente. Conforme subíamos no elevador, o silêncio se tornou quase insuportável, tanto que quando abriu a porta do quarto e entramos, eu joguei minha bolsa sobre a mesa e parei diante dele, com as mãos na cintura.

— Chega de me enrolar, Kael. O que houve?

— Não é melhor você se sentar?

— O caralho que é. Estou nervosa.

— E continua boca suja... — Ele abriu um sorriso melancólico, e eu o olhei com uma sobrancelha arqueada, sem muita paciência. — Ok, ok. Eu sinto muito ser o mensageiro de uma má notícia, mas Nerina sofreu um acidente...

— O quê? — Arregalei os olhos, levando uma das mãos à boca. — Ah, meu Deus! Ela... ela está bem? Ela...

— Não, sorellina. Nossa irmã se foi... — Kael verteu algumas lágrimas, e eu fiquei por algum tempo paralisada, absorvendo a notícia.

Assim que a ficha caiu, levei uma das mãos exatamente à mesa onde deixei minha bolsa, tentando me firmar, completamente atordoada. Minha irmãzinha caçula... Aquela coisinha doce, que mais parecia uma boneca de porcelana... Como era possível? Ela só tinha vinte anos.

Quando as lágrimas surgiram, meu irmão me tomou em seus braços, bem apertado, e eu me refugiei neles, encostando-me em seu peito. Ele tivera muito mais contato com Nerina do que eu, provavelmente seu sofrimento era maior, mas naquele momento nós nos demos forças, porque não importava que eu não a conhecesse a fundo, a garota era minha irmã. Sangue do meu sangue.

— Como estão papai e Orion? — perguntei assim que nos afastamos.

— Nosso pai é... bem... é nosso pai. — Foi uma informação que eu compreendi muito bem. Cassiel Bellarno era focado nos negócios, em sua vida profissional, nunca tivera muito tempo para nós, com exceção do meu irmão mais velho, seu herdeiro. — Orion é o nosso Cavaleiro das Sombras — explicou, com um sorriso desanimado.

— Cavaleiro das Sombras?

— Foi assim que passaram a chamá-lo. Vai entender quando revê-lo. Mas os dois são fortes.

É, eu sabia. Mas "fortes" era uma palavra gentil. Talvez insensíveis fosse a que eu usaria.

— Foi muita gentileza sua vir ao Brasil me avisar. Não precisava... — Afastei-me um pouco mais do meu irmão, percebendo que ele não tinha sequer desfeito as malas. Parecia, na verdade, que tinha chegado há poucas horas e ido direto me ver. Era o tipo de consideração que eu sabia que, na minha família, apenas Kael poderia ter.

— Para ser sincero, sorellina, não foi só por isso. — Lancei um olhar para ele, com atenção. — Eles me enviaram para te buscar.

Franzi o cenho, confusa.

— Me buscar? Mas como assim?

Kael respirou fundo, passando a mão pelos cabelos cacheados e se colocando de costas para mim, como se não quisesse me olhar nos olhos.

— Nosso pai quer conversar com você. Já que Nerina morreu... e...

— Sem rodeios, Kael — afirmei com um tom firme, grave.

Ele virou e se voltou para mim outra vez. Em seu rosto, uma visível expressão de cachorro sem dono, que era sua especialidade. Continuei a me preocupar.

— Nerina estava de casamento marcado para daqui a um mês.

— Ela só tinha vinte anos!

— Sim, mas era um casamento de conveniência. Foi prometida a um homem. Um homem importante, poderoso.

Soltei uma risada amarga.

— Essas coisas existem fora dos livros?

— No meio em que vivemos, sim.

Eu tinha algumas desconfianças a respeito das coisas que meu pai e meus irmãos faziam. Não era idiota, até porque eles eram italianos. Por mais que vivessem nos Estados Unidos, todos eles tinham nascido na Milão, inclusive eu, já que meu pai conheceu minha mãe em uma de suas temporadas por lá. Ela era imigrante brasileira e trabalhava como garçonete em um bar. Aparentemente fora uma paixão louca, quase à primeira vista.

— Seja como for — Kael continuou —, o casamento de Nerina era muito importante, não apenas para uma questão de negócios, mas porque há um grupo extremista que tem planos de tirar nosso pai do poder.

— De que poder, Kael? — finalmente perguntei. Se ele estava falando tudo aquilo para mim era porque queria que eu soubesse alguma coisa, então talvez estivesse na hora, de fato, de descobrir.

— Izobel, como disse, sou só o mensageiro. Não posso te dizer mais do que o que vim dizer, e já é muito. Insisti para ser eu, porque queria estar presente e te proteger; te fazer sentir mais segura.

— Como assim? Do que você está falando?

— Você precisa ir comigo para Miami, sorellina. E infelizmente eu não posso te dar opção. Não é o que eu queria, mas, assim como a você, também não me deram opção.

Dei um passo para trás, começando a achar tudo aquilo muito estranho.

— Kael, do que...? — Não consegui terminar a frase, porque dois homens todos de preto saíram da suíte do quarto. Um deles segurava algo na mão que parecia muito uma seringa. — Kael? — chamei novamente o meu irmão, com os olhos arregalados, em completo pânico.

Mesmo confusa, tentei correr em direção à porta, mas ele me segurou.

— Scusami, sorellina. Estou aqui. Vou cuidar de você.

Tentei me soltar de suas mãos, mas o homem com a seringa veio na minha direção, espetando-me com uma agulha bem no pescoço, o que me fez gemer com a picada e com medo. Eu estava prestes a ser sequestrada! E não fazia ideia do motivo...

Não demorou nem um minuto inteiro para eu sentir meu corpo completamente mole, logo após a injeção. Meu irmão me segurou e me ergueu em seu colo, agarrando-me com firmeza.

— Repito, Izobel: estou aqui para cuidar de você. Era inevitável, mas eu precisava estar com você.

Queria perguntar por que era inevitável, mas eu já não tinha mais forças para isso. Só deixei minha cabeça pender no ombro de Kael e me entreguei à escuridão, enquanto ele sussurrava que tudo ia ficar bem. Mas eu tinha a impressão de que não ia. De jeito nenhum.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Casamento Inesperado com o Don   A Noiva que Voltou dos Mortos

    Kael Bellarno:Ouvi apenas mais um soluço, mas ela não me respondeu. Continuei entrando, passo após passo, devagar, e percebi que não estava nua, mas quase isso. Tinha uma camisola branca no corpo, uma daquelas bem longas e largas, de algodão, sobre a qual a água caía, encharcando seus cabelos. Eu podia ver, por suas pernas, que a peça ficara completamente transparente.Ela estava com os joelhos flexionados, os braços ao redor deles, abraçando a si mesma, sentada no chão.Eu podia vê-la por trás do vidro do box, e a forma como estava encolhida, como um bebê, me deixou verdadeiramente assustado.— Fiona? — suavizei a voz, e meus olhos se encheram de compaixão quando ela ergueu a cabeça e se voltou para mim, de um jeito assustado, quase como um bichinho que fora transformado em presa.Abri a porta do box, fechando

  • Casamento Inesperado com o Don   Uma Guerra pelo Direito de Amar

    Fiona:— Terá que me pegar primeiro. Não vai tirá-la de mim. Não para cumprir seus planos.Quais eram os planos, meu Deus? Eu estava começando a ficar agoniada.— Vai se arrepender, Kael. Não me quer como inimigo...— E nem você. Não me subestime, Sylas. Nenhum de vocês me conhece.Em um claro rompante de raiva, Kael desligou o telefone, lançando-o sobre a cama. Ficou calado, andando de um lado para o outro, mas sem me incluir, sem compartilhar comigo seus pensamentos.Eu não sabia o que fazer. Não conseguia decidir se era melhor perguntar alguma coisa, se deveria ficar calada ou se era melhor sair do quarto e deixá-lo sozinho. Já tinha testemunhado dois momentos de tensão de Kael, e ele se comportara de formas diferentes em cada um deles. Daquela vez, achei melhor esperar.&m

  • Casamento Inesperado com o Don   O Coração Entregue ao Inimigo

    Kael Bellarno:O sol enviava seus últimos raios naquele entardecer, salpicando todo o verde que havia ao nosso redor com pequenas luzes douradas. Usei o pé para abrir a pesada porta de madeira, porque a tinha deixado apenas encostada. Fui entrando, caminhando com a mulher no meu colo, subindo as escadas e seguindo para o quarto dela.Quando entramos, coloquei-a no chão bem devagar, com cuidado, deixando-a à minha frente. Poderia ser um beijo delicado, mas eu também queria que fosse intenso. Por isso, coloquei a mão em sua nuca, embolando meus dedos nos fios dos seus cabelos e puxando-a para mim enquanto me inclinava para buscar sua boca. Havia uma grande diferença de altura entre nós, o que me fez passar um braço ao redor de sua cintura fina e tirá-la novamente do chão, para que as coisas ficassem mais fáceis.Fiona imediatamente me abraçou, e eu senti seu

  • Casamento Inesperado com o Don   O Anjo que Desarmou o Sedutor

    Kael Bellarno:Começamos a noite com um certo clima de descontração. Ambos um pouco nervosos, o que era bem raro para mim, tentávamos manter conversas simples, assuntos seguros, mas lá estávamos nós: em uma aura inegavelmente magnética.Eu não tinha bebido quase nada do vinho, muito menos Fiona. Nem era necessário. Havia sorrisos, risadas e, por mais que ela ainda se mostrasse muito tímida, aos poucos ia se soltando.E eu me sentia um bobo por ela.Não era incomum que me pegasse atraído por uma mulher bonita. Elas iam e vinham na minha vida, a cada noite, preenchendo minha cama e me dando prazer, como se eu precisasse de tudo isso para completar o vazio que nunca me abandonava.A cada noite, eu me apaixonava por uma pessoa diferente. Só que, no dia seguinte, esse sentimento desaparecia, e eu já me sentia pronto para uma nova jor

  • Casamento Inesperado com o Don   Entre o Desejo e a Sentença

    Fiona:— Exagerado? Não, de forma alguma. Só acho que você está bonita demais para o meu bem. Talvez eu precisasse preparar o meu coração melhor para o que veria.Kael já tinha começado o jogo de sedução? Porque, na minha opinião, ele já estava usando suas melhores cartas, e nosso encontro mal tinha começado.Depois de pegar a minha mão, me conduziu para fora da casa. Fiquei confusa por um momento, porque achei que iríamos jantar, mas não demorei a ver a mesa posta lá fora, próxima ao muro onde conversamos na noite anterior.— Queria ter caprichado um pouco mais na decoração, mas não tínhamos muita opção por aqui — ele explicou, embora não fosse necessário.— Está lindo. Obrigada.Como um caval

  • Casamento Inesperado com o Don   Um Príncipe à Luz do Entardecer

    Kael Bellarno:Fiona com outro homem. Fiona sendo tocada por alguém que não a trataria como merecia. Ela sendo machucada em sua primeira vez, porque o filho da puta que a desvirginasse não seria cuidadoso ou carinhoso.Fiona se tornando esposa de outra pessoa.Muitas eram as pessoas que me diziam que o dia em que conhecesse alguém que mexesse com a minha cabeça eu enlouqueceria. Que a sensação de se encantar por uma única mulher era assustadora e fascinante. Sempre duvidei disso, porque a opção de desejar muitas nunca me pareceu algo ruim. Brincava que, em meu coração, sempre haveria espaço para várias, que nunca fecharia as portas, porque também não imaginava que precisaria me casar tão cedo.Muitos homens que eu conhecia eram loucos por suas mulheres. Em um nível quase tóxico. A possessividade era algo que

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status