Share

"Capítulo cinco."

last update publish date: 2024-03-22 07:20:05

Harper Ricciardi

Cold suspirou, percebendo a tensão no ar. Ele se aproximou mais de Eloise, que estava visivelmente instável devido à embriaguez, e ofereceu-lhe um apoio firme.

— Eloise, vamos lá dentro. Você precisa descansar um pouco — disse ele com calma, mantendo-se composto apesar da situação tensa.

Eloise olhou para ele com uma expressão confusa por um momento, antes de finalmente ceder e aceitar sua ajuda. Com cuidado, Cold a guiou em direção à porta da mansão, ignorando o olhar furioso que eu lançava em sua direção.

Enquanto eles se afastavam, uma mistura de alívio e preocupação se espalhou por mim. Eu sabia que Cold não tinha sentimentos românticos por Eloise, mas mesmo assim não conseguia evitar a sensação de insegurança que sua proximidade provocava em mim.

Cold ajudou Eloise até o quarto dela, garantindo que ela estivesse segura antes de sair imediatamente, sem dar espaço para qualquer mal-entendido. Eu estava no quarto, deitada, envergonhada pelo que havia acontecido e pela minha própria reação à situação. As palavras de Eloise ainda ecoavam em minha mente, cutucando as feridas do meu orgulho e segurança.

Então, sem aviso prévio, Cold entrou no quarto. Meu coração acelerou com sua presença repentina. Ele parecia tão distante, tão inatingível naquele momento. Meu olhar encontrou o dele, cheio de tantas emoções não ditas, enquanto ele calmamente começou a tirar suas roupas diante de mim.

Eu me senti exposta, vulnerável sob seu olhar penetrante. Mas, ao mesmo tempo, algo dentro de mim se derreteu na intimidade crua daquele momento. Ele não disse uma palavra, apenas seguiu em direção ao banheiro completamente nu.

Fiquei ali, encarando a porta fechada, sentindo-me como se estivesse em uma corda bamba emocional. Era como se cada movimento, cada silêncio, carregasse um significado profundo que eu ainda não conseguia decifrar.

Cold retornou do banheiro todo molhado, uma única toalha envolvendo seu corpo. Seus cabelos ainda gotejavam água enquanto ele se aproximava de onde eu estava deitada. Eu me sentei um pouco, observando-o com uma mistura de admiração e confusão.

Ele se aproximou mais, seu olhar penetrante capturando o meu. —Por que você ainda está acordada?—Ele perguntou suavemente, sua voz cortando o silêncio do quarto.

Engoli em seco, tentando encontrar as palavras certas para explicar tudo o que estava passando pela minha mente naquele momento.

—Eu... não consegui dormir—admiti, sentindo-me fraca diante dele.

Cold assentiu lentamente, compreendendo. Ele se sentou ao meu lado na cama, a proximidade entre nós aumentando a minha consciência da sua presença. Eu me encolhi um pouco, sentindo-me pequena e vulnerável diante dele.

—Tem pesadelos ao dormir?— ele disse sinceramente, sua mão encontrando a minha e segurando-a com ternura. —Eu entendo que não deve ser fácil dormir pensando que pode estar novamente presa aos pesadelos que parecem reais, mas você vai superar, um dia será mais fácil lidar com isso.

Seu toque era reconfortante, um lembrete silencioso de que, apesar de tudo, ainda estávamos juntos. Eu me permiti afundar um pouco mais na sua presença, encontrando consolo na esperança de um futuro melhor.

—Como sabe dos meus pesadelos? — perguntei para ele, com uma ponta de esperança de que ele talvez tivesse lembrado de mim, assim como eu lembrava dele.

Cold olhou para mim com uma expressão suave, como se estivesse ponderando suas palavras.

—Eu não sei dos seus pesadelos, Harper— ele respondeu sinceramente, sua voz tranquila ecoando no quarto silencioso. —Mas eu sei como é estar com medo de dormir por causa dos pesadelos. Nós somos casados, eu quero estar aqui , mesmo que eu não entenda completamente o que está acontecendo.

— É estranho, não é? Estarmos juntos assim, mas ainda tão distantes— murmurei, sentindo o peso da solidão em nossos ombros.

Cold assentiu, seus olhos refletindo uma mistura de resignação e compreensão.

—Sim, é estranho. Mas é o acordo que fizemos, não é?

Senti um aperto no peito ao ouvir sua resposta tão pragmática.

—Sim, é, concordei, sabendo que eu não podía escapar das circunstâncias que nos uniram.

Ele se aproximou um pouco mais, seus olhos buscando os meus.

—Mas isso não significa que precisamos ser estranhos um para o outro—disse ele, com uma nota de determinação em sua voz.

Fiquei surpresa com sua declaração, sentindo uma pequena faísca de esperança dentro de mim.

—O que você quer dizer?

Cold suspirou, como se estivesse reunindo coragem.

—Eu quero dizer que podemos nos apoiar, nos entender, mesmo que não seja da maneira que esperávamos. Podemos tornar isso mais do que apenas um casamento de conveniência, podemos ser amigos.

Olhei para ele, surpresa e tocada por sua oferta de conexão. Talvez, apesar de todas as nossas diferenças e limitações, ainda pudéssemos encontrar um pouco de conforto um no outro. Era uma perspectiva assustadora, mas também cheia de possibilidades.

Reunindo coragem, tomei uma decisão.

—Cold, e se... e se tentássemos mais do que apenas um casamento de conveniência? E muito mais que uma amizade, se tentássemos ser um casal de verdade?

Ele me olhou por um momento e logo perguntou:

—Harper, você está apaixonada por mim? Se for o caso, terei que desfazer o acordo, não posso me envolver emocionalmente e nosso casamento não pode ultrapassar alguns limites.

Harper Ricciard

—Você me lembra alguém muito especial em minha vida. Alguém que foi gentil, corajoso e faria qualquer coisa para garantir o meu bem-estar e que arriscaria tudo para me manter a salva. Mas sei que não pode ser ele. O nosso acordo é importante, e eu valorizo a nossa parceria. Espero que possamos continuar juntos, mantendo o acordo, mas preocupo-me com a Eloise, e os sentimentos dela por você, se diz que ela é uma pessoa importante na sua vida, deveria ser sincero e aproveitar que estamos casados, para que ela pare de se iludir, já que no seu coração cheio de espinho não se pode tirar sentimento algum.

Ele me olhou incrédulo, talvez não esperasse que eu fosse sincera, mas já não importava mais, ele poderia ser o homem que eu me apaixonei perdidamente, mas assim como o fogo que nos cercava naquele incêndio, toda chama que eu tinha por ele, parecia estar apagada diante do seu frio coração.

Cold se manteve firme, minhas palavras carregadas de sinceridade ecoavam no ambiente tenso. Ele, surpreso com minha franqueza, pareceu ponderar por um momento antes de se aproximar, sua respiração quente tocando delicadamente meu pescoço enquanto sua barba roçava suavemente.

—Você tem razão, Harper. Eloise é importante para mim, e não quero vê-la iludida. Prometo ser um bom ator, mostrar um afeto que faria jus ao que merece, mesmo que não seja real, irei demonstrar diante da minha família como eu estou perdidamente apaixonado pela minha esposa, espero que esteja disposta a tudo, já que darei tudo de mim neste papel de romântico esposo.

As palavras dele foram como uma brisa suave em meio ao fogo que nos consumia, trazendo um momento de calma à tempestade de emoções que nos rodeava. A nossa proximidade era quase palpável, uma tensão carregada de sentimentos não sinceros e desejos reprimidos vindo de mim.

Eu encarei-o e logo ele beijou-me, senti o seu corpo nu, tocar o meu, ele continua o nosso beijo que estava quente, deliciosos e suave.

Quando alguém b**e na porta e o faz voltar a si, ele sorri para mim, como se mostrasse que já estava a encenar, logo coloca um roupão e vai até à porta, era a Eloise, pedindo para que ele não dormisse comigo.

Ele olha nos olhos de Eloise com gentileza, procurando transmitir uma sensação de tranquilidade.

—Eloise, eu entendo sua preocupação, mas agora que estou casado com Harper, preciso que confie em mim. Nossa relação mudou, e minha prioridade agora é honrar meu compromisso com ela. Você sempre será uma amiga querida, mas é hora de seguir em frente e deixar o passado para trás.—ele diz, enquanto ouço tudo dentro do quarto.

Sua voz é calma e firme, transmitindo uma determinação em proteger os limites de sua nova união, enquanto tenta acalmar os receios de Eloise.

—Cold, preciso te dizer algo. Desde que nos conhecemos, sempre fui apaixonada por você. Você é tudo o que sempre quis, mas sei que agora você está com Harper, é tarde demais para me dar uma chance?—diz Eloise como se estivesse suplicando por atenção.

—Eloise, você é uma pessoa incrível e muito especial para mim. Mas minha relação com Harper é diferente. Sinto muito se isso te machuca, mas preciso ser honesto. Eu só te vejo como uma irmã, alguém com quem compartilho uma conexão profunda, mas não é algo romântico.

 Observo-o enquanto se dirige ao closet, suas costas retas e sua expressão pensativa revelando o peso das emoções recentes. Enquanto ele se veste, percebo a tensão que ainda paira no ar, como uma fina névoa que se recusa a se dissipar. Quando ele finalmente retorna à cama e se deita ao meu lado, sinto um misto de alívio e preocupação. Seu silêncio é eloquente, e eu me pergunto o que se passa em sua mente tumultuada.

— Harper—diz ele deitado, olhando para o teto do quarto, quebrando o silêncio do imenso quarto luxuoso.

—Harper, eu... preciso que olhe para mim como o homem que você ama. Eu preciso que as pessoas ao nosso redor acreditem que estamos juntos porque nos amamos. Eu preciso que me ajude com isso.

Seu tom é suplicante, revelando a urgência por trás de suas palavras. É como se ele estivesse pedindo não apenas ajuda para manter as aparências, mas também buscando validação e conexão emocional mesmo que tudo para ele fosse tudo falso.

—Cold, farei o meu melhor para ajudar você nisso.

Ele agradece com um aceno suave, seus olhos revelando gratidão misturada com uma leve tristeza. Virando-se para o lado, ele se entrega ao sono, deixando para trás as preocupações e tensões do dia. Observo seu rosto tranquilo por um momento antes de me aconchegar ao seu lado, envolvendo-nos no conforto dos lençóis enquanto o silêncio da noite nos envolve.

Continua...

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Casamento por contrato com o Mafioso    Capítulo Sessenta e seis

    Viktor PetrovAntes que ela continuasse, eu a beijo, mas ela se afasta, eu jogo a garrafa no chão e a prendo contra a parede, a vejo olhar amedrontada para mim, pela primeira vez a vejo sentir medo.—Você é minha prisioneira e não quero que se afaste de mim quando eu tiver a beijando.—digo furioso.Ela me empurra e eu acabo caindo, levanto e vejo a minha mão cortada, ela corre para fora e eu a sigo. A seguro e digo:Continua sem medo de mim?Eu vou te mostrar que posso ser o monstro que vê em mim.—Eu não consigo mais fingir, você é um monstro e eu apenas fingi que me apaixonei por você!—diz ela deixando as lágrimas caírem.Olho para ela surpreso, como isso foi acontecer?Eu não estava preparado para lidar com isso.Acabo me afastando dela e ela continua me encarando, eu vou até o meu carro e dirijo desnorteado.Passo três semanas sem ir em casa pensando em como agir, decido ir até a cafeteria que ela estava trabalhando.Sento e logo ela me olha e desvia o seu olhar, em seguida a amiga

  • Casamento por contrato com o Mafioso    Capítulo Sessenta e cinco

    Helena ManciniHavia se passado uma semana desde que Viktor saiu da sua mansão, os capangas deles me observavam, eu estava me sentindo mal todos os dias, sem vontade de me levantar da cama, acordando pela manhã as pressas com náuseas e vômitos excessivos.Estava fraca e cansada ao extremo, decidi ir ao hospital, imaginando que ele tivesse mandado a cozinheira envenenar-me, não podia duvidar de mais nada, vindo daquele homem perverso que em tão pouco tempo me tornou a sua prisioneira e agora ele queria matar-me? Decido finalmente ir ao hospital, para minha surpresa nenhum dos capangas do Victor me impediu de sair da mansão.Pego uma das chaves de um dos carros que estavam na garagem com motorista e dirijo até o hospital que havia pesquisado a pouco tempo no meu celular.Logo noto que dois capangas do meu vingativo esposo me seguem, o que me leva a pensar que mesmo fora da mansão, ainda sou uma prisioneira sendo observada.Assim que chego no hospital, vou a recepção e espero ser atendi

  • Casamento por contrato com o Mafioso    Capítulo Sessenta e quatro

    Helena Mancini—Obrigada pelo presente, não sabia que você era o tipo de homem que gosta de dar presentes em aniversários mensais de casamento.—Pensou que eu não saberia que estamos fazendo um mês hoje de casados?—diz ele sorrindo para mim e tocando em meus lábios.—E quanto ao meu presente?—ele pergunta-me, sussurrando no meu ouvido e beijando o meu pescoço.Seu sussurro no meu ouvido enviou arrepios pela minha espinha, e eu me derreti um pouco mais com seu beijo no meu pescoço.Eu me senti um pouco surpresa com o presente de Viktor. Não esperava que ele fosse tão atencioso com datas. Mas ao mesmo tempo, sua gentileza me deixou aquecida por dentro.—Um mês de casados!—Eu disse com um sorriso, virando-me para encará-lo. —O tempo voa quando estou ao seu ladoMas quando ele me perguntou sobre o meu presente, eu me senti um pouco desconcertada. Não tinha planejado nada especial, não como ele fez.—Eu... eu não tenho um presente para você.— admiti, sentindo-me confiante. —Mas eu espero q

  • Casamento por contrato com o Mafioso    Capítulo Sessenta e três

    Viktor Petrov—Helena, como você foi se casar com o Viktor Petrov?Como ele conseguiu te enganar?—diz Antony com um tô de voz ousado.—A minha esposa está dormindo, vejo que já descobriu que sou o esposo dela, então vou lhe dar um conselho, respeitando a sua amizade com a minha mulher, não se envolva no meu casamento.—Você acha que eu vou deixá-la aprisionada a um homem que coloca o irmão para enganar a minha melhor amiga?—Cuidado como fala, posso acabar acreditando que virá até aqui e a levará com você, mas eu não vou permitir que isso aconteça.—digo e em seguida desligo a chamada.Eu me lembro claramente da primeira vez que Helena entrou na minha vida. Ela era como uma tempestade, poderosa e irresistível. Eu estava acostumado a manipular as situações ao meu favor, mas com ela, tudo mudou.Eu a conheci em um evento social, onde meus olhares encontraram ela e algo dentro de mim mudou naquele momento. Ela era diferente de todas as mulheres que eu já tinha conhecido, desafiadora e i

  • Casamento por contrato com o Mafioso    Capítulo Sessenta e dois...

    Viktor Petrov Ela segura na minha mão e nos olhamos por um momento, pela primeira vez me senti vulnerável, mas também confiante em revelar uma parte da minha dor a ela. —Eu sinto muito pela perda que você enfrentou quando era criança. Ninguém deveria passar por algo assim. Perder alguém que amamos é uma dor que nunca desaparece completamente.Não há nada que eu possa dizer para amenizar a sua dor, mas agradeço por revelar uma de suas dores a mim. Helena aperta suavemente a minha mão, transmitindo seu apoio, eu apenas saio para fora e fico um tempo lá até voltar e ouvir ela ao telefone no jardim. —Antony, finalmente consegui atender. Desculpe por não ter respondido antes, mas as coisas estão difíceis aqui. Estou sendo mantida como prisioneira, em uma situação realmente que foi assustadora. Não quero que se preocupe demais agora, mas precisava que soubesse, você é o meu melhor amigo e não quero que se preocupe comigo. Por favor, não faça nada por enquanto, estou tentando encontrar um

  • Casamento por contrato com o Mafioso    Capítulo Sessenta e um...

    Helena Mancini—Talvez eu tenha adquirido a síndrome de estocolmo, isso explicaria o fato de não querer que se machuque e principalmente por estar apaixonada por você.Olho para Viktor, tentando decifrar os seus olhos em busca de qualquer sinal de arrependimento ou remorso, mas tudo o que vejo é uma expressão fria e determinada.Ele não parece se importar com o impacto das minhas palavras ou declaração.Um nó se forma na minha garganta, misturando-se com a dor física que ainda sinto no meu braço. Por um momento, me sinto vulnerável e impotente diante da situação. Mas então, uma chama de determinação surge dentro de mim. Se Viktor pensa que pode me controlar assim tão facilmente, ele está enganado. Eu não serei apenas mais uma peça em seu jogo. É hora de eu recuperar o controle da minha vida, custe o que custar.Levanto-me e cubro-me com o lençol, em seguida ando em direção a porta.—O que pensa que está fazendo?—diz ele diante de mim.—Quero ir para nossa casa, não me sinto confortá

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status