Inicio / Romance / Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo / ​Capítulo 4 — Preço da Dignidade

Compartir

​Capítulo 4 — Preço da Dignidade

last update Fecha de publicación: 2026-06-12 01:47:16

Capítulo 4 — Preço da Dignidade

Victoria Clark

O silêncio que se instalou no quarto de hotel era tão denso que eu conseguia ouvir o som do papel do cheque balançando entre os dedos de Adrian. Minha mente tentava, desesperadamente, conciliar o homem que tinha me tratado como porcelana poucas horas atrás com essa estátua de terno que me encarava como se eu fosse uma mancha no tapete caro.

— O que você disse? — perguntei, a voz saindo mais baixa do que eu gostaria. Forcei meu corpo a se sentar na cama, puxando o lençol de linho contra o peito com força extra.

— Você me ouviu — Adrian deu dois passos na minha direção, o rosto completamente impassível. — Não costumo repetir minhas ordens, muito menos minhas propostas. Ponha o preço que quiser nesse papel e suma da minha vida. Estou pagando pelo seu silêncio e pelo seu incômodo.

A ficha caiu com o impacto de uma bigorna.

A noite maravilhosa, o cuidado, a gentileza... tudo não tinha passado de uma alucinação causada por um homem drogado ou bêbado demais para lembrar quem era. E agora, o CEO implacável estava de volta, tentando comprar o que restava do meu orgulho.

— Você acha que tudo tem um preço, não é? — senti o sangue subir para o meu rosto, mas não de vergonha. Era ódio puro. — Você me olha e só consegue enxergar um número?

— No meu mundo, Victoria, tudo tem um preço — ele respondeu, a voz gélida, os olhos fixos nos meus sem um piscar sequer. Ele jogou o cheque em cima do colchão, perto dos meus pés. — Inclusive a sua encenação de garota inocente. Não sei como você armou para que eu estivesse naquele beco, nem me importa. Só quero o problema resolvido. Pegue o dinheiro.

Eu encarei o papel timbrado ali na cama. Aquele pedaço de papel provavelmente resolveria a conta do hospital da minha tia em dois minutos. Mas o gosto da humilhação na minha boca era tão amargo que eu preferia queimar no inferno a aceitar um centavo daquele homem.

Afastei o lençol com cuidado para não me expor, peguei o cheque e me levantei. Meus pés descalços afundaram no tapete macio enquanto eu caminhava até ele. Adrian não recuou um milímetro, mantendo a postura erguida, os braços cruzados.

— Eu estive com você porque eu quis, seu idiota — disparei, parando a centímetros dele. Minha respiração batia no peito dele. — Eu não quero o seu dinheiro podre.

Antes que ele pudesse responder, juntei o cheque na palma da mão, amassei até virar uma bolinha de papel insignificante e joguei direto na cara dele.

Os olhos azuis de Adrian se estreitaram, uma faísca de surpresa e raiva genuína cruzando seu rosto perfeito.

— Você enlouqueceu? — ele rosnou, dando um passo à frente, a aura ameaçadora tentando me encolher.

— Você ainda não viu nada — respondi.

— Garanto a você que já vi muita coisa, principalmente garotas como você. Esse teatro não me compra, dúvido até mesmo que era virgem!

O movimento foi instintivo. Peguei toda a fúria que estava guardada no meu peito, a injustiça da vida, o medo pela minha tia e o asco daquela arrogância, e desferi um tapa certeiro na bochecha direita dele.

O estalo ecoou pelo quarto luxuoso.

A força do impacto virou o rosto de Adrian para o lado. Uma marca vermelha começou a se desenhar imediatamente na pele clara do seu maxilar. O silêncio que se seguiu foi assustador. Se os olhos dele pudessem matar, eu já estaria enterrada em sete palmos de terra.

Sem dar tempo para ele reagir ou me tocar, virei as costas. Peguei minhas roupas e meu uniforme rasgado do chão, enfiei tudo na mochila de qualquer jeito e caminhei até o banheiro. Me vesti em menos de dois minutos, as mãos tremendo tanto que mal consegui fechar o zíper da minha calça jeans velha.

Quando saí do banheiro, Adrian estava no mesmo lugar, a mandíbula travada, observando cada movimento meu como um predador prestes a dar o bote.

— Nós terminamos aqui — avisei, batendo a porta do quarto com toda a força que tinha.

Corri pelos corredores do hotel cinco estrelas, pegando o elevador de serviço para evitar os olhares dos hóspedes ricos. Só quando cheguei na calçada da avenida movimentada é que me permiti puxar o ar de verdade. O vento frio da manhã bateu no meu rosto, me trazendo de volta à realidade esmagadora.

Eu tinha acabado de esbofetear o homem mais poderoso da cidade e estava sem rumo. Olhei para o relógio no celular e o pânico voltou a morder meus calcanhares: eu precisava correr contra o tempo se quisesse garantir o tratamento da minha tia no Saint Jude.

Apressei o passo pela calçada movimentada do centro, mas um tumulto logo à frente me fez parar.

Pessoas começaram a se aglomerar ao redor de um banco de praça. Um senhor de cabelos brancos, vestindo um sobretudo de caxemira extremamente elegante, estava caído de lado no chão. A mão dele apertava o peito com força, enquanto ele tentava, em vão, puxar o ar. O rosto dele já estava ganhando um tom arroxeado e assustador.

— Alguém chame uma ambulância! Ele está tendo um infarto! — uma mulher gritou, mas ninguém se movia. Alguns apenas olhavam, chocados, e dois adolescentes começavam a filmar a cena com os celulares. 

Esqueci o Adrian, esqueci o cheque, esqueci a minha própria desgraça. O instinto de quem passou os últimos dois anos monitorando crises respiratórias e cardíacas da tia Marie assumiu o controle do meu corpo de forma avassaladora.

Corri em direção ao homem caído, empurrei a multidão enquanto ligava para o serviço de emergência. Me ajoelhei ao lado dele e fiz alguns procedimentos de primeiros socorros que tinha aprendido depois de cuidar da minha tia.

Segurei o rosto do idoso, tentando fazê-lo focar em mim enquanto sua respiração falhava drasticamente.

— Senhor? Olhe para mim! Tente puxar o ar devagar — gritei, enquanto minha mão já tateava o pescoço dele em busca do pulso fraco. — Eu vou te tirar daqui, aguente firme!

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo   ​Capítulo 154 — O Que Realmente Importa

    Capítulo 154 — O Que Realmente ImportaHenry ReevesO silêncio tenso do quarto de hóspedes pesava sobre os meus ombros. A sensação amarga de quase ter colocado tudo a perder queimava a minha garganta. Eu tinha agido como um animal descontrolado minutos atrás. Em vez de acolher a mulher por quem eu estava completamente apaixonado depois do pior trauma da existência dela, deixei a porra da fúria e o pavor me cegarem a ponto de quase empurrá-la para fora daquele quarto.Se eu a perdesse por culpa da minha arrogância, nunca mais me perdoaria.Mantive as minhas mãos trêmulas apoiadas no rosto dela, sentindo a textura macia da pele marcada da Sara, o calor da respiração dela batendo nos meus lábios enquanto o desespero de mantê-la ao meu lado ditava cada pulsar do meu coração.— Eu estou aqui com você, Sara... Você está viva e inteira. Então, por favor, minha princesa… Não me afasta. Não faz isso com a gente. Por favor, não me afasta de você.Sara ergueu os olhos castanhos, as lágrimas ain

  • Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo   ​Capítulo 153 — Feridas Abertas

    Capítulo 153 — Feridas AbertasSara Olsen— Agora me diz uma coisa, Sara... Que merda você tinha na cabeça para ir até aquele galpão sozinha?!A pergunta ecoou pelas paredes de mármore do banheiro como um estalo seco, cortando o vapor morno que subia da banheira. Senti cada músculo das minhas costas travar contra o peito do Henry. A água aquecida, que minutos atrás parecia o único refúgio seguro em meio ao caos, de repente pareceu perder todo o seu calor.Engoli o nó áspero que insistia em fechar a minha garganta e tentei me virar de lado na água para encará-lo. Os olhos do Henry não tinham o brilho carinhoso de sempre; eles ardiam em uma mistura pesada de fúria contida, mágoa e um desespero cru que me fez estremecer por dentro.— Eu não tive escolha, Henry... — sussurrei, a voz saindo fraca e trêmula, carregada pelo cansaço do meu corpo machucado. — Aquele homem foi direto e implacável no telefone. Ele disse com todas as letras que se eu não estivesse lá em sessenta minutos, e se eu

  • Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo   ​Capítulo 152 — Que merda você tinha na cabeça?

    Capítulo 152 — Que merda você tinha na cabeça?Henry Reeves— Henry, por favor… não faz isso… — ela chorava em desespero. — Eu estou te implorando, não deixa meu irmão morrer. — Ela agarrou a minha camisa e me encarou com os olhos em puro pavor. Andrew interveio com a sua postura calma e profissional:— Deixa comigo, Sara. Eu vou até a sala dos fundos avaliar o estado dele e acionar uma equipe médica de emergência agora mesmo.Encarei meu amigo com ódio.— Andrew, não!!— Henry, não toma atitude baseada na raiva para não se arrepender. — Andrew me repreendeu. — Eu vou até lá, Sara. Não se preocupe. — ele avisou. Sara assentiu, aliviada entre os soluços:— Obrigada... Muito obrigada… De verdade, muito obrigada. Andrew caminhou em passos largos até o corredor lateral para prestar os primeiros socorros ao Samuel.Decidi ignorar o ódio em saber que o responsável por todo esse sofrimento da minha garota seria resgatado, e quis sair logo dali.Passei um braço pelas costas da Sara e o out

  • Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo   ​Capítulo 151 — Aquele maldito não!!

    Capítulo 151 — Aquele maldito não!!Henry ReevesEu insisti, berrei e exigi que o Thomas me passasse as coordenadas no mesmo segundo, mas ele foi irredutível. Meu amigo cortou a minha histeria com a frieza de quem dominava cenários de guerra: avisou que ele já estava a caminho da empresa para me buscar junto com Chen e Andrew, e que ninguém entraria naquele inferno de forma amadora. Antes que eu pudesse protestar, Tom encerrou a chamada na minha cara.Adrian, Augustus e Willian desceram para a garagem para pegar os seus veículos. Menos de cinco minutos depois, um carro preto freou bruscamente junto ao meio-fio da avenida. Pulei para dentro do banco de trás sem pensar duas vezes, com os carros do Adrian e do Augustus nos seguindo colados pela rota expressa em direção à zona portuária.O trajeto pareceu uma eternidade torturante. Assim que o automóvel embicou no pátio escuro e abandonado daquele galpão imundo, a minha mão foi direta na maçaneta para descer em disparada, cego para resg

  • Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo   ​Capítulo 150 — O Resgate

    Capítulo 150 — O ResgateSara OlsenEu fiz tudo exatamente como aquele desgraçado mandou. Segui cada instrução, enfrentei o pavor daquela corrida contra o tempo e pisei sozinha naquele galpão imundo para tentar salvar a vida do meu irmão. Mas o meu mundo desabou de vez. A dívida era impagável, Samuel estava estirado no chão sangrando até a inconsciência, e a proposta asquerosa que saiu da boca daquele monstro ecoava nos meus ouvidos como um veneno puro.— Fica comigo. Seja a minha companhia, o meu brinquedo particular, me satisfaça do jeito que eu mandar... E eu não só deixo o seu irmão sair vivo daqui hoje, como perdoo cada centavo dessa dívida.Ele ainda mantinha os dedos cravados na minha mandíbula, a respiração nojenta roçando a minha pele. Minha vontade foi gritar, cuspir, quebrar a cara daquele sujeito em mil pedaços, mas o pavor me paralisou por dois segundos.— Não... Por favor, não faz isso! — minha voz saiu em um soluço desesperado, tentando encontrar uma saída no meio do p

  • Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo   ​Capítulo 149 — Contagem Regressiva

    Capítulo 149 — Contagem RegressivaHenry ReevesA minha voz saiu entrecortada, o desespero vazando por cada poro da minha pele.Houve uma pausa de meio segundo do outro lado, e quando o Thomas voltou a falar, a postura dele mudou instantaneamente.— Respira, irmão. Só puxa o ar, foca na minha voz e me conta exatamente o que está acontecendo aí.Apoiei o braço livre na parede de vidro da fachada da holding, tentando conter a tremedeira nas minhas pernas.— A Sara estava terminando o expediente aqui na empresa agora pouco. Ela recebeu uma ligação, entrou em pânico absoluto e correu para a rua. Ela acabou de entrar em um carro de aplicativo no meio da avenida e sumiu sem falar uma única palavra com ninguém. Ela rejeitou todas as minhas chamadas e as do William.Thomas ficou em silêncio por um breve instante, processando as informações.— Você sabe de alguma coisa que possa justificar isso, Henry? Você tem alguma ideia de quem possa ter ligado para ela a essa hora? Teve algum aconteciment

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status