LOGIN"Diana"— Quanto você gastou nesse vestido? — Isabella perguntou, assombrada, assim que me viu pronta.Eu tinha guardado segredo até o último minuto. Sabia que era suntuoso. Eu mesma havia mandado fazer sob medida e acompanhei cada etapa do processo.— Não queira saber — respondi, encarando meu reflexo no espelho e admirando cada detalhe.Era um vestido de princesa.A saia volumosa se abria a partir da cintura, criando uma silhueta clássica de conto de fadas. A cauda longa e circular se espalhava pelo chão, bordada com desenhos que pareciam flutuar sobre o tecido. Tudo era coberto por renda floral delicada e aplicações de pedras que capturavam a luz.O decote profundo com tule transparente e as mangas longas bordadas completavam o visual.Era absurdamente lindo. Mais do que eu imaginei e não tinha poupado nem um centavo. Eu nunca fui uma mulher que se permitiu sonhar com casamento, ainda mais quando me deixei levar por aquele noivado sem lógica. Não pensava em vestidos, nem em finai
"Isabella"Quando Augusto abriu a porta do quarto, tentou disfarçar a expressão de pânico. Ele, que sempre se mantinha impecável e sob controle.— Calma, está tudo bem — eu disse, segurando a mão dele com força assim que ele parou ao lado da minha maca. — A médica falou comigo. Vou fazer os exames para ver como estão os dois, mas não tem como adiar o parto e será feito uma cesária de emergência.As palavras que saíam da minha boca de forma calma, não eram condizentes com a minha mão, que tremia. Augusto percebeu e apertou meus dedos com mais força, sabendo que eu estava com medo.A gravidez tinha sido um mar calmo, nenhuma intercorrência, nenhum susto. Até a mudança para a mansão acontecera sem estresse.Mas agora, na reta final, a barriga pesava. Meus pés pareciam bolas de chumbo ao fim do dia, e a minha pressão precisava ser medida diariamente. No fundo, eu torcia para que os gêmeos nascessem no tempo certo, mesmo sabendo que seria difícil e sentindo cada vez mais o corpo dando si
"Augusto"O som da furadeira perfurando o concreto ecoava pela avenida. E pensei no quanto o tempo tinha passado rápido demais.Antes do previsto o fim tinha chegado em definitivo. Marcelo aceitou a oferta e, depois da compra, após o período burocrático, iniciou o processo de transição. Agora, operários em andaimes removiam as letras de metal escovado que, por décadas, estamparam o orgulho da nossa família. A SEG29 estava sendo apagada da fachada.Paramos na calçada oposta, observando em silêncio. Diana estava ao meu lado, ajustando o peso do filho no colo; meu sobrinho dormia sereno no canguru, alheio ao fim de uma era. César, um pouco mais à frente, observava a cena com as mãos nos bolsos.— Marco Aurélio deve estar se revirando no inferno — comentou Diana, num tom ácido, desprovido de qualquer resquício de luto.Ela nunca mais o chamou de pai. Não gostava sequer de mencionar o nome dele.Desde a abertura do testamento, descobrimos que ele não tinha conseguido concluir as alterações
"Diana"— Eu preciso que essa criança nasça logo, pelo amor de Deus — suspirei, cansada, largada no sofá, tentando encontrar uma posição confortável.Ícaro sorriu, fazendo carinho na minha barriga enorme.— Ele está confortável aí dentro.— Pois não devia. Eu estou bem desconfortável aqui fora — reclamei.Eu poderia ter marcado uma cesárea, mas optei por esperar os sinais, tentando o parto normal. Só que nosso filho parecia não ter pressa nenhuma de conhecer o mundo, enquanto eu mal conseguia achar um posição para dormir. — Precisamos escolher um nome… — ele falou com calma.Era um assunto que já tínhamos discutido dezenas de vezes, sem chegar a lugar algum. Nenhum nome parecia forte o suficiente. Eu queria algo imponente. Eu sabia que meu filho seria um homem forte, como o pai e como eu.— Otávio — falei, convicta.O nome tinha surgido naturalmente no dia anterior, e desde então parecia inevitável.— Otávio? — Ele fez uma careta dramática. — Coração, isso é nome de senhor aposentad
"Isabella"A decisão de morar na mansão chegou rapidamente até a avó de Augusto e ela ficou tão empolgada que me chamou para conversar, já querendo mostrar onde seria a reforma da casa. Minha primeira reação foi querer recusar, mas fiquei sem graça diante de tudo o que ela vinha enfrentando. A verdade é que minha sogra ainda estava na casa, e encontrá-la definitivamente não fazia parte dos meus planos.A avó de Augusto garantiu que isso não seria um problema e até César tinha avisado que a mãe estava mais calma, não querendo saber de ninguém focada apenas na mudança de pais.Sendo assim, sem mais motivos para adiar, me vi dentro do carro, seguindo em direção à mansão e levando minha prima Camila comigo, como suporte emocional.Camila preferia ficar o mais longe possível daquele lugar, mas não me deixaria sozinha na casa com mãe de Augusto por perto. Foi junto, ainda que claramente a contragosto.Ela já sabia do retorno de César. E eu continuava sem entender em que pé estavam os dois.
"Isabella"Karen tinha evaporado mais uma vez. Mas, dessa vez, sem o filho. Ainda custava acreditar que ela tivesse sido capaz de fazer aquilo. Durante muito tempo, pensei que a única coisa de humana e boa que ainda existia na minha irmã fosse o Heitor. Pelo visto, eu estava errada. Karen não deixou sequer um bilhete. Se fosse encontrada, seria presa novamente. E, dessa vez, ficaria detida até o julgamento.Enquanto isso, ajudava a minha tia. Em alguns dias, levava Heitor para minha casa, para dar um descanso a ela, já que Camila estava trabalhando sem parar. Eu precisava pensar no meu sobrinho, no bem-estar dele e não perderia mais tempo pensando em Karen. Por isso depois de dois dias procuramos um advogado para regularizar a situação dele e como ficaria a questão da guarda. Augusto também trabalhava direto, agora ao lado da irmã. Era a primeira vez que os dois dividiam um projeto sem competição, sem medir forças. Eu sabia que discutiam, irmãos de temperamento forte sempre discute







