Share

Capítulo 4

Penulis: Maple
Ponto de vista de Mara

Quando voltei ao meu quarto, procurei a pedra da lua que minha avó me deixou. Foi o último presente que recebi dela antes de sua morte, e eu a guardei comigo durante sete anos. Sempre que o efeito rebote das barreiras me atingia, era aquela pedra que curava minha loba interior.

Revirei o quarto inteiro, mas não a encontrei. Fui ao salão principal para perguntar à minha mãe e a vi penteando os cabelos de Lila. No pescoço da minha irmã havia um colar novo, com um pingente de pedra da lua cinza-azulada.

Reconheci a pedra assim que a vi.

— Quem permitiu que você pegasse minhas coisas?

Não falei alto, mas o salão inteiro se calou. Lila levou a mão ao pingente.

Minha mãe franziu a testa.

— Os vampiros atacaram há pouco. Precisava mesmo fazer escândalo justo agora?

Olhei para ela e não consegui conter uma risada.

— Os vampiros foram embora.

Apontei para a barreira que ainda brilhava ao longe.

— E fui eu que os repeli.

Os dedos de Lila se fecharam com mais força em torno da pedra. Minha mãe falou com uma sinceridade que me surpreendeu:

— Lila passou o dia inteiro de guarda do lado de fora da Torre da Lua. A loba interior dela sofreu um abalo. Por isso, ela estava usando a pedra da lua.

— Fui eu quem ficou no centro da matriz rúnica e recebeu o efeito rebote — respondi, sustentando o olhar da minha mãe e marcando cada palavra. — Não Lila.

Minha mãe abriu a boca, mas não disse nada. Kael falou por ela, com a voz fria:

— Lila seria Alfa. A loba interior dela não podia correr nenhum risco.

Era sempre a mesma história. Por ser uma loba branca, Lila recebia tudo sem mover um dedo. Eu era apenas uma Ômega. Aos olhos deles, minha função era viver à sombra dela.

Lila soltou o fecho do colar e o estendeu para mim.

— Se isso te incomoda tanto, irmã, eu o devolvo.

Sua mão chegou até a metade do caminho. Então ela empalideceu, levou a outra mão ao peito e começou a tossir violentamente.

— Lila!

Minha mãe tomou o colar e o prendeu de volta no pescoço dela.

— Não seja tola! — Ela abraçou Lila como se o próprio corpo pudesse servir de armadura. — Sua loba interior não suportava mais nenhum esforço.

Lila se aninhou nos braços da nossa mãe, respirando com dificuldade e assentindo sem forças.

Observei as duas. O pouco de calor que ainda restava em mim se transformou em gelo. Bastava Lila chorar ou tossir para todos correrem ao seu encontro. Se minha própria loba interior estava despedaçada, isso nunca passava pela cabeça de ninguém.

— Devolvam tudo. Tudo o que era meu.

Todos ficaram imóveis.

Olhei ao redor do salão.

— A pedra da lua. A alcateia Abeto Prateado. O título de Vigia da Lua. Devolvam tudo. Se faltasse uma coisa sequer, eu nunca mais assumiria nenhuma responsabilidade por esta família.

O rosto do meu pai se fechou, e seus olhos se tornaram perigosos.

— Como Alfa, eu decidia o que seria seu — disse ele, me prendendo com o olhar. — Você só recebia o que eu lhe dava. O resto não tinha o direito de tomar.

Minhas unhas se cravaram nas palmas das mãos.

Então era assim que me viam de verdade.

Voltei-me para minha mãe pela última vez.

— Você também pensava assim?

Ela desviou os olhos.

— Mara, Lila era frágil desde o nascimento. Você podia tentar entendê-la um pouco.

Kael acrescentou, frio:

— Antes você era tão sensata. O que aconteceu com você?

Não me dei mais ao trabalho de responder.

Minha mãe tomou meu silêncio como rendição e suavizou a voz.

— Encontraríamos uma pedra da lua nova para você. Depois, devolveríamos esta. Sem mais brigas, está bem?

Assenti.

— Tudo bem.

Ela pareceu aliviada. Não percebeu que minha resposta não significava que eu aceitaria esperar. Significava que eu não esperaria mais.

Fiquei em casa por dois dias. Na manhã do terceiro, arrumei minha mala.

Minha família inteira saiu com Lila para inspecionar a alcateia Abeto Prateado. Parti sem fazer barulho, como se nunca tivesse pertencido aos Fenraven.

Cheguei ao marco da fronteira ao anoitecer. Cyrus já me esperava ali.

Minha loba interior perdeu as forças. Meus joelhos cederam, mas Cyrus me amparou antes que eu caísse no chão.

— Mara — disse ele, em voz baixa. — Bem-vinda ao Norte.

O aroma de cedro acalmou algo dentro do meu peito. Apoiei-me nele e cruzei o marco de pedra.

Blackrock. Os Fenraven. Tudo ficou para trás.
Lanjutkan membaca buku ini secara gratis
Pindai kode untuk mengunduh Aplikasi

Bab terbaru

  • Chega de Sombras   Capítulo 10

    Ponto de vista de MaraAssim que Ivy terminou de falar, um silêncio gelado tomou a praça.— Ela não era uma loba branca — confirmou Ivy. — Tinha uma condição congênita rara: albinismo.— Impossível! — Minha mãe ergueu a cabeça de súbito. — Lila nasceu com o pelo inteiramente branco!— A cor do pelo não provava a linhagem — respondeu Ivy, com a voz fria. — A loba interior de uma verdadeira loba branca jamais seria tão fraca.Kael se colocou diante de Lila.— Foi só um acidente! Lila não estava bem, por isso não conseguiu ativar a barreira.— Exatamente! — meu pai se apressou a concordar. — Um simples erro!Não discuti. Apenas apoiei a mão no núcleo da barreira da Torre da Lua.As runas adormecidas se acenderam num instante. Os membros da alcateia ergueram os olhos para a barreira de proteção e finalmente compreenderam.Durante sete anos, quem esteve naquele núcleo não foi Lila.Fui eu.O ancião principal subiu ao estrado. Seu olhar passou por mim e parou em Lila, ainda incon

  • Chega de Sombras   Capítulo 9

    Ponto de vista de MaraAssim que desci da carruagem em Blackrock, a voz do meu pai estalou como um chicote:— Vá à Torre da Lua. Ative a barreira. Agora.Não me mexi.— Publique o anúncio primeiro.Ele estreitou os olhos.— Que anúncio?Virei a cabeça de súbito e o encarei. Meu pai sorriu e abriu os braços.— Mara, achou mesmo que ainda estava no Norte? Você estava em Blackrock. Aqui, minha palavra era lei.Senti o estômago afundar. A promessa do anúncio não passou de uma isca para me atrair de volta.— Eu não era apenas Mara. Não se esqueça... — Sustentei seu olhar, marcando cada palavra. — Meu nome era Mara North. Eu era cidadã do Norte.O sorriso desapareceu do rosto dele.— Enquanto sangue Fenraven corresse em suas veias, você me obedeceria!Sua pressão de Alfa desabou sobre mim como uma martelada. Cambaleei, mas, antes que conseguisse me firmar, os seis acompanhantes atrás de mim avançaram ao mesmo tempo.Eles afastaram os mantos, revelando insígnias de lobo prateado

  • Chega de Sombras   Capítulo 8

    Ponto de vista de MaraKael não deixou o Norte. Em vez disso, a família Fenraven inteira apareceu.Cyrus pediu minha opinião antes de recebê-los comigo no salão de inverno do Conselho. Meu pai mantinha o rosto duro como pedra, mas cerrou os dentes e, mesmo assim, se curvou diante de Cyrus.Minha mãe veio até mim primeiro, segurando a pedra da lua cinza-azulada com as duas mãos.— Mara, esta pedra era sua — disse ela, com a voz falhando. — Eu a recuperei para você.Olhei para a pedra familiar, estendi a mão e a peguei. Quando não a recusei, uma centelha de esperança surgiu nos olhos da minha mãe.— Mara... Você ficou com ela. Isso significava que estava disposta a me perdoar?Fechei os dedos em torno da pedra da lua.— Ela sempre foi minha.O sorriso esperançoso dela congelou.— Eu só peguei de volta o que me pertencia. Isso não significava que eu a perdoava.Minha mãe empalideceu, como se minhas palavras a atravessassem feito uma lâmina. Baixou os olhos para as próprias mãos

  • Chega de Sombras   Capítulo 7

    Ponto de vista de MaraEu estudava um grimório à mesa de runas quando um assistente veio avisar que Kael pedia para ser recebido.— Ele disse que era urgente — informou, fazendo uma reverência.Ergui uma sobrancelha e decidi vê-lo. Talvez aquela fosse a oportunidade de virar de vez a página do passado.Kael me esperava no fim do corredor, com a mesma postura arrogante de sempre.— Mara. Já se cansou? — Ele me examinou dos pés à cabeça. — Volte para Blackrock.Fechei o grimório e o encarei sem demonstrar nada.— Eu não estava fazendo birra. E não fugi.Kael soltou uma risada de desprezo.— Você saiu sem dizer uma palavra. Como mais chamaria isso?— Aquele lugar não era minha casa.O sorriso sumiu do rosto dele.— Você nasceu em Blackrock. Os Fenraven criaram você por mais de vinte anos, e agora você dizia que aquele lugar não era sua casa?— Ter o mesmo sangue não fazia de um lugar um lar.Sustentei seu olhar.— Entrei oficialmente para o Norte. Agora meu nome era Mara No

  • Chega de Sombras   Capítulo 6

    Ponto de vista de LilaQuando voltaram da inspeção à alcateia Abeto Prateado, o céu já estava completamente escuro.Sentada na carruagem, Lila acariciava com a ponta dos dedos a pedra da lua em seu pescoço, com um sorriso satisfeito nos lábios. A alcateia Abeto Prateado era mais rica do que ela imaginara: havia duas minas de pedra da lua em seu território.Seu pai disse que, assim que ela assumisse o posto de Alfa, aquelas terras passariam oficialmente para seu nome. Um território daqueles era exatamente o que uma nobre loba branca merecia.De volta à residência, sua mãe ordenou que os criados preparassem o jantar. Todos se sentaram à mesa. Só quando o lugar de Mara continuou vazio alguém percebeu sua ausência.— Onde estava Mara? — perguntou a mãe.O criado baixou a cabeça.— A senhorita Mara saiu esta manhã com as malas. Ainda não voltou.A expressão da mãe vacilou. Ela se levantou e foi direto ao quarto de Mara. Não restava quase nada ali: apenas uma cama simples de madeira

  • Chega de Sombras   Capítulo 5

    Ponto de vista de MaraAssim que cheguei ao Norte, Cyrus me enviou ao melhor centro de cura da cidade. O lugar costumava atender apenas à nobreza do Norte. Doze guardas lobisomens vigiavam a entrada, e ninguém se aproximava sem autorização.Cyrus chamou até Ivy, sua curandeira particular, para cuidar da minha loba interior. Ela pousou a mão sobre meu coração e examinou seu estado. Sua expressão ficou grave.— Sua loba interior estava perigosamente fraca. O efeito rebote das barreiras foi severo, e a janela ideal para o tratamento se fechou fazia tempo.Ivy franziu a testa.— Se esperasse mais meio dia, talvez você nunca mais conseguisse se transformar.Baixei os olhos para minhas mãos.Na Torre da Lua de Blackrock, desmaiei sozinha sobre o chão frio de pedra. Nenhum curandeiro apareceu. Ninguém me trouxe sequer uma poção para aliviar a dor.Lila estava ocupada recebendo os elogios da alcateia. Meus pais e meu irmão estavam ocupados cuidando dela. Ninguém se preocupou em saber s

Bab Lainnya
Jelajahi dan baca novel bagus secara gratis
Akses gratis ke berbagai novel bagus di aplikasi GoodNovel. Unduh buku yang kamu suka dan baca di mana saja & kapan saja.
Baca buku gratis di Aplikasi
Pindai kode untuk membaca di Aplikasi
DMCA.com Protection Status