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​Capítulo 5 — O Peso da Injustiça

last update Fecha de publicación: 2026-06-12 02:18:39

Capítulo 5 — O Peso da Injustiça

Victoria Clark

O homem tentou abrir os olhos, os lábios já arroxeados movendo-se com extrema dificuldade. Ele segurou o meu pulso com os dedos trêmulos e, em um sopro de voz antes de apagar completamente nos meus braços, sussurrou:

— Vic... Victor...

— Senhor Victor! Fique comigo! 

Vi quando os paramédicos finalmente apareceram na esquina com a maca.

— O senhor vai ficar bem, eu prometo… — sussurrei ao homem antes de o carregarem e o levarem direto para o hospital. 

O som da sirene da ambulância ainda ecoava nos meus ouvidos enquanto eu andava de um lado para o outro na sala de espera do pronto-socorro. Minhas mãos estavam sujas com a poeira do asfalto e minhas roupas amassadas, mas eu não conseguia me importar.

Eu tinha insistido em vir na ambulância com o senhor desconhecido; dei o nome que ele me sussurrou antes de desmaiar e os paramédicos acharam seus documentos logo em seguida. Eu não podia simplesmente deixá-lo sozinho sabendo exatamente o horror que é não conseguir respirar.

— Acompanhante do senhor Victor Foley? — o médico de plantão apareceu na porta, olhando ao redor com uma prancheta em mãos.

"Foley?", pensei por um breve segundo, sentindo um estalo incômodo na mente. Aquele sobrenome me lembrava o homem que tinha pisoteado meu orgulho naquela manhã, mas ignorei. Devia ser apenas uma coincidência infeliz; o mundo estava cheio de sobrenomes iguais e aquele idoso dócil e indefeso não parecia ter qualquer ligação com o monstro de gelo do hotel.

Me aproximei do médico, hesitante.

— Eu não sou parente, doutor. Fui eu quem o encontrou na rua. Como ele está?

— Ele teve um infarto do miocárdio, mas o socorro rápido salvou a vida dele. Ele já está medicado, estável e consciente no quarto. Pode entrar por alguns minutos se quiser vê-lo, ele insistiu em agradecer à moça que o socorreu.

Soltei um suspiro longo, sentindo um alívio genuíno.

— Obrigada, doutor.

Antes que eu pudesse dar o primeiro passo em direção ao corredor dos quartos, o meu celular começou a vibrar loucamente no bolso da calça. O visor brilhava com o nome do Ricardo. Meu estômago despencou. O turno do bar já tinha acabado, mas eu deveria estar abrindo o caixa do meu segundo emprego na lanchonete parceira do mesmo grupo agora.

Apressei o passo para um canto mais reservado do hospital e atendi, tentando manter a voz o mais firme possível.

— Ricardo, oi. Me desculpa, eu...

— Nem comece, Victoria — a voz dele veio carregada de uma frieza cortante, sem qualquer espaço para diálogo. — O gerente da lanchonete acabou de me ligar dizendo que a porta está fechada e tem clientes esperando na calçada. Eu tolero sua cara de defunto no bar, mas não cumprir seu turno é inadmissível! No que você estava pensando? 

— Ricardo, por favor, me escuta! — implorei, encostando a testa na parede fria do hospital, engolindo o choro. — Eu juro que não foi por irresponsabilidade. Eu acabei de salvar um senhor que estava tendo um infarto na rua. Vim com ele na ambulância, estou no hospital agora. E a minha tia... ela foi transferida para a semi-intensiva ontem à noite, eu estou desesperada, preciso desse emprego!

Houve um segundo de silêncio do outro lado da linha. Por um milésimo de segundo, achei que ele fosse ter um pingo de humanidade.

— Eu não sou assistente social, Clark, e não me importo com os seus dramas familiares ou com os velhos que você decide salvar na rua. Eu preciso de funcionários focados, não de uma acumuladora de desculpas. Você está demitida de ambos os postos. Não se dê ao trabalho de voltar aqui.

— Ricardo, por favor! Só mais uma chance, o tratamento da minha tia...

O som do bipe da ligação encerrada cortou minha fala. Ele tinha desligado na minha cara.

Abaixei o celular lentamente, sentindo as lágrimas finalmente vencerem as minhas barreiras e escorrerem pelo meu rosto. O chão parecia ter sumido debaixo dos meus pés. Eu não tinha emprego, não tinha o dinheiro do depósito do hospital e, em poucas horas, a tia Marie seria mandada para a rede pública.

Sequei o rosto bruscamente com as costas das mãos. Eu não podia desabar agora. Precisava ser forte por ela.

Caminhei até o quarto indicado pelo médico para me despedir do senhor e pegar minhas coisas. Quando empurrei a porta de madeira, encontrei o idoso deitado na cama, cheio de fios conectados ao peito, mas com uma expressão incrivelmente lúcida. Os olhos dele eram de um azul muito vivo.

— Olá, minha jovem — a voz dele saiu fraca, mas firme. Um terno sorriso surgiu em seus lábios. — Estava torcendo para que você não tivesse ido embora. Os médicos me contaram que se não fossem os seus primeiros socorros, eu não estaria aqui.

Me aproximei da cama, forçando o meu melhor sorriso para não transparecer o meu desespero.

— Não precisa agradecer, senhor Victor. Fico muito feliz em ver que o senhor está bem.

— Eu acabei ouvindo sua conversa ao telefone agora há pouco. A porta estava entreaberta — ele disse, o olhar atento, analisando meu rosto, notando meus olhos vermelhos. — Você perdeu o emprego por minha causa, não foi? E ouvi você mencionar o tratamento de uma tia. Me diga, minha querida, qual é o seu nome?

— Victoria. Victoria Clark.

O senhor guardou o nome por um segundo, os olhos brilhando com uma intensidade nova, como se uma engrenagem estivesse girando na mente dele.

— Victoria... um nome forte. Sabe, o destino é uma coisa fascinante. Eu estava justamente procurando por alguém com sangue nas veias, caráter e que não se vende por pouco.

“Vende por pouco” as palavras dele me fizeram lembrar do babaca que me jogou um cheque horas atrás, era como se Victor soubesse pelo que passei.

Dei uma risada curta, sem humor, achando que o efeito dos remédios estava deixando o idoso um pouco confuso.

— Acho que o senhor está me elogiando demais. No momento, eu sou só uma garota sem eira nem beira que não sabe como vai pagar a conta do hospital amanhã.

— Pois eu sei exatamente como resolver o seu problema — ele se inclinou um pouco para a frente, o olhar fixo no meu, mudando completamente o tom de voz para algo decidido. — Eu tenho uma proposta para você, Victoria. Uma proposta que vai garantir o melhor tratamento médico do país para a sua tia, com os melhores especialistas, até ela estar totalmente curada. E ainda vou te dar uma estabilidade financeira que você nunca sonhou em ter.

Pensei ter ouvido errado.

— O senhor está brincando, não está? Por que faria isso por mim?

— Porque eu preciso de um favor em troca. Um favor que só você pode me fazer — ele deu um sorriso enigmático. — Eu quero que você se case com o meu neto.

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Comentarios (1)
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Noeli Pazetto
Empolgante .........
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