Compartir

115. Contraste

last update Fecha de publicación: 2026-08-30 10:46:55

Belinda

Acordo no dia seguinte com a boca amarga e o peso do teste de gravidez queimando na gaveta da minha cabeceira. O sol da manhã entra pelas frestas das cortinas pesadas, mas não traz calor nenhum para o quarto.

Assim que abro a porta para ir ao banheiro, dou de cara com Pablo no corredor. Ele veste calça social escura e uma camisa de linho cinza com as mangas dobradas até a metade dos antebraços.

Ele para no mesmo instante, os olhos escuros descendo pelo meu rosto com atenção redobrada.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App
Capítulo bloqueado

Último capítulo

  • Cláusulas para Não se Apaixonar   118. Você venceu

    BelindaAfasto o meu corpo devagar, descolando minha testa da dele.Olho nos olhos amendoados de Pablo, sentindo o carinho do toque dele ainda queimar na minha pele, mas a firmeza volta aos meus ossos num estalo.— Não, Pablo.O vinco na testa dele reaparece no mesmo segundo, desfazendo a expressão afetuosa.— Belinda...— Eu não vou abrir mão da fundação — digo, a voz soando calma, mas sem margem para recuo. — Eu não vou me trancar aqui dentro.Pablo solta o ar com força pelo nariz. Ele passa a mão na nuca, dando dois passos de lado no escritório antes de se virar para mim com os braços abertos num gesto de incredulidade:— Você ouviu o que eu acabei de falar? Eu não estou te pedindo isso por capricho. Estamos falando de fuzis de guerra na mão dos Conchiglias! De franceses querendo explodir o centro histórico para tomar as rotas! — E eu estou falando de sanidade, Pablo! — elevo o tom, dando um passo à frente. — Você quer me transformar em quem? Na minha mãe? Quer que eu viva com med

  • Cláusulas para Não se Apaixonar   117. O nosso bebê

    BelindaDeixo o quarto da minha mãe com o coração mais leve, mas com os passos firmes no chão de pedra. Subo direto para a ala oeste do segundo andar.Não vou adiar mais.Paro diante da pesada porta de madeira do escritório particular de Pablo. Bato duas vezes com os nós dos dedos.— Entra — a voz grave dele soa de dentro.Empurro a porta. Ao ouvir o clique da fechadura, ele ergue os olhos. O vinco tenso na testa dele se desfaz no mesmo instante.Ele tira os óculos, pousando-os sobre os papéis.— Belinda? — ele dá a volta na mesa devagar, os olhos atentos e suaves varrendo o meu rosto. — Você está pálida. A dor de cabeça não passou?Fecho a porta atrás de mim. Permaneço parada no centro da sala, apertando a alça da bolsa onde o teste continua guardado.— Não era enxaqueca, Pablo — digo, a voz saindo baixa, mas firme.Ele para a um passo de mim, inclinando a cabeça com um cuidado genuíno:— O que foi, então? Você está se sentindo mal?— Não é doença — respiro fundo, puxando o ar até a

  • Cláusulas para Não se Apaixonar   116. O medo ainda está aqui

    BelindaFecho o notebook no quarto de Lauren e respiro fundo. Lauren apoia a mão no meu ombro antes de eu me levantar.— Vai dar uma volta? — ela pergunta.— Preciso falar com a minha mãe. Desço a escadaria monumental em passos silenciosos. O saguão está vazio.Cruzo o arco do térreo em direção à ala dos fundos, onde Ginevra instalou Aurora e Angélica. A porta do quarto da minha mãe está entreaberta. Bato de leve com a ponta dos dedos na madeira.Aurora está sentada perto da janela com vista para o jardim lateral. Ela segura uma xícara de chá entre as mãos trêmulas, com um xale escuro sobre os ombros e os cabelos grisalhos presos num coque frouxo. Ao me ver na soleira, ela apoia a xícara no pires sobre a mesa pequena e se ajeita na poltrona.— Belinda... — a voz dela sai baixa, cautelosa. — Você quer entrar?Entro no cômodo, puxo a cadeira de madeira estofada à frente dela e me sento. Cruzo os dedos sobre o colo, sentindo o arrepio do vento que passa pelas frestas de vidro.Ficamo

  • Cláusulas para Não se Apaixonar   115. Contraste

    BelindaAcordo no dia seguinte com a boca amarga e o peso do teste de gravidez queimando na gaveta da minha cabeceira. O sol da manhã entra pelas frestas das cortinas pesadas, mas não traz calor nenhum para o quarto.Assim que abro a porta para ir ao banheiro, dou de cara com Pablo no corredor. Ele veste calça social escura e uma camisa de linho cinza com as mangas dobradas até a metade dos antebraços.Ele para no mesmo instante, os olhos escuros descendo pelo meu rosto com atenção redobrada.— Bom dia — a voz dele soa grave, mas cuidadosa. — A dor de cabeça passou? Você mal saiu do quarto ontem.Desvio o olhar rápido para o chão, dando meio passo para trás em direção ao batente.— Tô bem melhor — respondo num tom seco, forçando a voz a não tremer. — Só... preciso de um banho e de um café.Ele dá meio passo à frente, erguendo a mão para afastar uma mecha solta do meu cabelo:— O médico da família está disponível se você ainda estiver indisposta com a fundação —— Eu já disse que estou

  • Cláusulas para Não se Apaixonar   114. O mesmo ciclo

    Belinda11h42.Os ponteiros dourados do relógio de parede no gabinete de restauração parecem se arrastar.— Esta coleção de gravuras florentinas do século dezesseis requer cuidados específicos de temperatura — a voz monótona do curador-chefe ecoa pelas estantes de carvalho. Ele aponta com uma pinça para o catálogo aberto sobre a mesa. — A senhora compreende a importância da conservação dos manuscritos?— Perfeitamente — respondo no automático.Minha mão direita repousa sobre a bolsa no meu colo, apertando o zíper onde o bastonete com as duas linhas vermelhas continua guardado. A cada respiração, sinto o tecido do vestido apertar contra o meu estômago.— Podemos encerrar por hoje? — pergunto, cortando a fala do homem antes que ele abra o terceiro volume. — Tenho compromissos na propriedade.O curador pisca, surpreso com o corte abrupto, mas se curva num aceno respeitoso.— Claro, senhora. O carro da escolta já foi notificado.Levanto-me sem olhar para trás. Cruzo o corredor de piso enc

  • Cláusulas para Não se Apaixonar   113. Dois traços

    BelindaO gosto amargo queima o fundo da minha garganta. Apoio as duas mãos na parede do corredor, sentindo as pernas bambas ameaçarem ceder.— Belinda! — a voz de Pablo soa atrás de mim, os passos pesados dele se aproximando rápido.— Não encosta em mim — balbucio, limpando a boca com as costas da mão trêmula.Não olho para trás. Ignoro a expressão petrificada de Angélica e o olhar assustado da minha mãe no saguão. Agarro o corrimão de ferro da escadaria monumental e começo a subir os degraus de dois em dois, arrastando o corpo com o pouco de ar que me resta. A cada passo, o estômago se contorce em nós secos e a cabeça gira em ondas de calor.Passos rápidos e leves sobem a escada logo atrás de mim.Empurro a porta do meu quarto na ala leste e entro tropeçando no tapete. Vou direto para a pia do banheiro integrado, abrindo a torneira com força para enxaguar a boca e jogar água gelada no rosto.Lauren entra no quarto e bate a porta com o calcanhar, trancando a fechadura.Ela para na s

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status